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terça-feira, 4 outubro 2005
Benfica frente ao V. Guimarães
Categoria: Benfica

O Benfica conquistou ontem à noite a terceira vitória consecutiva na Liga mas o resultado acaba por ser melhor que a exibição, muito também por culpa de um Vitória de Guimarães muito diferente daquilo que (não) mostrou nos primeiros jogos. Apesar da má exibição, essencialmente na primeira parte, o Benfica deu seguimento a uma fase de consolidação, não só no que diz respeito aos nível dos resultados mas também em relação à definição de uma estrutura de base. Depois das invenções do principio da época, nesta altura o Benfica apenas parece ter duas questões pendentes no onze. A luta entre Anderson e Ricardo Rocha não será propriamente um problema, uma vez que ambos dão garantias. Já a questão do médio direito tem sido a principal dor de cabeça de Ronald Koeman. Com Geovanni a jogar muito pouco ou nada, o técnico holandês já apostou em Carlitos e Beto, mas as coisas estiveram longe de melhorar. Com as experiências falhadas, Koeman voltou ontem a apostar no Soneca mas a exibição voltou a desagradar. Na segunda parte entrou Karagounis, que parece destinado a render o brasileiro no onze. O Benfica até passou a jogar melhor, é certo, mas a troca entre estes jogadores levanta algumas questões que precisam de ser bem delineadas, de modo a que a alteração surta efeito.
A primeira parte do Benfica foi fraca, nunca conseguindo assumir o controlo da partida. Os primeiros minutos foram de grande equilíbrio e ambas as equipas à procura do golo. Qualquer equipa podia ter marcado, mas foi o Benfica que conseguiu faze-lo primeiro, por intermédio de Miccoli (20m).
O golo picou ainda mais o Vitória, que passou mesmo a dominar e fez 25 minutos de bom nível. O Benfica tinha muita dificuldade em reagir dada a inferioridade numérica no meio-campo. Petit e Manuel Fernandes eram insuficientes para combater Moreno, Svard, Benachour e Neca. O Vitória tinha quatro elementos no centro do terreno e por isso conseguia superiorizar-se nessa zona fulcral. O Benfica devia aproveitar para desequilibrar através dos seus laterais, que não tinham oposição directa. Nelson fez isso nos minutos iniciais e as jogadas mais perigosas do Benfica foram resultado de jogadas suas, mas após o golo de Miccoli os dois laterais encarnados encolheram-se mais, provavelmente mais preocupados em defender a vantagem e ajudar os centrais a anular os dois elementos mais adiantados do Vitória, Saganowski e Targino (principalmente este último que era mais móvel e caía mais na zona de influência dos laterais). Mas a superioridade vimaranense no meio-campo era mais que evidente e os visitantes acabaram mesmo por empatar. Um golo muito parecido com o que o Benfica tinha sofrido em Penafiel, diga-se. Cruzamento de Mário Sérgio para o coração da área, Luisão e Rocha batidos ao primeiro poste e Nelson a atrasar-se na missão de fechar junto dos centrais.
Os primeiros minutos do segundo tempo tiveram a mesma tendência. Superioridade do Vitória de Guimarães e o Benfica com dificuldades em impor o seu jogo. Koeman decidiu fazer alguma coisa e pôs o Benfica finalmente a jogar com onze. Quer isto dizer que Geovanni saiu e entrou Karagounis rendeu Geovanni. O Benfica melhorou muito porque conseguiu finalmente equilibrar as coisas a meio-campo. Para além de que teve a felicidade de, apenas três minutos depois da entrada do grego, chegar à vantagem por intermédio de Simão.
O Benfica tinha agora três homens no miolo, uma vez que Karagounis raramente encostou à direita, jogou à frente de Petit e Manuel Fernandes. O Benfica finalmente conseguiu superiorizar-se no meio campo, não só porque ganhou mais um elemento naquela zona mas também porque Pacheco tinha retirado um (Neca). Mesmo depois de ter conseguido chegar à vantagem, o Benfica mantinha uma dinâmica de ataque muito interessante e teve algumas oportunidades para dilatar a vantagem. O Vitória de Guimarães ia tentando o empate mas o sector mais recuado do Benfica mostrou grande concentração nesta altura. O quarteto defensivo adoptou um posicionamento muito equilibrado e correcto, na medida em que não significava um recuo exagerado mas ao mesmo tempo também não deixava muito espaço nas costas para os contra-ataques. Ainda para mais, a entrada de Karagounis libertou Petit e Manuel Fernandes para inúmeras recuperações de bola à entrada do meio-campo defensivo.
Quanto a Karagounis, teve pormenores dignos de registo e mostrou que vai tornar-se um jogador importante na equipa, mas não é médio direito. O Benfica fica algo coxo, na medida em que Simão passa a ser o único extremo de raiz. Ainda assim, e com Geovanni a não merecer a titularidade e sem outras alternativas credíveis, a entrada do grego para o lugar do brasileiro parece ser, nesta altura, a solução mais natural. É necessário, no entanto, que sejam feitos alguns ajustes e que sejam definidos alguns pormenores para que resulte. É preciso que alguém vá aparecendo na ala direita, quer em situações de ataque quer de defesa. Em termos defensivos não é complicado e poderá ser o próprio internacional grego a fechar o corredor direito, com Petit e Manuel Fernandes mais no miolo.
