« Académica 1 - 0 Vitória de Guimarães | Entrada | Infinitos macacos »

terça-feira, 8 novembro 2005

Premier League: 12ª Jornada

Categoria: 05/06 Premier League

Manchester United - Chelsea: boa disposição de Brito e Mourinho antes do jogo

José Mourinho, que completava o jogo 50 como técnico do Chelsea na Premier League, e Baltemar Brito evidenciavam boa disposição antes do 'clássico' diante do Manchester United, mas foi Alex Ferguson o último a rir-se, fruto da vitória por 1-0, com golo de Darren Fletcher, que não só quebrou uma série de 40 jogos sem perder do Chelsea, como também conduziu os 'blues' à segunda derrota consecutiva em cinco dias, depois do desaire em Sevilha, diante do Bétis, para a Liga dos Campeões. Contudo, o Chelsea permanece sólido na liderança, perseguido pelo imparável Wigan, que voltou a vencer, desta feita na deslocação ao terreno do Portsmouth. Também o Bolton, futuro adversário do Vitória de Guimarães na Taça UEFA, confirmou o bom momento, isolando-se no terceiro lugar, agora perseguido pelo Manchester United e Arsenal, que venceu tranquilamente o 'lanterna-vermelha' Sunderland. A jornada 12 confirmou também a subida de forma de Newcastle e Everton, que já abandonou a zona de descida, assim como marcou o regresso aos triunfos de Fulham, com Luis Boa Morte em destaque, e do Liverpool, que agudizou a crise do Aston Villa de David O'Leary.


Manchester United 1 - 0 Chelsea

Manchester United - Chelsea: Golo de Fletcher pôs fim à série de 40  jogos sem perder do Chelsea

Quarenta jogos depois, a derrota. Com um certo sabor a injustiça é certo, e para isso basta olhar as estatísticas e verificar que o Chelsea, em 26 ocasiões, tentou bater Van der Sar, mas também não deixa de ser verdade que só três bolas levaram a direcção correcta, e aí o guardião holandês não vacilou. Ao invés, o Manchester United rematou pouco - 9 remates - e só por uma vez com a direcção da baliza. Foi o golo de Fletcher, no dia em que realizava o seu 50º jogo na Premier League, um dos visados das declarações polémicas de Roy Keane durante a semana passada, num golpe de cabeça, a concluir excelente trabalho de Cristiano Ronaldo sobre Paulo Ferreira à esquerda, num lance em que a defesa do Chelsea, mas sobretudo Cech, ficaram mal na fotografia.

O Manchester United, de Alex Ferguson, começou por apresentar-se em 4x3x3, ainda que desdobrável em 4x4x2, devido aos desdobramentos ofensivos de Rooney da direita para o meio, esquema em que havia de se fixar a meio da primeira parte, com Cristiano Ronaldo, que começou à esquerda, a passar a variar de flancos. Edwin Van der Sar foi o guarda-redes, protagonista de uma actuação bastante segura ; a defesa de quatro, bem mais consistente do que num passado recente, contou com Wes Brown - apenas o segundo jogo na temporada - e John O'Shea nas laterais, onde levaram a melhor sobre os alas do Chelsea, e com Rio Ferdinand e Mikael Silvestre ao meio, com o primeiro a exibir-se a um nível superior ao dos colegas de sector, numa exibição de qualidade e muita raça, espicaçada pelas declarações de Keane. Ao meio, Alan Smith actuou mais fixo, na sua melhor exibição como médio centro, apoiado por Darren Fletcher, que, na mudança para 4x4x2, acabou por abrir mais vezes à direita, e por Paul Scholes, estranhamente o mais apagado dos médios. Na frente, Cristiano Ronaldo, ainda que intermitente, criou inúmeros desequilibrios nas alas, com Wayne Rooney a revelar-se mais expedito que Ruud van Nistelrooy, que raramente se conseguiu libertar da marcação de Terry e Gallas.

