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domingo, 16 outubro 2005

FC Porto 0-2 Benfica

Categoria: 05/06 SuperLiga , Benfica , FC Porto

Nuno Gomes: a figura do clássico

Foi finalmente quebrado um dos derradeiros “enguiços” do futebol português. 14 anos depois, o Benfica voltou a vencer em casa do FC Porto e Nuno Gomes sucede a César Brito com o herói dos encarnados. Um jogo que mais uma vez pôs a nu as fragilidades defensivas da equipa portista e o gritante desequilíbrio entre os seus sectores. Do outro lado, o Benfica foi uma equipa organizada e inteligente como há muito não se via, sabendo esperar sem nunca dar o domínio total ao FC Porto e aproveitando jogadas perfeitas de ataque para decidir o jogo. Koeman sai vencedor do “duelo laranja”, numa noite que prova, se tal ainda fosse preciso, que é lá atrás que se começam a conquistar as vitórias. Nesse sentido, o antigo defesa do Barcelona deu uma lição de futebol ao seu compatriota.

Enquadramento
Depois de uma semana em que se reacenderam as polémicas do inicio de época, ficou provado que no Dragão não se jogava apenas mais um clássico mas também mais um capítulo na rivalidade Koeman-Adriaanse, repetindo-se as estatísticas até à exaustão, não faltando também uma troca de galhardetes. O jogo aparecia também com alguma indefinição em relação aos lesionados em ambos os conjuntos. Mc Carthy surgiu recuperado e convocado, ao contrário de Pedro Emanuel, que chegou a ser dado como certo na defesa portista. No Benfica, Moreira era a grande baixa, desdramatizada quando se tem um guarda-redes como Quim no banco e Karagounis estreava-se a titular no campeonato. Na classificação assistia-se a uma recuperação do Benfica na tabela com 3 vitórias consecutivas a colocarem os encarnados no pelotão europeu. O FC Porto vinha de um empate na Madeira que permitira que fosse igualado no topo da tabela por Nacional e Sp. Braga.

Tácticas
Face à lesão de Moreira, Quim agarrou a titularidade na baliza encarnada, tendo à sua frente o quarteto habitual formado por Nélson, Luisão, Anderson e Leo. Petit e Manuel Fernandes davam ao meio-campo defensivo a força e consistência necessárias. À sua frente, Simão movimentava-se da esquerda para o centro e Karagounis, tentava descair para a direita quando na verdade acabava por ser Nelson a fazer toda essa faixa. Na frente, Koeman contava com a mobilidade dos dois jogadores mais avançados Miccoli e Nuno Gomes.
No FC Porto, Adriaanse repetiu o quarteto defensivo dos últimos jogos, com Bosingwa à direita, César Peixoto à esquerda e a contestada dupla de centrais, Bruno Alves e Ricardo Costa no centro. No meio-campo, Ibson e Lucho repetiam a titularidade mas desta vez com a companhia de Jorginho, como organizador de jogo, deixando Diego no banco. Lisandro na esquerda e Alan na direita (ainda que trocando frequentemente de alas) formavam com McCarthy o trio atacante.

E o jogo começou como era previsto, com o FC Porto a tomar a iniciativa e a tentar empurrar o Benfica para a sua defesa. E as melhores oportunidades da primeira parte pertenceram mesmo aos portistas com Quim a tornar-se na grande figura do jogo, tirando o pão da boca a McCarthy por duas vezes. Do Benfica o melhor que se viu foi um cabeceamento de Simão, isolado, com a defesa portista a “ver navios”. Pelo meio Miccoli e Lisandro, lesionaram-se e tiveram de sair, o que obrigou a alterações tácticas nas duas equipas; no FC Porto entrou Diego, passando Jorginho para a ala direita do ataque; no Benfica, Geovanni entrou, deixando definitivamente Karagounis no centro do terreno. Apesar do domínio territorial do FCP, o Benfica demonstrou na segunda parte que maior posse de bola não equivale necessariamente a qualidade de jogo e em menos de 10 minutos, já com Karyaka no lugar de Karagounis, Nuno Gomes decidiu o jogo, finalizando duas jogadas perfeitas de contra-ataque. Primeiro cabeceou sem oposição um centro perfeito de Nélson; depois concluiu uma jogada rápida de Geovanni que Ricardo Costa ainda tentou aliviar sem sucesso. A perder por 2-0, Adriaanse fez entrar Quaresma para o lugar de Lucho, deixando apenas Ibson entregue às tarefas defensivas do meio-campo. O ex-sportinguista ainda trouxe alguma cor ao ataque mas as suas jogadas acabaram apor ser inconsequentes tal como as tentativas deseperadas da sua equipa, Hugo Almeida em particular, para amenizar o resultado. O jogo não terminou também sem os momentos mais feios que já são infelizmente assíduos nestes clássicos, em particular a cabeçada de Bruno Alves em Nuno Gomes. Também Leo viu o vermelho, mas por acumulação.


