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quarta-feira, 19 outubro 2005
Villarreal 1 - 1 Benfica
Categoria: 05/06 Competições Europeias , Benfica

O Benfica arrancou esta noite um empate a uma bola no Estádio El Madrigal. O Villarreal chegou à vantagem já na segunda parte, graças a uma grande penalidade convertida por Riquelme, mas os encarnados empataram logo de seguida, com um belo golo de Manuel Fernandes.
Na teoria, e como Koeman tinha defendido na véspera, o resultado é positivo. Ainda assim, e tendo em conta a boa primeira parte realizada pela equipa encarnada, o ponto conquistado sabe a pouco. Mas como os jogos têm duas partes, e o Benfica na segunda não esteve tão bem e recuou um pouco no terreno, o empate acaba por ser justo.
Quem teve uma noite para recordar foi Rui Nereu. O jovem guarda-redes entrou para substituir o lesionado Quim e não acusou a responsabilidade, tendo feito mesmo uma espantosa defesa no segundo tempo.
Tácticas
Ronald Koeman reservou apenas uma surpresa no onze. O técnico holandês voltou a apostar em Ricardo Rocha no lado esquerdo da defesa, ficando Léo no banco. Em relação ao substituto de Miccoli não houve surpresas. Tal como no Dragão, Geovanni rendeu o italiano e jogou encostado à direita, com Karagounis a jogar mais no centro do terreno.
Manuel Pellegrini, por seu lado, montou um esquema que variava entre o 4x5x1 e o 4x4x2 (ou 4x3x1x2). Tacchinardi jogou como trinco, numa posição mais central. O se principal apoio foi Carzola, que jogou como interior direito. Sorín funciona como interior esquerdo, mas com mais tendência para procurar a linha. Riquelme é o médio mais ofensivo e maestro da equipa. Na frentre de ataque estiveram José Mari e Forlán. O espanhol fechava o corredor direito e o uruguaio o lado contrário, consoante as necessidades defensivas da equipa.
Análise ao Jogo
A primeira parte do Benfica foi como que um prolongamento do segundo tempo realizado no passado Sábado, no Estádio do Dragão. O Benfica de hoje até terá assumido um pouco mais as despesas do jogo, empurrando o Villarreal para junto da sua área. Os encarnados estiveram muito coesos, com muita posse de bola e a surgir junto da baliza de Viera com muito perigo. O Benfica cortava os ataques do adversário logo no meio-campo, com Petit e Manuel Fernandes em destaque, lançando depois ataques rápidos pelas alas. Os dois extremos estiveram em foco neste primeiro tempo. Especialmente Geovanni, que esteve bem mais activo do que tem sido habitual. O brasileiro entendeu-se bem com Nelson, que mais uma vez não teve problemas em subir muito no terreno e criar muitos desequilíbrios. Nem mesmo o revés da lesão de Quim, a meio do primeiro tempo, intimidou a equipa portuguesa. Mas apesar do domínio, os encarnados não conseguiram aproveitar as duas ou três boas oportunidades que criaram e chegaram ao intervalo ainda empatados.
O segundo tempo foi bem diferente. Logo nos primeiros minutos verificou-se um recuou no terreno do Benfica e uma maior pressão do Villarreal. Isto devia-se não só a uma melhoria no futebol da equipa espanhola (Pellegrini mexeu na equipa ao intervalo), mas também porque o Benfica perdia agora muitas bolas na transição para o ataque. Valia aos encarnados a enorme coesão defensiva e o jovem Rui Nereu, que em momento algum acusou a responsabilidade. O jovem guarda-redes, habitualmente titular da equipa B, faz uma espantosa defesa aos 62m, na sequência de um remate já no interior da área. Koeman percebeu que era preciso mudar alguma coisa e avançou para uma substituição que tinha resultado muito bem no Dragão: Karyaka rendeu Karagounis. No entanto, a alteração não resultou tão bem e o Villarreal acabou mesmo por chegar à vantagem alguns minutos depois. Riquelme converteu com sucesso uma grande penalidade cometida por Ricardo Rocha. Só com o golo o Benfica acordou. A linha mais recuada subiu um pouco e a equipa aproximou-se mais da baliza de Viera. A pressão passou a ser feita um pouco mais à frente e foi assim que o Benfica conseguiu chegar ao empate. Manuel Fernandes recolheu uma bola perdida no peito e encheu o pé para fazer um chapéu ao guarda-redes uruguaio. Um golaço do médio encarnado, a empatar a partida. Logo a seguir o Benfica teve uma boa oportunidade para chegar à vitória, mas Nuno Gomes não conseguiu repetir o copiar o chapéu de Manuel Fernandes. Pellegrini ainda lançou Lucho Figueroa e Koeman meteu Beto já nos descontos, mas o resultado manteve-se inalterável.