O Chelsea, de José Mourinho, partia habitualmente de um 4x5x1 defensivo, que se transformava num 4x3x3 ofensivo, desdobrável em 4x1x2x2x1. Petr Cech foi o guarda-redes, numa tarde ingrata, já que não teve muito trabalho e acabou por ter culpas no golo ; a defesa de quatro foi formada por Paulo Ferreira e Asier del Horno, que sentiram algumas dificuldades em termos defensivos, com o português nem sempre a entender-se com a capacidade de drible de Cristiano Ronaldo, enquanto que o espanhol, mais uma vez, revelou algumas dificuldades a defender em posições interiores, mas foi importante nos desdobramentos ofensivos pelo seu flanco. No centro da defesa, John Terry e William Gallas formaram uma dupla consistente, com Ricardo Carvalho a regressar ao banco dos suplentes, de onde não saiu. A meio campo, Claude Makelele, com exibição consistente, foi a unidade mais recuada, com Michael Essien e Frank Lampard a assumirem o papel de interiores ofensivos. O médio ganês, algo escondido do jogo, realizou uma exibição fraca, não surpreendendo a sua substituição por Eidur Gudjohnsen, enquanto que o internacional inglês, depois de uma primeira parte algo apagada, cresceu de produção no segundo tempo, exibindo-se a bom nível. Na frente, Joe Cole e Damien Duff criaram poucos desequilibrios pelas alas, enquanto que Didier Drogba, mais fixo, apesar de muito bem marcado, deu bastante trabalho aos centrais adversários, e esteve muito perto de conseguir o empate.

Os primeiros minutos da partida mostraram um Manchester United de raça, mas a frieza do Chelsea acabou por vir ao de cima, com Drogba a colocar à prova a atenção de Van der Sar, a que se seguiram duas conclusões ao lado de Del Horno, após livre de Duff, e de Essien, de cabeça, também após assistência do irlandês. Foi aí que Ferguson decidiu e bem fixar-se num 4x4x2, que acabaria por revelar-se decisivo na chegada à vantagem ao minuto 31: jogada iniciada e concluida por Fletcher, depois de Rooney ter encontrado Cristiano Ronaldo à esquerda, onde bateu Paulo Ferreira, e centrou com perfeição ao segundo poste, onde o médio escocês se revelou mais expedito que Asier del Horno, aproveitando uma saída pouco decidida de Cech. O Chelsea, como lhe competia, procurou reagir, mas com Joe Cole e Damien Duff com dificuldades em criarem desequilibrios em bola corrida, e Essien e Lampard algo alheados do jogo, sentiu dificuldades em impor o seu jogo. Mesmo assim, ainda antes do intervalo, Drogba e Lampard, de livre, estiveram perto de alcançar a igualdade.

Em desvantagem ao intervalo pela quarta vez em doze jogos da Premier League 2005/06, restava saber se o Chelsea seria capaz de conseguir a reviravolta, como aconteceu diante do Aston Villa e do Bolton, ou de chegar ao empate, à semelhança da deslocação a Liverpool, para defrontar o Everton há duas semanas. Não foi capaz, mas bem o procurou: Lampard cresceu e o Chelsea também. Mourinho não tardou em lançar Eidur Gudjohnsen, que entrou bem, no lugar do amorfo Essien, mas terá demorado em demasia a fazer entrar Shaun Wright-Phillips - em melhor forma do que Joe Cole - e Carlton Cole, apostas (apenas) para o último quarto de hora. Se Lampard, logo nos primeiros minutos da etapa complementar, tentou por duas vezes surpreender Van der Sar, Ruud van Nistelrooy desperdiçou uma excelente oportunidade para fazer o 2-0, ao não aproveitar um excelente passe de Fletcher. Contudo, o sinal mais pertencia ao Chelsea, muito pressionante, quase que a asfixiar o Man United em busca do empate, mas apesar das inúmeras tentativas, os remates raramente levavam a melhor direcção. A excepção foi uma finalização de Lampard, que obrigou Van der Sar a uma excelente intervenção. Já depois de Drogba, com um remate ao lado, ter estado perto do empate, e quando Mourinho já tinha abdicado de Del Horno para fazer entrar Carlton Cole, o Man United, que abdicara de Ruud van Nistelrooy para lançar Park Ji-sung, passou a explorar melhor o contra-ataque, tirando partido da velocidade e mobilidade do novo tridente ofensivo, com o internacional coreano e Rooney a desperdiçarem boas oportunidades para sentenciar a partida.


