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domingo, 30 outubro 2005
Vitória Guimarães 0 - 2 Paços Ferreira
Categoria: 05/06 SuperLiga , Paços Ferreira , V. Guimarães

O Paços de Ferreira venceu em Guimarães, num jogo marcado pelo minuto 58. Até aí, o Vitória justificava amplamente a vantagem, ainda que o nervosismo e ansiedade da maior parte dos seus jogadores, retirava fluidez ao jogo da formação de Jaime Pacheco, perante um Paços de Ferreira expectante, que raramente se aproximou da baliza de Nilson. Foi aí que Pacheco, ao contrário do que é hábito, assumiu o risco de abdicar de um defesa (Geromel) para alargar a frente de ataque com a entrada de Dário, passando a utilizar uma defesa de 3 unidades. Mota não se intimidou, e procurou explorar as costas da defensiva vimaranense, muito adiantada, com a velocidade dos alas Didi e Édson. Saiu-se bem: Didi, aos 60 minutos, e Édson, aos 89 minutos, construiram um resultado injusto para os locais, que nunca se adaptaram ao esquema de 3x5x2 que Jaime Pacheco tentou impor na última meia hora, apesar de terem procurado recuperar da desvantagem, com muito coração, mas pouca cabeça.
Enquadramento
Vitória Guimarães e Paços Ferreira entraram em campo conhecendo a maior parte dos resultados da jornada. Os vimaranenses, em caso de vitória, garantiam, pela primeira vez na temporada, a saída de zona de descida, depois do excelente triunfo em Setúbal a jornada passada. Curiosamente, foi também em Setúbal, que o Paços de Ferreira garantiu a sua única vitória fora de casa, a que se seguiram três derrotas na condição de visitante: no Bessa, em Barcelos e em Leiria. Um triunfo em Guimarães permitiria ascender, à condição, ao grupo de sétimos, esperando depois pelo resultado do Boavista - Sporting.
Frente a frente, Jaime Pacheco e José Mota, dois conterrâneos, vizinhos e antigos colegas de clube no Paços de Ferreira. Mota, como técnico, nunca perdeu em Guimarães - 2 vitórias, 2 empates -, enquanto que Jaime Pacheco, como treinador na Liga, na condição de visitado, nunca perdeu com o Paços de Ferreira: 3 jogos, 2 vitórias e 1 empate.
Tácticas
O Vitória de Guimarães apresentou-se com a sua habitual estrutura de 4x4x2, desdobrável ora em 4x2x2x2, ora em 4x1x2x1. Nilson foi novamente chamado à baliza, depois de ter reconquistado a titularidade em Setúbal ; a defesa de quatro contou com Mário Sérgio, sempre muito empenhado em desdobrar-se ofensivamente, e Cléber nas laterais, com Dragóner e Pedro Geromel a formarem o eixo central. Foi o regresso à titularida do jovem central brasileiro, contratado ao Desp. Chaves, que já não era utilizado desde a derrota em Belém, na 4ª jornada. A meio-campo, Flávio Meireles era o médio mais recuado, apoiado de perto pelo dinamarquês Svärd, jogador muito útil tacticamente, quer para se desdobrar ofensivamente como interior direito, quer para compensar, também à direita, as subidas de Mário Sérgio. Neca, partindo de interior esquerdo, e Benachour, mais liberto de acções defensivas, eram os médios de ataque, no apoio a uma dupla de ataque formada por Tiago Targino, com liberdade para aparecer sobre as alas e explorar as diagonais, e o polaco Saganowski, o melhor marcador da equipa com 3 golos na Liga.
O Paços de Ferreira manteve-se fiel à sua habitual estrutura de 4x3x3, que parte de um 4x2x3x1 defensivo para um 4x1x2x2x1 em situação ofensiva, já que os extremos, em situação defensiva, procuravam defender atrás da linha da bola, de forma a fechar a subida dos laterais adversários. Na baliza, o brasileiro Peçanha confirmou a titularidade reconquistada a semana passada. À sua frente, uma linha de quatro defesas com Geraldo e Luiz Carlos a formarem o eixo central, ficando Primo, produto das escolas do Vitória de Guimarães, e Fredy, nas laterais. À frente do sector defensivo, Paulo Sousa era o médio mais recuado, apoiado pelo brasileiro Júnior, que, em situação ofensiva, tinha liberdade para apoiar Pedrinha, o centro-campista mais criativo, mas que, em situação defensiva, praticamente funcionava como 3º médio defensivo. No ataque, Didi e Édson mais sobre as alas, procuravam explorar a sua velocidade e alguma capacidade técnica no apoio ao avançado mais fixo: Edinho, que bisou na última jornada diante do Penafiel.
