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quarta-feira, 5 outubro 2005

SP. Braga 1 - 0 Naval

Categoria: 05/06 SuperLiga , Naval 1ºMaio , Sp. Braga

Vitória justa do Braga em jogo violentamente aborrecido. Um confronto que pertencia a uma tarde de domingo solarenga e nunca a uma terça-feira à noite, em que os mais avisados desviaram o seu programa para o cinema. Não se compreende jornadas de 5 dias, nem se compreende como mais de metade dos jogos decorre à noite por causa das transmissões televisivas. Uma situação urgentemente a rever. Depois das queixas, vamos ao futebol. Quem resistiu os 90 minutos confirmou a maturidade (para consumo interno) da equipa bracarense, que se junta ao FC Porto e ao Nacional no primeiro lugar da Liga sem dramas nem calafrios, e à vontade e dinâmica da equipa de Manuel Cajuda, a quem se adivinha uma longa luta (a ver vamos se bem sucedida) pela manutenção na divisão principal do futebol português.

Enquadramento


O principal atractivo deste jogo passava pela possibilidade da equipa de Braga se juntar ao topo da classificação. Aparentemente a tarefa não parecia complicada, mas a eliminação com o Estrela Vermelha, a pobre exibição na Amadora (Jesualdo Ferreira lamentou-se da falta de iniciativa atacante do Estrela, alguém lhe devia dizer para se ir habituando), os vários lesionados na frente de ataque e o trauma da época passada de falhar (repetidas vezes) o primeiro lugar, surgiam como "constrangimentos" a ter em conta para este jogo.

Quanto à Naval, vinha a Braga sem grande pressão num jogo em que "não fazia mal" perder. Para todos os efeitos o adversário é de outro campeonato e qualquer ponto é um bom resultado. O "campeonato" da Naval passa por objectivos mais modestos e não é nestes jogos que se decide.


Tácticas


O Braga jogou no seu habitual 4x3x3 com a defesa habitual e o meio campo povoado com Madrid nas costas de Hugo Leal e Vandinho. Na frente de ataque Luís Filipe e Davide abriam nos flancos e Bevácqua colocava-se entre os centrais figueirenses. Na segunda parte, por via das substituições, e numa altura em que Jesualdo pretendia um maior controlo do jogo, a equipa passou para o seu também habitual 4x4x2, agora com Rossato a fazer de ala esquerda, Vandinho de ala direita e Cândido Costa a juntar-se a Bevácqua nos movimentos atacantes. Esta modalidade táctica desdobrava-se para uma variante de 4x5x1 quando a equipa defendia, com Vandinho a passar para médio interior e Cândido Costa a fechar na direita.

A Naval apresentou-se com um 4x2x3x1 com desdobramento rápido para 4x4x2 quando em situação de ataque. Com o meio campo coberto por Rui Miguel e Glauber, e com Fajardo e Lito nas alas, o pivot desta equipa foi Bruno Fogaça que partia de uma posição de 10 nas transições defesa-ataque para se juntar a Cazarine quando a equipa mantinha a bola no meio campo adversário. As substituições não corresponderam a alterações tácticas estruturais, perdendo dinâmica e desenvoltura com a saída (por lesão) de Bruno Fogaça.


Apreciação


Por incrível que pareça assistiu-se ontem a um jogo aberto das duas equipas. Como habitualmente contaram-se imensas faltas, mas não se tratou de um jogo fechado marcado pelo anti-jogo. Nada disso. Ontem se não houve "show de bola" foi mais por falta de qualidade do que propriamente por haver 3 ou 4 caceteiros em campo a impedir qualquer tentativa de futebol aberto. A pergunta que os leitores devem estar a fazer agora é: Se houve espaço como é que o escriba explica o mau jogo? As explicações para tal realidade devem ser distribuídas equitativamente pelas duas equipas, com maior responsabilidade (é de obrigação) para a equipa da casa, a quem mais se exigia.