Aston Villa 0 - 2 Liverpool

Aston Villa - Liverpool: vitória dos 'reds' ao cair do pano

Vitória importante do Liverpool, com golos de Gerrard, através de uma grande penalidade duvidosa, e Xabi Alonso, nos últimos cinco minutos da partida, num jogo de fraca qualidade, que parecia condenado ao empate, dada a fraca produtividade ofensiva de ambos os conjuntos, apesar do maior domínio do Liverpool, perante um Aston Villa encolhido, mesmo actuando em casa, onde apenas ganhou uma vez esta temporada.

O Aston Villa, do irlandês David O'Leary, que procurava a sua 30ª vitória como treinador do Aston Villa na Premier League (88º jogo), apresentou-se num esquema de 4x4x2, habitualmente desdobrável em 4x2x4, mas também com variante em 4x3x3. O internacional dinamarquês Thomas Sorensen era o guarda-redes ; o galês Mark Delaney e Gareth Barry actuavam sobre as laterais, com o primeiro a revelar maior vocação ofensiva, enquanto que o segundo esteve muito preso a acções ofensivas, funcionando, algumas vezes, como um terceiro central sobre a esquerda ; no eixo central da defesa o internacional sueco Olof Mellberg e Liam Ridgewell faziam dupla ; a meio-campo Gavin McCann e o norueguês Eirik Bakke faziam dupla de médios centro, com o último a actuar mais fixo, preso a acções de destruição de jogo, enquanto que McCann assumia maior preponderância na distribuição de jogo e incorporação das acções ofensivas ; nas alas actuavam Steven Davis e James Milner, que trocaram várias vezes de posição, ainda que Davis, em algumas situações, procurava posições mais centrais, enquanto que Milner, pouco inspirado, transformava-se quase sempre em extremo quando a equipa atacava ; na frente, Kevin Phillips e Milan Baros faziam dupla, alternando posições: um actuava mais fixo, entre os centrais, enquanto o outro procurava romper em diagonais ou surgir de trás para a frente.

O Liverpool, de Rafael Benitez, apresentou um esquema entre o 4x3x3 defensivo e o 4x4x2 ofensivo, com diversas variáveis. O espanhol Jose Reina foi o guarda-redes ; o internacional irlandês Steve Finnan e o internacional norueguês John Riise actuavam nas laterais, mas bastante presos a acções defensivas ; Jamie Carragher e Sami Hyypia formaram uma dupla de centrais muito coesa, não dando grandes espaços a Baros, Phillips e, mais tarde, a Angel ; o espanhol Xabi Alonso era o médio mais fixo a acções ofensivas, apoiado por Mohamed Sissoko, com mais liberdade para incorporar acções ofensivas, e Steven Gerrard, que, em acções ofensivas, abria, muitas vezes, à direita, transformando o esquema num 4x4x2 ; no ataque, Luis Garcia actuava fixo à esquerda ; Morientes funcionava como 2º avançado, com Cissé mais adiantado, ainda que, em várias situações, a partir da direita para o meio.

[+]

Desde Fevereiro de 1998 que o Liverpool não perde diante do Aston Villa. Nas últimas 8 temporadas, os 'reds' somaram o seu quinto triunfo em Villa Park.

Rafael Benitez mexeu bem na equipa. Começou por retirar um desinspirado Luis Garcia, que não desequilibriou ofensivamente e raramente acompanhou as subidas de Delaney, fazendo entrar o holandês Zenden ; depois abdicou de Morientes, também apagado, fazendo entrar o ponta de lança Peter Crouch, que passou a actuar mais fixo entre os centrais adversários, e acabou por ser decisivo, ao conquistar a grande penalidade ; pouco depois, e com Cissé aparentemente em quebra de produção e pouco inspirado na finalização, lançou Harry Kewell, que, no entanto, pouco acrescentou, provando porque é cada vez menos utilizado: segundo jogo da temporada.