Positivo
Matreirice. José Mota foi feliz em Guimarães. O esquema que montou, apesar de contemplar três unidades de cariz ofensivo, foi muito defensivo e expectante, assumindo pouco ou nenhum risco. Contudo, não se intimidou quando Jaime Pacheco arriscou, mantendo as três unidades de ataque. Deu-se bem, pois acabariam por ser Didi e Édson, até aí muito retraídos, a garantirem a vitória.
Muito coração. Era vísivel, desde a deslocação à Luz, o crescimento da formação vimaranense em termos exibicionais. É certo que, sobretudo em casa, a equipa acusa algum nervosismo e ansiedade em demasia, que trava, em várias ocasiões, a fluidez do jogo ofensivo de uma equipa com jogadores de talento inegável. Hoje, mais uma vez, o colectivo esteve distante, mas houve bons momentos e sobretudo muito coração e vontade: primeiro em busca da vantagem ; depois na procura da recuperação no marcador.
Negativo
Jaime Pacheco. Correu riscos elevados, coisa rara na sua carreira, ao assumir uma defesa de três unidades e deu-se mal. Com os jogadores que tinha em campo, e atendendo às 3 unidades ofensivas do adversário, poderia ter recuado Svärd e Flávio Meireles, que acabaram por se perder a meio-campo, nem defendendo, nem atacando, mantendo a estrutura defensiva. Pouco depois, tentou ainda refrescar o ataque, com a entrada de um desastrado do Clayton para o lugar de Tiago Targino, até aí um dos mais empreendedores entre os vimaranenses.
(Falta de) Espectáculo. Foi um jogo fraco e aborrecido. O relvado, ao contrário do que aconteceu no início da temporada, até estava em boas condições, mas o nervosismo vimaranense e a postura expectante dos pacenses não ajudou à fluidez de jogo. Depois de se colocar em vantagem, o Paços, como é hábito na maior parte das equipas portuguesas, usou e abusou de anti-jogo: lesões, paragens, perdas de tempo, e muitas faltas, perante o acordar tardio de Olegário Benquerença para a amostragem de cartões.
Destaques
Os duros. Longe de ser violento, o jogo ficou marcado por várias faltas, algumas delas demasiadas ríspidas, de parte a parte. Flávio Meireles - impune - e Cléber voltaram a mostrar paixão pelo uso dos cotovelos, enquanto o pacense Pedrinha optou pela pisadela. Já Júnior, o primeiro amarelado, foi acumulando faltas, até ser admoestado.
O dandy: Édson. Descoberto na antiga 2ªDivisão B, onde representava o Oliveira do Bairro, o extremo angolano é o jogador mais desequilibrador dos pacenses. Confirmou-o em Guimarães, com um golo de grande qualidade, a pedir nova chamada à selecção de Angola com o pensamento no Alemanha 2006.
O ás: Pedrinha. Sacrificado tacticamente, acabou por ser mais 3º trinco do que o médio criativo dos pacenses, tarefa que cumpriu com rigor. Contudo, o destaque deve-se mais à sua acção preponderante na vitória, já que foi dos seus pés que sairam os passes para os golos de Didi e Édson. Passes longos, onde veio ao de cima a sua inteligência e boa visão de jogo.
Ficha do Jogo
Estádio: Afonso Henriques, Guimarães
Árbitro: Olegário Benquerença (Leiria)
Vitória Guimarães (4x4x2 desdobrável em 4x1x2x1x2): Nilson - Mário Sérgio (85' Zezinho), Dragoner, Geromel (58' Dário), Cléber - Flávio Meireles - Svärd, Neca - Benachour - Tiago Targino (66' Clayton), Saganowski.
Paços Ferreira (4x3x3): Peçanha - Primo, Geraldo, Luiz Carlos, Fredy - Júnior, Paulo Sousa - Pedrinha - Didi (88' Tiago Martins), Édson (90'+3' João Duarte) - Edinho (67' Ronny).
Golos: 60' Didi (0-1) ; 89' Édson (0-2).
Publicado por rui malheiro às 21:30
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