Positivo –

Defesa do Benfica – Luisão e Anderson estiveram quase perfeitos esta noite. Força, classe e a preciosa capacidade de lá estar na “hora h” foram uma constante na dupla de centrais dos encarnados. Na baliza, Quim mostrou que é ainda um dos melhores guarda-redes portugueses da actualidade, marcando a sua presença com intervenções seguras e preciosas.

Koeman - Quarta vitória consecutiva no campeonato, sete pontos recuperados ao rival do Norte e uma atitude como há muito não se via para os lados da Luz. Tal como em Manchester, a equipa encarnada fez uma exibição positiva e personalizada, marcada por uma defesa de classe, um meio-campo combativo, um contra-ataque mortífero e uma confiança geral na vitória. Tão diferente das exibições apagadas e receosas que marcaram as suas visitas mais recentes à casa do FC Porto.


Negativo –

Defesa do Porto - Para todos aqueles que insistem em ligar preocupações defensivas a anti-jogo, a partida desta noite foi uma lição. Assim como foi para Adriaanse que terá que perceber que por muito bonita que seja a sua ideia do espectáculo como finalidade do jogo, acaba por falhar redondamente se o ataque não for apoiado por uma defesa ao mesmo nível. A prestação defensiva foi, como contra o Artmedia, totalmente desastrosa, facilmente surpeendida pela velocidade dos atacantes adversários. Quando um jogador como Simão consegue cabecar à vontade na área, como aconteceu no final da primeira parte é porque alguma coisa não vai bem. Fica a ideia de que mesmo não estando totalmente recuperados, Jorge Costa e Pedro Emanuel teriam feito bem melhor que a dupla lançada por Adriaanse.

Adriaanse – Sai como o grande derrotado do jogo de hoje e desta vez nem os discursos do futebol atacante lhe valem do que quer que seja. Os próprios adeptos do FC Porto já perderam a paciência para a conversa das vitórias morais. A verdade é que o FCP ainda não conseguiu vencer qualquer jogo com adversários do seu nível e já na quarta-feira contra o Inter Milan joga o seu futuro, pelo menos na Champions League. E convenhamos, não é o melhor adversário para se encetar uma recuperação.

Claques - Mais comportamentos tristes das claques do FC Porto com foguetes e objectos atirados para o relvado.

O duro – Bruno Alves. Sujou uma exibição já de si sofrível com a cabeçada sobre Nuno Gomes depois de uma entrada sobre o jogador do Benfica merecedora ela própria de expulsão.

Que pesadelo ! Defesa do FC Porto. Já foi quase tudo dito. No primeiro golo, Nuno Gomes nem precisou de saltar para bater Vítor Baía; no segundo golo, Ricardo Costa falhou o corte, colocando a bola nos pés do ponta-de-lança do Benfica. Junte-se a isto pequenos momentos de nervosismo e desatenção e temos um sector a necessitar de revisão urgente.

O dandy – Nélson. Para o país que só agora o conhece será uma agradável surpresa mas quem já o conhecia dos tempos do Boavista sabia do que este lateral-direito era capaz. Rápido e de drible fácil, centra como ninguém em Portugal neste momento. Defensivamente melhorou bastante, mostrando-se mais atento, apesar de algumas dificuldades sentidas diante de Alan e César Peixoto. Quem diria que está na Luz apenas há dois meses ? E já ninguém se lembra de Miguel…

A figura – Nuno Gomes. Duas oportunidades, dois golos. Melhor é impossível para um ponta-de-lança. Uma exibição perfeita que as falhas da defesa portista não deslustram. A recuperação do Benfica está intimamente ligada à sua “ressurreição” e com 7 golos é já o melhor marcador do campeonato.