A todo o gÁS: Nélson – quase todos os elogios já foram feitos ao novo lateral direito do Benfica mas ele não pára de convencer. Defende com acerto e sobe pelo corredor como se tivesse um motor incorporado. Ganhou inúmeros cantos e os seus (já famosos) cruzamentos foram sempre um perigo.
A estreia imaculada: Rui Nereu – ainda há umas semanas era o guarda-redes da equipa B e hoje estreou-se na equipa principal (e logo num jogo da Liga dos Campeões) com apenas 19 anos. Quando Quim se lesionou, por certo muitos benfiquistas tremeram, mas Rui Nereu não! O jovem guarda-redes não acusou a pressão e não comprometeu. Pelo contrário! Teve intervenções dignas de registo, sendo que uma delas é simplesmente fantástica.
Ficha de Jogo
Estádio El Madrigal – Villarreal [Espanha]
Árbitro: Florian Meyer [Alemanha]VILLARREAL - Viera ; Kromkamp, Gonzalo, Arzo, Arruabarrena (Josico ao intervalo) ; Sorin, Tacchinardi (Roger, 80), Carzola, Riquelme ; Jose Mari (Figueroa, 79) e Forlan
Treinador: M. Pellegrini
BENFICA - Quim (Nereu, 30) ; Nelson, Anderson, Luisao, R. Rocha ; Petit, M. Fernandes, Karagounis (Karyaka, 65) ; Simão, Geovanni (Beto, 89) e Nuno Gomes.
Treinador: R. Koeman
Golos:
1-0 por Riquelme (72 m, g.p.);
1-1 por M. Fernandes (77,);
Publicado por nuno travassos às 01:00
Comentários
Só para dizer que na minha opinião o Nelson não defende assim com tanto acerto.
Neste jogo não teve grandes falhas, mas por vezes deixa os extremos isolados nas suas costas, devido a um deficiente posicionamento na defesa. É um belo jogador e tem muito tempo para aprender, mas nesta altura prefiro vê-lo com a bola nos pés do que sem ela.
Quanto ao jogo, acho que o Benfica apenas vacilou no período entre o início da segunda parte e o golo do Villarreal. Se tivessem conseguido suster o (prevísivel) ímpeto dos espanhóis nessa fase, a vitória tinha estado perfeitamente ao nosso alcance, até porque este Villarreal, com Riquelme fora de forma, não parece a mesma equipa do ano passado.
#1 | Comentado por: Tiago | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Também considero essa particularidade sobre o Nélson, ou seja, é acutilante e veloz no ímpeto ofensivo, mas fraco na marcação atrás, forma de atacar o adversário, revelando, ainda, algumas dificuldades na marcação. Ainda assim, foi um dos melhores e já ninguém se lembra do Miguel.
Fora esta apreciação individual, estava expectante face à atitude da equipa portuguesa depois da vitória no dragão. É certo que ficou um saborzinho amargo, porque em futebol praticado o Benfica mostrou superioridade, mas realísticamente o resultadoa serve a pretensão encarnada.
Nota-se mais confiança, mais maturidade e personalidade. Este Benfica tem condições para dominar internamente e fazer umas "flores" no panorama internacional.
