« Premiership: Man Utd regressa às vitórias, Spurs encantam no The Valley | Entrada | Marítimo vs. FC Porto: antevisão »

sábado, 1 outubro 2005

Rio Ave 1 - 1 Boavista

Categoria: 05/06 SuperLiga , Boavista , Rio Ave

Acordar tarde…
Agos2.jpg
Rio Ave e Boavista empataram, esta tarde, a uma bola num jogo ‘frio’, desinspirado, mas também bastante prejudicado pelo vento norte que se fez sentir no Estádio do Rio Ave. Após uma primeira parte sem golos e com motivos de interesse quase nulos, o regresso dos balneários trouxe alguma dinâmica ao jogo. Os visitantes, beneficiando da entrada do móvel Lucas para o lugar do estático Tiago, começaram bem a segunda metade do jogo e o golo de Manuel José acabou por ser uma consequência natural desse mesmo ascendente. Bem organizado defensivamente e esclarecido no contra-golpe, o grupo de Carlos Brito chegou, assim, ao 1-0 com naturalidade. A equipa do Rio Ave, se já antes acusava um crescente nervosismo e o acerto ofensivo era nulo, a perder por 0-1 começou a «desesperar» e nada lhe saía bem. Poder-se-á dizer que a equipa de António Sousa acordou tarde, mas ainda a tempo de refazer a igualdade. Fruto de um golpe oportuno de cabeça, por Gaúcho e a beneficiar de um livre bem cobrado por um dos recém entrados - Agostinho, o Rio Ave lá empatou. Tivesse Sousa mexido mais cedo no onze inicial e talvez o despertar da sua equipa trouxesse um maior amargo de boca aos boavisteiros. Talvez, porque ainda assim este foi um resultado justo, com uma repartição de pontos que penaliza um Rio Ave trapalhão e um Boavista demasiado expectante.

Carlos Brito, após muitos anos ao serviço do Rio Ave enquanto jogador e depois como treinador, estreou-se ao final da tarde de hoje como técnico, frente à sua antiga equipa. O saldo do confronto, um empate a uma bola, foi mais do que justo. Rio Ave e Boavista proporcionaram uma primeira parte bastante fraca, perturbada pelo vento e pela desinspiração mútua. Os anfitriões tentaram, sem consequência, assustar William, mas não conseguiram melhor que um remate à figura do guarda-redes do Bessa, por Chidi e uma perdida clamorosa, sob a esquerda do ataque, após excelente desmarcação de Marquinhos. Os boavisteiros, a fazerem um jogo de contenção, espreitando sempre o contra-ataque e a mobilidade de unidades como Zé Manuel, Fary, Diogo Valente ou João Pinto, nunca importunaram Mora.

Na segunda parte houve golos e um pouco mais de futebol. Primeiro foi Manuel José que, correspondendo a um excelente movimento da ala direita boavisteira, leu bem o cruzamento e empurrou, em vôo, a bola para o fundo das redes do Rio Ave. Depois, dois minutos após os 90’, e com a equipa a atacar, quase em desespero, com 5 unidades atacantes mais o apoio dos laterais, Gaúcho restabeleceu a igualdade após livre batido por Agostinho. Pelo meio, duas perdidas flagrantes de Fary, na cara de Mora, uma grande defesa de William (a remate espectacular de Gaúcho) e um primeiro ensaio do mesmo Gaúcho para o golo, mas de cabeça e para as nuvens. À condição, Rio Ave e Boavista repartem o 5º posto da geral com dez pontos e uma classificação tranquila. No entanto, os dois técnicos não deviam estar tão tranquilos, pois os ajustes, de parte a parte, são mais do que necessários.

Enquadramento

O Rio Ave regressava ao seu Estádio após uma viagem de má memória à Figueira da Foz onde, defrontando a Naval, foi incapaz de somar qualquer ponto e, pior do que isso, rubricar uma exibição decente. O registo pontual na Liga era o mesmo dos visitantes do Boavista – 9 pontos - que, agora com Carlos Brito no comando, ainda não haviam perdido na Liga e Vila do Conde era mais um reduto onde importava segurar o recorde.