FICHA DO JOGO:

Árbitro: Lucílio Baptista (Setúbal).

FC PORTO: Vítor Baía, Bosingwa, Ricardo Costa, Bruno Alves, César Peixoto, Lucho Gonzalez (64', Quaresma), Ibson, Alan (69', Hugo Almeida), Jorginho, Lisandro Lopez (24', Diego) e McCarthy.

BENFICA: Quim, Nélson, Luisão, Anderson, Léo, Petit, Karagounis (54', Karyaka), Manuel Fernandes, Simão, Miccoli (13', Geovanni, 88', Ricardo Rocha) e Nuno Gomes.

Golos: (56', Nuno Gomes; 63', Nuno Gomes) –

Vermelhos a Bruno Alves e Leo


Publicado por pedro nery às 02:51

Comentários

O Rodas, portista de nascença, já avisou a esposa. "Cá em casa não se fala mais do Porto... só quando o Benfica Perder!". A esposa, mulher avisada, respondeu, "Querido, mas isso é muito tempo... pr'aí uma semana!"

#1 | Comentado por: ugaju | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Como benfiquista estou em alta!! Já não via um jogo desta categoria, pelo meu SLB, desde Camacho. Afinal Koeman não é tão parvo como inicialmente pareceu... Espero que consiga manter o ritmo até final da época.

#2 | Comentado por: dotlandia | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Como é possível Co ter visto lenços brancos(ou plásticos), dos adeptos do Benfica? Usa palas?

#3 | Comentado por: abego | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Como é que Lucilio Baptista distribuiu tantos amarelos, num jogo disputado mas correcto (com a excepção do vermelho a Bruno Alves) ???

O porquê de tantas paragens, faltas assinaladas ???

Um arbitro muito fraquinho para um jogo de alto risco !!!!

#4 | Comentado por: Nuno Fernandes | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Como é que Lucilio Baptista distribuiu tantos amarelos, num jogo disputado mas correcto (com a excepção do vermelho a Bruno Alves) ???

O porquê de tantas paragens, faltas assinaladas ???

Um arbitro muito fraquinho para um jogo de alto risco !!!!

#5 | Comentado por: Nuno Fernandes | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Lucílio Baptista não conseguiu estar à altura do jogo, incoerência, e a expulsão de Leo é feita por duas faltar em que o cartão é discutível.
Karyaka é um jogador de qualidade com um bom toque de bola, agora que já pode ser convocado espero vê-lo mais vezes dentro das quatro linhas.

#6 | Comentado por: d3baser | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Mais do que vitória (que foi magnífica) o que eu achei mais positivo foi a personalidade e maturidade demonstrada pela equipa do Benfica, que me permite ficar muito optimista para o resto da temporada.


Já agora que dizer da seguinte atitude o Adriaanse relatada pel'O Jogo:

"O duelo entre Adriaanse e Koeman no topo do campeonato português levou ao Dragão vários jornalistas holandeses, a cujas perguntas o treinador portista respondeu no idioma que têm em comum, imperceptível aos ouvidos lusos. Quando os portugueses lhe pediram se poderia traduzir as declarações feitas aos compatriotas, Adriaanse escusou-se a fazê-lo - "Não faço trabalho de tradutor. Sou treinador", replicou"

#7 | Comentado por: Paulo Ricardo | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Ontem o Adriaanse perdeu toda a autoridade que podia ter enquanto treinador do FCP.
Como se não bastassem as sucessivas derrotas, as atitudes deste senhor são motivo mais do que suficiente para a sua demissão. Disse e volto a dizer: esse dia vai ser muito feliz para mim, porque é o pior treinador que o Porto teve nos últimos trinta anos. Espero que um dia possamos confirmar (ou não) muitas das histórias que circulam por aqui sobre o "profissionalismo" deste senhor...

#8 | Comentado por: grim | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Adriaanse é um treinador que gosta de ter um bom banco... por isso tem o melhor banco do campeonato! Diego, Quaresma...

#9 | Comentado por: d3baser | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Grande jogo do Benfica! Obviamente que houve grande parte de demérito do meu clube, mas devo confessar que ontem o Benfica surpreendeu-me. Nos primeiros minutos achei-os muito nervosos, mas fizeram um jogo muito bom e, sobretudo, inteligente.

