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segunda-feira, 14 novembro 2005
O jornalismo (desportivo) objectivo, esse mito…
Categoria: Col: Rui Melo
Foi com agrado e interesse que vi o texto do meu colega Pedro Varela acerca do estudo referido no jornal “Público” e do estado do jornalismo em Portugal. Sinceramente, e tal como o Pedro, deixei de comprar jornais desportivos. A minha atitude não é nada comparada com os milhares de leitores de “A Bola”, “Record” e “O Jogo” que lêem diariamente estas publicações.
O jornalismo objectivo é um mito. Não existe. Em tempos, talvez tenha existido mas extinguiu-se. A entrada dos jornais em grandes grupos comunicacionais assim o ditou. Estes grupos mais não são do que empresas, todas elas cotadas em bolsa, cujo objectivo no final do ano é apenas um: lucro. Tal como todas as outras empresas, estas vendem algo que muitos pensam que não devia ser vendido: vendem notícias, informação.
Por melhor que um determinado jornal seja, se no final do ano o saldo não for positivo… o jornal fecha.
A publicidade é a grande fonte de rendimento das publicações, o dinheiro dos leitores mal chega para as despesas. Dou-vos um exemplo: o jornal “Expresso” publicou há meses um artigo sobre uma alegada relação entre o Banco Espírito Santo e o Partido Trabalhista brasileiro, no escândalo conhecido como “Mensalão”. A direcção do banco não gostou e decidiu retirar toda a publicidade das publicações do grupo Impresa, que detém, entre outros, o “Expresso”. Como se não bastasse, o director do semanário, José António Saraiva, foi afastado do cargo pela administração da Impresa. Oficialmente, ninguém assume que a razão do afastamento de Saraiva está relacionada com a notícia. Como consequência, o estado debilitado do grupo de Balsemão agudizou-se pois, ao contrário dos rivais Cofina e Media Capital, não existem receitas do BES.
Mas na minha opinião, se há imprensa que precisa e muito do dinheiro dos leitores para sobreviver, é a desportiva. Durante muito tempo, acalentei o sonho de um dia vir a ser jornalista desportivo. Não foi por acaso que entrei para Comunicação Social, curso que estou quase a terminar. Durante um estágio curricular, tive o privilégio de trabalhar na extinta revista Doze, onde além de ter feito muitos amigos, aprendi imenso. Porém, foi também neste período que me desiludi (até hoje) com a imprensa desportiva. Quando num país tão pequeno como o nosso, a maioria da população se divide em três clubes e metade da população num só clube, é impossível ter jornalismo objectivo e mesmo isento. Porquê? Por uma razão simples. Se os adeptos se incompatibilizarem com o jornal, são leitores que se perdem. Se perdem leitores, perdem-se receitas e as empresas investem menos. Não querendo entrar em clubismos (porque os abomino), a verdade é que a grande parte do jornalismo desportivo é baseada em agenda dos três grandes, principalmente do Benfica. E não é à toa que os novos penteados do Simão, o gosto do Mike Tyson pelo Benfica (porque é columbófilo e gosta de águias) e as fotos de Miccoli com dois anos, são publicados. Porquê? Porque vendem! O Sport Lisboa e Benfica é a maior instituição nacional e a mais poderosa do país. Nenhum jornal desportivo no seu perfeito juízo se atreveria a perder metade dos seus leitores, devido ao conteúdo das notícias. Um dia, um jornalista de um diário desportivo deu-me um conselho para toda a vida: “Esquece o Sporting, o FC Porto ou outro qualquer. Escreve sobre o Benfica se queres que o teu nome apareça no jornal”. Esta frase nunca me saiu da cabeça.
Por estas razões e muitas outras, deixei de comprar jornais desportivos, pois os conteúdos destes são fracos, uniformes e desavergonhados. Felizmente, e com o advento da Internet e dos blogues, o jornalismo desportivo preconizado pelos puristas da objectividade pode ser feito. Muitas das vezes, os blogues são administrados pelos próprios jornalistas que, numa espécie de movimento “underground”, fazem aquilo que não podem no seu dia-a-dia. Neste aspecto, projectos como o Terceiro Anel e muitos outros são bem vindos pois, acima de tudo, são alternativos e não atiram areia para os olhos de ninguém.