[-]

O Aston Villa revelou-se uma equipa muito medrosa e preocupada, sobretudo, em conquistar um ponto. Demasiado dependente de um Milan Baros, com dificuldades físicas e muito marcado, contou ainda com Jason Milner e Kevin Phillips extremamente desinspirados e incapazes de criar desequilibrios, até pela extrema preocupação defensiva dos laterais do Liverpool. Apenas um remate na direcção da baliza em 90 minutos é muito pouco, mas ajuda a explicar o segundo jogo consecutivo em casa sem marcar golos.


Arsenal 3 - 1 Sunderland

Arsenal - Sunderland: Henry bisou

Vitória tranquila do Arsenal, que, logo aos 12 minutos, se adiantou no marcador por Robbie Van Persie, passando a gerir a vantagem. Percebeu-se, de imediato, que o ampliar do marcador seria apenas uma questão de tempo, tamanha a diferença de qualidade das duas equipas, e Henry, ainda antes do intervalo, conclui da melhor maneira uma excelente iniciativa de Lauren à direita. Na segunda parte, aproveitando a descontração do Arsenal, Stubbs ainda reduziu, no único remate de todo o jogo do Sunderland, mas Henry, pouco depois, estabeleceria o resultado final, apontando o seu 5º golo da temporada - foi utilizado em apenas 5 jogos - e o seu 28º bis na Premier League.

O Arsenal, de Arsene Wenger, apresentou-se em 4x4x2, normalmente desdobrável em 4x2x4, com variante em 4x3x3, dependente da acções de Reyes, Van Persie e Robert Pires. Jens Lehmann foi o guarda-redes, com uma linha defensiva de quatro unidades, formada por Kolo Touré e Sol Campbell ao centro, em tarde de pouco ou nenhum trabalho, e por Lauren e Gael Clichy nas laterais, com grande liberdade para incorporarem as acções ofensivas ; a meio campo, Francesc Fabregas e Gilberto Silva formavam a dupla central, com o médio brasileiro mais fixo, enquanto o espanhol tinha maior liberdade para atacar, assumindo o papel de médio centro ofensivo ; nas alas, Robert Pires actuava sobre a direita, mas com liberdade para derivar para posições mais centrais, que permitiam passar do 4x4x2 para 4x3x3, enquanto Jose Antonio Reyes actuava sobre a esquerda, mas não raras vezes, sobretudo quando Van Persie derivava para a direita, aparecia como 2º avançado, ao lado de Henry ; na frente, Van Persie, mais móvel, entre o centro e a direita, e Henry, mais fixo, faziam dupla.

O Sunderland, de Mick McCarthy, que somou a sua 18ª derrota, em 21 jogos como treinador da Premier League, começou por abordar o jogo num 5x3x2, que procurava desdobrar-se em 3x5x2, mas vendo-se a perder logo aos 12 minutos, passou a adoptar um 4x5x1 defensivo, que procurava transformar-se em 4x3x3, desdobrável em 4x1x2x2x1, sempre que a equipa partia para acções ofensivas, o que acontecia poucas vezes. Ben Alnwick, de apenas 18 anos, era o guarda-redes, em estreia absoluta na principal liga inglesa ; a defesa, bastante limitada e com imensas dificuldades em velocidade, era formada por quatro unidades com Nyron Nosworthy e Danny Collins nas laterais ; Alan Stubbs e Steve Caldwell no eixo central, com o primeiro, veterano escocês, de 34 anos, contratado ao Everton a exibir-se a um nível ligeiramente superior aos dos seus colegas, fazendo-se valer da sua experiência e bastante razoável sentido posicional ; à frente da defesa actuou Gary Breen, que começara a partida como líbero, e acabou por ser uma adaptação feliz, já que o irlandês, de 31 anos, deu maior equilibrio ao centro do terreno, onde Dean Whitehead e Carl Robinson exibiam-se a um nível medíocre, apesar de esforçados. Nas alas, Jon Stead, habitualmente avançado, foi adaptado à direita, onde não rendeu, nem defensiva, nem ofensivamente, enquanto que Daryl Murphy, que começara a partida numa posição mais central, fixou-se à esquerda, onde acabou por fechar mais o flanco, do que criar desequilibrios pelo menos. Na frente, Andy Gray, muito desamparado, era a unidade mais adiantada, ainda que, em algumas situações, tenha trocado de posição com Jon Stead.