O Sr. Adriaanse, mais uma vez, provou que não percebe o jogo, nem sabe como jogá-lo.

Potno 1: Se o Porto joga com defesas laterais adaptados, como é que é possível não jogar com um trinco, para proteger a defesa?

Ponto 2: O Jorginho marcou, mais ou menos, 6,7 cantos e 3,4 livres. Não acertou um sequer. Pois ninguém se apercebeu disso e o Treinador insistiu no erro, não mudando o marcador de cantos e livres. E isto já não vem de ontem. O Jorginho tem estauto de intocável.

Ponto 3: A lesão do Pedro Emanuel, que eu saiba, foi no nariz. Não foi nas pernas. Não percebeo porque é que não jogou.

Ponto 4: Não é possível jogar futebol desta maneira. Com tantos avançados, o Porto não tem espaço no ataque para jogar, os médios de cobertura não são suficientes e a defesa joga sempre em brasas, porque apanha os adversários embalados. Ontem, mais uma vez, dois golos em situação de contra-ataque. A defesa é má, mas com bons defesas o problema mantém-se.

Ponto 5: Ao contrário de certos comentadores aqui do blog, eu não tenho problemas nenhuns em condenar actos violentos. Nunca disse que os jogadores do Porto, na época passada, foram injustamente castigados, nomeadamente o Benny. O único mal castigado, para mim, foi o Seitaridis. O que critiquei foi a forma de actuar da Comissão Disciplinar.

Por isso, sou tb o primeiro a afirmar que o Bruno Alves deve ser exemplarmente punido. Aquilo não se admite!! Depois de ter feito um jogo horrível e de ter dado uma autênica vergalhada no Nuno Gomes, aquela cabeçada só se entende da seguinte forma: tem o cérebro do tamanho de uma ervilha e um mau perder do tamanho dum camião TIR.

A nossa sorte é que, assim, o Adriaanse tem mesmo de fazer jogar um central de jeito. Ou não, porque ainda pode escolher o Pepe...

Bom, concluindo, o Benfica surpreendeu-me mesmo, não obstante os tiros no pé do Adriaanse. Há muito tempo que não via a Instituição jogar de forma tão equilibrada.

#10 | Comentado por: Vandelart | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Existirá uma maldição do Dragão???

Pelas minhas contas, desde o início da última época (04/05) o FCPorto fez 26 jogos oficiais no Dragão.

21 para o Campeonato e 5 para a Liga dos Campeões. Para a taça não realizou nenhum.

O saldo é francamente negativo!!!

Em 26 jogos (21+5) venceu 11 (10+1), empatou 9 (6+3) e perdeu 6 (5+1).

Em 21 jogos do Campeonato, dos 63 pontos possíveis, conseguiu 36 (10V+6E)... perdendo 27(6E+5D).

Nos 5 jogos da Liga dos Campeões, o saldo é também impressionante... 5 jogos realizados, 1 vitória (contra o Chelsea de Mourinho), 3 empates (CSKA, PSG e Inter) e 1 derrota (ArtMedia).

No total o FCPorto nestes 26 jogos em Casa, só conseguiu 36 pontos dos 78 possíveis... uma eficácia de 53,84%!

Será uma maldição? Ou a "queda do Império"!

#11 | Comentado por: vsnunes | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Já agora, Vandelart, acrescente à sua lista o disparate que é pôr um extremo como Alan a segundo ponta-de-lança. Ainda por cima com Diego no banco.

#12 | Comentado por: João Pedro | 24 de outubro de 2005 às 21:08

O Alan não jogou como 2º ponta de lança! Quem esteve nessa posição inicialmente, até à saída do Lisandro, foi o Jorginho. A partir daí foi a confusão total, com os supostos extremos (Jorginho e Alan) sem nunca terem a noção de quando deviam trocar de alas ou apoiar o Benni no meio, e com o Diego a jogar demasiado longe da área. O Alan ainda teve um fogacho aqui e acolá, o Jorginho desapareceu da partida e não percebo bem por que razão não saiu o 2º em vez do 1º.