È de congratular que estes meios alternativos existam e que se esforcem por tratar o desporto como deve ser feito. Mas, acima de tudo, é ainda mais de congratular que estejamos a ter esta discussão. Folgo em saber que não somos todos “cordeirinhos de um imenso rebanho”.
Publicado por Rui Melo às 22:50
Comentários
Excelente texto, Rui, mas se calhar era melhor não teres feito essas referências ao Benfica. Agora, 90% dos comentários ao teu post vão ser sobre "anti-benfiquismo", "azia" e outras palhaçadas do género. Enfim...
#1 | Comentado por: Pedro Nery | 24 de maio de 2009 às 20:08
O Benfica e os benfiquistas não têm culpa nenhuma, como é óbvio, mas lembro-me de títulos como 'Relva da Luz verdinha como alface', de uma capa que remetia para uma reportagem de piquenique (?) do Camacho, do 'Chamem-lhe Manuelélé!'...
Além disso, temos jornalistas a escrever como adeptos... sem isenção nenhuma. Enquanto aqui, nos posts do TA, muitas vezes, temos adeptos a escrever como jornalistas.
#2 | Comentado por: Pedro Santo | 24 de maio de 2009 às 20:08
Pois é, ò Pedro Santo, não tenho culpa que Sportinguistas e Portistas e restantes leiam ou comprem "A Bola", que é desse que tás a falar!
Nós não temos culpa das decisões dos Directores, Redactores etc etc etc, eles fazem o jornal deles como querem, e se se tivessem a dar mal com isso certamente já tinham alterado a forma e conteúdo do mesmo, mas como pelos vistos isso não acontece, só lê e compra quem quer!
Bem, mas isto a propósito do título do Record de 6ª ou sábado passado, que vinha a dizer qualquer coisa como isto (não se riam que é verdade!!): "ELES MARCAM QUE SE FARTAM"!!!!! Bem, qualquer pessoa pensava tratar-se, sei lá, dos atacantes do Corinthian´s ou qualquer coisa assim, mas não pá, o Record (e o fantástico jornalista em questão) tavam a refirer-se a, nem mais nem menos......ao Pilinha, ao Deivid e ao Silva!!! Ena pá, diz-me lá agora, ò Pedro Santo, o que é mais cómico: se chamarem Manelelé ao Manuel Fernandes ou dizerem que esses três estarolas da tua equipa marcam que se fartam?? Eu repito, MARCAM QUE SE FARTAM?????
Bom, aguardo resposta!!!!
Abraço!
#3 | Comentado por: SEMPRE PRESENTES | 24 de maio de 2009 às 20:08
Bom texto Rui.
#4 | Comentado por: Pedro Varela | 24 de maio de 2009 às 20:08
Bom texto, sim senhor. E estou de acordo com quase tudo. Permite-me apenas dizer que o o jornalismo objectivo nunca existiu. Mesmo em tempos onde a vertente comercial não era tão importante ou visível. O que o jornalista deve procurar sempre é apresentar todas as versões dos factos. Mas a objectividade é impossível a partir do momento em que a nossa mente já se apresenta condicionada por questões pessoais ou acontecimentos anteriores. O jornalista até pode estar a tentar ser o mais neutral possível, na sua perspectiva, mas a própria forma como organiza o corpo da notícia e hierarquiza os diversos factos impede a sua total objectividade.
#5 | Comentado por: Quetzal Guzman | 24 de maio de 2009 às 20:08
Gostei muito do comentário, Rui. Muito lúcido e objectivo. Depois, sou assumidamente benfiquista e não fiquei com azia, Pedro Nery.
