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sexta-feira, 14 outubro 2005
Futebol por Dentro #7
Categoria: Col: Vítor Pimenta

A minha coluna de hoje era para ser contada mais à frente, mas como houve algumas más interpretações em relação à semana passada, deixem-me defender, contando uma situação acontecida na época 2000/2001, portanto recentemente, a propósito da relação dirigentes-jogadores.
Como disse, decorria a época 2000/2001, jogava eu num clube da 2ª Divisão B - Zona Norte(S.C.Ermesinde),era sub-capitão e tinha 3 anos de casa.
Nas 2 épocas anteriores fui titularíssimo na equipa, sem qualquer tipo de problema com quem quer que fosse, aliás, aprendi a gostar do clube, era adorado pela massa associativa, era bom companheiro, enfim era um excelente profissional.
Na época anterior, entrou para chefe de departamento de futebol, um senhor muito conhecido no futebol, que transpirava dinheiro por todo lado, um todo poderoso que fazia o que queria no futebol português (aliás ainda faz!!!) e que, por acaso, tem a justiça à perna. Eu nunca tive o mínimo problema com ele.
Na época 2000/2001, ele decidiu ser empresário de futebol e aproveitou o Ermesinde, para fazer a ponte de alguns jogadores que lhe poderiam dar algum proveito. Ele era dono do passe de 9 jogadores do clube! Entre esses 9 existia 1 que jogava na minha posição, mas era tão fraco que nem sei se ainda joga à bola. Eu não me importei e fiz o meu trabalho de pré-época normal, sem me ralar com as opções do treinador, porque sabia que mais tarde ou mais cedo iria jogar.
Começa a época e ele a titular, e eu nem convocado era. Tudo bem, pensei eu, são opções do treinador. Perdemos 4-0 em casae ele foi culpado em 3 golos! Continuei a trabalhar para poder ser opção quando o treinador quisesse.
Na semana seguinte, fui convocado mas não entrei (jogou ele). Perdemos de novo 3-0. Ambiente terrível, pois havia grandes expectativas para a época e tinhamos começado com 2 derrotas. Dos 9 jogadores do empresário, estavam a jogar 7.
Na semana seguinte, o treinador manteve a mesma equipa e empatámos em casa.
O jogador que jogou na minha posição lesionou-se e não podia ser opção para a próxima jornada. Avancei eu e vencemos fora 2-1 o Vilanovense. 1ª vitória, à 4ª jornada. Na 2ª feira após o jogo os 2 jornais da terra foram unânimes em considerar-me o melhor em campo.
Na semana seguinte ele voltou, e jogou de novo. Perdemos outra vez.
Os adeptos ficaram fulos com a minha saída da equipa, inclusive o presidente.
Na 6ª jornada joguei e empatámos fora. Voltei a estar bem.Na 3ªfeira após o jogo,estava a meio do treino, e o dito director entra pelo campo dentro, chama-me e diz-me assim: Pimenta, a partir de agora não fazes mais parte do plantel. Despe o equipamento e podes ir embora. Eu fiquei a olhar para ele. Perguntei porquê e ele disse-me : tenho que fazer sangue. As coisas não estão a correr bem, tu tens peso no grupo, os adeptos gostam de ti, estás a tapar um lugar de um jogador meu, por isso és a vítima! Textualmente isto!
Fiquei siderado, pensando que estavam a brincar, mas não. Manteve-se e eu sai do treino. Os meus colegas não acreditavam quando lhes disse no fim do treino.
