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segunda-feira, 17 outubro 2005

A invasão dos estrangeiros

Categoria: Col: Caio Maia

Helton

Esses dias, conversei com um conhecido português que acompanha a Trivela por meio do blogue Terceiro Anel. Ele me dizia da preocupação de alguns compatriotas com a quantidade enorme de brasileiros que jogam por equipes portuguesas, já que não há limite para a quantidade de brasileiros (nem de angolanos ou caboverdianos, acredito). O fato é que há equipes em que há muito mais brasileiros do que portugueses.

Esse meu conhecido dizia que isso pode ser um mal para o futebol português, já que, com isso, não há espaço para o talento português aparecer. Mas reconhecia que há uma outra maneira de encarar a coisa.

Para nós brasileiros, há um problema claro: o talento brasileiro está sendo desenvolvido longe de nós, os clubes brasileiros têm grande dificuldade para reter os talentos, que , muitas vezes, preferem clubes sem tanta expressão portugueses ou até mesmo ucranianos, do que os nossos, mesmo alguns dos mais tradicionais. Um exemplo: Hélton, goleiro do Vasco, que se transferiu para o União de Leiria. Nada contra o União, que deve ter sua tradição e suas glórias, mas o Vasco da Gama foi campeão brasileiro três vezes e, em 1998, ganhou a Libertadores da América.

Para a gente ver ao vivo, sobram muito poucos, graças a poucos clubes que estão aprendendo a lidar com essa realidade econômica e se planejam para contar com os bons jogadores disponíveis. No gol do Vasco, no entanto, quem joga? Confesso que não sei. Sei que o goleiro que veio depois do Hélton também era muito bom, mas se não me engano está hoje no Cruzeiro. Por isso, para os países “exportadores” de jogadores, acho que a atual situação não é boa. Para os “importadores”, no entanto, acho que é ótima.

Não concordo com a tese de que o jogador estrangeiro impede o nacional de triunfar. A geração de Luis Figo está aí para provar o contrário. Quando não havia tantos brasileiros jogando por lá, Portugal formava mais e melhores jogadores? Não creio, e defendo até o contrário, usando o exemplo da Inglaterra.

Na Inglaterra, faz pouco tempo, poucos estrangeiros jogavam. Não é que não houvesse bons jogadores, é claro que havia, desde sempre. Mas, por exemplo, Cantona era ídolo na Inglaterra, e nunca conseguiu nenhum destaque fora de lá. Tony Adams é ídolo da torcida do Arsenal. Não é melhor poder ter o Henry como ídolo? Pode ser que os jogadores ingleses não tenham ficado melhores, mas o fato de poder jogar contra alguns dos melhores do mundo certamente os preparou melhor para concorrer internacionalmente. Não é à toa que se diz que a Inglaterra tem a melhor seleção desde 1966.

O outro lado da moeda, é que, com tantos estrangeiros, talvez houvesse dificuldade em uma comunidade, que é quem mantém o amor pelo clube de futebol vivo, identificar-se com um jogador que pertence a outra cultura. Acredito, no entanto, que isto muitas vezes não está relacionado à nacionalidade do atleta. Algum portista, por exemplo, vai dizer que não tinha identificação nenhuma com Mário Jardel? Duvido. Talvez possa dizer que não teve com Diego, ou Carlos Alberto, mas isso não acontece pelo fato de serem brasileiros.

A torcida do Corinthians recebeu Carlitos Tevez como se tivesse nascido no Parque São Jorge, mas não tem essa mesma relação com Carlos Alberto, ou com Roger. E o que dizer de Gustavo Nery, que há pouquíssimo tempo atuava pelo rival São Paulo, e que antes atuara pelo Santos?

Essa promiscuidade, que hoje atende pelo nome de “profissionalismo”, esta sim tem o poder de afastar o torcedor de um jogador ou elenco. Um Corinthians só com estrelas é amado, mas se não tiver um Betão, um Rosinei, ou seja, meninos que cresceram ali naquele clube, a torcida não se sente “dona” do time, “parte” da festa. Isso tem alguma coisa a ver com a nacionalidade do jogador? Não acredito. Sou, no entanto, um internacionalista convicto, o que certamente influencia minha opinião.

Goleiro do Vasco

Já que estamos falando do goleiro do Vasco: domingo, jogo entre Vasco e Inter, em Porto Alegre. O Inter muito melhor que o Vasco, brigando pelo título enquanto o rival briga pra não cair. O Colorado abre dois a zero, e o Vasco diminui. Então, em uma jogada dentro da área do Vasco, a bola rebatida na zaga sobra para Fernandão na pequena área.

O goleiro do Vasco está um pouco distante do lance mas, se pulasse em direção à jogada ou à bola, poderia, no mínimo, atrapalhar a conclusão. O que ele faz, no entanto, junto com a zaga cruzmaltina? Como na hora em que Fernandão “mata” a bola na barriga, há dúvidas se a matada não teria sido com a mão, o goleiro prefere renunciar à tentativa de defender a bola e pressionar a arbitragem para anular a jogada. Antes que Fernandão tivesse concluído a jogada, que acabou em gol e sepultou a reação vascaína, o jogador do Vasco da gama desistiu da jogada para tentar convencer o juiz a anulá-la.