Quanto à matéria de facto, tenho dúvidas quanto ao cerne do problema. É óbvio que o jornalismo desportivo deixou de ser objectivo e independente. No entanto, a meu ver, o clubismo do público não é o responsável pela falência dos projectos de revistas como a Foot, a Mundial ou a Doze. Sou editor de revistas e tenho uma opinião muito própria acerca disto. Se olharmos para Espanha, verificamos que os jornais desportivos ainda são muito mais parciais do que aqui. A Marca é assumidamente madridista e os diários desportivos de Barcelona mais parecem jornais de clube do que jornais desportivos independentes. E, no entanto, as revistas de futebol proliferam e têm sucesso. Em Espanha e noutros países europeus. Qual o problema com Portugal, então? Penso que é complexo mas uma das razões tem necessariamente que ver com a qualidade dos projectos. A revista Dez do Record, que sai ao Sábado, parece-me ter muita qualidade para se começar a impôr por si própria e penso que será esse o objectivo final. É que a Dez tem mesmo muito pouco de Record. Uma revista semanal ou mensal tem que ter muita opinião e debate de qualidade. E a Doze, cujos primeiros números cheguei a comprar, não entrava suficientemente por aí. Mas há outras razões, como é evidente. O assunto merece análise e debate.
Ainda tenho o sonho de lançar, um dia, uma revista desportiva. Podia chamar-se terceiro anel. E há aqui muita gente com qualidade para escrever. Quem sabe este post não seja a semente de um novo projecto na imprensa portuguesa? Aguardo sugestões.
#6 | Comentado por: Miguel J. Lopes | 24 de maio de 2009 às 20:08
Excelente post..de facto o jornalismo em Portugal é decadente e apenas serve interesses monetários, é um ciclo vicioso que não vejo como se pode romper.
Felizmente a blogosfera surgiu para subsituir essa podridão, e blogues como o Terceiro Anel são o melhor exemplo do que deviam ser os jornais desportivos em Portugal.
Não sei até que ponto o Terceiro Anel conseguiria manter a mesma qualidade elevada se por acaso se tornasse num jornal desportivo com necessidades financeiras para sobreviver, mas uma coisa sei: o Terceiro Anel mostrou a todos os que o visitaram, o exemplo da qualidade que todos no fundo desejam ao consultarem jornais desportivos.
#7 | Comentado por: Telmo | 24 de maio de 2009 às 20:08
Só para o caso de quererem saber mais informações e acções de formação. Eu já estive em algumas, são boas e objectivas. Aprende-se ...o que se estiver disposto a aprender.
Play the Game
c/o Danish School of Journalism
Olof Palmes Allé 11, DK-8200 Aarhus N
tel: +45 70 27 55 77
www.playthegame.org
kirsten@playthegame.org
#8 | Comentado por: Rui | 24 de maio de 2009 às 20:08
ide à merd....
isto aqui é um refugo de benfiquistas do passado. sois bem mais pequenos q a realidade. quando a imprensa vos tratar em igualdade, e o sistma deixar de vos beneficiar, sereis o sois : um clube falido, que se julga grande. sois grandes, mas geridos por dirigentes que são umas grandes merd..... os adeptos ainda são piores papagaios
#9 | Comentado por: david ferreira | 24 de maio de 2009 às 20:08
"A revista Dez do Record, que sai ao Sábado, parece-me ter muita qualidade para se começar a impôr por si própria e penso que será esse o objectivo final. É que a Dez tem mesmo muito pouco de Record."
A Dez é grande e é a única publicação desportiva que leio. Incontáveis furos acima de qualquer coisa que se possa ler num dos jornais diários.
#10 | Comentado por: LuÃsGomes | 24 de maio de 2009 às 20:08
"ide à merd....
isto aqui é um refugo de benfiquistas do passado. sois bem mais pequenos q a realidade. quando a imprensa vos tratar em igualdade, e o sistma deixar de vos beneficiar, sereis o sois : um clube falido, que se julga grande. sois grandes, mas geridos por dirigentes que são umas grandes merd..... os adeptos ainda são piores papagaios"
O que é isto?
#11 | Comentado por: Pedro Neto | 24 de maio de 2009 às 20:08
SEMPRE PRESENTES,
Por acaso nem sei se todos os exemplos que dei eram d'A Bola, que, por acaso, até, quando compro jornais desportivas, o meu eleito. Acho que, apesar de tudo, é bem menos 'benfiquista', digamos assim, que o Record (já sei que a opinião não é consensual).