Fui a um advogado saber se era possível aquilo acontecer e ele disse que não. Apresentei-me no campo no dia seguinte para treinar, visto não haver processo disciplinar, nem carta registada, nem nada, e fui impedido de entrar. Telefonei ao presidente que nem sabia de nada e ele também ficou estupefacto. Mandou-me aguardar por ele no campo e assim fiz. Ele veio e foi falar com o director. Veio ter comigo e disse-me que não podia fazer nada. Eu disse-lhe:Ok, paguem-me até ao fim do contrato e vou-me embora, senão vou para a justiça. Ele respondeu que só pagava, até aquele dia. Não aceitei, esperei pelo treinador e perguntei o que se passava. Ele respondeu: Não tenho queixas de ti. Não podia pôr-te a jogar e esta decisão não é minha, ele tomou esta decisão. Vim-me embora e apresentei-me novamente no dia seguinte ao treino com 2 testemunhas. Fui de novo impedido de entrar, e entrei com um processo de rescisão com justa causa por impedimento de trabalhar, sem processo disciplinar, sem carta registada, sem motivo plausível. Quando receberam a carta, esse director, telefonou-me a ameaçar de morte se entrasse na justiça, que fazia desaparecer o meu filho, enfim muitas ameaças. Fiquei sem trabalho e sem dinheiro para sustentar a família, e não podia jogar noutro lado, porque as inscrições haviam fechado.
Enquanto a justiça não desse um parecer favorável, não podia trabalhar porque estava sobre contrato com o Ermesinde.
Foi me dado razão, mas não podia jogar antes de Janeiro, porque só aqui é que abriam as inscrições. Estive de Outubro a Janeiro sem jogar. Sabem qual foi a resposta do Ermesinde até hoje? Nenhuma! Nunca se defendeu em tribunal, nunca me levantou um processo (porque não havia razão), nunca argumentou nada, mas no entanto o prejudicado foi o jogador, que foi humilhado.
É aqui que quero chegar em resposta ao Nuno Coelho. O futebol não é só coisas bonitas, os golos que entram ou não. Existem as pessoas sem escrúpulos que não olham a meios para atingir os seus fins, passando por cima das coisas. É o que acontece com a maior parte dos dirigentes, daí a defesa dos jogadores em relação a muitas coisas. Esta história é verdadeira e existem muitas piores que a minha no futebol!
Só para terminar, o Ermesinde foi obrigado a pagar os 10 meses que restavam em tribunal e pagou embora com 4 anos de atraso.
Dos 9 jogadores dele, 8 jogavam sempre. A equipa era prejudicada, porque havia melhores jogadores de fora que não podiam jogar. O treinador também era culpado, mas era obrigado a cumprir ordens dele, senão ia para o desemprego. A equipa safou-se da descida na última jornada.
Até para a semana.
Publicado por Vítor Pimenta às 20:36
Comentários
Uma vergonha.
Não podes dizer quem é o tal director? Nem uma pista? Gostava de saber!
#1 | Comentado por: Pedro Neto | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Opá posso tar errado! :s mas pela descrição do Pimenta( com todo o respeito =)) ou é o josé veiga, jorge mendes ou paulo barbosa...
Ñ sei pk e ñ kria dixer isto mas inclnome po josé veiga!
#2 | Comentado por: Rionx | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Eu apostava no António Araújo. Sei que ele teve um cargo no Ermesinde, mas não tenho certeza se foi 'apenas' director desportivo...
#3 | Comentado por: Pedro Santo | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Há tantos mafiosos no futebol português que isto é como tentar encontrar o preto certo na áfrica subsariana. Mas a minha aposta vai para o major Valentim.
#4 | Comentado por: dotlandia | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Os associados do Ermesinde Sport Clube elegeram por unanimidade, na quarta sessão da Assembleia Geral electiva, realizada na sexta-feira, os corpos gerentes do clube. Adelino Pontes é o presidente da direcção, tendo como presidente-adjunto Manuel Tavares. O treinador da equipa sénior de futebol foi já escolhido. Trata-se de Júlio Sérgio (ex-Serzedelo).
Os novos dirigentes do assumem o clube por dois anos, tendo que enfrentar uma situação financeira adversa. Por isso, Adelino Pontes não promete mais do que trabalho. "Vamos todos trabalhar em conjunto. Não vou prometer muito, porque a vida hoje não é propícia a isso. Acredito que todos os sócios se vão orgulhar desta direcção", afirmou após a eleição.
