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segunda-feira, 31 outubro 2005

Claques #1

Categoria: Col: Pedro Varela

Final da Taça UEFA

Muito se tem discutido sobre o Sporting, Paulo Bento, opções tácticas, substituições e por aí fora, mas hoje vou dedicar algumas linhas, a algo que muitas vezes passa ao lado dos jogos, mas que tem uma força enorme no futebol. Pena, é que por vezes não se comportem da melhor forma. Obviamente, falo das claques!
Das nove jornadas que a Superliga já leva, acompanhei o Sporting em seis delas. Belenenses, Benfica e Académica em Alvalade, deslocações a Paços de Ferreira, Barcelos e Bessa. Nos jogos em Alvalade, e como tenho uma Gamebox adepto, vejo numa bancada um pouco distante das claques, mas nos jogos fora, tento colocar-me relativamente perto, pois se há algo que me entusiasma e muito no futebol, é alegria de poder “puxar” pela equipa, seja a cantar e/ou a bater palmas.

Ontem no Bessa, a experiência foi bastante motivadora. Coloquei-me no meio da claque do Directivo Ultras XXI e durante 90 minutos foi sempre a apoiar a equipa do Sporting. Para um adepto, como eu, que não está habituado a tal ritmo e que por vezes até prejudica a visão objectiva do que se passa no relvado, há pelo menos a sensação, de que apesar de não podermos jogar, o facto de poder estar durante toda a partida a incentivar a equipa, pode de alguma forma ajudar a nossa equipa a atingir o objectivo de vitória no jogo.

Claro que este é apenas o lado bonito da questão. Sempre que se fala de claques, há logo o princípio subjacente que estamos a falar de adeptos desordeiros, de “rapazes” que apenas procuram a provocação, um primeiro passo para que rapidamente se passe à violência. Mas do que eu tenho observado, isso não é tão verdade como se pensa. Os adeptos das claques dos visitantes, normalmente são escoltados pela polícia até ao estádio. Logo aqui poderíamos colocar a questão, se não são tão desordeiros, o porquê de tanta polícia? Evidentemente para não se gerarem conflitos. Principalmente para que se previnam os problemas que possam surgir. E quem acompanha o fenómeno futebolístico, sabe perfeitamente que os problemas entre claques têm diminuído ao longo dos tempos em Portugal. Casos isolados de violência descontrolada, acontecem quase em todos os jogos. Por exemplo, ainda ontem no jogo Boavista-Sporting, alguns adeptos do Sporting confrontaram-se com alguns do Boavista, se eram ou não da claque não sei. Mas para haver problemas em torno do futebol, a simplesmente diferença de clube que se apoia, é o suficiente para gerar um confronto entre dois quaisquer adeptos do futebol. Claro que depois a polícia intervêm, e muito bem. A notícia sai no jornal, e, como não chega dizer que dois ou três adeptos foram parar ao hospital, há que encher com mais dois ou três parágrafos, a dizer que no relvado as claques se insultarem mutuamente.

Não se pense no entanto, que eu sou algum adepto violento, e se calhar a sorte que tenho tido ao longo dos anos, de nunca ter tido problemas nos jogos que tenho visto, me leve a defender as claques. Apenas acho que no plano motivador, emocional e lúdico, as claques têm uma importância muito relevante no espectáculo que é o futebol. Ontem, quem esteve no Bessa, e fosse adepto Sportinguista, não pode ter ficado indiferente ao que passou durante os 90 minutos. Foi uma noite bem passada, apesar do resultado menos positivo. É que no futebol há sempre três resultados possíveis! Mas para que fique bem claro. Não sou a favor de violência no desporto. Há muito que se pode fazer à volta deste tema, por exemplo, a discussão poderia começar pela legalização das claques. Pelo menos para que não se considerem acima da lei. Era importante que as direcções tivessem também uma palavra a dizer neste contexto, que despoletassem a discussão. Para que se caminhasse para um nível de profissionalização que era vantajoso para todos. Mas para tudo isto, é preciso boa vontade de todas as partes intervenientes. Há necessidade de discussão e pensar que há gente no meio das claques que é a favor do entendimento. Que entende o fenómeno do apoio ao clube, como um amor natural, e que apenas quer contribuir para um melhor espectáculo. Se a discussão pelo menos se iniciar, o futebol agradece!

Publicado por Pedro Varela às 16:00

Comentários

Nas claques ha muita gente que esta ali para apoiar o clube a 100% sem recorrer a violencia. Mas por outro lado tambem e nas claques que se encontram grande parte das pessoas que criam os problemas e é sobre estes que nos devemos debruçar.
Primeiro - penas pesadas (direito a prisao inclusive) para os prevaricadores
Segundo - proibiçao de entrar em estadios durante bastante tempo para os prevaricadores
Terçeiro - como e que e possivel depois do euro 2004 com tao bons meios (fala-se de centenas de cameras dentro de um estadio) e um chico qualquer atira um petardo e nao ha uma camera que tire um fotografia do sujeito, para posteriormente ser levado a julgamento? Quando digo um petardo digo qualquer coisa menos digna de se fazer dentro de um estadio.