Focando-me precisamente no Braga, verificou-se no decorrer do jogo as enormes dificuldades dos jogadores em concretizar os lances de ataque que desenhavam. Esta falta de concretização ocorre tanto ao nível do último passe como do remate. De facto, a dinâmica do trio de meio campo até foi positiva, com lançamentos rápidos para os flancos, mas quando a bola chegava a essa zona invariavelmente os cruzamentos ou saiam mal ou eram inteceptados na origem, tal a lentidão na execução dos lances. Aqui os principais culpados não foram propriamente Davide e Luís Filipe, mas também Abel e Jorge Luíz. Duas questões se colocam: por um lado, parece que o entendimento com Bevácqua não é o mesmo do que com João Tomás ou até Delibasic; por outro, os médios surgem pouco em zonas de remate (com excepção para Vandinho) permitindo poucas variações para além do cruzamento para o homem isolado na área. Outro factor relevante para a fraca concretização reside em Bevácqua, um jogador que passa de 3ª opção para 1ª opção sem suplente (que saudades Jesualdo deve ter de Edinho, emprestado ao Paços de Ferreira) e que ainda por cima não marca golos, nem um de sorte com a anca ou com a canela. Passeia-se com um ar perdido em campo, sem demonstrar capacidade de corresponder a qualquer lançamento de um colega.

No lado oposto do terreno, a Naval apresentando um futebol positivo de posse de bola e remate fácil que bloqueia as suas iniciativas fundamentalmente pela falta de qualidade e inexperiência dos seus jogadores. A transição defesa-ataque apresentou alguma qualidade, mas no meio campo ofensivo da equipa os jogadores mostravam falta de recursos para desiquilibrar e passar a defesa bracarense. Tiveram mais posse de bola e mais remates, mas nenhuma oportunidade de golo flagrante. No conjunto o Bruno Fogaça parece ser o melhor da equipa, bem secundado por Fajardo, mas sozinhos não conseguem criar situações de golo eminente. Refira-se que esta falta de qualidade que aponto deve ter em conta a qualidade da defesa do Braga. Este ataque defrontou uma defesa que ainda não sofreu golos em 6 jornadas, pelo que esta crítica deve ser relativizada para o conjunto das equipas da Liga.

Em síntese, tivemos um típico jogo que poderia ter sido mas não foi. No plano formal, o jogo mostrou dois treinadores com vontade de jogar, preocupados com o espaço e a velocidade do encontro, no plano prático, o jogo foi monótono, com o Braga satisfeito com a vantagem e a Naval conformada com a desvantagem. Faltou garra e nervo ao jogo. Não teve nem emoção, nem grande qualidade técnica, ficando-se pelas intenções.


Destaque

Ás: Vandinho. Parece a escolha óbvia do jogador que marcou o único golo, mas não se trata nada disso. Na verdade, e apesar do golo aos 4 minutos, Vandinho foi o mais esclarecido e voluntarioso jogador em campo. De factol, na jogada do golo aparece muito bem na finalização, rematando com qualidade junto ao poste. Contudo, foi muito mais que isso. Recuperou muitas bolas, lançou os extremos, rematou à baliza, surgiu várias vezes no flanco a assistir, mantendo a eficácia tanto como médio interior como enconstado à linha. Parecia jogar a uma velocidade superior à dos restantes jogadores em campo e foi o que mostrou mais iniciativa (e qualidade) para quebrar a monotonia que se vivia. Uma justa homenagem a um dos melhores jogadores do plantel que tem vindo a ser esquecido no campo mediático à "custa" do restante plantel.


Ficha do Jogo

Estádio Municipal, em Braga

Árbitro: Rui Costa, da Associação de Futebol do Porto

SP. Braga - Paulo Santos; Abel (Cândido Costa, 64'), Nunes, Ném (cap.) Jorge Luíz; Hugo Leal (Sidney, 87'), Andrés Madrid, Vandinho; Luís Filipe, Maxi Bevácqua, Davide (Rossato, 64').
Treinador: Jesualdo Ferreira

Naval - Wilson Júnior; Carlitos, Fernando (cap.) Nélson Veiga, China; Rui Miguel (Marco Luís, 65'), Glauber; Fajardo, Bruno Fogaça (Léo Guerra, 55'), Lito (Éder, 73'); Cazarine.
Treinador: Manuel Cajuda

Disciplina: Hugo Leal (22'); Nélson Veiga (7') e China (23').

Golo: Vandinho (4')

Publicado por alexandre calado às 14:30

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