Parece-me cada vez mais claro (desde o jogo com o Artmedia) que a recuperação da equipa passa pela titularidade do Jorge Costa, ou pelo menos do Pedro Emanuel. É imprescindível um jogador com experiência e autoridade para orientar aquela seita de sub-23 que temos entre o Baía e o trio ofensivo, por muito que o Bicho esteja lento e duro de rins. Aliás, se calhar neste momento o facto de ser lento até nem é mau.

Para além disso, e como o Vandelart refere, neste momento (pelo menos enquanto os laterais forem estes, ou enquanto não se adaptarem à posição) também não podemos prescindir de um trinco. Paulo Assunção ou Raul Meireles vão ter que entrar, por muito que custe tirar o Ibson da equipa (partindo do princípio que não sai o Lucho nem o nº 10, seja ele o Diego ou o Jorginho) numa altura em que até tem sido dos jogadores mais esforçados.

#13 | Comentado por: joethelion1970 | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Joethelion1970,

Quando referi a entrada de um trinco no onze portista, não estava a pensar em tirar o Ibson, o Lucho ou o Diego.

A minha ideia era precisamente a de euilibrar a equipa, o que só é possível com a saída de um dos extremos. Eu, se calhar, tirava o Jorginho.

Ou seja:

Meio campo: Paulo Assunção ou R. Meireles - Lucho e Ibson - Diego

Ataque: Benny e Lisandro ou Quaresma ou Alan ou Jorginho (por esta ordem)

Tirar o Ibson para fazer entrar um trinco, não me parece que resolva o problema. Por outro lado, o Ibsno tem sido, quanto a mim, o mais regular e esforçado. Temo bem que, por este motivo - o homem corre km nos jogos! - mais jornada, menos jornada, e vai dar o berro...

#14 | Comentado por: Vandelart | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Ao contrário do que tinha previsto, não assistimos a um grande jogo de ataque. O Benfica entrou cauteloso e o Porto foi menos atrevido que o costume. O maior equilíbrio da equipa do Benfica, com mais colectivo e mais automatismos defensivos do que é habitual, levou a vitória a pender para o nosso lado com naturalidade. Esta quebra do Porto era de certa forma previsível. Os primeiros jogos foram jogados a um ritmo demasiado elevado e agora os jogadores estão a pagar a factura. Não é normal uma equipa estar reduzida a 10 em Glasgow, o jogo em 2-2, faltarem 20 minutos para o fim e continuar a correr como desalmados à procura de ganhar o jogo. O Co Adriaanse é um lírico que nunca ganhou um título na sua já longa carreira de treinador. Começamos a perceber agora porquê. Antes do campeonato começar já eu tinha aqui escrito que não entendia como o Porto, com tanto dinheiro e com os sucessivos fracassos da época passada, não foi capaz de ir buscar um treinador conhecido com curriculum de vencedor. Não faltava gente. O Paul LeGuen, o Bobby Robson, o Hitzfeld e até o próprio Ronald Koeman estavam disponíveis em Maio quando o Couceiro já estava com o destino traçado.
Quanto ao Benfica, embora satisfeito, não estou muito eufórico. A lesão de Miccoli pode-nos levar a recuar às exibições da época passada. Sofríveis e com resultados espremidos. Estou preocupado. Contra o Porto, o Nuno Gomes teve muito espaço mas contra o Villareal, o Estrela e a Naval, vai estar rodeado de defesas por todo o lado. Vai ser mais difícil marcar golos, outra vez. E o Ronald não aposta no Mantorras. Porque será? Só espero que a lesão do nosso Fabrízio não seja grave e que possa voltar a tempo do jogo com o Villareal na Luz.

#15 | Comentado por: Miguel J. Lopes | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Vandelart,

quando referi a saída do Ibson, estava a tentar pensar no que podemos esperar do Co. É ele o próprio a afirmar que aos 58 anos é mais teimoso que um burro, e já percebemos que para ele o termo "futebol de ataque" significa jogar com pelo menos 3 avançados, entre pontas e extremos. Daí que não acredite que ele sacrifique o 4-3-3 por um 4-4-2 apenas para apoiar a defesa com um trinco. E como decerto não prescindirá do nº 10 nem do Lucho... sobra para o Ibson. Aliás, e como de certeza bem te lembras, na pré-época foi essa a opção (com a bizarria de o 10 ser o Postiga), tendo o Raúl Meireles jogado, e muito bem, em Amesterdão. Depois lesionou-se e nunca mais entrou na equipa.
Provavelmente a maior parte dos treinadores de bancada como nós consideram a passagem para 4-4-2 como a melhor e mais equilibrada opção, com os jogadores que temos. Mas parece-me uma hípótese descartada tendo em vista a personalidade de quem manda. Daí que para mim, verdadeira prioridade neste momento seja uma voz forte de comando naquela defesa.

