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domingo, 30 outubro 2005

Naval 1 - 1 Benfica

Categoria: 05/06 SuperLiga , Benfica , Naval 1ºMaio

Naval - Benfica: Bruno Fogaça festeja o seu 4º golo na Liga (foto: Lusa)

Um resultado ingrato para o Benfica e lisonjeador para o Naval. O Benfica foi melhor na primeira parte e muito melhor na segunda. Contudo, a Naval poderia ter ganho e o empate não lhe assenta nada mal. Contradição? Apenas aparentemente. Se o Benfica foi claramente melhor, a Naval consegue o seu golo não fruto do acaso, de um lance fortuito ou de um lance de bola parada (ainda que Fogaça esteja ligeiramente fora de jogo), mas da exploração de uma alteração táctica do Benfica, num contra-ataque muito bem desenhado. O empate castiga assim a inoperância na concretização por parte do Benfica e premeia a organização e empenhamento da equipa da Figueira da Foz. Só nos falta referir o estado do terreno (associado às condições climatéricas) que também teve muito que ver com o resultado final deste jogo, mas teve ainda mais que ver com a qualidade do futebol jogado. A primeira parte foi pobrezinha, a segunda parte melhor enquanto houve mais relva que buracos.

Enquadramento

Quando há umas semanas os adeptos e analistas observavam o calendário não iriam adivinhar que o jogo mais quente em termos de troca de palavras a antecederem o jogo seria o Naval – Benfica. Mas assim foi. Koeman tocou num ponto sensível quando expôs o inexplicável adiamento do jogo da Taça pela Naval, Cajuda no seu estilo pequenino-não-tenho-medo-de-ninguém respondeu como uma donzela ofendida, Veiga feito cavaleiro andante foi defender com doses reconhecidas de brejeirice a sua frágil túlipa e Koeman perdeu a razão que tinha recusando-se a apertar a mão a Cajuda. Tudo demasiado infeliz, mas concretamente sem grande importância. Resultado prático desta disputa é que ambos queriam, mais do que em circunstâncias normais, ganhar o jogo. Ou melhor, um tinha que ganhar para sair triunfante, a outro bastava-lhe não perder para agradecer a quem produziu tal prodígio, sua mãezinha que está na terra. E sinceramente, este tipo de especiaria é sempre bom para apimentar estes jogos destinados a aborrecer os adeptos.

Táctica

Do lado do Benfica não existiram grandes novidades tácticas, apresentando-se com o seu esquema habitual de 4x3x3 quando Miccoli não está disponível, ocupando Karyaka o papel de organizador dos lances de ataque e desequilibrador na área. A questão para o Benfica passava muito mais pelo desempenho do modelo táctico pelos jogadores disponíveis, do que pela adequação deste ao jogo. Com Geovanni e Simão indisponíveis, Léo e João Pereira a ocuparam as alas, passando a funcionar numa lógica de extremos. No decorrer da segunda parte Koeman decide arriscar, e faz entrar Mantorras e Nuno Assis, fazendo recuar Léo. Com estas substituições o Benfica ganhou velocidade em ambas as laterais e passou a jogar com dois avançados sobre os centrais figueirenses, num modelo de 4x4x2. Claro que essas substituições também estiveram na base do golo sofrido, como iremos ver mais abaixo.

A Naval, por seu lado, apresentou um 4x4x2 bastante pragmático, bem mais ofensivo no papel do que na dinâmica. De facto, a uma defesa de 4 jogadores, apresentava-se um meio campo com Gilmar e Glauber, Fajardo na ala esquerda e Solimar na ala direita. No centro do ataque, Fogaça e Cazarine jogavam junto aos centrais. Com este esquema Cajuda declarou-se atrevido, mas na prática ele bem sabe que não estava a ser. Como o terreno não o permitia, optou por deixar cair os alas rápidos, reforçando o meio campo com 4 médios de trabalho, que jogavam num estilo directo para os avançados. Fogaça descaia mais para a direita, o que permitiu a Solimar funcionar como interior direito e Cazarine andou por lá, no centro do terreno, com o único intuito de prender os centrais. Em dinâmica a equipa funcionava como um 4x5x1, com Fogaça a servir como ponto de referência nos contra-ataques. A entrada de Lito serviu apenas para fazer recuar mais a equipa e apostar definitivamente no contra-ataque, enquanto a de Rui Miguel, mantendo o desenho, pretendia providenciar à equipa de um lançador de bolas para o ataque.

