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sábado, 5 novembro 2005
Sporting 2-1 U. Leiria
Categoria: 05/06 SuperLiga , Sporting , U. Leiria

Os primeiros três pontos do Sporting “era Paulo Bento” foram bastante suados e não espantaria ninguém se a U.Leiria tivesse empatado o jogo. A exibição leonina assemelhou-se a uma vela. Acendeu-se, a chama esteve forte, começou a cair, voltou a ficar forte e depois foi descendo de intensidade até se apagar por completo.
Durante a semana, Paulo Bento pediu maior agressividade aos seus jogadores e o recado foi percebido. O Sporting entrou bem em jogo, com uma agressividade e uma pressão alta como há muito não se via. João Moutinho – que realizou uma bela exibição – jogou mais à frente do que é habitual e os resultados fizeram-se sentir. O jovem médio foi sempre o patrão da equipa, apareceu muitas vezes na zona de remate e demonstrou uma entrega assinalável ao jogo. Os leões canalizaram muito do seu jogo pelas alas com Nani e Tello em evidência. No outro flanco, a exibição fraca de Douala era compensada com os raides de Rogério, sempre bem acompanhado por Moutinho.
Com o domínio da partida e com o U.Leiria recuado, o golo de Beto recompensou a atitude do Sporting. Após o tento, pensou-se que os “leões” iam arrancar para uma bela exibição recheada com golos. Puro engano. Aos poucos, os leirienses equilibraram as operações a meio campo – Harison esteve em destaque –, acertaram as marcações e subiram no terreno. Ao invés, o Sporting começou a demonstrar os problemas do costume: passividade, falta de mobilidade e desmarcações e a inexistência de “pressing”. A perder, a União foi atrás do prejuízo e marcou à meia hora por Renato. Porém, um erro incrível e inacreditável do auxiliar António Neiva e do árbitro Augusto Duarte impediu os leirienses de chegar ao empate. A incredulidade tomou conta das bancadas perante um erro tão grosseiro.
A União acusou o golo não validado e viu o seu castigo ser aumentado com o segundo golo do Sporting a fechar a segunda parte. Apesar de exagerada, o Sporting merecia a vantagem. Diga-se que o segundo golo até podia ter chegado mais cedo não fosse o desacerto de Nani na cara de Fernando.
Ao intervalo, um adepto exclamou nas bancadas: “- 2-0? Isto vai ficar 2-2!”. Não ficou, mas quase. O golo de João Paulo pôs (ainda mais) a nu os problemas do Sporting. Tello fez um corte evitável, Polga não ganhou nas alturas e Sá Pinto cometeu um erro imperdoável. Tal como no Bessa, o Sporting permitia o 2-1 nos primeiros minutos da segunda parte. Mais uma vez, a equipa ficou intranquila com o golo sofrido e nunca mais se encontrou até ao final do encontro. A espaços, João Moutinho tentava levar os seus companheiros para a frente, mas sem sucesso.
A segunda parte do meio campo leonino foi um autêntico pesadelo. Salvaram-se Custódio e Moutinho. Nani, que só durou 45 minutos, deu o lugar a Carlos Martins que mais uma vez, não correspondeu às expectativas. E se a jogar com 10 (Sá Pinto foi uma nulidade) estava complicado, com nove as coisas ficaram bem piores. Sob a batuta de Harison e com o coração de João Paulo, a União veio com tudo para cima do Sporting mas, e apesar do sufoco até ao final, nunca criou uma ocasião de perigo.
Assim, e mais uma vez, o Sporting terminou um jogo aflito, encolhido e à espera do apito do árbitro que teimava em não aparecer. No final, valeram os três pontos, os primeiros da “era Paulo Bento”. Para o U. Leiria, ficará sempre o amargo de boca a as questões do “se”. “E se aquele golo tem sido validado?”.
Enquadramento
A partida contra o U.Leiria marcava o primeiro jogo de Paulo Bento em Alvalade para o campeonato. Os “leões” já não venciam na Liga desde a partida contra o V. Setúbal (1-0). A partir dai, o Sporting somou duas derrotas (Paços de Ferreira e Académica) e dois empates (Gil Vicente e Boavista).
Já a U.Leiria apresentava-se em Alvalade com imensa moral depois da vitória por 3-0 contra o Gil Vicente. Em clara subida de forma, os leirienses somaram nove golos nos últimos três jogos.
Tácticas
Os regressos de Polga e Tello à defesa sportinguista foram as grandes novidades da equipa em relação à partida do Bessa. O chileno substituiu André Marques no lado esquerdo da defesa enquanto que Polga voltou a fazer dupla com Beto depois de um jogo de castigo.
Paulo Bento apresentou a sua equipa num esquema de 4-1-4-1 com a variante de 4-1-3-2, dependendo se Douala colava à linha ou acompanhava Liedson no eixo atacante. Assim, e à frente de Ricardo, Rogério, Beto, Polga e Tello formavam o quarteto defensivo; à frente da defesa, Custódio fazia a ligação entre estes e o quarteto do meio campo com Douala e Nani nas alas, Sá Pinto e Moutinho no meio. No ataque, Liedson era a referência. A defender, o Sporting derivava para um 4-5-1 ou 5-4-1, dependendo se Custódio funcionava com primeiro médio ou terceiro central.