#16 | Comentado por: joethelion1970 | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Sim, certíssimo. Importava a passagem ao 4-4-2. Mas até poderia concordar com um sistema 4-3-3, desde que não sucedesse o que se tem visto: sistematicamente, o Porto joga em 4-2-1-3 qd ataca e em 2-2-8, qd defende... é que há outro erro enorme no sistema do Adrianse: os laterais não podem subir ao mesmo tempo!!

Aliás, sem trincos, ponho mesmo em dúvidas que um lateral sequer possa subir.

#17 | Comentado por: Vandelart | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Bem visto!! :-)

#18 | Comentado por: SEMPRE PRESENTES | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Bem visto o tanas, porra...
ò Vandelart, em 2-2-8 é complicado...a não ser que o Baia e o apanha bolas também contem...
é que, pelas minhas contas, 2-2-8 a defender equivale a....12 homens em campo...ora, é um pouco dificil, a não ser que no Dragão isso seja possível...
Abraço!!

#19 | Comentado por: SEMPRE PRESENTES | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Pois é, Vandelart, e por isso mesmo é que o regresso do Bicho me parece o 1º passo para o regresso à normalidade. O César ou o Bosingwa que subam mais do que deviam ou que não recuperem a posição a tempo, que ouvem dois berros logo ali à frente de 50.000, com promessa de espancamento público se a coisa se repetir e posterior empalamento nos balneários se vier a dar golo.

A propósito, para quando a estreia do Cech? De qualquer forma também não é um defesa de raíz, mas defender melhor que o César não é complicado. Para pior dificilmente vamos...

#20 | Comentado por: joethelion1970 | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Desculpem, enganei-me... eu queira dizer 2-2-6. Isto é, qd o Porto perde a bola e passa para uma situação em que tem de defender, os extremos não defendem e os laterais demoram uma eternidade a recuperarem a posição. Como não existem trincos, e os dois médios jogam muito distantes da linha defensiva, os defesas centrais ficam sozinhos. 2-2-6 é um exagero, como é óbvio, mas dá uma imagem daquilo que o sistema de jogo do Adriaanse é neste momento: um exagero!

#21 | Comentado por: Vandelart | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Desculpem, enganei-me... eu queira dizer 2-2-6. Isto é, qd o Porto perde a bola e passa para uma situação em que tem de defender, os extremos não defendem e os laterais demoram uma eternidade a recuperarem a posição. Como não existem trincos, e os dois médios jogam muito distantes da linha defensiva, os defesas centrais ficam sozinhos. 2-2-6 é um exagero, como é óbvio, mas dá uma imagem daquilo que o sistema de jogo do Adriaanse é neste momento: um exagero!

#22 | Comentado por: Vandelart | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Desculpem, enganei-me... eu queira dizer 2-2-6. Isto é, qd o Porto perde a bola e passa para uma situação em que tem de defender, os extremos não defendem e os laterais demoram uma eternidade a recuperarem a posição. Como não existem trincos, e os dois médios jogam muito distantes da linha defensiva, os defesas centrais ficam sozinhos. 2-2-6 é um exagero, como é óbvio, mas dá uma imagem daquilo que o sistema de jogo do Adriaanse é neste momento: um exagero!

#23 | Comentado por: Vandelart | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Eu juro que só fiz um comentário... não percebei porque é que aparece repetido 3 vezes!!

#24 | Comentado por: Vandelart | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Epá, ò Vandelart, assim ainda é mais dificil: 2-2-6 + 2-2-6 + 2-2-6, equivale a....30 jogadores! Ora, se o Porto tem 24 jogadores de campo, junta-se a isso a equipa técnica e mais o Presidente e pimba, tudo à molhada e fé em Deus...
Tou na brinca!! Ando bem disposto... ;-)

#25 | Comentado por: SEMPRE PRESENTES | 24 de outubro de 2005 às 21:08

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