Apreciação

Sobre a primeira parte não há muito a dizer. Chovia copiosamente, o terreno consequentemente estava impraticável, pelo que ambas as equipas andaram a apalpar terreno, procurando adaptar-se ao relvado. Da parte do Benfica, tratava-se de uma dupla adaptação, face às várias alterações forçadas na equipa. A Naval procurava aproveitar a situação e conter os avanços do Benfica e o risco de sofrer um golo cedo no jogo, o que condenaria a estratégia montada. No ataque procurava explorar a falta de encaixe táctico, municiando Bruno Fogaça, que explorou alguns desequilíbrios da defesa benfiquista, até Ricardo Rocha acertar com a marcação. Do Benfica os lances mais perigosos surgiram em sequência de lances de bola parada, e situações muito mal aproveitadas e que se vieram a revelar decisivas no decorrer do jogo. A Naval teve apenas um lance perigoso, com Fajardo a cabecear com muito perigo para a baliza defendida por Nereu, num erro de marcação de Nelson. Contudo, e apesar da fraca sequência aos lances, Fogaça confirmou as qualidades que lhe vêem imputando, combinando o seu porte atlético com bons dotes técnicos, constituindo ameaça permanente à baliza do Benfica (como aliás se confirmou na segunda parte).

Na segunda parte o Benfica entrou bem melhor, com mais velocidade e a entender-se melhor com o relvado. Léo estava bem mais solto e Karyaka aumentou a intensidade do seu jogo. No lado contrário a Naval ia sobrevivendo. Parecia que o Benfica ia marcar a qualquer momento, o que não se veio a verificar. Esta situação arrastou até ao momento decisivo do jogo – os 66 minutos. Nessa altura, Koeman perdeu a paciência e decidiu que bastava de espera, havia que arriscar. Fez bem em querer mudar, o tempo foi o certo, só que como o fez deu um golo à Naval e ia custando os 3 pontos.

Com a saída de Ricardo Rocha, a equipa perdeu quem marcava Bruno Fogaça, o que lhe permitiu desmarcar-se sozinho pelo flanco direito, receber a bola, arrancar para o golo, meter a bola para dentro, ver Anderson num carrinho de uma ingenuidade tremenda (Fogaça não tem um grande pé direito, nunca iria rematar e já tinha feito aquele movimento 20 vezes durante o jogo) e rematar cruzado para as redes. E o Léo? Bem, o Léo continuava a fazer de ala, até porque Assis não é canhoto e os dois jogadores ainda procuravam entender-se em campo. Com essas substituições, simultaneamente manteve João Pereira em campo que apenas compensava as subidas de Nelson, ainda que pouco perigo houvesse a partir desse flanco. Se Assis calha a ir para esse lado, permitia-lhe funcionar um pouco mais dentro, apoiando mais Petit e Manuel Fernandes na organização do jogo, e apoiando a dinâmica de Nelson na direita, sem criar confusões na esquerda, onde Léo estava a criar desequilíbrios.

Quando o jogo parecia perdido, Nelson desequilibra e Nuno Gomes finaliza. A partir desse lance, o Benfica arranca numa avalanche ofensiva em que esteve várias vezes perto do golo, mas que termina com um calcanhar patético de Mantorras para pontapé de baliza. Desse período, destaque-se a força de vontade da equipa e a solidariedade dos jogadores da Naval. Fica a sensação que se o jogo dura mais 5 minutos a vitória iria para o visitante, mas o certo é que não durou, nem tinha que durar. Se praticamente não falo da Naval na segunda parte é porque a Naval existiu no golo e o resto foi defender. O golo foi fruto de maturidade e inteligência na exploração das alterações tácticas do Benfica, e por isso é muito melhor golo do que aparenta ser. Cajuda quis mudar qualquer coisa com a entrada de Lito, mas como este não existiu ficou-se sem saber muito bem o quê.

Em síntese, o resultado é bom para a Naval, principalmente psicologicamente. Pararam a série de vitórias do campeão nacional e vão encarar certamente os próximos desafios com mais confiança. Para o Benfica, o resultado também não é mau. Era talvez um dos piores campos para jogar com a chuva que estava. Para além disso, muitas ausências, com Quim, Simão, Miccoli e Geovanni de fora e Karagounis em condições físicas precárias. Finalmente, há que não esquecer a quantidade de jogos que a equipa tem jogado, sempre com a pressão de não se poder atrasar, ao que se somou o esforço não previsto que teve que ser despendido para a Taça de Portugal. O recorde de Souness terá que ficar para outra oportunidade.