Com a substituição de Miguel Garcia por Douala, o Sporting jogou os últimos minutos em 5-4-1 de forma a travar os dois pontas de lança leirienses.
A inclusão de João Paulo no lugar de Alhandra foi a principal nota de destaque dos leirienses. Num esquema de 4-2-3-1, o capitão ocupou a lateral esquerda da defesa (talvez para a marcação a Douala). Éder jogou na direita, Gabriel e Renato formaram a dupla de centrais. No meio campo, Paulo Gomes e Harison foram uma dupla interessante. Bem melhor o brasileiro que se afirma com um dos bons valores desta equipa. Maciel na direita e Fábio Felício na esquerda subiam sempre que podiam transformando o jogo dos leirienses num 4-3-3. Lourenço alinhou nas costas do ponta de lança Ferreira.
A dez minutos do fim, Jorge Jesus fez entrar Paulo César que se juntou a Ferreira no eixo atacante formando um 4-4-2.
Positivo
Atitude inicial do Sporting. Durou pouco, mas foi de registar. Na primeira parte, e enquanto houve pernas, o Sporting mostrou uma maior agressividade que culminou num livre à entrada da área para o golo de Beto.
Reacção da U. Leiria. Os leirienses mandaram em grande parte da segunda etapa do jogo. Os jogadores leirienses trabalharam imenso mas não conseguiram empatar. De qualquer das formas, a subida de produção da equipa está à vista.
Negativo
Arbitragem. Augusto Duarte fez uma má arbitragem. O juiz de Braga ajuizou muito mal os lances e ficará responsável pela não validação do golo de Renato. Mesmo dando o benefício da dúvida ao árbitro, é inadmissível que o seu auxiliar não tenha visto a bola mais do que dentro da baliza de Ricardo.
Relvado. Muito mau. Apresenta mais lama que relva. Os jogadores de ambas as equipas escorregaram imenso e muitos lances se perderam devido ao mau estado do terreno.
O Sporting na segunda parte. Depois do golo de João Paulo, a equipa da casa jamais se encontrou. A segunda parte do Sporting foi penosa, bem ao jeito da “era Peseiro”. Os “leões” tremem por todo o lado quando sofrem um golo e geralmente caem fisicamente a partir dos 70 minutos.
Destaques
Que pesadelo! Sá Pinto. Sá Pinto foi uma nulidade ontem à noite. Não jogou, nem deixou jogar. Com as subidas de Moutinho, nem ajudou este nem auxiliou Custódio. Como se não bastasse, um erro de principiante deu o golo à U.Leiria. Zero.
O capitão. João Paulo. No regresso a Alvalade, o capitão leiriense voltou a marcar como já tinha feito na época passada. Apesar de estar numa posição que não é a sua, subiu algumas vezes no terreno e ajudou Fábio Felício a criar desequilíbrios. Nos minutos finais, subiu ao meio campo e levou a equipa às costas.
O ás. João Moutinho. O médio leonino afastou as críticas com uma bela exibição, de longe a melhor da sua equipa. Pode ter sido coincidência, mas o facto de ter jogado mais perto da área permitiu que Moutinho tivesse um melhor controlo do jogo. Faltou um golo, apesar dos inúmeros remates que fez durante a partida. Nesse aspecto, Fernando levou a melhor.
Ficha do jogoEstádio de Alvalade
Árbitro: Augusto Duarte
Assistentes: José Ramalho e António Neiva
4º Árbitro: João CapelaSporting: Ricardo, Rogério, Beto, Polga, Tello, Custódio, Sá Pinto (João Alves 72’), Moutinho, Douala (Miguel Garcia 88’), Nani (Carlos Martins 63’), Liedson.
Treinador: Paulo Bento
Suplentes não utilizados: Tiago, Pinilla, Wender e André MarquesU. Leiria: Fernando, Éder, Gabriel, Renato (Alhandra 78’), João Paulo, Paulo Gomes, Harison, Maciel, Lourenço, Fábio Felício (Paulo César 80’), Lourenço (Miramontes 69’), Ferreira.
Treinador: Jorge Jesus
Suplentes não utilizados: Quievreuex, Laranjeiro, Cadu Silva e Kata.Cartões Amarelos: Sá Pinto 24’; Fábio Felício 30’, Harison 65’
Golos:
1-0 por Beto aos 9’
2-0 por Rogério aos 44’
2-1 por João Paulo aos 54’
Publicado por Rui Melo às 10:44
Comentários
Peço desculpa, mas como é que o Leiria jogou? É que só falas do Sporting com excepção das "Tacticas". De resto fiquei a saber que o Leiria marcou um golo anulado e que reduziu ao principio da 2ª parte. Foi só isto que o Leiria fez?
#1 | Comentado por: Ricardo Wiggy Gomes | 5 de novembro de 2005 às 12:18
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