E, claro, também há 'belas' capas do Record. Tu destacas o 'Eles marcam que se fartam' (que, realmente, podia ser sobre o Corinthians, uma vez que estamos no Brasil), eu destaco o 'Até o Chelsea o queira - Kalou vai crescer no Benfica'.
É claro que o Benfica e os benfiquistas não têm culpa, e também é claro que este género de manchetes não se limita a usar o nome do Benfica, mas a maior parte é assim. Seja como for, já seria de esperar que alguns benfiquistas de sentissem ofendidos.
#12 | Comentado por: Pedro Santo | 24 de maio de 2009 às 20:08
Os blogs têm sem dúvida algumas mais-valias que fazem toda a diferença relativamente aos jornais desportivos. Aliás, uma coisa engraçada nesta conversa é que quase toda a gente, a quem me junto, diz que deixou de comprar jornais desportivos. E estamos a falar de pessoal que todos os dias vem aqui mandar umas abébias sobre futebol, que segue o fenómeno e se interessa por ele. Além de não ter de dar lucro e de ser feitos por quem anda nisto por gozo, quem aqui escreve (a postar ou só a comentar) não quer fazer de conta que é isento nem objectivo - coisa que quase ninguém que se interesse por futebol consegue ser. E das diferentes opiniões e bitaites que vão sendo mandados, quase todas a puxar a brasa a alguma sardinha apercebemo-nos das diferentes formas de olhar para a mesma coisa, vemos que aquilo que (no meu caso) parecia só azul tem outras tonalidades, e se olhado de outra forma até pode parecer verde ou roxo.
A propósito da falência dos projectos editoriais de qualidade em Portugal, por muito que me custe dizê-lo acho que em grande parte isso se deve ao fraquíssimo nível intelectual do tuga médio. Sem querer parecer pedante, olhando para o panorama geral tenho a impressão que a imprensa desportiva é uma amplificação dos defeitos da nosa imprensa em geral. Por exemplo, não há em Portugal publicações de jeito sobre música. Mais, a melhor (na minha singela opinião e de quem tenha gostos musicais semelhantes aos meus) até é, e de longe, uma revista gratuita distribuída em algumas discotecas, chamada Mondo Bizarre - feita, com os blogs, por quem gosta do que faz e sem ter qualquer pressão de ter que agradar para vender.
Há muitos anos, mais ou menos entre os 14 e os 18, eu comprava todos os meses a Onze (e depois a Mondial). Há pouco estive em casa dos meus pais a folhear alguns exemplares (ainda tenho todos guardados), e a constatar a diferença impressionante de qualidade entre essas revistas e qualquer uma que alguma vez se tenha feito cá - e estamos a falar de uma época em que o futebol era um negócio bem mais pequeno, e de um país que nem de longe está entre os mais aficcionados. O cuidado não só com o grafismo, mas com os textos, os conteúdos, a diversidade das ligas e clubes objecto de reportagem, etc. etc., nunca se viu por cá. Será por acaso que vem do mesmo país que a Premiére (a original, não a americana), o Les inrockuptibles, o Monde diplomatique, etc.? Ou será que vem de lá porque tem um mercado em que pode ser viável? A questão parece-me tão simples como isto: cada povo tem a imprensa que está preparado para ler, porque só essa é rentável.
Mas dito isto, acredito em projectos bem sucedidos a uma escala mais reduzida. O 3A é o que é porque a grande maioria das pessoas que o lê e que colabora, pesem embora grandes divergências e alguns momentos de conflito aberto, está interessado em discutir futebol e o que o rodeia, não quer saber do penteado do Simão, do divórcio do Baía ou do carro novo do Sá Pinto, sabe bem distinguir o trigo do joio. Acho, sinceramente, que uma publicação "séria" sobre futebol poderia encontrar um nicho de mercado que hoje em dia não lê nada sobre futebol porque não tem nada interessante que ler.