Tácticas

Fiel ao seu esquema de 4x4x2 losango e ao mesmo onze que tem sido opção ao longo destas primeiras seis jornada da Liga, António Sousa não surpreendeu e apostou exactamente na mesma linha. Mora – Zé Gomes, Danielson, Idalécio e Milhazes – Mozer – Niquinha, Cleiton – Marquinhos – Chidi e Gaúcho. Um Rio Ave com um meio-campo robusto e onde a experiência de Mozer ou Niquinha se alia à espontaneidade de Cleiton ou Marquinhos. O Boavista, de Carlos Brito, desenhado num esquema de 4x2x3x1 com duas linhas bastante móveis e talhadas para o contra-ataque. Uma primeira, destruidora (e também de contenção) com Tiago e Manuel José, uma segunda com um tridente ofensivo formado por Zé Manuel, João Pinto e Diogo Valente mais próximos do avançado senegalês Fary Faye.

Positivo

Organizados. O Boavista de Brito, esta tarde, embora tenha estado muito longe de ser vistoso, deixou boas referências no plano defensivo e no jogo de contenção. Além disso essa boa organização mostrou um onze sempre preparado para rápidas saídas de contra-ataque, quase sempre explorando movimentações pelos dois flancos.

Algum querer. Pese o jogo menos feliz do lado do Rio Ave, alguns dos seus atletas mantiveram-se inexcedíveis na luta por um resultado mais favorável. Remates e iniciativas atacantes por Gaúcho, Zé Gomes, Milhazes, Niquinha ou os recém entrados Delson ou Agostinho, nunca faltaram.

Sempre a andar. Pedro Henriques, um árbitro moderno, pouco dado ao choro «manhoso» dos jogadores e ao anti-jogo. Com a bola sempre a rolar, mesmo com um futebol sem sal, os nervos não fervem tanto e o espectáculo torna-se mais estimulante.

Amizade. Carlos Brito hoje era adversário, mas pelo muito que fez pelo nosso clube, a par dos seus actuais adjuntos (Lúcio Pereira e António Costa) foi justamente ovacionado pelo público rioavista.

Negativo

Vento. Um companheiro sempre presente nos ‘Arcos’ e com natural prejuízo do espectáculo.

45 minutos. Os primeiros. Jogo lento e mal jogado. Entendiante.

Público. Pouco. Talvez centena e meia de axadrezados e uma bancada coberta (dos sócios) com imensas clareiras. Assim o espectáculo raramente tem a emotividade dos jogos de «sonho» e os jogadores acusam essa «nudez» entre o público.

Alguma emotividade, mas pouco futebol. O título diz tudo.

Acordar tarde ou adormecer cedo? Nem o Rio Ave devia ter acordado para o jogo tão tarde (a três minutos do apito final), nem o Boavista devia ter descurado tão cedo a consistência defensiva até aí evidenciada. Saldo: um empate justo.

Destaques

O duro!: Cadú. Numa partida disputada com grande desportivismo apenas «vacilou» numa entrada dura sobre um jogador do Rio Ave, a meio da segunda parte.
Que pesadelo!: Marquinhos e Fary. Isolou-se uma vez na cara de William Andem… E falhou. O senegalês teve duas oportunidades e não fez melhor…
O dandy: Agostinho. Entrou a 20 minutos do final e trouxe uma dinâmica ofensiva surpreendente à equipa. Até aí inexistente. Emprestou o seu talento à cobrança do livre que colocou a bola na cabeça de Gaúcho, no 1-1.
Ás: William. Quando os jogadores de campo não sobressaem, nas balizas podem-se desencantar heróis. A defesa que roubou o golo a Gaúcho, ainda com o resultado em 0-1 favorável à sua equipa, vale o título. Jogo atento e «elasticidade» q.b. a redimir os erros do último jogo frente à Académica.

Ficha do Jogo

Árbitro: Pedro Henriques (Lisboa)

Rio Ave (4x4x2 losango): Mora - Zé Gomes, Danielson, Idalécio, Milhazes – Mozer (Delson, 71) - Niquinha, Cleiton Goiano (Keita, 80) – Marquinhos (Agostinho, 71) - Chidi, Gaúcho.

Boavista (4x2x3x1): William – Rui Duarte, Hélder Rosário, Cadú e Areias – Tiago (Lucas, int), Manuel José – Zé Manel (Cissé, 74), João Pinto e Diogo Valente – Fary Faye (William Souza, 81).

Golos: 60' Manuel José (0-1), 90' + 2 Gaúcho (1-1).


Publicado por joão carmo às 21:59

Comentários

Comente

Obrigado por se registar, . Já pode comentar. (Sair)

(Se nunca comentou aqui o seu comentário pode ter de ser aprovado para publicação pelo editor do blogue. Terá de esperar por essa aprovação para que o seu comentário surja. Obrigado pela espera.)


Recordar-me?