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sexta-feira, 7 outubro 2005
Saudades
Categoria: Col: João Nuno Coelho , FC Porto

Aproveitando a paragem no campeonato - para a conquista do dificilimo ponto contra a melhor selecção do Mundo e arredores, quem sabe o que pode acontecer, quem sabe??!! Que emoção, meu Deus! - vou mudar um pouco de assunto, porque a verdade é que isto tem sido só Adriaanse por todo o lado.
Como estou a preparar um pequeno trabalho sobre o saudoso Estádio das Antas deixo aqui algumas ideias e curiosidades que espero achem interessantes.
Ponto prévio: adoro o Estádio do Dragão, acho-o belíssimo e funcional. Ao mesmo tempo não me parece questionável o avanço que representa para o futebol português a construção dos novos estádios, já que se espera que eles possam atrair muito mais espectadores, fartos da falta de condições dos estádios antigos. Eu também passei, e de que maneira, pela provação de ver futebol sob chuva torrencial, ao frio, sempre com o desconforto presente.
Não me peçam é para acreditar que tudo foi feito de uma forma politicamente responsável, tendo em conta as prioridades normais de um país razoável. Nem me peçam para pensar que com a construção dos estádios tudo se resolveu e que agora tudo vai ser perfeito.
Esquecer. Eis algo que em Portugal fazemos com toda a facilidade do mundo. A forma como lidamos com a memória dos antigos, belos e tão significativos estádios dos "grandes" é um bom exemplo de como se vive o futebol (e resto) entre nós - sem qualquer respeito pela sua história e pelos seus significados mais profundos.
E não tenhamos dúvidas de que o futebol apenas pode ser bem sucedido como indústria se souber respeitar a sua essência e a sua história como instituição social e cultural.
Talvez por isso, enquanto adepto assumido do FC Porto, a satisfação causada pela inauguração do Estádio do Dragão nunca poderia ser maior do que as saudades que tenho do Estádio das Antas.
O estádio é o principal símbolo físico de qualquer clube de futebol, e o artefacto número um da sua cultura, resultado das suas conotações históricas, cénicas, religiosas até. Na verdade, estes locais chegam a ter conotaçõees quase religiosas, como locais de "devoção" de uma lealdade, pelo que são muitas vezes apelidadas de “catedrais”.
Para muitos adeptos do FCP, o Estádio das Antas foi durante muitas décadas como que uma segunda casa, onde vivia a sua segunda "família". O Estádio era um local central das memórias pessoais e colectivas, elemento preponderante da história do clube. Para qualquer adepto do FCP, o Estádio das Antas continua a ser um grande motivo de orgulho, constituindo um dos principais símbolos do clube, e da cidade do Porto.
Para terminar deixo aqui um conjunto de "curiosidades" sobre a vida do Estádio das Antas:
PRINCIPAIS CONQUISTAS DO CLUBE ENQUANTO SEDIADO NESTE ESTÁDIO
Campeonatos Nacionais: 18 (num total de 20 ganhos)
Taças de Portugal: 12 (num total de 12)
Supertaças: 12 (num total de 13)
2 Taça dos Campeões Europeus
1 Taça Intercontinental
1 Supertaça Europeia
1 Taça UEFA
RECORDES
Mais tempo sem derrotas (geral, incluindo particulares, taças e competições europeias) :
entre 21.08.83 e 10.05.87 – quase 4 anos
Mais tempo sem derrotas para o campeonato:
entre 14/03/1982 e 07/05/89 (sete anos)
Mais vitórias seguidas para o campeonato :
11.01.87 - 24.08.88: 25 vitórias consecutivas
Mais tempo sem sofrer golos (jogos oficiais):
Geral: 12.05.91 – 05.02.92: 13 jogos consecutivos
Campeonato: 12.05.91 – 08.02.92: 10 jogos consecutivos
Mais golos marcados por um jogador:
para o campeonato: 5 - Gomes ao Estoril – 31 de Outubro de 1982 (6-0)
para a Taça: 7 (em 45 minutos) - Jardel ao Juventude de Évora – 17.12.97 (9-1)
20 GRANDES MOMENTOS NA HISTÓRIA DO ESTÁDIO