#13 | Comentado por: joethelion1970 | 24 de maio de 2009 às 20:08
Muito interessante esse texto Rui Melo, já era tempo de alguem falar sobre este assunto com que somos confrontados todos os dias quando lemos os jornais desportivos! Eu concordo que se começe a ler os blogs na net que tem artigos muito porreiros, bem escritos e muitas vezes menos facciosos que os jornais desportivos! Mas é logico que todos nos lemos todos os dias os jornais, pelo menos eu leio sempre na net.
Gostava so de acrescentar uma coisa interessante, o jornal "O Jogo" faz uma capa para o norte e outra para o sul do país.. As noticias sao as mesmas so que no norte aparece quase sempre a capa com o FCPorto em destaque e no sul com o Benfica em destaque.
No jornal "A Bola" eu passo num quisque ou num cafe que tenha jornais afixados e tento ler as noticias do meu clube mas ou nem têm direito a aparecer na 1ª página ou estão escondidas num cantinho!
Enfim os jornais desportivos criam rumores que suscitam o interesse de todos e por isso são tão vendidos e as discussoes todos os dias nos cafes sao tao acesas!
#14 | Comentado por: berna | 24 de maio de 2009 às 20:08
pedro santo,
eis aqui um benfiquista que nao se sente, de todo, ofendido com o post. (excelente post!, a propósito...)
o meu jornal de eleiçao sempre foi a bola. comecei por ler varios, mas sempre preferi a bola, já nos tempos em que tinha um tamanho enorme!, pelo seu layout, pura e simplesmente. acho que as coisas no record nao estão tão bem dispostas, mais confusas. acho a bola mais apelativa. às tantas se calhar agora é mais hábito que outra coisa...
já li o que considerei aberrações e injustiças contra o benfica (em relaçao a alguns jogadores na selecçao tb), mas tb já li muitas em sentido contrario.
uma capa de que me recordo foi quando o boavista ou o fcp chegaram às meias-finais da taça uefa, e a capa da bola era 80% constituida por uma entrevista qq q um jogador do benfica tinha dado ao jornal(o helder, acho).
e há muitos exemplo assim. nao sobre o conteudo do que é escrito no interior (que varia entre o isento e o parcial - em ambos os sentidos), mas a capa muitas vezes dá excessivo relevo ao benfica, relativamente à noticia que é. mas se virmos o mercado portugues até faz sentido. e nao estou a dizer que deveria ser assim...
#15 | Comentado por: ana oliveira | 24 de maio de 2009 às 20:08
Nas minhas discussões com sportinguistas e portistas, é muitas vezes usado por estes como "arma de arremesso" a desigualdade de tratamento da Com. Social, em favor do Benfica,
Além de concordar com o obvio (o benfica é tratado de maneira diferente) costumo só argumentar com 2 questões, que deixo á consideração:
.Esse excesso de mediatismo é bom para o Benfica?
.Porque é que os sportuinguistas e portistas não se indignam com o tratamento previligiado que têm em relação a todos os outros?
#16 | Comentado por: tarife | 24 de maio de 2009 às 20:08
Muito oportuno o teor desta crónica!
No meu caso pessoal, cada vez leio menos jornais desportivos, essencialmente, por duas razões:
- fraca qualidade do conteúdo e aversão ao estilo "copy paste" de notícias soltas, não existindo temas desenvolvidos de forma profunda;
- facilidade de leitura/pesquisa do meu interesse na internet.
Actualmente, compro o Record ao sábado por causa do revista Dez, tão elogiada por outros comentadores. Também não resisto a comprar um qualquer jornal desportivo depois de um jogo importante da minha equipa.
Porém, com a internet à distância de um clique, posso ler as principais notícias no online desses jornais, apesar de, cada vez mais, visitar o Terceiro Anel e/ou o MaisFutebol, entre outros.
Penso que foi o meu desagrado que me levou a criar um blog. Coincidência das coincidências, faz hoje, exactamente, um ano que meti o primeiro post no meu blog catennacio. Sempre gostei daqueles artigos de fundo sobre equipas/treinadores/jogadores, onde os aspectos tácticos fossem a temática dominante.