#2 | Comentado por: Ricardo Cunha | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Gostei muito de ver o Benfica jogar.
Uma primeira parte dominante, a aproximar-se bastante da área adversária, mas sem conseguir criar situações claras de golo. Para mim, foi um período de jogo muito parecido com a primeira parte do FCPorto contra o mesmo Benfica, no sábado passado. A diferença é que o Porto tinha a obrigação de fazer isso mesmo, enquanto que o Benfica não.
Na segunda parte o Villarreal veio para a frente com grande ímpeto e eu já quase que adivinhava que ia surgir um golo. Depois de este aparecer, tive algum receio que o Villarreal se galvanizasse ainda mais e que o Benfica afundasse animicamente. Mas surgiu aquele golão providencial do Manuel Fernandes a impedir que isso acontecesse.
Gostei muito da presença do Rui Nereu, mas parece-me que ele praticamente não foi posto à prova. Se a memória não me falha, o tal remate à queima-roupa aos 62 minutos, a que ele correspondeu com uma defesa espantosa, foi mesmo a primeira defesa dele. Ou seja, 32 minutos depois de ele entrar em jogo!
Isso demonstra 2 coisas: grande qualidade defensiva do Benfica, e falta de conhecimento do Villarreal quanto ao Rui Nereu, porque era de tentar aproveitar o previsível nervosismo de um guarda-redes em estreia absoluta no Benfica, ainda por cima logo num jogo da Champions...
Parabéns ao Benfica, mas agora há que ganhar ao Villarreal em casa para carimbar o passaporte para a fase seguinte.
#3 | Comentado por: Jorge Coelho (jcoelho) | 24 de outubro de 2005 às 21:08
O Benfica cresce, e cresce, e cresce. Da equipa que há uns anos atrás não ia à Europa ou quando ia era com medo de ser envergonhada, só tem em comum o nome.
Ainda há muito para crescer. Falta alguma experiência e matreirice... mas para mim este é o ano para ganhar maturidade e experiência internacional.
O jogo de ontem foi muito bom... há coisas a melhorar, mas é preciso calma, é preciso deixar os jogadores aprenderem a lidar com a pressão de jogar na Europa.
#4 | Comentado por: vsnunes | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Muito boa análise Nuno.
Só quero acrescentar em jeito de conclusão que ontem, tal como já havia sucedido em Manchester e no sábado no Dragão, senti um orgulho imenso da equipa actual do Benfica. Equipa personalizada, entreajuda constante entre todos os jogadores, e last but not least muita qualidade individual e a feliz constatação de que ainda há muito a melhorar pois há jogadores que ainda não atingiram a sua bitola habitual.
Quem tiver oportunidade, vá ler a cronica ao jogo feita no jornal "AS".
#5 | Comentado por: Nuno M. S. Almeida | 24 de outubro de 2005 às 21:08
Quanto ao Nelson defender bem ou não, defende mais que Miguel o fazia. Agora se ele tiver disposto a aprender a defender bem então com o tempo isso vai acontecer. Quanto ao Rui Nereu vamos lá com calma, sim ele fez uma grande defesa ao 62m mas desconfio na sua qualidade pelo o que vi. Ainda bem que o Villareal não soube experimentá-lo.
E já agora o que é feito do Villareal do ano passado? Parece-me que alguns jogadores deste Villareal não estão no mesmo barco que o treinador (um pouco como aconteceu com o Sporting, este ano). Onde está o veloz Forlán? E o Jose Mari? O Riquelme até se pode dizer que não fez um mau jogo visto que tem tido grandes problemas fisicos. Parece-me a mim que alguns jogadores estão-se a guardar, agora não sei bem porquê.
#6 | Comentado por: Ricardo Wiggy Gomes | 24 de outubro de 2005 às 21:08
esta equipa enche de orgulho os benfiquistas. podemos fazer coisas muito bonitas esta época.
#7 | Comentado por: Cláudio Assunção | 24 de outubro de 2005 às 21:08
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