1 – Inauguração do Estádio: 28 de Maio de 1952
2 – Primeira vitória da selecção nacional sobre a Inglaterra (3-1): 22 de Maio de 1954
3 – Vitória por 5-2 sobre o Real Madrid: 17 de Abril de 1955
4 – Decisão Campeonato com Académica (3-0) (após 15 anos de jejum): 26 de Abril de 1956
5 – Primeiro Jogo da Taça Campeões (A. Bilbao): 20 de Setembro de 1956
6 – Apuramento Mundial-66, 0-0 Checoslováquia: 31 de Outubro de 1965
7 – Quatro golos do Lemos ao Benfica: Janeiro de 1971
8 – Final da Taça com Braga (1-0): 18 Maio de 1977
9 – Duda marca quatro ao Man United (4-0), Taça das Taças, fim de 1977
10 – Fim de 19 anos de jejum no campeonato: 10 Junho de 1978 - Porto, 4 - Braga, 0
11 – Vitória 1ª supertaça oficial versus Benfica (4-1) – 1981
12 – Início da campanha Taça das Taças: D. Zagreb (2-1): 28 Setembro 1983
13 – Goleada (5-1) ao Belenenses para celebrar campeonato: Maio de 1985
14 – Bicampeões – 4-2 ao Sp. Covilhã: 21 de Abril de 1986
15 – Meia-final TCE, 2-1 ao D. Kiev: 8 de Abril de 1987
16 – Supertaça Europeia, 1-0 ao Ajax: 13 de Janeiro de 1988
17 – TRI: Maio de 1997
18 – PENTA: Maio de 1999
19 – Celebração dos 50 anos do Estádio: 28 de Maio de 2002
20 - Vitória (4-1) sobre a Lázio de Roma – meia-final da Taça UEFA.
Publicado por João Nuno Coelho às 17:30
Comentários
Mais um excelente texto. Parabéns pela lembrança, João.
Não há conforto do Estádio do Dragão que apague as memórias de tantos dias de futebol à chuva, naquelas bancadas de cimento, em que a lotação aumentava vertiginosamente quando se via o futebol de pé. Os guarda-chuvas abertos a dificultar a visão, a malta do "Tribunal" (aquele cantinho na Superior Sul, junto à Bancada) sempre "atenta" ao árbitro, aquela magia dos jogadores a subirem ao relvado pelo antigo acesso, por detrás da baliza, antes de se fazer o rebaixamento do relvado.
Por falar em rebaixamento, o jogo de inauguração poderia também fazer parte dessa lista de grandes momentos. Penso que foi contra o Benfica, numa altura em que as direccções se davam bem, e vencêmos nos penaltis com o último a ser marcado pelo Mlynarczyck. Corrije-me se estiver errado...
Poderíamos ainda falar dos 4-0 ao Benfica para a Taça de Portugal, penso que na época 99/00, se não estou enganado...
Aquele período sem sofrer golos foi apenas com o Vítor Baía ou houve mais algum guarda-redes envolvido?
Mais uma vez parabéns pela lembrança e ficamos à espera desse teu trabalho sobre o Estádio das Antas.
#1 | Comentado por: guardabel | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Belo texto, João, que nos recorda as tantas e tão boas as memórias dessa casa... É uma pena não ter havido uma festa formal e condigna de despedida, como acho que não houve na Luz e em Alvalade. Como dizes, nós os portugueses não sabemos honrar a memória.
guardabel, falares em a lotação aumentar vertiginosamente quando se via o futebol de pé fez-me lembrar um jogo que creio ter sido a maior enchente de sempre nas Antas. Foi um FCP-Vitória pouco depois do rebaixamento, que acabou 2-2 com golos nossos do Juary e do Casagrande. Creio mesmo que foi a estreia do Casagrande. O Vitória estava a fazer um campeonato fantástico e trouxe uns 20.000 adeptos, que encheram a superior norte com 2 ou 3 filas de pessoas por degrau. Sei porque tive a infelicidade de ir para lá nesse dia, acompanhar um não-sócio que quis ir à bola.
Também houve momentos maus, dos quais os piores de que me lembro, assim de repente, são a derrota 0-2 com os lamps no célebre "jogo do César Brito", a derrota 1-2 com o Real Madrid em 1987 (logo depois de ganharmos a TCE!) e os tristes 4-3 ao Wrexham. Ah, e a não qualificação para a LC contra o Anderlecht em 2000.
E muitas outras, claro. Em 20 e tal anos de Antas tivemos alguns desgostos, embora muitas, muitíssimas mais alegrias.
