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sexta-feira, 30 setembro 2005
Da goleada à desgraça
Categoria: Col: João Nuno Coelho , FC Porto

O futebol é mesmo incrível. Não admira que seja uma das formas culturais mais importantes e populares da modernidade.
Na quarta-feira fui pela primeira vez nesta época ao Dragão - quis assim celebrar o aniversário do meu clube. E saí de lá com vontade de tudo menos de celebrar coisa alguma.
Não é preciso descrever o que se passou - quase toda a gente viu ou já leu sobre o assunto.
Interessa-me muito mais tentar perceber como algo assim pode acontecer e olhar um pouco para as reacções ao sucedido.
Não exagero com certeza se disser que havia antes deste jogo uma certa euforia com o Porto de Adriaanse: grande futebol, espectáculo garantido, estilo "ninguém nos pára".
Não me dá prazer nenhum vir agora dizer que já tinha avisado para os perigos da forma como este Porto joga e as limitações óbvias que a equipa demonstra. Preferia não ter tido razão antes e ter saído do Dragão a sorrir.
Claro que o Porto teve azar - mesmo muito azar: teve carradas de oportunidades claras de golo, podia ter feito o terceiro logo a seguir ao segundo, eles foram lá três vezes e fizeram três golos, etc e tal.
Mas já repararam que em Glasgow aconteceu o mesmo e que em Braga também merecíamos ganhar claramente?
As coisas não acontecem só por acaso - a verdade é que acontecem principalmente quando nos "pomos a jeito" para que aconteçam. E não é isso que o Porto fez ontem? Jogou com dois laterais "inventados", que pouco defendem, com apenas dois médios que são "ofensivos", e pouco defendem, com dois alas, que só olham a baliza contrária, e nada defendem. Pará lá do "nº 10" e do avançado, de quem não se espera que percam muito tempo a defender. Para terminar temos os dois centrais, que são "verdes" para estas andanças, separadamente quanto mais em conjunto
E, claro, depois as desgraças acontecem...O azar persegue-nos, pobres de nós.
Com isto não quero dizer que não goste do estilo e filosofia de jogo de Adriaanse: admiro que jogue sempre para marcar, mesmo a ganhar 2-0. O que não gosto é de falta de rigor numa dimensão fundamental de uma equipa de alta competição: equilíbrio defensivo.
No entanto, temos que ter a noção de que esta é uma equipa ainda em construção e há que dar tempo ao trabalho que está a ser feito, e bem feito.
Se calhar, fez-se foi demasiado barulho antes do tempo, como habitualmente acontece entre nós. E designadamente nos jornais e nas Tvs já se falava da oitava maravilha do futebol moderno a propósito desta equipa do FC Porto.
O que mais me choca é que são os mesmos que disseram essas atoardas que agora vão crucificar o homem e dizer que afinal é tudo uma merda.
Mas a verdade é que já estamos habituados a estes discursos e a esta gente (veja-se o editorial do director de "A Bola" de hoje). Falta a paciência para o de sempre - a ditadura dos resultados e os comentários oportunistas, rancorosos e viciados - e por isso cada vez mais me convenço: para ver futebol (no estádio ou na TV) basta-nos os nossos olhinhos, porque os ouvidos bem podem estar ocupados com outra coisa - seja música ou o bendito silêncio. Só temos a ganhar!
Saí do Dragão triste - não me lembro de o Porto perder um jogo tão mal perdido - mas não tenho dúvidas de que é agora que esta equipa mais precisa de apoio e a forma como reagir a esta derrota ditará muito do que vai acontecer no resto da época.
Agora, vamos ver se Adriaanse é mesmo bom, ou apenas...interessante.
Publicado por João Nuno Coelho às 13:10
Comentários
Bom texto. De facto, também eu já não suporto o comentário em função dos resultados. A 10 minutos do fim do jogo de Old Trafford, o Koeman era o maior. No final, e nas capas do dia seguinte, a análise já era a de Koeman teve medo, Koeman a besta. No caso do Porto, tudo o que está a acontecer era até bastante previsível. Os bons resultados na Liga apenas têm tido o efeito de ofuscar o grande problema que está ali. O Porto joga bem, joga claramente no estilo de eu quero, posso e mando. No entanto, não se reforçou devidamente nas posições defensivas, desde o lateral direito até ao lateral esquerdo passando pelos médios defensivos. Neste momento, é caricato verificar que o Porto, que tem o maior orçamento do futebol português, tem como únicos laterais de raiz no seu plantel, o Sonkaya e o Chec, dois medianos jogadores do campeonato turco e checo e que nem sequer são titulares. O Bosingwa e o César Peixoto são adaptações que podem funcionar mas que ao nível da Champions League pode custar muito caro. Depois, no meio campo defensivo, Lucho e Ibson são bons jogadores com muito potencial de evolução mas nenhum deles é médio defensivo. Jogam adaptados à posição. No plantel, resta o Raúl Meireles e o Assunção para aquela posição e não parece que tenham grandes hipóteses de jogar num futuro próximo a não ser que o treinador comece a mudar o sistema. Resumindo e concluindo, perante este cenário, quando começarmos a entrar no inverno e houver lesões em jogadores como Lucho ou Ibson, quando os minutos começarem a pesar nas pernas destes e daqueles que passam agora 90 minutos em sprints pelas faixas laterais, penso que o Porto vai começar a perder jogos na Liga mais vezes do que menos. O Porto e o Sr. Co que veio ajudar o futebol português, terão forçosamente que contratar em Janeiro, pelo menos um defesa central de categoria, um médio defensivo de cobertura e um lateral polivalente que possa jogar à esquerda ou à direita de modo a colmatar estas falhas que me parecem óbvias e de consequencias previsíveis. O Porto, a nível de Champions está agora obrigado a ganhar ao Inter no Dragão sob pena de ficar imediatamente excluído dos oitavos de final. Na Liga, por enquanto os resultados vão enganado mas não tenho dúvidas de que mais cedo ou mais tarde, as derrotas vão começar a aparecer apesar do seu futebol em estilo de "vamos mandá-los para a enfermaria".