Tal como eu, muitos outros contribuem, na blogosfera, com artigos/crónicas bem relevantes e cheias de sentido crítico. Essa troca de pensamento(s) e opiniões, são o ponto forte deste mundo e existe muita qualidade que podia servir de exemplo ao jornalismo excessivamente comercial e mediático que se pratica, aqui e acolá.
Penso que no futuro, tudo irá seguir a ordem natural das coisas e só os mais fortes (ou melhores) poderão sobreviver. E quem fala de jornalismo desportivo vs blogs, também pode acrescentar outros domínios, como sociedade, actualidade e política, por exemplo. Concordo que a carteira profissional de jornalista deve ser valorizada, mas os blogs vão ganhando cada vez mais espaço e importância junto dos leitores.
#17 | Comentado por: Ricardo Cunha | 24 de maio de 2009 às 20:08
Fico muito contente por referirem a revista DEZ porque estive envolvido com a comunicação do projecto e na minha área de trabalho que é a publicidade, nada me dá mais prazer do que vender um projecto que é mesmo bom - esta revista é, felizmente. Com o seu jornal-pai o caso muda de figura, a orientação benfiquista das suas manchetes fez o Record passar a Bola várias vezes no ranking do diário desportivo mais lido do País. As vendas aumentaram significativamente desde que perderam o epíteto de jornal "sporting friendly" de há uns bons anos para cá. E foram manchetes sobre o Benfica, como por exemplo, quando o Porto ganhou a Taça Intercontinental, que me fizeram saltar a tampa, a par de lances polémicos beneficiando o Porto que eram e ainda são referenciados em títulos na capa, o que já não acontece com o Benfica para não ferir susceptibilidades à grande maioria dos seus compradores. Para não falar da tantas vezes mencionada Liga da Verdade com a sua contabilidade muito duvidosa.
Quanto à Bola, é uma publicação coerente desde a sua raíz - é benfiquista até ao tutano, mas tem um ponto a favor - gosta e sempre gostou muito de futebol jogado em detrimento dos extras (se calhar agora menos).
O jornal O Jogo, por interesses económicos foi-se direccionando para o adepto portista, ganhou essa conotação e conquistou o seu nicho de mercado. Com a ajuda de uma segunda edição - capa de Lisboa, suavizou o azul e branco das manchetes até que curiosamente, na minha opinião, o seu portismo editorial está num processo total de suavização, como acontece com a escolha dos árbitros para o seu Tribunal do Jogo, com um critério "sales friendly" como aconteceu com os comentários ao jogo Benfica-Rio Ave. Se fosse um diário portista tinha falado dos casos do jogo de outra forma, menos censurada por motivos comerciais.
Resumindo, não os compro (excepto o Record ao sábado por causa da Dez), só consulto os seus sites para saber o que se passa e mesmo assim cada vez menos (talvez só à segunda-feira) e presto a minha homenagem ao blog Terceiro Anel e seus comentadores, há por aqui muita paixão clubística mas também muita qualidade e gosto pelo desporto da escrita.
#18 | Comentado por: Nuno Leal | 24 de maio de 2009 às 20:08
Excelente post, e bons comentários.
No meu caso limito-me a comprar o record ao sábado por causa da revista. Recuso-me a comprar a Bola( que é um jornal tão manifestamente tendêncioso que se tornou ilegível), e o jogo parece-me ainda assim o mais isento dos três- facto que dá que pensar sabendo quem é o seu dono...
De um modo geral a qualidade do jornalismo português é pobre, e os jonais estão sujeitos a lobiies obscuros. O jornalismo desportivo é apenas um pouco mais acéfalo e sinistro.
Um belo exemplo disto está no chamado caso Baía: Porque será que nenhum jornal desportivo investigou as razões pelas quais Baía não é convocado? Não sabem ou não querem informar?
Outro exemplo é o caso apito dourado. Nenhum jornal desportivo investigou a fundo o assunto- sendo os jornais generalistas a tratá-lo a fundo. Pior: Já há muito tempo que se falava na questão da arbitragem em Portugal, e nunca um jornal desportivo se dedicou a investigar tal assunto.