Não quero discutir se Fernandão pôs a mão na bola ou não. Quero discutir a atitude de quem, ao invés de se dedicar a obter o melhor para sua equipe na jogada, abdica dela para tentar influenciar o juiz a anulá-la, antes mesmo de saber se ela vai terminar mal ou bem para si.

É o que me encanta em um jogador como Tevez e me revolta em outro como Souza, o do São Paulo. O argentino só cai se não for possível ficar em pé. O outro só fica em pé se não houver um jeito de forçar uma queda. É o maior defeito do jogador “médio” brasileiro. É por isso que, quando vai jogar na Europa, o brasileiro às vezes apanha e o juiz não marca, desconfiado de que seja mais uma “interpretação”.

É, mais do que a propensão ofensiva até dos nossos goleiros, o maior defeito do nosso futebol hoje.

Publicado por Caio Maia às 17:56

Comentários

Caio Maia, em Portugal os brasileiros passado um mês de permanência no país têm direito a requerer a igualdade de direitos e deveres tal como um português o tem no Brasil, por isso deixam de contar como estrangeiros. foi um acordo assinado há anos entre os dois países, mas os jogadores provenientes dos Países Africanos de Lingua Portuguesa não têm o mesmo estatuto e contam como extra-comunitários, o que eu pessoalmente acho uma injustiça. se o brasileiro tem laços com Portugal não terão também os mesmos laços (ou até mais) os angolanos e cabo-verdianos por exemplo?

#1 | Comentado por: Cláudio Assunção | 24 de outubro de 2005 às 21:08

só para completar a minha informação: é óbvio que para terem direito ao estatuto têm de ter um contrato de trabalho.

#2 | Comentado por: Cláudio Assunção | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Caio,

só para emendar e dizer que o limite não existe somente para brasileiros.
Tudo o resto conta como estrangeiro, incluindo angolanos, caboverdianos, moçambicanos etc.
Por isso é que há equipas em Portugal que chegam a ter num jogo 10 brasileiros em campo. Já não me lembro qual foi a equipa, à uns tempos atrás, se o Nacional da Madeira, se o Marítimo, que tinha 10 jogadores em campo.
Tirando o guarda-redes, eram todos brasileiros.
Mas isso não é inédito, basta recordar o Arsenal à uns tempos atrás, que não só eram quase todos estrangeiros, como quase todos de raça negra (no tempo do Kanu e Cia).
Lembro-me de um jogo do Arsenal à cerca de 4/5 anos atrás, para a Taça da Liga, no qual 9 ou 10 dos jogadores em campo eram de raça negra.
Lembro-me que isso criou alguma polémica em alguns dos adeptos mais "conservadores" do clube, e era alvo de chacota dos adeptos "conservadores" das outras equipas.
Enfim outros tempos.

Abraço

P.S. por conservadores espero que percebam o que eu quis dizer.

#3 | Comentado por: chiquinho conde | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Caio,

só para emendar e dizer que o limite não existe somente para brasileiros.
Tudo o resto conta como estrangeiro, incluindo angolanos, caboverdianos, moçambicanos etc.
Por isso é que há equipas em Portugal que chegam a ter num jogo 10 brasileiros em campo. Já não me lembro qual foi a equipa, à uns tempos atrás, se o Nacional da Madeira, se o Marítimo, que tinha 10 jogadores em campo.
Tirando o guarda-redes, eram todos brasileiros.
Mas isso não é inédito, basta recordar o Arsenal à uns tempos atrás, que não só eram quase todos estrangeiros, como quase todos de raça negra (no tempo do Kanu e Cia).
Lembro-me de um jogo do Arsenal à cerca de 4/5 anos atrás, para a Taça da Liga, no qual 9 ou 10 dos jogadores em campo eram de raça negra.
Lembro-me que isso criou alguma polémica em alguns dos adeptos mais "conservadores" do clube, e era alvo de chacota dos adeptos "conservadores" das outras equipas.
Enfim outros tempos.

Abraço

P.S. por conservadores espero que percebam o que eu quis dizer.