#1 | Comentado por: Miguel J. Lopes | 11 de junho de 2006 às 00:03
Lucho e Ibson não são médios-defensivos mas fartam-se de recuperar bolas, por isso não por aí que as coisas acontecem. O Raul Meireles foi desde o início a primeira opção de Co Adriaanse e só perdeu o lugar quando se lesionou. Não me admirava nada que o treinador voltasse a recorrer a ele para dar ao meio-campo e defesa equilíbrio defensivo.
Se os resultados vão enganando na Liga é o que vamos ver. Tal como disse o João Nuno, esta é uma equipa ainda em construção e as coisas só podem melhorar.
#2 | Comentado por: guardabel | 11 de junho de 2006 às 00:03
Melhorar na Liga é impossível. Já são primeiros isolados. Agora, livrem-se é de assobiar a equipa ou de tirar um lenço branco para assoar o nariz. O homem já ameaçou que se houver contestação que vai embora.
O jogo com o Benfica vai ser interessante. Começo a pensar que vamos chegar ao Natal com os três treinadores dos grandes no olho da rua...
#3 | Comentado por: Miguel J. Lopes | 11 de junho de 2006 às 00:03
Enquanto insistirem em entregar a liderança daquela defesa a um jogador banal como o Ricardo Costa, não me surpreende que os adversários tenham um aproveitamento de quase 100% das suas oportunidades. Por mais que tentem vender essa ideia, o Ricardo Costa não está de forma alguma ao nível exigido para ser titular numa equipa como o FCP. O Jorge Costa pode já quase não se conseguir mexer, mas impõe respeito e coordena melhor as coisas. O problema é que os outros defesas centrais do plantel também não são propriamente alternativas muito válidas, e para somar a isto os laterais ou são maus (Sonkaya), ou são adaptações. O FCP tem muitas e excelentes opções do meio-campo para a frente, mas é uma equipa claramente desiquilibrada, porque a defesa não acompanha o nível do resto da equipa.
#4 | Comentado por: Gonçalo Andrade | 11 de junho de 2006 às 00:03
Enquanto insistirem em entregar a liderança daquela defesa a um jogador banal como o Ricardo Costa, não me surpreende que os adversários tenham um aproveitamento de quase 100% das suas oportunidades. Por mais que tentem vender essa ideia, o Ricardo Costa não está de forma alguma ao nível exigido para ser titular numa equipa como o FCP. O Jorge Costa pode já quase não se conseguir mexer, mas impõe respeito e coordena melhor as coisas. O problema é que os outros defesas centrais do plantel também não são propriamente alternativas muito válidas, e para somar a isto os laterais ou são maus (Sonkaya), ou são adaptações. O FCP tem muitas e excelentes opções do meio-campo para a frente, mas é uma equipa claramente desequilibrada, porque a defesa não acompanha o nível do resto da equipa.
#5 | Comentado por: Gonçalo Andrade | 11 de junho de 2006 às 00:03
Boa tarde a todos...
Infelizmente nao pude ir ver o jogo ap vivo como gosto. mas quero comentar que so fa incodisional do mister CO. Acho que so nos falta ealmente é um pouco de equilibrio defensivo. ibson nem lucho sao medios defensivos por natureza mas sim " Goal to goal", centro campistas que criam organizam e vao até area finalizar, conforme o golo de lucho. Raul meireles e Zé Bosi..., esses sim sao trincos e dao equilibrio defensivo acho q deverias apostar agora no marek check, pois o cesar fez um jogo de baixo rendimente e deve aprender um pouco a ser mais defesa esq., mas até nao esta mal, mas tem q melhorar, falta sim um defesa direito que condiza com o resto da equipa acho o turco muito fraco, qd jogadores como manuel josé e bessa do braga, por fim acho q o bicho ainda manda ali dentro e dá uma certa maturidade a uma equipa q deve ter uma média d idades por volta dos 23 anos, q é muito pouco pra alta competição. estes são os unicos reparos q tenho a fazer mister co e q concerteza ele vai emendar os mesmos. Saudações portisitas a todos
#6 | Comentado por: Andre F. | 11 de junho de 2006 às 00:03
A analise a frio é que esta équipa do Porto não sabe e não consegue defender.
