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sábado, 24 setembro 2005

Penafiel 1 - 3 Benfica

Categoria: 05/06 SuperLiga , Benfica , Penafiel

Penafiel - Benfica: festejos 'encarnados' no golo de Simão

Vitória clara e segura do Benfica fora de portas. 3 golos fora de casa para o campeonato não se via praticamente desde a primeira jornada da época anterior. Parece confirmar-se o crescendo do campeão nacional, que agora tem que esperar deslizes de Sporting, Porto e Braga para entrar "a sério" na corrida do título. O Penafiel mostrou muito pouco, apesar do discurso seguro de si de Luís Castro durante a semana. Uma equipa que precisa urgentemente de repensar a estratégia.



Enquadramento

Durante a semana tudo parecia ao contrário. Pelo menos, foi isso que Luís Castro tentou fazer. Segundo o treinador penafidelence, o Benfica já não era uma equipa confiante que ia ao 25 de Abril após duas vitórias, mas deveria ser uma equipa temerosa, que quanto muito devia contentar-se com um empate. E porquê? Bem, por três razões principais. A primeira centrava-se na história. Uma derrota a época passada chegava e sobrava para fazer do Penafiel um género de Nacional do Peseiro. A segunda baseava-se na lógica da força e da contra-força. Argumentou Luís Castro que Koeman ia pedir força aos jogadores do Benfica atento à derrota da época passada, mas Castro resolvia tudo com um contra-ataque, pedindo aos seus jogadores ainda mais força que Koeman. Refira-se que os seus jogadores cumpriram essa exigência à risca e no seu sentido mais estrito. A terceira razão resultou de uma análise atenta e cuidada às características do plantel em que se tronou claro (contra todas as previsões e análises anteriores) que o Benfica tem uma equipa de baixa estatura. Qual é a solução? Jogar pelo ar e o jogo está no bolso.

Infelizmente para Luís Castro não foi isto que se passou nos terrenos da revolução. O Benfica surgiu confiante e resolveu cedo a partida (contra as previsões dos adeptos mais atentos), e foi controlando as operações a pensar no confronto de Manchester e saúde das suas próprias pernas. O Benfica confirma assim as indicações de viragem que tinha vindo a dar nos últimos dois jogos e parece preparado para participar com voz activa nos destinos da Liga 2005/2006. O Penafiel jogou mal, duro e de forma desorganizada. Onde está a equipa da segunda volta da época passada? Uma equipa que não era um primor exibicional, mas a quem era muito dificil bater? As jornadas vão passando e a equipa vai caindo cada vez mais em baixo na tabela classificativa. Vislumbram-se tempos conturbados.

Tácticas

O Benfica apresentou-se no 25 de Abril com o seu 4x3x3 "à Koeman", no seguimento dos últimos dois jogos. Nuno Gomes partiu de uma posição de centro campista, para surgir no ataque de "trás para a frente" a criar desiquilibrios. Esta modalidade tem mostrado as suas mais valias, traduzindo-se num 4x5x1 quando a equipa defende, ficando apenas Miccoli na frente de ataque e ganhando Nuno Gomes no meio campo para as disputas aereas, e num 4x2x4 quando a equipa ataca, com o mesmo Gomes a surgir perto de Miccoli e Geovanni e Simão a abrirem nas alas.

Na segunda parte, por via da lesão de Geovanni, Beto alinhou encostado à direita, desempenhando contudo uma posição de mais contenção que o seu colega. Com esta substituição a fluidez de jogo perdeu-se, voltando a ser recuperada com a saída de Miccoli e entrada de João Pereira, que resultou num reforço com centro do meio campo com Beto e uma dinamização da ala direita com João Pereira, mantendo a segurança defensiva. No final da partida, Ricardo Rocha entrou para o lugar de Léo, e fica a dúvida se foi apenas para segurar o resultado (que quando entrou já era de 1-3) ou se para ensaiar Manchester.

O Penafiel perfilhou-se num sistema 4x1x4x1, sobre-povoado a meio campo, na expectativa de Jorginho fazer as compensações dos movimentos de pressão de N'Doye e Pedro Araújo, aproveitando a velocidade de Marco Ferreira e Barrionuevo para servir Riberto. Um sistema que se preocupava mais em não deixar jogar e que mostrou debilidades pela falta de um municiador (que saudades de Wesley) para os lances de contra-ataque. Na segunda parte, Cristóvão tentou fazer esse papel, mas o futebol continou atabalhoado.

Positivo

Golos - Foram dois de belíssima execução. Primeiro Simão na recarga a um livre marcado por si, a colocar a bola com toda a potência no ângulo, o que deveria constituir um estímulo para Simão arriscar mais com o seu pé esquerdo. Segundo Nuno Gomes, com o jogo reduzido para a diferença mínima, aproveita lançamento de Petit e na passada remata de primeira na zona do bico da área, para um golo espectacular que entra no ângulo contrário. Os outros golos, não tendo a mesma qualidade, também merecem a referência. No primeiro Gomes mostra oportunismo quando normalmente não o é, e o golo de Marco Ferreira resulta de uma boa jogada do Penafiel, embora beneficie dos centímetros a menos de Léo.