Fulham 2 - 1 Manchester City

Fulham - Manchester City: Steed Malbranque bisou e foi decisivo no triunfo dos Cottagers

Vitória justa do Fulham, que assim consegue aumentar a distância pontual para a zona descida, perante um Manchester City 'europeu', em tarde bastante apagada. Luis Boa Morte e Steed Malbranque foram as figuras do jogo, cujo resultado ficou definido ainda na primeira parte, com o internacional português a assistir por duas vezes o médio ofensivo francês, que bisou pela 4ª vez na Premier League, no dia em que completou 150 jogos no principal campeonato inglês. No meio dos dois golos, o empate do Man City, por obra e graça do talentoso Lee Croft, uma grande dor de cabeça para o lateral dinamarquês Niclas Jensen. Na segunda parte, o City até entrou melhor e parecia poder chegar ao empate, mas acabou por ser o Fulham, sobretudo na última meia hora, a estar por cima, e a justificar um 3-1 que acabou por não acontecer.

O Fulham, do galês Chris Coleman, apresentou-se em 4x3x3, com várias permutações posicionais entre os elementos mais adiantados, de forma a baralhar o sistema de marcações do adversário. Tony Warner, o único jogador inglês utilizado pelos Cottagers, foi o guarda-redes, que acabou por ter uma tarde relativamente tranquila ; nas laterais actuaram o alemão Moritz Volz e o dinamarquês Niclas Jensen, este último obrigado a bastante trabalho dada a actuação inspirada do ala direito adversário Croft ; Alain Goma e Carlos Bocanegra formaram a dupla de centrais, que, ao contrário de outros jogos, revelou-se bastante eficaz, não concedendo espaços a Vassell. A meio-campo, o senegalês Papa Bouba Diop, a efectuar o seu 40º jogo na Premier League, foi a unidade mais recuada, particularmente atento às acções de Andy Cole, com o francês Steed Malbranque e o português Luis Boa Morte, as duas melhores unidades do Fulham, a assumirem o papel de criativos e de principais desequilibradores ; na frente, Collins John actuou preferencialmente na direita, mas apareceu pouco em jogo, ao invés de Tomasz Radzinski, que explorou a ala esquerda, e esteve bastante activo, ainda que pouco eficaz na altura do remate, com o internacional americano Brian McBride a actuar mais fixo na frente. Refira-se que as cinco unidades de ataque, trocavam, em várias situações, de posição, sendo normais as permutas entre Luis Boa Morte, Radzinski e Colins John, assim como o desdobramento ofensivo de Malbranque em segundo ponta de lança, aspecto decisivo para a construção do triunfo.