Pode jogar muito bem ao ataque, mas qq treinador que prepare bem um jogo, que entre para o jogo contra o FCP com 2 ou 3 jogadores rapidissimos na frente tem hipoteses de fazer um bom resultado.
É claro que pode perder por 5 pois o Porto cria muitas oportunidades, mas pode bem ganhar, porque os automatismos defensivos não existem.
É uma equipa jovem, mas a questão não é essa. É a falta de pilares no meio campo (costinha e maniche onde estão) e defesas experientes (Jorge Costa, Nuno Valente, etc).
Esta equipa é a antitese das de Mourinho... não é uma equipa concentrada no resultado e aproveitar as fraquezas dos adversários. Entra a mandar no jogo à sua maneira, e com a batuta na mão... mas sem proteger a retaguarda.
Pergunto aos que falam tanto dos espetaculos desta equipa... o que é que deu títulos ao Porto? Foi futebol espetáculo e artistas? Ou foi o futebol duro e matreiro de Mourinho e Pedroto?
#7 | Comentado por: vsnunes | 11 de junho de 2006 às 00:03
Por muita paciência que tenhamos com o sr. Adriaanse, nunca teremos com ele um espectáculo como o 4-1 à Lazio ou a vitória contra o Man Utd...mesmo que todos os jogadores de Mourinho ainda estivessem no Porto, o desprezo mesquinho que o sr. Adriaanse não consegue esconder pelo jogo que tornou possíveis essas vitórias impediria que elas se repetissem.
Não consigo ver espectáculo nenhum em perder com equipas como o Glasgow Rangers ou o Artmedia. É um futebol à medida de alguns adeptos do Porto...
#8 | Comentado por: grim | 11 de junho de 2006 às 00:03
Como já referi em anteriores comentários, considero que a visão que Co Adriaanse tem do futebol é errada. Não obstante, em relação à equipa do Porto, o desiquilíbrio notório da mesma poderia até ser facilmente colmatado. Uma sugestão: equilibrar o meio campo com um médio mais defensivo - seja o Rául Meireles ou o Paulo Assunção - e jogar em 4-4-2.
Ganahvamos consistência defensiva e quer o Ibson, quer o Lucho - que não são trincos, apesar de recuperarem muitas bolas - libertavam-se mais.
Claro que se teria de abdicar de alguém lá na frente; consoante os jogos e os adversários, esse alguém teria de ser ou o Quaresma ou o Jorginho.
Assim, o treinador poderia continuar com a sua filosofia de ataque. Mas de forma equilibrada. E conseguia uma coisa muito importante no jgo: o controlo da partida.
#9 | Comentado por: Vandelart | 11 de junho de 2006 às 00:03
De facto, as escolas Mourinho e Adriaanse dificilmente poderiam ser mais diferentes. O que não significa que só uma delas possa dar resultados e render títulos.
O Co está no Porto há 3 meses, e como o João lembra não tem culpa dos disparates que a imprensa e os próprios adeptos disseram sobre a equipa. Para além disso, e acreditando no que os jornais diziam, os dois únicos jogadores que pediu à direcção eram um defesa direito e um médio defensivo (Kronkamp e Landzaat), jogadores defensivos que ele conhecia bem e que além do mais seriam uma boa correia de transmissão das suas ideias para dentro do grupo. Nenhum veio.
Perante isto, o que dizer? Nada que já não tenha dito em comentário a outros posts: que tenho plena confiança em que se consiga um maior entrosamento e apoio entre sectores e entre o centro e as alas (é sobretudo aqui que me parece que as coisas estão a falhar!), e que acho conveniente o regresso do Bicho, mesmo velho e lento, para impôr respeito lá atrás e meter na ordem os colegas.
E hoje é mais ou menos claro que em janeiro vamos ter que ir às compras, pelo menos de um lateral-direito (já que o eslovaco continua uma incógnita). O Fati (ainda por cima com nome de cabeleireira-manicure) ainda não convenceu ninguém, e o Bosingwa será sempre uma adaptação além de ser um sub-aproveitamento de um belíssimo centro-campista.
Continuo a gostar da filosofia do Co, mas em futebol uma filosfia vale apenas pelos resultados que vier a dar. E continuo a achar que os resultados vão aparecer depois de um trabalho sério dos processos defensivos. Seja como for, não devemos esquecer-nos que somos primeiros na Liga; na época passada quantos pontos já tínhamos perdido à 6ª jornada?
E apelo aos portistas, aos verdadeiros e não aos que assobiam o 2º passe errado para a seguir embandeirarem em arco com um golo de trivela, para não se esquecerem da forma como o João acabou o post: nestas alturas define-se muita coisa; por isso é agora que temos que mostrar a estes jogadores e a esta equipa se acreditamos neles ou não, sob pena de eles também deixarem de acreditar. Eu cá acredito.
#10 | Comentado por: joethelion1970 | 11 de junho de 2006 às 00:03
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