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quinta-feira, 20 outubro 2005

Um Porto mais maduro

Categoria: 05/06 Competições Europeias , FC Porto

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O FC Porto de ontem pouco, ou mesmo nada, tem a ver com a equipa que perdeu com o Benfica. Foi uma equipa mais adulta, mais compacta e sobretudo mais equilibrada; a tal não serão alheias as alterações efectuadas por Adriaanse, principalmente a introdução de Paulo Assunção para cumprir o papel de 'trinco'. Mas analisemos os diferentes sectores da equipa:

1. Defesa

O maior número de alterações levadas a cabo pelo técnico holandês incidiu sobre este sector do terreno, fazendo entrar Pedro Emanuel, Pepe e Marek Cech; apenas Bosingwa se manteve no quarteto habitual, e foi claramento o pior elemento do sector concedendo demasiado espaço nas suas costas e falhando quase sempre nas marcações. Em estreia absoluta esteve o internacional eslovaco Cech que se exibiu a bom nível, sobretudo tendo em conta que era o seu primeiro jogo e pela frente estava Luís Figo. Um pouco nervoso de início, foi acertando na marcação e demonstrou ter uma boa leitura táctica do jogo; em termos de confrontos individuais, mostrou saber temporizar o timming das suas entradas exibindo uma capacidade física aceitável. Quem fez notar a sua presença foi Pedro Emanuel, assumindo a voz de comando do reduto defensivo e mostrando ser titular indiscutível. O capitão esteve em bom plano e formou com Pepe a melhor dupla de centrais que o FC Porto apresentou até agora. O jogador brasileiro já se sabe ser imaturo e por vezes deitar a perder uma boa exibição com um erro infantil; no dia de ontem mostrou-se mais concentrado e imponente no jogo aéreo, mas ainda assim teve exitações que podiam custar caro à equipa.


2. Meio-campo

Se a defesa foi o sector mais 'alterado', foram as alterações no centro do terreno que permitiram aos portistas apresentar uma formação mais equilibrada. A entrada de Paulo Assunção era claramente uma necessidade da equipa, e a sua exibição ontem provou a sua utilidade, essencialmente a destruir e a cobrir a zona. A entrada de um jogador para uma posição claramente defensiva permitiu a Lucho González assumir um papel mais activo na criação de jogo; solto das amarras defensivas, o argentino pautou o jogo ofensivo da equipa. No segundo tempo, Adriaanse incumbiu Lucho de uma outra tarefa importante, anular Verón, o municiador de jogo interista. No cumprimento desta 'missão', Lucho surgiu muitas vezes adiantado no terreno o que lhe permitiu recuperar inúmeras bolas, apenas para as ver desperdiçadas pelos homens do ataque.

Sem ter aumentado o número de jogadores no meio-campo, Adriaanse concedeu-lhe mais consistência e equilíbrio com o posicionamento dos jogadores. Trocando o habitual dôble-pivot em que Lucho e Ibson acabavam por pisar os mesmos terrenos e atrapalhar-se mutuamente, por um esquema em que Paulo Assunção actuava atrás do internacional argentino, o técnico holandês dispôs as peças mais hramoniosamente e conseguiu assim tirar um maior rendimento das mesmas.


3. Ataque

Tendo em conta a estrutura defensiva do Inter, Adriaanse optou por colocar Hugo Almeida a titular numa clara resposta ao poder físico de Samuel e Materazzi. A função do internacional sub'21 era a de ganhar as disputas aéreas e 'fornecer' jogo aos colegas de sector; se na primeira parte esteve irrepreensível, a falta de visão de jogo e de argumentos técnicos deitaram a perder boas situações de ataque portistas. Almeida é um jogador precipitado que opta quase sempre mal, e o jogo de ontem não foi excepção. Não questionando a sua utilidade no desgaste de uma defesa, serão precisas muitas melhorias para que se torne num ponta-de-lança eficaz e sobretudo eficiente.

O técnico holandês colocou McCarthy a fazer o papel de falso 'nº10', actuando com liberdade nas costas de Hugo Almeida em busca do melhor local para aparecer. Curiosamente, e apesar do golo, o sul-africano esteve mais eficaz na ajuda que deu ao meio-campo sendo incansável na pressão exercida sobre os defesas italianos criando uma primeira barreira à criação de jogo dos nerazurri. Descaído sobre a direita esteve Jorginho, que mais uma vez jogou mal enquanto não passou para o centro do terreno. Encostado às alas, o brasileiro perde profundidade de jogo e torna-se inconsequente, situação à qual alia a sua natural tendência para flectir para o centro deixando a equipa 'coxa'. Com a entrada de Alan, passou a jogar numa posição com a qual se encontra mais familiarizado melhorando a produção, embora não o suficiente para merecer nota positiva.