Além do presidente e do seu adjunto, a direcção conta com onze vice-presidentes. Como curiosidade, refira-se que, pela primeira vez na história do Ermesinde SC, uma mulher, Teresa das Dores, assume um lugar dirigente. A Assembleia Geral vai ser presidida por Isidro Vaz e o Conselho Fiscal por Jorge Monteiro.
Com esta eleição, os associados do Ermesinde optaram por uma solução envolvendo pessoas da cidade, recusando deixar o clube nas mãos de alguém de fora. Recorde-se que o empresário dos futebolistas Deco e Quaresma, Jorge Mendes, havia manifestado a intenção de dirigir o emblema de Sonhos, para colocar alguns dos futebolistas que representa a jogar.
Contratado o treinador que vai substituir Nicolau Vaqueiro, falta agora formar o plantel, uma vez que o presidente da direcção anterior, António Araújo, rescindiu o contrato com todos os jogadores, para "não deixar encargos" aos sucessores. A apresentação da equipa está marcada para dia 24. O Ermesinde vai disputar a Zona Norte da 2.ª Divisão B, recebendo o Freamunde na primeira jornada, que vai jogar-se no dia 17 de Agosto.
José Carlos Gomes
22/7/03
Pinto da Costa, presidente da SAD portista, e António Araújo, empresário de futebol, vão recorrer das medidas de coacção que lhes foram aplicadas. O dirigente do F.C.Porto vai contestar a existência de fortes indícios da prática dos cinco crimes (dois de tráfico de influências, dois de corrupção e um de falsificação de documentos), bem como as proibições de contactos com outros dirigentes, designadamente os magistrados que compõem os órgãos disciplinares da Liga e da Federação. Irá tentar diminuir o valor da caução (125 mil euros), que terá de depositar na próxima semana.
Por sua vez, António Araújo deverá alegar a inconstitucionalidade da proibição de contactos com prostitutas e alternadeiras. A principal justificação será a não existência legal da prostituição e do alterne, desde o 25 de Abril de 1974. Sendo assim, o empresário argumenta que não faz qualquer sentido proibi-lo de contactar com o que não existe.
Entretanto, diversos juristas contactados pelo JN garantem que tal proibição poderá também ser considerada vexatória, tanto mais que é impossível de ser fiscalizada, o que implica que não possa ser determinada por um juiz.
António Araújo deverá ainda tentar reaver o passaporte, que entregou no tribunal na passada segunda-feira, alegando que a sua actividade o obriga a viajar frequentemente para o estrangeiro.
Recurso pendente
Os recursos dos dois principais arguidos da segunda fase do processo Apito Dourado seguem agora para o Tribunal da Relação do Porto, onde ainda se encontra, à espera de ser apreciado, o recurso de Castro Neves, dirigente do Gondomar S.C e ex-vereador camarário.
Segundo apurou o JN, o recurso ainda não está decidido, embora tenha entrado naquele tribunal há mais de seis meses. No caso, discute-se a alegada ilegalidade da proibição de Castro Neves de falar com Valentim Loureiro, atendendo a que ambos detinham cargos autárquicos. Castro Neves alegava que tal proibição foi uma forma da juíza os impedir de exercer funções autárquicas, embora o Tribunal Constitucional já tenha dito que os juízes de instrução não o podem fazer.
Árbitro nega contactos telefónicos
O árbitro bejense Luís Lameira, proibido de falar com António Araújo, mostrou-se surpreendido com o aparecimento do seu nome no caso "Apito Dourado". "Tive conhecimento do facto, ontem, ao ler o JN", garantiu o juiz alentejano, que desde a temporada passada faz parte dos quadros da 3ª categoria.
Tendo passado pela 1ª categoria na temporada de 2001/ 2002, Lameira afirma conhecer António Araújo, enquanto presidente do Ermesinde. "Não falo com ele há mais de um ano. Não percebo como o meu nome foi relacionado", rematou.