O Manchester City, de Stuart Pearce, apresentou-se com bastantes cautelas, tentando explorar o contra-ataque, partindo de um 4x4x1x1 defensivo para um 4x4x2 ofensivo, em que, pelo menos um dos alas, normalmente Croft, procurava abrir no flanco como se fosse um extremo. David James foi o guarda-redes, com uma actuação irregular: revelou-se extremamente importante para impedir o avolumar do resultado, mas também, sobretudo na primeira parte, cometeu erros inadmissiveis ; a defesa de quatro elementos, contou com o voluntarioso Danny Mills à direita e Stephen Jordan à esquerda, que realizou uma exibição bastante intermitente ; Richard Dunne e Sylvain Distin formaram a dupla de centrais, eficaz na marcação a McBride, mas dura de rins para os desdobramentos de Malbranque ; a meio-campo, Stephen Ireland e Joey Barton formaram a dupla central, numa tarde dificil, já que estavam em desvantagem numérica, nem sempre compensada por Andy Cole. O irlandês Ireland, de apenas 17 anos, completados no passado mês de Agosto, confirmou o porquê da aposta de Pearce: jogador adulto, com personalidade, eficaz a defender e com capacidade a construir jogo, evidenciando boa visão e qualidade no passe ; nas alas, o jovem Lee Croft, de apenas 20 anos, esteve extremamente activo à direita, aliando velocidade a uma capacidade técnica acima da média, enquanto que o holandês Kizito Musampa, mais comedido, actuou à esquerda, saindo, perto do intervalo, devido a lesão, sendo substituido pelo francês Antoine Sibierski, que também esteve longe do jogo ; na frente, Andy Cole, que jogou mais recuado, partindo de uma posição de 5º médio, em situação defensiva, para 2º avançado quando a equipa atacava, fez dupla com Darius Vassell, sempre bastante móvel, a tentar tirar partido da sua velocidade, sem grande eficácia, dada a actuação muito certinha dos centrais adversários.



JORNADA 12


[+]

. 6ª vitória consecutiva do Wigan Athletic na Premier League, que soma já o 9º jogo sem conhecer a derrota, a maior série de invencibilidade da Premier League após a derrota do Chelsea em Old Trafford. Desta feita vitória no terreno do Portsmouth, com o lateral-direito Pascal Chimbonda a voltar a revelar-se decisivo, já que abriu caminho o caminho para o triunfo, confirmado, mais tarde, por um golo de Jason Roberts. Em vésperas de recepção ao Arsenal, esta foi também a 4ª vitória consecutiva da equipa de Paul Jewell fora de casa, que cumpriu também o quarto jogo consecutivo sem sofrer golos, confirmando-se como a defesa menos batida da competição.

. Esta jornada marca também os terceiros triunfos consecutivos de Newcastle United e Bolton Wanderers. A formação de Graeme Souness derrotou o Birmingham com um golo do turco Emre, e juntou-se ao West Ham no 9º lugar, a apenas dois pontos de um lugar europeu, enquanto que o Bolton derrotou o Tottenham, isolando-se no 3º lugar, graças a mais um golo de Kevin Nolan, que já soma cinco na Premier League 2005/06. Refira-se que o futuro adversário do Vitória Guimarães na Taça UEFA, depois de goleado pelo Chelsea, cumpriu também o seu terceiro jogo consecutivo sem sofrer golos.

. Em crescendo está também o Everton, que, finalmente, deixou os lugares de descida. Há três jogos sem perder, os azuis de Liverpool somaram o segundo triunfo consecutivo, diante do Boro, graças a um golo de James Beattie, que somou o seu 2º golo da temporada, dos 4 (!) que o Everton apontou em 11 jogos. Nuno Valente não foi utilizado.

. Destaques também para o Arsenal, que somou o seu 12º triunfo consecutivo na condição de visitado, não perdendo pontos em casa desde que foi derrotado pelo Man United a 1 de Fevereiro de 2005, como também para o 3º triunfo consecutivo em casa do Blackburn Rovers, que despachou o Charlton por 4-1, e, claro está, para as vitórias do Manchester United diante do Chelsea, que permite ao clube de Alex Ferguson saltar para o 4º lugar, e do Liverpool em Villa Park, que, com dois jogos em atraso, continua na metade baixa da classificação.



[-]

. 5ª derrota consecutiva do Birmingham City, que somou o 8º jogo sem vencer e não marca qualquer golo há cinco partidas. Também o Sunderland, último classificado da Premier League, somou a sua 4ª derrota consecutiva e 5º jogo sem vencer. O West Bromwich completa o trio de equipas abaixo da linha de água, após a 8ª derrota, em 10 jogos. Derrotado, desta feita pelo West Ham, a formação de Bryan Robson somou a 3ª derrota consecutiva e já não vence fora de casa desde Abril de 2005.

