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terça-feira, 27 setembro 2005
Boavista 2 - 1 Académica
Categoria: 05/06 SuperLiga , Académica , Boavista

Vitória do Boavista sobre a Académica num jogo animado e bastante equilibrado, como aliás o resultado reflecte. Os axadrezados conseguem finalmente alcançar o pelotão europeu enquanto mantêm a condição de invictos, apenas partilhada com FC Porto, Nacional e Braga. Um jogo que também confirmou o regresso em grande de duas figuras da história mais recente do futebol português - João Pinto e Fary - ao mesmo tempo que apresentou mais um jovem craque em crescimento, Filipe Teixeira. A Académica perdeu mas mostrou ser uma equipa bem organizada e com qualidade em todos os sectores, numa exibição que não espelha o lugar que ocupa na classificação. A continuar assim conseguirá decerto encetar uma recuperação ao nível da do ano anterior.
Vitória axadrezada que começou a ser construída logo aos 5 minutos com um cabeceamento de Fary a apanhar de surpresa a defesa da Académica. 5 dos 9 golos boavisteiros foram marcado de cabeça. Um minuto depois o mesmo Fary acertou no poste e parecia que daqui sairia outra goleada como frente ao Paços. Mas a Académica nunca se sentiu intimidade e conseguiu empatar depois de um excelente trabalho de Filipe Teixeira. Fernando remata, William defende para a frente e Luciano, oportunissimo, empata. Um golo que põs a nu as fragilidades defensivas dos axadrezados. Já é claro que está aqui um dos grandes problemas da equipa e Cadú e Helder Rosario continuam a ter erros infantis que, por enquanto, ainda não lhes custaram derrota. Com as entradas de Zé Manel e de Marcel, a primeira parte continuou vibrante com boas oportunidades para as duas equipas. Dois cabeceamentos de João Pinto e Hélder Rosário podiam ter dado vantagem aos boavisteiros. O segundo tempo foi mais aborrecido com mais faltas e Carlos Brito a apostar mais num futebol de contenção A Briosa mostrava-se mais atrevida e Marcel desperdiçou uma excelente oportunidade após nova defesa incompleta de William. Era aogra o Boavista a jogar no contra-ataque e aos 61 minutos João Pinto deu os 3 pontos aos axadrezados com um remate certeiro após assistência de cabeça de Diogo Valente. Hugo Alcantara ainda podia ter empatado a partida mas atirou à barra de William.
Tácticas.
Carlos Brito apostou na mesma equipa que jogara frente à Naval, à excepção das saídas de Cissé e Zé Manel e das entradas de João Pinto e Diogo Valente. O capitão, apoiado por Manuel José, organizava o jogo a meio-campo,enquanto Valente e Guga nas alas não perdiam qualquer oportunidade para meter a bola na cabeça ou nos pés de Fary. Nelo Vingada apostou num esquema sem ponta-de-lança (Marcel e Joeano começaram no banco) alicerçado na velocidade e nas desmarcações dos seus extremos Fernando e Luciano e e na capacidade de desequilíbrio de Filipe Teixeira, apoiado por Paulo Adriano e Nuno Piloto. Roberto Brum, mais recuado, era o "bombeiro" do meio-campo.
A Académica perdeu mas pode olhar para o futuro com confiança. Uma exibição bastante personalizada, de futebol rápido com dois extremos - Fernando e Luciano - rápidos e incisivos e um playmaker de classe, Filipe Teixeira, a afirmar-se jogo após jogo. Pena que a equipa continue a ser um pouco ingénua na defesa e no meio-campo defensivo, descurando alguma pressão e agressividade que é ainda necessária se se quer levar a melhor sobre jogadores como Tiago. O Boavista, por sua vez, ainda está longe de deslumbrar mas as diferenças para as últimas 3 épocas são notórias. Sai-se do Bessa ou desliga-se a televisão com um ar mais satisfeito, os jogos são mais animados e o futebol bem mais vistoso. Continua a faltar público, infelizmente. O Boavista precisa de um jogo convincente frente a um dos 3 grandes para reconquistar os seus adeptos. Por outras palavras, precisa de voltar à ribalta do futebol português. Não lhe faltam condições para tal.
O duro - Areias. Fez mais um bom jogo e foi importante a auxiliar a defesa, mas em certas alturas excedeu-se com entradas perigosíssimas sobre jogadores da Académica. Não lhe ficava mal a expulsão.
Que pesadelo - Augusto Duarte. Quem não viu o jogo e olha para a estatística das faltas cometidas, poderá pensar que se tratou de um jogo violento. Puro engano.O árbitro bracarense continua de apito quente, sempre pronto a interromper desnecessariamente um jogo que estava ser correctamente disputado
O dandy - Filipe Teixeira. Tem tudo ser uma das revelações desta temporada. É um desequilibrador nato, um jogador que em certos momentos faz lembrar o seu adversário João Pinto. Fez gato-sapato de Tiago e dos defesas boavisteiros por mais de uma vez e teve papel preponderante no golo da Académica.
O Ás - João Pinto. A figura do jogo, pelo golo que marcou e pela classe que continua a espalhar. Continua a ser uma delícia vê-lo com a bola rentinha ao pé a tirar uns adversários do caminho, a vir atrás para organizar jogo, a esperar pelas desmarcações dos colegas. Desta vez até decidiu a contenda, o que foi,de certa forma, um regresso ao passado
FICHA DE JOGO: Boavista - William, Rui Duarte (W. Sousa), Cadú, Hélder Rosário e Areias; Tiago (Cissé), Manuel José, João Pinto; Guga (Zé Manel), Diogo Valente e Fary. Académica - Pedro Roma, Nuno Luís, Hugo Alcantara, Zé Castro e Lira; Roberto Brum, Nuno Piloto, Paulo Adriano e Filipe Teixeira; Luciano e Fernando 1 - 0 5' Fary Faye 1 - 1 16' Luciano Fonseca 2 - 1 61' João Pinto
Publicado por pedro nery às 13:38
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