Exibição segura e vitória clara do Benfica - Sem dúvidas um bom resultado. Uma exibição menos famosa, mas segura e prometedora. Marcaram 3 e poderiam ter marcado mais. Sofreram 3 minutos quando poderiam ter terminado o jogo muitos minutos antes. Se esta equipa de Koeman é melhor que a de Trapattoni ainda não sabemos, mas a diferença vai sendo cada vez mais visível.

Negativo

Jogo duro - Numa semana de elevado debate, o Penafiel apresenta-se com elevado nível de agressividade. O jogo foi demasiado duro e Benquerença colaborou usando de demasiada permissividade. Claro que na segunda parte os jogadores do Benfica não quiseram ficar para trás e lá foram respondendo aos colegas do Norte. Benquerença lembrou-se, então, de distribuir amarelos, mas já era tarde demais. O argentino Barrionuevo merece um prémio de distinção neste capítulo. Impressionante a forma como escapou da expulsão de Benquerença. Não teve a mesma sorte com Luís Castro e todos suspirámos de alívio.

Apagamento do Benfica após os dois golos - Quando tudo estava a ser tão fácil, o Benfica recuou (numa lógica Trapattoni) para segurar o resultado. Contudo, há uns quantos jogadores novos que não conhecem a cantida e resultou num futebol mastigado e propicio para o (inevitável) golo do Penafiel. O mais incomodativo nesta estratégia foi que a equipa demonstrou, quando ensaiava lances de ataque, enorme facilidade em criar desiquilibrios, pelo que não se justificava tal postura.

Penafiel - Fraco, fraquinho. Ao plantel parece faltar qualidade e a estratégia de Luís Castro de perder o mínimo de pontos possível parece não resultar. Preve-se um mês de Janeiro em grande (e que se lixem os contas), com ou sem Castro. Ainda é cedo, mas com 4 a descer esta equipa perfilha-se entre os grandes candidatos.

Ás: Nuno Gomes. Mais uma vez, decisivo. Dois golos, um de belíssima execução. Na nova era dos avançados tornados médios, Nuno Gomes parece adaptado a este sistema de grande movimentação e promete voltar aos tempos de Nuno Golos. Esforçado a defender e com inteligente na frente de ataque. Pena não ter concretizado o lance depois de ultrapassar Nuno Santos. Poderia e deveria ter arriscado com o pé esquerdo. Espera-se um maior entendimento com Miccoli, na promessa de uma dupla de sucesso.

Ficha de Jogo

Árbitro: Olegário Benquerença [AF Leiria]

Penafiel: Nuno Santos; Pedro Moreira, Welington, Sérgio Lomba e Celso (Cristóvão, 45 m); Jorginho (Nuno Amaro, 69 m); Marco Ferreira, N'Doye, Barrionuevo (Nilton, 45 m), Pedro Araújo; Roberto.
Treinador: Luís Castro
Suplentes não utilizados: Avelino, Jacques, Orahovic, Bonorad.

Disciplina: Cartão amarelo a Barrionuevo (10 m), MArco Ferreira (16 m), Pedro Araújo (45+ 1 m), Nuno Amaro (78 e 92 m).

Golo: Marco Ferreira (80 m)

Benfica: Moreira; Nélson, Luisão, Anderson, Léo (Ricardo Rocha, 85 m); Manuel Fernandes, Petit, Nuno Gomes; Geovanni (Beto, 45 m), Simão, Miccoli (63 m).
Treinador: Ronald Koeman
Suplentes não utilizados: Quim, Mantorras, Carlitos, Nuno Assis.

Disciplina: Cartão amarelo a Beto (59 m), Manuel Fernandes (65 m) e simão (91 m).

Golo: Nuno Gomes (5 e 83 m) e Simão (12 m).

Publicado por alexandre calado às 16:00

Comentários

o resultado foi 1-3(o título saíu errado)

#1 | Comentado por: cherub_rocker | 24 de outubro de 2005 às 21:09

Na minha opinião a entrada do R. Rocha foi para ganhar centímetros na defesa. O jogo estava a caminhar para o final e com o resultado em 1-2 Koemen acho que pensou o obvio, o Penafiel iria começar a bombear bolas para o ataque. Entretanto N. Gomes marcou golo (este gajo marca sempre o mais dificil e falha sempre o mais facil) e a substituição já estava em curso.

Mais uma vez o critério do arbitro em termos disciplinares foi uma desgraça com o Benfica a ser o principal prejudicado (depois venham dizer que a culpa é do jogadores) e ontem poderiamos ter alguns jogadores (Geovanni e Nelson) com lesões graves. Geovanni ainda saiu, e vamos la ver se joga ou nao na terça-feira.

#2 | Comentado por: Ricardo Wiggy Gomes | 24 de outubro de 2005 às 21:09

Tal como disse no meu post da outra thread referente a este jogo a arbitragem foi indigna de um árbitro da 1ª divisão.

#3 | Comentado por: Pedro Neto | 24 de outubro de 2005 às 21:09

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