#5 | Comentado por: ppeixoto | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Gosto muito desta coluna. Só gostava de ver o Português mais bem tratado... será que ninguém do TA pode editar os textos?
Um abraço e continuação de excelente rúbrica.
#6 | Comentado por: Rui Alexandre | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Este António Araújo é o da fruta?
#7 | Comentado por: Jose Soares | 24 de outubro de 2005 às 21:08
"Recorde-se que o empresário dos futebolistas Deco e Quaresma, Jorge Mendes, havia manifestado a intenção de dirigir o emblema de Sonhos, para colocar alguns dos futebolistas que representa a jogar."
Axo k tá td dito =), ainda bem k ñ foi o nome k mencionei, eu tb nunca gostei muito do jorge mendes, apesar de apresentar um ar muito bem ponderado perante os outros, mas como já foi relatado na comunicação social ñ é flor k se xeire...
Há um episódio engraçado no aeroporto em k o jorge mendes e o josé veiga andam ao estalo, consta k foi o jorge mendes que ganhou .... =)
#8 | Comentado por: Rionx | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Acabei por não perceber se é mesmo ao Araújo que o Vítor se refere. Apesar de se enquadrar perfeitamente no perfil, o q está publicado dá a entender q ele tinha sido presidente e não chefe do dep. de futebol.
#9 | Comentado por: joethelion1970 | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Penso que é, de facto, o Jorge Mendes mas só o Vítor poderá confirmar.
Ou alguém que esteja dentro dos assuntos do Ermesinde.
#10 | Comentado por: Pedro Neto | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Não. Não é o Jorge Mendes. É o António Araújo, sócio do Reinaldo Teles. Não confundir com o actual presidente do Ermesinde, José Araújo (não é da família nem tem negócios com prostitutas).
O Jorge Mendes é de outro nível. Só aparece depois. No Ermesinde só apareceu depois de o António Araújo ter passado por lá. Põs lá alguns jogadores a custo zero, mas não puderam ser inscritos porque o Ermesinde devia a vários jogadores (como o Pimenta).
Em entrevista ao Jornal "A voz de Ermesinde", no dia 30-05-2005, o actual presidente dizia "Bom, o Jorge Mendes prometeu-me que, se não pudesse ajudar financeiramente o Ermesinde doutra forma, era capaz de arranjar camisolas de todos os jogadores que ele representa, desde o Costinha, o Manniche, o Hugo Viana, o Manuel Fernandes, mesmo o Mourinho (um sobretudo), oferecer-nos isso e fazermos um leilão. Mesmo assim eu confio em que ele me possa ajudar mesmo doutras formas. Ele é um empresário sem muito tempo disponível, mas que gosta de tudo muito certo e direitinho. Ele investiu no Académico de Viseu o ano passado e deixou lá rios de dinheiro."
No caso do Académico de Viseu o jorge Mendes deixou lá tanto dinheiro que o clube abriu falência e fechou as portas. O José Araújo, actual presidente do Ermesinde, continua à espera das camisolas. E a malta em Ermesinde não quer ouvir falar nem do António Araújo.
#11 | Comentado por: ppeixoto | 24 de outubro de 2005 às 21:08
O António Araújo é aquele empresário de casas de alterne, arguido do Apito Dourado, e que arranjava as prostituas para subornar os árbitros?
#12 | Comentado por: Pedro Neto | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Sim. Mas não era ele que arranjava as prostitutas. Ele só fazia de intermediário entre quem as arranjava e os árbitros. As prostitutas circulavam entre o homem do bigode, de quem ele é sócio (numa empresa de outro ramo) e o presidente de um clube da madeira que compra muitos brasileiros (e brasileiras).
#13 | Comentado por: ppeixoto | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Como é óbvio, não vou comentar o nome do empresário-director.Mais para a frente,em próximas colunas darei pistas e todos saberão de quem estou a falar.
#14 | Comentado por: Pimas | 24 de outubro de 2005 às 21:08
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