A grande nota de destaque em termos ofensivos na equipa portista vai inteiramente para Ricardo Quaresma, um verdadeiro quebra-cabeças para a defensiva do Inter sobretudo para Córdoba adaptado a lateral-direito. Sempre em alta velocidade, o 'Mustang' driblou os adversários sempre que lhe surgiram ao caminho e ainda tentou o golo por duas vezes sem sucesso. As acções de Quaresma não se limitaram ao espectro ofensivo, tendo sido uma ajuda preciosa a Cech na marcação a Figo.


4. E agora?

A vitória de ontem teve o condão de revitalizar os ânimos da equipa e dos adeptos, mas é preciso dar continuidade ao trabalho apresentado. Perante as evidências e da comparação da partida frente ao Inter com as exibições anteriores, será de esperar que Adriaanse mantenha o esquema que aliás foi o adoptado durante a pré-temporada, com Raúl Meireles a destacar-se na posição de trinco à altura. O sector defensivo foi claramente mais forte e, para já, os jogadores utilizados devem merecer a confiança do treinador; a excepção é claramente Bosingwa que continua a exibir-se a um nível muito fraco. Com Sonkaya a cumprir a tradição muçulmana do Ramadão (e mesmo que não o estivesse), Adriaanse tem de encontrar uma alternativa mais fiável ao jogador português. Ricardo Costa, que tem vindo a provar ser um melhor lateral adaptado do que defesa-central, poderia ser uma alternativa a explorar; outra hipótese, mais arriscada mas bem em sintonia com a filosofia holandesa, seria a aposta em João Dias internacional sub'20 e defesa-direito da Equipa B. O jogador deixou excelentes indicações no Europeu de sub'17 que Portugal venceu, na altura ao serviço do Sp. Braga, e foi contratado pelos portistas com o aval de José Mourinho pelo que, e tendo em conta as exibições dos As, não seria descabido apostar nele.

Paulo Assunção e Lucho González garantiram com a prestação de ontem a titularidade no futuro imediato, com Raúl Meireles e Ibson a serem substituto de luxo (o trocadilho fica à disposição de quem lê). Com Quaresma a provar que uma das alas tem de ser obrigatoriamente sua, e com Jorginho a provar precisamente o contrário, o técnico holandês terá que optar por abdicar ou não de uma das alas. Mantendo dois jogadores abertos nos flancos, tem necessariamente de encontrar um par para Quaresma e não um jogador que 'abandone' o posto, sendo que César Peixoto poderia ser a alternativa na esquerda; o jogador, que nunca se afirmou como extremo devido à sua falta de agressividade e tendência teatral, destacou-se a lateral-esquerdo pelas qualidades ofensivas e seria esta uma boa oportunidade para o (re)testar na ala esquerda.

No centro a pergunta que se coloca é: que fazer a Jorginho e Diego? Apostando em McCarthy para a posição de segundo-avançado deixa de haver lugar para um médio-ofensivo criativo, a menos que esta caia para uma das alas como vem sendo hábito. Esta opção abre no entanto espaço para Lisandro López poder jogar na posição que se destacou na Argentina, e abre esperanças para Postiga até agora de fora das opções de Adriaanse.

Perante tantas interrogações, alternativas e soluções a próxima palavra pertence a Adriaanse!

Publicado por bruno ribeiro às 15:38

Comentários

"exitar"

que significa?

#1 | Comentado por: Luís F | 24 de outubro de 2005 às 21:08

aliás, "exitações".

#2 | Comentado por: Luís F | 24 de outubro de 2005 às 21:08

O Nacional vai ser um grande teste e espero sinceramente que Adriannse não invente. Era bom que lesse o teu comentário. Saudações portistas

#3 | Comentado por: Nuno Leal | 24 de outubro de 2005 às 21:08

'Exitações', hesitações, é tudo a mesma canalha...
:)

#4 | Comentado por: Pedro Santo | 24 de outubro de 2005 às 21:08

Só pode ser culpa do Veiga, aquele canalha...

#5 | Comentado por: SEMPRE PRESENTES | 24 de outubro de 2005 às 21:08

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