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segunda-feira, 3 outubro 2005
FC Porto frente ao Marítimo
Categoria: 05/06 SuperLiga , FC Porto

A exibição do FC Porto na noite de ontem foi acima de tudo desastrada; a nível defensivo, nas transições efectuadas a meio-campo, e na hora de rematar os jogadores portistas estiveram desastrados! O que se adicionarmos a um Marítimo a querer dar uma sapatada na crise e provar ao novo treinador, e a todos, que é capaz de fazer bem melhor do que o que tem demonstrado; deu em desastre quase por completo, valendo a parte final da segunda parte, mesmo que mesmo esta tenha sido também desastrada.
A defesa do FC Porto já se sabe que é frágil: é frágil porque os laterais são adaptados, porque os centrais demonstram não ter a categoria necessária para lá estarem, mas é frágil sobretudo porque não tem ajuda por parte dos restantes sectores. Adriaanse tinha dito isso mesmo quando dissecou a derrota perante o Artmedia, mas a verdade é que nada mudou. Para mais, a velha lógica do "se nós tivermos a bola, eles não atacam" não funcionou porque o meio-campo portista falhou mais passes neste jogo do que os que até agora tinha falhado. Falar da primeira parte do FC Porto é um exercício no vácuo, já que não existiu FC Porto nos primeiros 45 minutos; só deu Marítimo, ponto final e foi tudo para intervalo.
A evidência de que o meio-campo portista não era capaz de lidar com o maior número de unidades que os madeirenses disponha nessa parte do terreno, obrigou Adriaanse a deitar mão de Paulo Assunção em detrimento de Diego, numa substituição que se justifica pela menor capacidade física do nº 20 numa partida onde os insulares não estiveram para pedir "por favor". A alteração deu uma maior estabilidade à equipa, embora tivesse demorado a carburar, já que a maior liberdade de Ibson e Lucho permitiu ao Porto sair com mais nexo para o ataque. Pode parecer incrível atendendo ao que se tem verificado, mas o ataque portista foi completamente ineficaz até Adriaanse substituir Quaresma por Lisandro. É necessário ser justo para com os homens da frente e dizer que essa ineficácia se deveu à descordenação do meio-campo azul-e-branco.
A vivacidade de Lisandro permitiu ao FC Porto acercar-se com maior perigo da baliza de Marcos, igualando a partida por Lisandro que se estreou a marcar de dragão ao peito. Mas é preciso que se note que esta supremacia portista a partir do minuto 60, mais coisa menos coisa, se deveu em parte ao desgaste madeirense que seria de esperar tendo em conta a forma abnegada com que os locais disputavam cada lance. Quando chegou à vantagem, numa altura em que actuava num claro 2-3-2-3, Adriaanse achou por bem reformular a estratégia e recuar as hostes, tarefa para a qual a equipa não demonstrou estar afinada, até porque defender com jogadores de ataque não é tarefa fácil e que se monte em 5 minutos.
Isso verificou-se no golo do empate apontado por Marcinho, que beneficiou de de uma clareira à entrada da área portista para disparar para golo. A falta de cobertura por parte do meio-campo portista foi neste lance mais gritante do que nunca, até porque o Marítimo estava reduzido a 10. Parece crível que este lance só ocorreu porque os jogadores portistas recuaram em demasia na tentativa de impedir o que se passou frente ao Artmedia, opção claramente errada e que deu no resultado oposto. Com o empate, o FC Porto apostou no futebol directo e atabalhoado para o qual não está rotinado, conseguindo mesmo assim oportunidades necessárias para garantir uma vitória que não merecia.
Aquilo que se pode retirar deste jogo é que o FC Porto ainda está longe de ser uma equipa estável, atravessando mais uma etapa do processo de construção. Foi claramente uma partida que em nada espelha a qualidade da equipa, mas que permitiu constatar mais uma vez as falhas que apresenta. Pelo que se viu na segunda parte, Adriaanse poderá voltar à forma inicial da temporada actuando com um trinco na frente do quarteto defensivo procurando dar um maior equilíbrio defensivo à equipa, sempre descompensada com a subida dos laterais.
Publicado por bruno ribeiro às 18:20
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