. Também em crise está o Aston Villa. A formação de David O'Leary somou a terceira derrota consecutiva, somando também o terceiro desaire consecutivo no Villa Park, onde perdeu diante do Boro, Wigan e, agora, diante do Liverpool. Em 17º lugar na classificação, o Villa está apenas um ponto acima da linha de água.

. O Portsmouth voltou a perder em casa, desta feita diante do Wigan. É já o 7º jogo consecutivo sem vencer como visitado, sendo que o último triunfo caseiro da formação de Alain Perrin aconteceu já há mais de seis meses, quando, a 24 de Abril, recebeu e bateu o Southampton por 4-1.

. Terceira derrota consecutiva do Manchester City na condição de visitado. A formação de Stuart Pearce, após este desaire diante do Fulham, perdeu a posição europeia, confirmando quebra extramuros, depois de triunfos diante do Birmingham e Sunderland, na jornada 2 e 3 da Liga.



[curiosidades]

- 750ª vitória do Everton em jogos caseiros na principal liga do futebol inglês, onde cumpriu o 1427º jogo como visitado ;
- 50º jogo de José Mourinho como treinador do Chelsea na Premier League: 39 vitórias, 9 empates e 2 derrotas ;
- 300º de Dennis Bergkamp pelo Arsenal na Premier League ; 225º jogo de Sami Hyypiä pelo Liverpool ; 150º jogo de Steed Malbranque pelo Fulham ; 125º jogo de Ruud van Nistelrooy pelo Manchester United ; 100º jogo de George Boateng pelo Boro ; 75º jogo de Stylianos Giannakopoulos pelo Bolton Wanderers ; 50º jogo de Darren Fletcher pelo Manchester United ; 50º jogo de Jonathan Stead, actualmente no Sunderland, na Liga Inglesa ;
- Estreias do guarda-redes Ben Alwick, de 18 anos, e do lateral-esquerdo Danny Collins, ambos do Sunderland, na Premier League ;
- 1º golo de Lee Croft, do Manchester City, na Premier League.
- 7º jogo de 10, em que José Reina, guarda-redes do Liverpool, não sofre qualquer golo.



Resultados:

Bolton 1 - 0 Tottenham
Everton 1 - 0 Middlesbrough
Man Utd 1 - 0 Chelsea
Arsenal 3 - 1 Sunderland
Aston Villa 0 - 2 Liverpool
Blackburn 4 - 1 Charlton
Fulham 2 - 1 Man City
Newcastle 1 - 0 Birmingham
Portsmouth 0 - 2 Wigan
West Ham 1 - 0 West Brom



Classificação:

1. Chelsea, 31
2. Wigan, 25 (-1)
3. Bolton, 23
4. Man Utd, 21 (-1)
5. Arsenal, 20 (-1)
6. Tottenham, 20
7. Man City, 20
8. Charlton, 19 (-1)
9. West Ham, 18 (-1)
10. Newcastle, 18
11. Blackburn, 17
12. Liverpool, 16 (-2)
13. M'brough, 15
14. Fulham, 12
15. Portsmouth, 10
16. Everton, 10 (-1)
17. Aston Villa, 9
18. West Brom, 8
19. Birmingham, 6
20. Sunderland, 5



Melhores Marcadores:

Frank Lampard Chelsea 10
Ruud van Nistelrooy Manchester United 8
Darren Bent Charlton Athletic 7
Didier Drogba Chelsea 6
Yakubu Aiyegbeni Middlesbrough 6
Thierry Henry Arsenal 5
Kevin Nolan Bolton Wanderers 5
Andy Cole Manchester City 5

Publicado por rui malheiro às 14:45

Comentários

Comente

Obrigado por se registar, . Já pode comentar. (Sair)

(Se nunca comentou aqui o seu comentário pode ter de ser aprovado para publicação pelo editor do blogue. Terá de esperar por essa aprovação para que o seu comentário surja. Obrigado pela espera.)


Recordar-me?