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segunda-feira, 3 outubro 2005
Sporting frente ao Paços de Ferreira
Categoria: 05/06 SuperLiga , Sporting

Uma enorme confusão. No fundo, o futebol do Sporting não passa disso mesmo.
Ontem, à medida que o jogo se ia desenrolando, fui esboçando um esquema táctico do Sporting para ver se percebia alguma coisa, mas em vão. José Peseiro iniciou o jogo num 4-1-3-2, à semelhança da época passada (mas só na táctica claro) e apresentou algumas novidades. A maior delas foi a inclusão de Polga a defesa esquerdo (!), depois da exibição fraca de Paíto no jogo contra o Halmstads. Parece que virou moda colocar centrais a lateral esquerdo. Pois, se Ricardo Rocha até faz bem a posição no Benfica, o mesmo não de pode dizer ontem de Polga (mas já lá vamos…). Com a inclusão do brasileiro na esquerda, Tonel e Beto ocuparam o eixo defensivo. Na direita, nada de novo com Miguel Garcia a ocupar o lugar.
No meio campo, e à frente de Custódio, uma linha de médios em constantes trocas – João Moutinho, João Alves e Douala. No ataque, Deivid teve a companhia do regressado Liedson.
Os minutos iniciais mostraram logo como ia ser o jogo. A equipa leonina estava claramente desorientada.
Polga andava completamente perdido, sem saber que lugar ocupar. O Paços percebeu isso mesmo e Edson fez a vida negra ao lateral adaptado. Como consequência, Polga não subia no terreno e não criava desequilíbrios, deixando Douala muito marcado, impedindo o Sporting de atacar pela esquerda. O camaronês mudou de flanco a meio da primeira parte e não mais saiu da direita, onde até jogou melhor.
No outro flanco da defesa, Miguel Garcia andava aos papéis. Sempre com muito trabalho – fosse com Didi ou Ronny - Garcia não conseguia subir. Com Douala preso no lado esquerdo, e Deivid em constantes deambulações para o meio, a equipa do Sporting ficou coxa. Além disso, ajudar Garcia nas tarefas defensivas era mentira! Sempre que Freddy subia no terreno, o defesa leonino via-se muitas vezes em inferioridade numérica. A primeira ocasião do Paços nasceu mesmo de um passe pelas costas de Garcia. Uma saída corajosa de Nélson evitou o golo, mas não a lesão que o afastaria do jogo.
No eixo da defesa, Tonel esteve sempre bem, provando que é neste momento o melhor central do Sporting. Já o mesmo não se pode dizer do seu companheiro de sector. Sinceramente, não se percebe porque é que Beto tem de ser sempre titular. O jogador esteve mal ontem, mostrando-se muitas vezes intranquilo. Foram raras as vezes em que subiu no terreno,recorrendo sempre ao passe longo. Como se não bastasse, ofereceu de forma incrível o golo a Didi, num corte “kamikaze”. O pacense só teve de empurrar para a baliza.
No meio campo, Custódio foi um dos melhores do Sporting, especialmente na primeira parte, onde se revelou o mais esclarecido e inconformado de uma equipa à deriva. Sempre que podia, subia no terreno e até ia marcando num remate em jeito que passou ao lado da baliza de Pedro. João Alves e João Moutinho andavam aos encontrões no meio campo, não sabendo que espaços ocupar.
Moutinho começou na direita e Alves no centro. Resultado: zero. Com a passagem de Douala para a direita, Moutinho passou para o centro e Alves para a esquerda. Resultado: zero. O médio ex-Sp. Braga esteve sempre atabalhoado e abusou um pouco das faltas (a falta que origina o livre o primeiro golo é sua). No ataque, Deivid e Liedson corriam, corriam… mas sem resultados práticos. As bolas não chegavam ao ataque e as marcações impiedosas não davam grande manobra aos atacantes.
O Sporting estava igual a si próprio: sem vontade, sem garra, sem emoção. A equipa jogava a dez à hora, abusava do futebol directo e o meio campo não existia. Parecia claro que um golo do Paços ia deitar este Sporting abaixo. Não foram um, mas dois. Ao intervalo, o jogo estava perdido.
José Peseiro mexeu na equipa e fez logo três substituições de uma assentada. Ricardo entrou para o lugar do azarado Nélson (quer Ricardo, quer Nélson realizaram exibições seguras, sem culpas nos golos), Paíto entrou para o lugar de Beto, passando Polga para o eixo (Peseiro percebeu a “borrada” que fez) e Wender rendeu João Alves. Com as alterações, o Sporting estendeu o seu jogo, passou a jogar pelos flancos e mostrou-se mais determinado. Sem João Alves a atrapalhar, Moutinho pegou na equipa. Douala subiu de produção e graças ao camaronês, o Sporting começou a atacar pelo lado direito.
Porém, o Paços defendia de forma muito compacta e não dava espaço. O melhor que o Sporting conseguiu foi uma jogada em que Wender falhou na cara de Pedro. Aos poucos, os pacenses subiram no terreno em diagonais rápidas, explorando os espaços na defesa leonina. Como se não bastasse, Miguel Garcia (que até era o capitão) viu um vermelho directo por uma entrada dura. Com a equipa balanceada no ataque e com menos uma unidade na retaguarda sportinguista, os espaços eram maiores. O Paços aproveitou e fez o terceiro.