O Ás - Bruno Fogaça: Não foi uma surpresa. Este jogador brasileiro descoberto por Cajuda tem mostrado boas qualidades no campeonato português, com uma compleição física assinalável e bastante qualidade técnica. Apesar de ser virtuoso, não é um jogador de brincadeira, mostrando um pragmatismo muito europeu. Esse pragmatismo revela-se também na exploração táctica, descaindo de forma muito inteligente para a zona intermédia entre o central esquerdo e o lateral, fazendo valer a sua velocidade de execução e o seu forte pontapé. Marcou um golo decisivo e esteve em quase tudo o que de bom a Naval fez em termos ofensivos. Um jogador merecedor de um acompanhamento mais próximo.
Ficha de Jogo

Estádio José Bento, na Figueira da Foz.

Árbitro: António Costa [A. F. Setúbal]

Naval: Wilson Júnior; Bessa, Fernando, Nelson Veiga, China (Aurélio, 66’); Glauber, Gilmar (Rui Miguel, 64’), Solimar, Fajardo; Bruno Fogaça e Cazarine (Lito, 57’).

Benfica: Rui Nereu; Nelson, Luisão, Anderson, Ricardo Rocha (Nuno Assis, 66’); Petit, Manuel Fernandes, Karyaka (Mantorras, 66’); Léo, João Pereira e Nuno Gomes.

Golos: Bruno Fogaça (70’) e Nuno Gomes (80’).

Cartões: Amarelos a Gilmar (50’), Bruno Fogaça (70’), Aurélio (81’), Glauber (89’) e Rui Miguel (90+2’).

Publicado por alexandre calado às 17:08

Comentários

Alexandre:

Tenho que discordar da sua análise. Dizer que "como o fez deu um golo à Naval" é para mim totalmente errado!

Koeman tenta ganhar o jogo, arrisca e balança-se para o ataque... claro que nínguem pode prever que um dos seus melhores médios perca uma bola como a que Petit perdeu e que deu o lance do golo.

Quanto ao fora de jogo, tenho dúvidas... díficil de julgar por isso acho que devemos dar o benefício ao juiz de linha!

Mas gostei do Benfica... apesar de jogar sem 3 jogadores fundamentais, conseguiu jogar à campeão... e num campo como aquele, fazer 15 minutos finais de sufoco, mostra a capacidade física.

Não me parece que os adeptos do Benfica devam estar preocupados... o resultado não foi justo, a exibição foi boa e a equipa mostra ter opções. Os outros que se preocupem com a forma como as suas equipas jogam.

Quanto a Nelson e Nuno Gomes... Que mais se pode dizer destes 2 SENHORES????

#1 | Comentado por: vsnunes | 31 de outubro de 2005 às 01:26

Axo k faltam akeles k dixem k o benfica foi benefeciado e que ganhou graças a um golo em fora de jogo etc etc...

Ñ me vou de fazer de vitima, nada disso, aconteceu, erros daquele tipo acontecem, mas pelo menos sejamos coerentes...

O benfica foi beneficiado? claro k ñ! ñ ganhou, mas se tivesse ganho o filme já era visto ó contrário =)...

Mas gostei do meu benfica =), e akele bruno fogaça parece um bom jogador, pelo menos melhor k o silva e o manoel (tb ñ é dificil =D)

#2 | Comentado por: Rionx | 31 de outubro de 2005 às 01:26

O benfica dominou totalmente o jogo, mereceu ganhar, mas quem não marca sofre... bruno fogaça fez o k anderson incrivelmente não conseguiu fazer...

#3 | Comentado por: André Rodrigues | 31 de outubro de 2005 às 01:26

Achei estranho que Cajuda tenha dito no final do jogo de ontem que é adepto do Benfica - toda a gente já o sabia mas dizê-lo é outra coisa - e penso que isso possa ser prejudicial para a sua carreira. Está, assim, sujeito a ataques da opinião pública que não existiriam sem esta revelação.

João Pereira é um jogador medíocre, muito mau aliás. Não fez um centro em condições, uma jogada de perigo, uma recuperação de bola digna desse nome. É um jogador sem nível para o Benfica, pelo menos na posição de extremo.

O pouco poder fisico dos jogadores do Benfica refletiu-se muito na condução do jogo. É tudo gente baixa e com pouco peso. Karagounis poderia ter ajudado, mas o grego está em más condições fisicas e por isso não se correu o risco de o utilizar.

A falta do Geovanni e principalmente do Simão fizeram-se sentir muitissímo, quer na construção de jogo quer na marcação de bolas paradas.

Mais uma vez uma jogada entre Nélson e Nuno Gomes resulta em golo. O português continua em grande forma e o cabo-verdiano é um luxo de jogador. Dá gosto vê-los a jogar.

Realço a excessiva agressividade do Ricardo Rocha. Mais uma vez fez um bom jogo, como de costume, no entanto vi um lance com Bruno Fogaça - penso eu - no qual lhe dá uma valenta estalada. Não pode ser, seria mais uma expulsão caso o árbitro tivesse visto.