Estes dois exemplos parecem-me elucidativos do respeito que, enquanto cidadão, devo aos jornais desportivos- isto é, nenhum. Pergunto eu: para que servem os jornais desportivos? Para nada senão para desinformar o adepto. A prosa dos ditos é geralmente lixo, dedicam-se constantemente à especulação( se nos fiassemos na Bola o Benfica tinha 40 jogadores novos maravilhosos todos os anos!!!), e são o veículo de poderes ocultos. Desde que tenhamos a alternativa da net e dos blogs, acreditem que estamos dez vezes mais informados, e menos estupidificados.
Um abraço
#19 | Comentado por: pedro pita | 24 de maio de 2009 às 20:08
sem duvida que o jornalismo desportivo esta mal e vai a pior.
Primeiro basta ouvir alguns comentadores durante as transmissão desportivas. Que mostra um total insenção ou não, o caso mais significante é quando jogo o Chelsea, será que é a nova selecção nacional??.
Os jornais disses-te muito bem o Benfica é uqe vende, se vi-mos quantas suspostas contratações viram do sporting e do porto, e que viram do Benfica ??
A revista Dez, é sem duvida a melhor edição desportiva portuguesa, mas tem um ponto importante, tem os comentarios do Mourinho que muita gente compra por isso se não aconteceria como a Doze, Mundial.
#20 | Comentado por: Andre Marques | 24 de maio de 2009 às 20:08
EXcelente post.
O jornalismo desportivo não é isento. Abola e o record são o expoente maximo dessa falta de isenção, não só nas capas mas também nos textos interiores. Com o risco de parecer tendencioso creio que ojogo é dos 3 o mais correcto!A sua conotação com o FCP esbateu-se e apresenta um conjunto de artigos e comentadores equilibrado.
Abola tem dias... sinceramente n~~ao percebo como o Vitor Serpa autoriza capas como a do manuelele ou do micoli de fraldas ( se bem que o titulo "parabens rui" depos da derrota do porto na supertaça europeia foi a que maisme mexeu com os nervos).
Quanto ao record creio, sem demagogias,que se trata de um pasquim anti portista. As capas do record em vesperas de finais europeias do fcp são no minimo ignóbeis. Aliás parte do pseudo jornalistas e directores do record transitaram para o inifavel correio da manha que manté a mesma linha editorial manhosa a armar ao news of the world. recuso-me a comprar o Record!
um ultimo esclarecimento
ABOLA por vezes (muitas) usa a táctica dojogo alterando a 1ª página na zona norte realçando o FCP...é o que vende.
#21 | Comentado por: Andre Nascimento | 24 de maio de 2009 às 20:08
É verdade o que dizes, André. Apesar da fama de "órgão oficial do FCP" que o Jogo tem, parece-me de longe o menos tendencioso dos 3. Aliás, tem diariamente um mini-editorial dedicado a cada um dos 3 grandes, cada um assinado por jornalistas que são claramente e assumidamente tendenciosos. O que faz a Bola com o MST, a Pinhão e o Daniel Reis, mas todos os dias em vez de apenas semanalmente.
Infelizmente, isso não é sinónimo de qualidade, e o Jogo enquanto jornal é fraquíssimo... Quando vou de férias (a única altura do ano em que compro imprensa desportiva) acabo sempre por comprá-lo apenas por exclusão de partes: o Record é inclassificável no que destila de anti-portismo; em relação à Bola, sendo de todos o mais interessante e mais bem escrito (basta dizer que é lá que sai o Planeta Futebol do Luís Freitas Lobo, que é provavelmente o que de melhor se faz em Portugal), fiz uma jura solene de nunca mais a comprar precisamente no dia em que saiu essa 1ª página que referiste: "SUPER-RUI!". Mas confesso que quebrei a promessa nos dias seguintes ás 2 vitórias europeias...
#22 | Comentado por: joethelion1970 | 24 de maio de 2009 às 20:08
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