#4 | Comentado por: chiquinho conde | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Caio, o Carlos Alberto só não foi amado aqui porque não jogou bem quando chegou, mas enquanto 99% da torcida o criticava, 1% o apoiava e eu sou feliz por ter sido esse 1%, pois agora ele tá melhorando, cada jogo melhor que o outro, daqui a pouco vai lutar pela titularidade. Um exemplo de eu ser 1% foi quando o Corinthians veio a Santos para jogar o jogo que mais tarde foi anulado contra o santos, na saída do hotel todos criticaram o Carlos Alberto, MENOS EU.(Ps.: O Abuda é muito mais feio ao vivo do que na TV, olha que ele dizia que fazia sucesso com a mulherada.)
Roger alterna momentos de semi-deus e momentos de herege, pois tem jogos que ele simplesmente some de campo.
Gustavo Nery, junto com Carlitos, Rosinei e Eduardo vem sendo o mais regular do time. Ele tá conquistanto a Fiel Torcida.
Betão, esse cara é demais, muito simpatico e mostrou ser Corinthiano MESMO depois de marcar o gol contra o santos na última quinta. Parecia que tinha marcado gol em final de Copa do Mundo, aos 49min do segundo tempo.
Rosinei, pelo menos para mim, é o melhor jogador que veio das categorias de base do Corinthians de sua leva(Jô, Betão, Bobo, etc...). Ele é tão raçudo quanto Carlitos Tevez, além de ser uma formiguinha atomica, não para um segundo e sempre se mostra importante quando o time precisa.
Carlitos, esse É O CARA, sabe porque ele conquistou a fiel? Porque MOSTROU RAÇA!!! Mostrou uma coisa que sempre ficou marcado na história do Corinthians, a RAÇA. Depois de Marcelinho Carioca, talvez ele seja o principal ídolo da história recente do time(de 90 adiante). Além de mostrar amor a camisa que veste.
Carlitos é o símbolo do Corinthians, A RAÇA.
Bem, quanto aos Brasileiros em Portugal...será que nenhum clube quer contratar um jogador de 15 anos? Posso jogar em qualquer posição da defesa, do meio e do ataque. Qualquer informação entrar em contato comigo, MSN - antvin@hotmail.com...grato.

#5 | Comentado por: Av | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Caio, o Carlos Alberto só não foi amado aqui porque não jogou bem quando chegou, mas enquanto 99% da torcida o criticava, 1% o apoiava e eu sou feliz por ter sido esse 1%, pois agora ele tá melhorando, cada jogo melhor que o outro, daqui a pouco vai lutar pela titularidade. Um exemplo de eu ser 1% foi quando o Corinthians veio a Santos para jogar o jogo que mais tarde foi anulado contra o santos, na saída do hotel todos criticaram o Carlos Alberto, MENOS EU.(Ps.: O Abuda é muito mais feio ao vivo do que na TV, olha que ele dizia que fazia sucesso com a mulherada.)
Roger alterna momentos de semi-deus e momentos de herege, pois tem jogos que ele simplesmente some de campo.
Gustavo Nery, junto com Carlitos, Rosinei e Eduardo vem sendo o mais regular do time. Ele tá conquistanto a Fiel Torcida.
Betão, esse cara é demais, muito simpatico e mostrou ser Corinthiano MESMO depois de marcar o gol contra o santos na última quinta. Parecia que tinha marcado gol em final de Copa do Mundo, aos 49min do segundo tempo.
Rosinei, pelo menos para mim, é o melhor jogador que veio das categorias de base do Corinthians de sua leva(Jô, Betão, Bobo, etc...). Ele é tão raçudo quanto Carlitos Tevez, além de ser uma formiguinha atomica, não para um segundo e sempre se mostra importante quando o time precisa.
Carlitos, esse É O CARA, sabe porque ele conquistou a fiel? Porque MOSTROU RAÇA!!! Mostrou uma coisa que sempre ficou marcado na história do Corinthians, a RAÇA. Depois de Marcelinho Carioca, talvez ele seja o principal ídolo da história recente do time(de 90 adiante). Além de mostrar amor a camisa que veste.
Carlitos é o símbolo do Corinthians, A RAÇA.
Bem, quanto aos Brasileiros em Portugal...será que nenhum clube quer contratar um jogador de 15 anos? Posso jogar em qualquer posição da defesa, do meio e do ataque. Qualquer informação entrar em contato comigo, MSN - antvin@hotmail.com...grato.

P.S.: É como dizem, o Marketing é a alma do negócio.

#6 | Comentado por: Av | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Se bem me recordo, a primeira equipa que em Portugal alinhou num jogo da 1ª Divisão sem um único português foi o Farense. Isso já aconteceu há uns 15 anos, não é nenhuma novidade.
É perfeitamente natural que o número de jogadores brasileiros aumente em todas as equipas da Liga: a relação qualidade/preço é imbatível, tal qual as lojas dos chineses que por aí proliferam.
O próprio Porto, na altura dos Pitbulls, Bonfims & Leandros, chegou a ter nove brasileiros o ano passado.
Compreendo perfeitamente que o Marítimo e o Nacional contratem muitos jogadores no Brasil. Qualquer jogador português pede mais 500 contos/mês para ir para a Madeira. Ora um brasileiro não exige maior salário por ir para Coimbra, Campomaior ou para o Funchal.

#7 | Comentado por: Jose Soares | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Oi Caio, concordo com você na íntegra, mas tenho que fazer uma retificação: o Vasco da Gama tem quatro títulos brasileiros (1974, 1989, 1997 e 2000), em vez de três como vôcê disse.
Quanto à invasão de jogadores brasileiros nos gramados portugueses, cabe aos dirigentes deste país, impor restrições à entrada de estrangeiros, inclusive os brasileiros.

#8 | Comentado por: Elizane | 24 de outubro de 2005 às 21:08

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