Apesar do resultado ser exagerado, o Sporting fez por merecer a derrota, em mais uma exibição para esquecer. Na realidade, esta derrota estava anunciada. Daí que a Juve Leo já tivesse uma tarja pronta antes do jogo para o que desse e viesse. Neste momento, o descrédito é tanto, que qualquer equipa que jogue contra o Sporting… arrisca-se a ganhar.
Publicado por Rui Melo às 18:26
Comentários
A táctica dos 3 avançados não funciona. Muito menos sem o Rochemback. O Sporting raramente consegue a supremacia que, a meio campo, evidenciava nos jogos do ano passado...
Os quatro do meio campo trocavam a bola como poucos e os três deste ano não o conseguem. Falta sempre um jogador na fase ofensiva e um na fase defensiva. Douala não defende e tabela muito mal. Aliado ao Liedson (que, ainda assim, até defende bastante) e ao Deivid que quase só tabelam entre si, o Sporting não funciona. Na minha opinião, temos que voltar ao 4x4x2... com Custódio, Carlos Martins, Moutinho e outro gajo qualquer (já que não há 'Roca'), desde que seja um médio capaz de pôr o pé, de atacar e defender...
Nélson ou Ricardo (é quase indiferente, mas continuo a achar que o Ricardo é melhor), Rogério, Beto ou Polga e Tonel (tem que ser titular) e Edson; Custódio, Carlos Martins, Wénder (João Alves, ou mesmo o Édson) e Moutinho; Liedson e Deivid (ou Doauala, dependendo do adversário). O problema é que também ainda não foi possível apresentar estes jogadores em simultâneo.
#1 | Comentado por: Pedro Santo | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Se é verdade que o Polga à esquerda não funcionou, gostava que alguém me desse uma alternativa, já que o Paíto mostrou durante toda a segunda parte que não serve. Se quando tem a bola nos pés a perde 90% das vezes, quando não a tem não sabe defender, colocando-se mal, dando as costas aos extremos (o mesmo erro que o Polga cometeu) e colocando em jogo os avançados.
#2 | Comentado por: Ryder | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Sem dúvida, Ryder... só mesmo quem não viu o jogo de 5ª feira, por exemplo, é que pode crucificar o Peseiro por ter deixado o Paíto no banco... devia ter sido convocado, e jogado, o André Marques. Pelo que vi, defende infinitamente melhor que o Paíto (é preciso relativamente pouco) e sabe controlar uma bola decentemente.
#3 | Comentado por: Pedro Santo | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Para mim é claro que os jogadores(salvo rarissimas excepções) não se esforçaram para dar a volta a situação criada pela eliminação da Taça Uefa.
Neste jogo havia 2 hipoteses, limpavam a cara face a humilhante derrota com o Halmstad ou deixavam cair o treinador. Acho que foi claro na 1ª parte, a escolha feita por alguns jogadores.
Assim sendo, parece-me que é um bocado indiferente a táctica escolhida por Peseiro, quando os praticantes não estão dispostos a cooperar.
#4 | Comentado por: macnix | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Boas,
Bem acho que o caso é mais complexo do que atribuir culpas somente a tactica utilizada do Peseiro.
acho
Acho que acima de tudo existe uma falata de confiança da parte da equipa nas sua capacidade,face aos resultados obtidos em alguns jogos decisivos(pre-LC e taça eufa, a juntar aos desaires da ultima temporada)fez com que a equipa a nivel animico e psicologico esteja de rastos,para alem de tambem observar que a maior parte dos jogadores do sporting estão em niveis fisicos bastante dificientes, e já não falo nos lesionados,mas jogadores que ate têm ritmo de jogo casos de moutinho,liedson,joao alves,douala,polga e isso é que é preocupante para equipa...
As lesoes de alguns jogadores importantes não ajudaram(edson,beto,carlos martins,sá pinto,etc)pois destabilizam a organização dum mesmo onze durante algum tempo seguido,os que regressam estão em deficiente ritmo de jogo e fisicamente(caso mais flagrante é o Beto) e assim é dificil....
Agora que com estas limitaçoes ate ter perdido um jogador importante como Roca no inicio do campeonato,foi a gota final,para que a equipa perdesse processos a meio campo que tinha de olhos fechados e neste momento não têm e com jogadores jovens e diferentes no estilo de jogo,numa fase dificil da equipa ,não é facil adquerir esse modelo e esses processos..
Para mim o sporting perdeu todos (ou quase)os processos de jogo que tinha da ultima epoca,pois ao contrario do que dizem não concordo que peseiro tenha de ser o unico culpado desta situação,antes devo dizer que esta direcção é a grande culpada,pois alguns processos de compras e vendas foram mal conduzidos,mas Peseiro tambem tem culpas no cartorio ,pois foi conivente com eles, e neste momento nao consegue ter comando,respeito, e acima de tudo ecentivar em termos psicologicos a equipa,pois ele tem dificuldades de se controlar a ele proprio e isso reflecte-se na equipa,atraves das suas opçoes e bloqueios que tem nos jogos, e se rapidamente não encontrar caminho ,só tem uma solução.....mas para já penso que a sua dispensa seja a ultima coisa que se possa fazer,pois no ano transacto estiveram bem pior nesta fase e deram a volta....esta direcção é que devia ser a 1ª a demitir-se,esta era a solução..
Bem hajam
#5 | Comentado por: PEDRO SOUSA | 24 de outubro de 2005 às 21:08
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