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domingo, 16 outubro 2005
O Benfica contra o FC Porto
Categoria: Benfica

Uma vitória histórica! Após o empate a uma bola na época passada conseguido pela equipa comandada por Trapattoni, sabia-se que os embates entre estas duas equipas não iriam voltar a ser iguais no estádio do Dragão. Ontem Koeman, com todo o mérito, conseguiu superar a "velha raposa" e levar superiormente de vencida a equipa azul e branca. Num jogo com tantas emoções e ângulos de leitura, opto por fazer a minha análise a partir de notas recolhidas do jogo.
- O Benfica não entrou bem no jogo. Se defensivamente se ia mostrando certo no posicionamento, ainda que a pressão fosse aplicada já no meio campo defensivo, ofensivamanete a equipa não conseguia soltar-se. Esta letargia durou a primeira parte toda. Dois problemas estiveram na base da incapacidade ofensiva. Um primeiro, esteve origem na incapacidade do Benfica de circular a bola no meio campo ofensivo do Porto, e isto deve-se ao facto de nenhum jogador ser capaz de penetrar na zona central do meio campo do Porto, segurar a bola e distribuir jogo. Um segundo problema verificou-se na precipitação com que foram terminados muitos dos contra-ataques bem desenhados. Os jogadores lançaram contra-ataques rápidos, com os jogadores bem posicionados (Léo e Nélson impecáveis no acompanhamento), mas que falhavam no último ou penúltimo passe.
- Ainda assim, e apesar da superioridade portista, o Benfica termina primeira parte com um 2-2 em termos de oportunidades de golo. No lance de McCarthy o Anderson é um pouco ingénuo, mas prefiro dar o mérito atacante portista, que improvisa com arte aquela situação de golo. Simão não consegue concretizar o cabeceamento, mas não era fácil, Simão não é um cabeceador,a bola passou perto, e Nélson deu o primeiro sinal à defensiva azul e branca. A substituição forçada não fez o Benfica encolher-se e permitiu conferir velocidade à ala direita, já que Karagounis estava a bloquear o jogo.
- Na segunda parte, a conversa é completamente diferente. Não concordo que seja apenas após o primeiro golo, nem que o único factor determinante é a entrada de Karyaka (quão importante foi, mas já lá vamos). Pensei isso mal o jogo terminou e Koeman confirmou tal tese em conferência de imprensa. A equipa pensou mais em si, afastou os demónios do medo, assumiu mais o jogo, pensou que para marcar ao Porto há mais soluções que o contra-ataque. Foi mais uma viragem psicológica do que táctica. Ainda com Karagounis o Benfica trocava a bola no meio campo ofensivo do Porto e mostrava querer mais. O Benfica tinha vencido mentalmente o "monstro" mediático do "futebol de base ofensiva do Porto", e menos preocupado com as investidas de Alan, Lucho, Diego, McCarthy, ou Jorginho, começou a confiar em si mesmo. Acho que ai Koeman vence o jogo. Depois Karyaka ajuda.
- Com a entrada do russo, o Benfica ganha mais veneno e arte nas costas do ponta de lança e o futebol do Benfica passa a fluir melhor. Logo chegam os golos, Nélson + Nuno Gomes e Karyaka + Geovanni + Nuno Gomes. O bis em cerca de 10 minutos e o FC Porto completamente perdido. Os golos resultam de jogadas bem desenhadas, no primeiro com um cruzamento de enormíssima qualidade de Nélson (será que ainda o podemos pôr nas contas do Mundial?) com finalização hábil de Nuno Gomes, e o segundo em resultado de uma investida de Karyaka, com passe a lançar Geovanni que se inventar coloca a bola ao alcance de Nuno Gomes que finaliza eficazmente.
- A entrada de Karyaka permite abrir um parentêsis sobre este jogador. Muito tempo esperou este jogador por jogar, face ao número de estrangeiros no plantel e ontem teve uma nova oportunidade. Quando o vi entrar admito que estava na expectativa. Não jogava desde a primeira jornada e há uns dias tinha apanhado um treino no Estádio Nacional e ele ainda me parecia muito tímido. Contudo, logo nos primeiros movimentos percebeu-se o acerto da decisão de Koeman. Mostrou classe no dragão. Não é rápido, mas tem qualidade no drible e no passe. Não temeu o adversário e pautou ritmo de jogo. Um caso sério para Koeman. Aliás, casos sérios. Neste jogo saltaram do banco Karyaka, Geovanni e Ricardo Rocha. Mantorras por lá ficou, Assis não teve espaço no banco. Isto mostra que este ano temos bem mais e melhores alternativas. Claro que Janeiro é um mês quicá decisivo nos reequilibrios, mas este é um Benfica com bem mais soluções. O mérito vai para Veiga.
- Quanto aos méritos de Koeman, para além dos já mencionados, há que destacar a forma como geriu a última substituição. Quando entra Quaresma por Lucho, Koeman não se precipita. Sabia que o Porto ainda tinha mais um homem para entrar, sabia da instabilidade que marca estes jogos, e confiou nos seus jogadores. Não lhes mostrou medo reforçando a defesa ou pedindo para recuar. Manteve a equipa como estava. A resposta foi excelente. O Porto não conseguiu rematar. Andou perto, mas sem ameaçar seriamente. Na fase final do encontro, com Léo expulso, finalmente Rocha entra. Muito adeptos que andaram a pedir mudanças antes devem ter suspirado de alívio pela serenidade de Koeman.
- Finalizando, Koeman consegue ficar na história do Benfica. Um jogo que representa o retorno por anos e anos de derrotas. Claro que o objectivo principal ainda está agora a começar. A renovação do título. Ainda estamos atrás do Porto, do Braga e talvez do Sporting. Mas a balança parece ter decisivamente virado. A confirmar nas próximas jornadas. Para já, vai tudo indo cada vez melhor.
Publicado por alexandre calado às 18:58
Comentários
Alexandre, concordo consigo em que não foi Karyaka que virou o jogo.
Quando entra para a segunda parte o Benfica entra de forma mais atrevida e a rodar verdadeiramente a bola. Nos primeiros 10 minutos o Benfica teve quase sempre a posse de bola e manteve a calma. Este foi o factor.
Na primeira parte os jogadores do Benfica preocuparam-se muito em não deixar o Porto jogar. Desleixaram-se a sair para o ataque... mas mesmo assim foram tão perigosos como o adversário.
Koeman leu bem o jogo... Karagounis foi-se mantendo mas quando o Porto perdeu força no Meio-Campo era preciso mais serenidade... e isso foi o que Karyaka trouxe. Ele não é rápido... para correr tinhamos muito! Mas a sua qualidade de passe é fabulosa e isso ajudou muito.
Para mim o Ás do Jogo é Nelson... 2 centros soberbos (um com o pé esquerdo e outro com o pé direito) e um pulmão que nos cansa. É um caso de sucesso!
#1 | Comentado por: vsnunes | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Só tenho a acrescentar que a foto para este artigo foi muito bem escolhida, com o Nuno Gomes a apontar para as quinas como que afirmar ao público do Dragão que o campeão merece algum respeito.
#2 | Comentado por: Paulo Ricardo | 24 de outubro de 2005 às 21:08
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