Quanto ao guarda-redes Rui Nereu, neste jogo as minhas dúvidas foram todas dissipadas. Não é jogador para o Benfica, pelo menos nesta altura da sua carreira. É mau no posicionamento, nunca sai aos cruzamentos na pequena área, e já está com a tendência de sofrer golos por baixo das pernas. Espero a recuperação rápida do grande Quim.

A arbitragem foi razoável, o que surpreende pois foi de António Costa. Há, no entanto dois lances duvidosos que prejudicaram o Benfica. O golo da Naval é marcado em fora-de-jogo e há um lance de Mantorras quase a acabar o jogo em que o mesmo se isola e é entretanto marcado um fora-de-jogo inexistente.

#4 | Comentado por: Pedro Neto | 31 de outubro de 2005 às 01:26

Pedro Neto:

Acho que estás a ser extremamente injusto com o Rui Nereu. A bola só entra porque bate no Leo depois do remate, porque o Nereu estava no caminho da mesma (o que não quer dizer que a defendesse).
Acho que o árbitro defendeu demasiado os jogadores da Naval. Quantas entradas por trás houve? Só no inicio do jogo foram umas 4 entradas violentas sem punição....depois no fim la compensou, mas isso já é o costume.
Mas também não foi por ai que perdemos 2 pontos. Este era claramente um jogo para ganhar, e pelo que realizámos durante a partida mereciamos a vitória. Falhámos muitos golos e eles não...é o futebol!
Venham os espanhois!

#5 | Comentado por: Fireal | 31 de outubro de 2005 às 01:26

Pedro:

Acho que estás a ser um pouco pessimista demais.

O Rui Nereu é um miudo e não se pode pedir que seja como o Moreira ou o Quim. Faz o que pode, e temos que lhe dar mérito.

Acho que apesar do resultado não ter sido o melhor, a forma do benfica estar em campo e capacidade de luta é de louvar.

#6 | Comentado por: vsnunes | 31 de outubro de 2005 às 01:26

Os colunistas por estas bandas continuam na marcação ao Koeman e a levar em ombros o Co Arrogance.

Vá lá um pouco mais de seriedade. Uma equipa com um orçamento de 50 milhões de euros para a equipa de futebol não precisa de ser levada ao colo desta maneira. Adiante.

"Quantas entradas por trás houve? Só no inicio do jogo foram umas 4 entradas violentas sem punição....depois no fim la compensou, mas isso já é o costume.
Mas também não foi por ai que perdemos 2 pontos."

Exactamente o mesmo discurso de alguns Benfiquistas no final do jogo com o Gil Vicente.

Pois é, nunca é pelas arbitragens tendenciosas que o Benfica perde pontos ou assim gostam de pensar alguns, como se os jogadores do Benfica tivessem a -obrigação- de jogar sempre a 120% todos os jogos para terem os 20% extra prontos para anular as habilidades do árbitros.
Não é por aí que o Benfica perde pontos mas é por aí que outras equipas com um futebol que dizem é muito vistoso e espectacular(!!!) lá se vão aguentando pontinho por pontinho até chegarem à fruta final.

#7 | Comentado por: Escamillo | 31 de outubro de 2005 às 01:26

Amigo Escamillo:

Essa do "...futebol que dizem é muito vistoso e espetacular..." é a melhor... pena é a quantidade de lenços brancos que os treinadores dessas equipas levam.

Está visto que dos 3 grandes, o único que joga é o Benfica... o resto é conversa! Ontem jogamos contra a Naval sem 4 peças fundamentais: Simão, Geovanni, Micolli e Quim/Moreira e mesmo assim foi o verdadeiro dominio!

#8 | Comentado por: vsnunes | 31 de outubro de 2005 às 01:26

Não se pode entrar no elogio só porque joga no Benfica. O guarda-redes é uma posição fundamental e tem de estar bem preenchida se a equipa tem a ambição de títulos.

Se o Quim não jogar contra o Villreal parece-me que o Benfica terá poucas hipóteses de vencer.

Aliás, nos últimos tempos é cada tiro cada melro na baliza do Benfica. A sorte é que os adversários rematam pouco.

Rui Nereu é muito pouco para o SLB!

#9 | Comentado por: Pedro Neto | 31 de outubro de 2005 às 01:26

É claro que o Nereu acusa a inexperiência e não dá segurança à equipa, mas o golo da Naval é um remate difícil para qualquer GR.
O Moreira quando se estreou, na sequência do afastamento do Enke da equipa, julgo que era mais novo do que o Nereu e sofreu alguns golos defensáveis e não foi tão criticado como o actual titular do Benfica.

#10 | Comentado por: Jose Soares | 31 de outubro de 2005 às 01:26

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