No que diz respeito a situações ofensivas, o Benfica pode tirar partido da disponibilidade de Nelson e este fazer toda a ala direita. Para isso é preciso que o Léo não suba ao mesmo tempo e que Petit e Manuel Fernandes façam a cobertura necessária ao espaço que Nelson vai deixar desprotegido. A entrada no onze de Karagounis até facilita essa tarefas, pois liberta os dois médios mais recuados para fazer os equilíbrios defensivos. Ainda no que diz respeito ao preenchimento do flanco direito em situações de ataque, e para além das subidas de Nelson, o próprio grego e Miccoli também podem descair à direita ocasionalmente. È preciso, portanto, algum rigor táctico e a lição bem estudada para que a troca de Geovanni por Karagounis não prejudique o equilíbrio da equipa. De qualquer forma, e tendo em conta as características dos jogadores, parece que tem os ingredientes necessários para dar certo.
Publicado por nuno travassos às 16:34
Comentários
Concordo com a parte onde diz que "...é preciso que alguém vá aparecendo na ala direita, quer em situações de ataque, quer de defesa".
É bem visto essa particularidade, caso Karagounis entre como titular, mas para que resulte sem a equipa ficar demasiado coxa, é necessário:
- disponibilidade física de Nélson para fazer o corredor direito;
- entrega de Nuno Gomes ou Miccoli, para evitar subidas do lateral esquerdo adversário;
- poder de marcação e/ou rigor táctico de Karagounis, no preenchimento dos espaços (defensivos/ofensivos);
- em última análise, entrosamento geral da equipa nos movimentos de ataque e defesa, tentando evitar um excesso de jogo pelo meio.
#1 | Comentado por: Ricardo Cunha | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Excelente comentário. A saída de Geovanni da equipa é inevitável e não oferece sequer dúvidas. Com Karagounis a equipa vai ser muito mais equilibrada. Isso entra pelos olhos dentro. E é aqui que reside o expoente máximo do Benfica para esta época. No ano passado, do meio campo para a frente, tínhamos apenas o Simão como jogador ofensivo de classe mundial. Esta época, serão três: Simão, Miccoli e Karagounis. Ou muito me engano ou este grego vai ser para o Benfica, o mesmo que o Deco foi para o Porto. Um médio trabalhador com talento e capacidade para jogar à esquerda, direito e centro. Há muitas equipas a jogarem apenas com um extremo. O Barcelona, por exemplo, onde o Ronaldinho raramente encosta à linha. Penso que é por aí que vai evoluir o futebol do Benfica.
#2 | Comentado por: Miguel J. Lopes | 24 de outubro de 2005 às 21:08
...meter o Miccoli num flanco é assassinar o futebol técnico e de grande profundidade do italiano.
A ida para a direita do grego é perfeitamente compreensível pela segurança defensiva do mesmo e pelo fantástico jogo de ala do Nélson.
No entanto e visto que o Benfica é frágil pelo jogo aéreo atacante não vejo como imprescendível a presença de mais um extremo flanqueador - Simão chega perfeitamente - tendo por base, como é óbvio, que Geovanni está no seu pior momento dos seus 4 anos de Benfica.
#3 | Comentado por: Pedro Neto | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Ricardo Cunha, tudo isso que referes resume-se a a uma coisa: trabalho de Koeman nos treinos.
E tendo em conta a evolução na dinâmica de jogo que a equipa tem sofrido sob o comando de Koeman, acho que podemos estar descansados. No trabalho do sistema de jogo ele é bom
Outra nota; é verdade que o lado direito do Benfica ficou algo desprotegido com a saída de Geovanni e a entrada de Karagounis. Mas também é preciso lembrar que era sobre a esquerda que jogavam o Dario e o Benachour, para além das subidas do Cabral. Aliás, o próprio vitoria estava desiquilibrado na sua direita, e daí as constantes investidas de Leo e Simão.
O jogo foi difícil.
Mas gostava mais que o Benfica pudesse jogar neste 4x4x2 o mais possível. É o gosto pessoal que tenho, mas claro se a equipa ficar mais equilibrada noutro sistema tudo bem.
Jogar só com dois homens no meio é um risco, mas também corremos o risco de através das nossas alas chegramos com 4 homens à área. O desafio é simples: ser melhor que o adversário.
#4 | Comentado por: Jose Leal | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Fiquei particularmente satisfeito com os poucos minutos de jogo feitos pelo Karagounis! Prometeu e muito... espero bem que seja titular no jogo contra o Porto, no Dragão. O Geovanni tá mt em baixo de forma, apesar de ser um excelente jogador... é assim, o futebol!
Parabéns pelo excelente corpo de colaboradores que têm aqui no 'Terceiro Anel'!
Saudações do 'Futebol ao rubro'!
-> www.jogadasestudadas.blogspot.com
#5 | Comentado por: Hugo C | 24 de outubro de 2005 às 21:08
"Tendo por base que o Geovanni está no seu pior momento dos seus 4 anos de Benfica".
Isto é normal, nos primeiros meses Geo está sempre em baixo, e só na segunda volta é que ele faz boas exibições. Nessa altura, haverá ainda mais opções. e é preciso não esquecer que temos Kariaka e Assis.
#6 | Comentado por: João Pedro | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Na 2ª volta poderá haver o Geo, o Karyaka, o Assis, mas muito provavelmente já não haverá Simão. No site da BBC ( http://news.bbc.co.uk/sport1/hi/football/teams/l/liverpool/4307428.stm ), vem a noticia que para o Liverpool continua a ser a contratação prioritária para Janeiro. Em Agosto a proposta terá chegado aos 18 M€. Será que o Benfica pode voltar a recusar uma proposta destas?
#7 | Comentado por: Jose Soares | 24 de outubro de 2005 às 21:08
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