Quanto aos jogos que referes (eu estava lá em 11), tenho algumas dúvidas que poderás desfazer:
- o jogo dos 5-2 de que falas não foi contra o Arsenal, aquele da Taça gigante?
- se bem me lembro, nos 4-0 ao Manchester um dos 4 golos foi do Oliveira;
- tenho a ideia de que o Gomes também marcou 5 ou 6 ao Estoril em 84, num jogo em que demos 8-0, na última jornada e pouco antes da final de Basileia; isto apesar da marcação feroz de um tal Isídro, que na superior sul toda a gente dizia estar a ser pago pelo Néné, com quem o Gomes estava a disputar a Bola de Prata...
E já agora, pessoalmente eu trocaria o jogo de 78 com o Braga pelo outro com o Benfica, 2 semanas antes, em que empatámos 1-1 graças a um livre do Ademir quase no fim. Aí houve verdadeiro drama! E é incrível como conservo vivas as memórias dessa tarde em que tinha 8 anos...
Saudações portistas!
#2 | Comentado por: joethelion1970 | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Após uma busca na minha singela "base de dados", não encontrei nenhuma informação sobre o jogo de que falas com o Real - apesar de ter constatado que nada teve a ver com o outro do Arsenal, que provavelmente até foi ainda no campo do Lima. Se puderes e tiveres tempo deixa aqui uma breve nota a informar do que se tratou...
Abraço
#3 | Comentado por: joethelion1970 | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Concordo totalmente com este post. Bastar-me-ia colocar as palavras "Benfica" e "Luz" no lugar de "Porto" e "Antas" para me identificar a 100%.
#4 | Comentado por: Quetzal Guzman | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Um dos, se não grandes, pelo menos mais absurdos, momentos da história do estádio das Antas foi o golo do apanha-bolas contra o Sporting… espero que não se tenham esquecido desse momento único.
#5 | Comentado por: Pedro Santo | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Pedro, por acaso não estava nesse jogo (q já foi há uns 30 anos!) mas pelo q ouvi contar tenho ideia de isso ter sido contra os lamps.
Quanto a absurdos lembro-me de 1 amigável tb já há muitos anos, acho que com 1 equipa francesa, em que o árbitro começou o jogo sem o Fonseca estar na baliza, e o FCP sofreu 1 golo pq não tinha GR.
#6 | Comentado por: joethelion1970 | 24 de outubro de 2005 às 21:08
joethelion1970, também estive nesse 2-2 contra o Guimarães, mas na superior sul. Tens razão, foi o jogo de estreia do Casagrande. No Vitória jogava um tal de Paulinho Cascavel...
#7 | Comentado por: guardabel | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Caro João, não é que isto tenha grande interesse, mas é disto que se faz o gosto pela bola... Quanto ao record de golos num jogo, no livro do Júlio Magalhães (o "t'Antas glórias") o nosso Bi-bota gaba-se de ter marcado por 2 vezes 6 golos num jogo, em 76-77, contra o Atlético e o Belenenses. E confirma os 5 ao Estoril no jogo de 84 de q eu falei acima.
E aproveito a deixa para dar razão a quem a tem, no caso o Pedro Santo: de facto a história com o apanha-bolas foi com o Damas na baliza do teu spórtem, em 75-76.
#8 | Comentado por: joethelion1970 | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Mas o Sporting ganhou na mesma, caraças!!! Isso é que eu quero que apareça no livro!!!
;)
#9 | Comentado por: Pedro Santo | 24 de outubro de 2005 às 21:08
guardabel, bem me lembro do Cascavél, que tinha vindo para o Porto no ano anterior, e haveria de ganhar 1 ou 2 bolas de prata no spórtem.
Já do Casagrande, a única recordação forte q me ficou da passagem pelo Porto foi do jogo em Brondby, ele no chão agarrado à perna a gritar para o banco "quebrou, quebrou!!" No entanto, uns 2 meses depois estava no banco em Viena, só para confundir os boches com uma pretensa (e falsa) recuperação. Bela jogada psicológica do Artur Jorge!
Pedro, tb o FCP ganhou 1-0 em Alvalade há 3 anos apesar de 3 penalties por marcar a nosso favor, e de mesmo no fim vocês quase marcarem com a mão ;)
#10 | Comentado por: joethelion1970 | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Faltou dizer qual o resultado do jogo de inauguração do Estádio das Antas frente ao Benfica.
#11 | Comentado por: Pedro Neto | 24 de outubro de 2005 às 21:08
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