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sábado, 24 setembro 2005

País do Penta #1

Categoria: 05 Brasileirão , Col: Caio Maia

Até o Goiás pode

Internacional, com Tinga em destaque, é líder do Brasileirão

Faltam 15 rodadas para o fim do Brasileiro, e pelo menos meia dúzia de equipes têm boas chances de chegar ao título. É outra característica única do torneio: na maioria das ligas européias, nesta altura da competição, dois, três ou no máximo quatro podem chegar em primeiro (em Portugal, a 34 rodadas do fim já se sabe que o vencedor será o Porto, o Benfica ou o Sporting - desculpem a brincadeira, amigos portugueses!).

O Internacional lidera há duas rodadas. Começou o campeonato razoavelmente bem, mas não ganhava os jogos fáceis em casa. Quando começou a ganhar, com uma ajuda da instabilidade dos adversários, chegou à liderança. Não perde há sete jogos e vem embalado. É difícil, no entanto, acreditar que possa manter a boa fase, por uma razão simples: tem um elenco ruim. Tem titulares ruins, imagine então os reservas. É um problema parecido com o do Palmeiras que, quando Leão assumiu, ganhou várias seguidas. Quando perde a primeira, se abala, e os jogadores tendem a perceber seus próprios limites.

Deveria estar então apavorado com o assédio do multimilionário Corinthians, que tinha a obrigação de ter um elenco fora de série só porque gastou dez vezes mais que os outros. A esta altura, no entanto, até eu já percebi que nulidades como Sebá, promessas não realizadas como Mascherano e Carlos Alberto e um craque, Tevez, não formam um superelenco. Para completar, o Timão tem no banco um técnico que não é pior que a imensa maioria dos outros, mas que começou há pouco tempo, ou seja, ainda vai errar muito antes de se firmar.

Flu e Santos fecham o ´grupo dos cinco´ que pode terminar a próxima rodada com os mesmos 50 pontos do Colorado. O Tricolor perdeu mais uma das diversas chances que já teve para garantir mais dois pontinhos ao ceder o empate ao Flamengo no finalzinho do jogo. Só que o Fluminense, ao contrário do Inter, tem um bom grupo de titulares e até alguns bons reservas. Precisa é botar na cabeça que luta pelo título.

O Santos é na verdade o único mistério deste final de competição. Poucas horas depois que esta coluna for publicada, fecha-se o mercado brasileiro e, até lá, a expectativa é de que o Peixe seja o único a apresentar reforços de peso, talvez Luisão. Se chegar um atacante de primeira, e em forma, o alvinegro da Vila briga pelo título. Se depender de Ricardinho, já dissemos aqui, morre antes de chegar na praia.

E o Goiás, que deixamos para o fim? Dissemos há algumas semanas que faltava camisa ao Goiás, que o fato de sua torcida se contentar com uma vaga na Libertadores poderia fazer a diferença na hora da decisão. O fato é que, se considerarmos que um time que tem Clemer no gol e Wilson na zaga pode ser campeão, não dá para desconsiderar ninguém que venha apresentando bons resultados com regularidade.

Contratar Dodô e, sobretudo, Jardel, é verdade, não parece ajudar muito, mas o Goiás tem ganho a grande maioria dos jogos em casa e tem perdido pouco. Seu técnico, aliás, já foi campeão com um time considerado pequeno, o Atlético-PR, vencedor em 2001.

Dos cinco primeiros, qualquer um pode ser campeão. Se o Inter pode, o Goiás também pode.



Queda livre

É impressionante a queda livre do Cruzeiro. Desde a saída de Fred, o time perdeu os sete jogos que disputou. É um grande jogador, faz falta a qualquer clube do mundo, mas será que o elenco do Cruzeiro ficou pior que o do Inter?

Paulo César Gusmão é um exemplo dos mitos que o futebol brasileiro cria. Nunca ganhou nada, nunca mostrou um trabalho consistente, mas como utiliza um computador portátil, ganhou respeito. Agora, envergonhados, os que encheram sua bola esquecem que tem um ótimo grupo de jogadores na mão, mas não consegue fazê-los jogarem bola.

Quando abandonou o Botafogo no início do campeonato e ainda botou a culpa no time, PC mostrou que, no terreno da (falta de) ética, saiu ao professor, Luxemburgo. Ao que parece, em termos de resultados, ainda tem muito que aprender.

A queda livre do Cruzeiro só não é tão impressionante quanto a de outro mito do futebol brasileiro, o São Caetano. Clube alimentado à base de dinheiro público, nunca teve uma sombra do profissionalismo que insistiam em enxergar em sua estrutura paternalista.

Bastou uma fase ruim para tudo degringolar: depois de sete derrotas seguidas no Brasileiro, o clube ocupa a 17ª posição na tabela, a apenas uma vitória do Galo, o último da ´zona da morte´. Desde que disputou a final da JH, o Azulão nunca esteve tão perto da Segundona.



[de primeira]

- Fecham o grupo dos possíveis campeões o Palmeiras e, com chances remotíssimas, o São Paulo.

- Se Leão não fosse tão teimoso, Sérgio não teria falhado nos gols do Santos por um simples motivo: sentaria no banco, lugar que lhe cai muito bem, e assistiria a Marcos, um dos melhores goleiros do mundo, tentar impedir a fraca defesa do Palmeiras de pôr tudo a perder de novo.

- Quanto ao São Paulo, é simples: não é impossível o Tricolor chegar lá, mas é quase: 13 pontos o separam do Inter, e faltam só 15 rodadas. Acho que só se ganhar todos os jogos que ainda lhe faltam.

- O Tricolor vai depender, sim, de Amoroso, mas muito mais de Cicinho. Durante a fase de derrotas, Amoroso jogou em quase todas as partidas, mas Cicinho não. Desde a volta do lateral, o time ganhou todas.

- Luizão ganhou a Libertadores pelo São Paulo, chorou, disse que ia pedir para ser liberado para jogar o Mundial... e poucos meses depois está muito perto de acertar com o Santos. Como já se disse antes aqui: depois esses caras querem ser levados a sério...



Brasileirão - Ao Detalhe (trivela.com):

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Artilharia

Publicado por Caio Maia às 01:35

Comentários

"(em Portugal, a 34 rodadas do fim já se sabe que o vencedor será o Porto, o Benfica ou o Sporting - desculpem a brincadeira, amigos portugueses!)."
Sr Carlo Maia está a confundir a beira da estrada com a estrada da beira. Não é a mesma coisa.
O Brasil tem 160 milhões de habitantes. Tem um território maior que a europa ocidental toda. Para fazer um paralelismo de candidatos ao titulo tem de usar os mesmos critérios. Se fizermos na Europa a conta a 150 milhões teríamos de juntar Portugal, Espanha, França, Alemnha e Inglaterra. E ainda nos faltavam Km2. Assim já teria mais candidatos ao titulo desse campeonato , Barcelona e real Madrid, Lyon e Marselha e Mónaco, Bayern Munique e Borussia dortmund, Chelsea e mancheste e Arsenal.
Não compare o que não pode ser comparado. Mesmo num só Estado do Brasil há mais equipas para o título estadual que em Portugal. Mas já é mais aproximado. São Paulo, Santos ou palmeiras. Botafogo, Flamengo ou Fluminense.
Não peça desculpa, não nos ofendeu. Na respectiva escala temos tantos candidatos ao titulo como a nossa população e território permitem.
Abraço.

#1 | Comentado por: Rui | 24 de outubro de 2005 às 21:09

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