#1 | Comentado por: ruifreire | 3 de novembro de 2005 às 12:28

Daí que o primeiro passo fosse a discussão. E por vezes há a sensação que os principais interessados nisto não querem falar sobre o assunto. E depois da conversa, passava-se à prática. Sabendo porém, que não é um tema de fácil resolução. Mas há necessidade de começar por algum lado.

#2 | Comentado por: Pedro Varela | 3 de novembro de 2005 às 12:28

As claques são uma faca de dois legumes.
:)

Por um lado, animam bastante o ambiente. É uma seca ver um jogo em que a malta está toda em silêncio...

Por outro lado, sendo compostas por malta nova cheia de sangue na guelra, é fácil perderem o controlo da situação. E depois, o comportamento das massas é muito matreiro. Há gente que dentro de um grupo grande faz coisas que nunca julgaria possível fazer.

Não me parece que seja possível erradicar alguma vez todos os comportamentos agressivos e violentos das claques, até porque parte deles são bastante imprevisíveis. Mas deve-se fazer tudo que seja possível para diminuir o impacto sobre as pessoas que querem ir pacatamente ao estádio para ver um espectáculo...
Portanto, não me choca nada que sejam sempre escoltados por polícia, que cheguem obrigatoriamente com alguma antecedência aos estádios e que só possam abandonar o mesmo depois de todos os outros. É o preço que eles têm que pagar pelas episódios idiotas que alguns deles às vezes despoletam.

#3 | Comentado por: Jorge Coelho (jcoelho) | 3 de novembro de 2005 às 12:28

Não me parece que as claques alguma vez sejam proibidas. Quem mais é que paga os dez e quinze contos para ir ver o seu clube num qualquer campo sem condições nenhumas? A maior parte são os elementos das claques... também interessa a quem estipula estes preços ridículos.

Eu sou completamente a favor. Falando do Sporting, mas presumo que até seja aplicável a muitos outros clubes, o número de vezes em que as claques tiveram um comportamento exemplar é absurdamente maior que o número de vezes em que se portaram mal... dada a paixão que o futebol movimenta, e do número de pessoas que atrai, estranho é que não existiam mais casos de pancadaria. Digo eu...

#4 | Comentado por: Pedro Santo | 3 de novembro de 2005 às 12:28

Sou completamente a favor das claques, claro... não dos preços ridículos do futebol português.

#5 | Comentado por: Pedro Santo | 3 de novembro de 2005 às 12:28

"Não me parece que as claques alguma vez sejam proibidas. Quem mais é que paga os dez e quinze contos para ir ver o seu clube num qualquer campo sem condições nenhumas? A maior parte são os elementos das claques... também interessa a quem estipula estes preços ridículos.

Eu sou completamente a favor. Falando do Sporting, mas presumo que até seja aplicável a muitos outros clubes, o número de vezes em que as claques tiveram um comportamento exemplar é absurdamente maior que o número de vezes em que se portaram mal... dada a paixão que o futebol movimenta, e do número de pessoas que atrai, estranho é que não existiam mais casos de pancadaria. Digo eu... "

by Pedro Santo

Não podia estar mais de acordo...

#6 | Comentado por: Fireal | 3 de novembro de 2005 às 12:28

Ui ui ui, isto de invadir balneários, bancadas, Assembleias Gerais, sair do estádio e ir à porta de entrada da outra claque tentar roubar faixas, e ainda por cima levar no trombil (como aconteceu agora ao grupo nazi no Bessa), é mesmo coisas de atrasadinhos!! Atrasadinhos verdes e azuis, que existem para proveito próprio! Lojas, Sites, amizades de conveniência, facadas nas costas....Assim vai o panorama Ultrà em Portugal!! Graças a Deus que Nós Não Existimos neste panorama!!
Abraços!!

#7 | Comentado por: SEMPRE PRESENTES | 3 de novembro de 2005 às 12:28

"Os DIABOS VERMELHOS decidiram tomar posição, em Comunicado, no seu sítio oficial, contra o que caracterizam como um "assalto à mão armada" da responsabilidade de pessoal dos SUPER DRAGÕES nos arredores do Estádio do Bessa, antes do jogo contra o Leixões para a Taça de Portugal. Não é a primeira vez que os DV se queixam de terem sido alvo de ataques com armas de fogo vindos de claques azuis e brancas, como podem recordar por aqui. Trata-se de uma situação profundamente desagradável, porque mesmo as guerras entre claques devem ser enquadradas em parâmetros de um mínimo de honradez. Não pode valer tudo. O documento dos DIABOS VERMELHOS merece ser lido com atenção, aguardando-se alguma reacção da parte visada. Aqui fica o Comunicado na íntegra:

COMUNICADO

Na última Quarta Feira, dia 26 de Outubro, 5 membros dos Diabos Vermelhos (um deles um puto de 15 anos), quando se deslocavam para apoiar a sua equipa no jogo com o Leixões para a Taça de Portugal, ao pararem num Café próximo do Estádio do Bessa, foram cobardemente vítimas de um assalto à mão armada (com armas de fogo), por vários elementos dos Super Dragões (em clara superioridade numérica), entre eles, algumas pessoas da Direcção deste grupo, como por exemplo o Fernando Madureira (vulgo Macaco). Foram levadas duas faixas do nosso Grupo.
Se estivéssemos a falar de Homens de Honra esta situação nunca se verificaria, pois existem formas Honradas e Leais de conquistar uma faixa de um Grupo.
Como estamos a falar de cobardes só nos resta lamentar o assalto que fomos vitimas e pedir aos Super Dragões para deixarem de usar a palavra Ultra na sua marca de roupa e em tudo o que possa ser conotado a esse Grupo de Cobardes.
Os Diabos Vermelhos desejam marcar claramente a sua posição e demarcarem-se totalmente deste típico dirigismo claqueiro e hipócrita, claramente vincado através de entrevistas em meios de comunicação social em que pessoas se apelidam de Ultras e dizem seguir um modelo, que claramente, fora do "show off" e "glamour" televisivo não o praticam."

Texto extraido do Megafone, com um comunicado do outro grupo do meu clube, que demonstra um pouco o que se passa lá por cima!!!
Como podem ver, as coisas acontecem duma maneira que, porra, nem eu estava à espera! Cobardia e falta de honra são o apanágio daqueles cobardes!
Não poderão é agora vir a criticar tudo aquilo que se vier a passar daqui para a frente!!
Hein, ò Joethelion´s, Grim´s, e esses todos que por aí andam, prestem bem atenção ao que os vossos amigos fazem, para depois, quando acontecer o que se setá à espera, não virem dizer que nós somos marginais e arruaceiros!! Até somos, e dos piores, com muito gosto aliás, mas isso é quando a escória nos provoca da maneira como todos puderam ler mais acima!!
Para que não haja dúvidas fiz mesmo questão de colocar o texto integral!
Abraço e até qualquer dia, mais dia menos dia, aqui ou ali!!! Temos pena!

#8 | Comentado por: SEMPRE PRESENTES | 3 de novembro de 2005 às 12:28

"Se estivéssemos a falar de Homens de Honra esta situação nunca se verificaria, pois existem formas Honradas e Leais de conquistar uma faixa de um Grupo."

Gostei desta passagem...

Eu continuo na minha: dada a paixão que o futebol movimenta, e do número de pessoas que atrai, estranho é que não existiam mais casos de pancadaria.


Essa história de roubar faixas já vem de pessoal que gosta mais da claque do que do clube. E com esses já não me identifico minimamente.

P.S: SEMPRE PRESENTES, já se esperava que, na tua boca, não existissem 'atrasadinhos' vermelhos...

#9 | Comentado por: Pedro Santo | 3 de novembro de 2005 às 12:28

É preocupante que haja armas de fogo na posse de elementos das claques.

É uma vergonha que a comunicação social não tenha mencionado esta situação.

#10 | Comentado por: Pedro Neto | 3 de novembro de 2005 às 12:28

ò Pedro Santo, tú és lagarto e eu sou lampião!
Mas por causa disso, e apesar de por vezes me irritares, como aconetece ao contrário de certeza, não tenho por ti qualquer inimizade que me leve a desejar-te mal fisicamente!!
Mas digo-te, sem mentira nenhuma, que, desde que eu me lembro de ir à bola, em 92, nunca assisti a actos cobardes ao ponto de chegar à situação relatada!!
Combates combinados já houve, já se passou muita porcaria, mas sempre sentro duma certa lealdade...se tú entendes ou não nada posso fazer!
Agora, situações como Telheiras, em que os do teu clube atiram autênticos calhaus da calçada e escondem-se e depois fogem, e como estes ainda mais cobardes dos andrades, nunca fiz!
Por isso te digo que por causa destes cobardes é que as coisas se descontrolam! Querem roubar tentem roubar os homens e não os putos, e de preferência venham sem armas! Sabes o que é esse "Macaco", de quase 30 anos, apontar uma arma a um puto de 15? Sabes o que isso vai fazer? Das duas uma: ou o puto não vai mais à bola, ou, como é mais certo, vai transformar-se num autêntico Anti-Tripeiro, e isso vai acarretar diversas coisas! Sabes o que é um Anti-Tripeiro com razões para o ser? É complicado!
E não venham com a do very-light por favor, que isso já foi mais que debatido!
Abraço para ti!

#11 | Comentado por: SEMPRE PRESENTES | 3 de novembro de 2005 às 12:28

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