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quinta-feira, 1 dezembro 2005

O fantasma do Porto

Categoria: Col: Rui Melo

Os números não mentem. A superioridade do FC Porto contra o Sporting no seu estádio é esmagadora. Em 71 partidas disputadas, o FC Porto venceu 37, saiu derrotado em 12 e empatou 22. Os dragões marcaram 128 golos e consentiram 73 golos ao Sporting.
Em três décadas, os “leões” venceram apenas duas vezes: em 1975/76, triunfaram por 3-2 num célebre dia de nevoeiro, em que, segundo dizem as crónicas, um apanha bolas terá posto a bola dentro da baliza, sem que o árbitro tivesse visto, naquele que foi o empate dos dragões; mais recentemente, em 1996/97, o Sporting de Octávio Machado venceu por 2-1 com golos de Beto e Pedro Barbosa. Barroso reduziu para os portistas, na época que culminaria com o tri-campeonato do FC Porto. A vitória mais dilatada dos “dragões” ocorreu em 1935/36, por 10-1. Por seu lado, as vitórias leoninas mais robustas não foram além do 3-1.

Nas últimas três temporadas, o Sporting perdeu sempre. Em 2002/2003, na última jornada por 2-0, no jogo de despedida de Paulinho Santos; em 2003/2004, à terceira jornada, os “leões” foram goleados por 4-1; e na última época por 3-0 com golos de McCarthy, Diego e Carlos Alberto. O último ponto conquistado pelo Sporting no terreno do FC Porto foi em 2001/2002, por 2-2. Nesse jogo, o FC Porto adiantou-se no marcador através de Jorge Andrade. Jardel falhou um penálti logo de seguida, mas Pedro Barbosa empatou o jogo com um golão. Antes do intervalo, Jardel colocou o Sporting a vencer com novo penálti. Na segunda parte, Paulo Bento, Pedro Barbosa e Jardel foram expulsos por Martins dos Santos. Reduzido a oito, o Sporting permitiu o empate a Deco, mas aguentou o empate. O jogo das Antas foi decisivo para a vitória no campeonato. No FC Porto, Octávio Machado fez uma das últimas partidas ao serviço do clube, sendo substituído por José Mourinho pouco depois.

Ao longo dos anos, jogar na casa do FC Porto era sempre complicado para o Sporting. Por vezes, tinha-se a sensação que o jogo estava perdido antes mesmo de ser jogado. O mítico estádio das Antas exerceu sempre uma influência nos jogadores do Sporting que não era explicada. Após terminar a carreira, Carlos Xavier, antigo jogador de Alvalade, confessou que detestava jogar nas Antas e que a equipa acusava demasiado o ambiente.

Mas tudo muda. O mítico estádio das Antas deu lugar a um moderno Estádio do Dragão (é este o nome estádio do FC Porto, por mais que todos insistam em chamar-lhe Antas) e, muito por culpa da temporada passada do clube, jogar na casa do FC Porto já não mete tanto medo. Ainda assim, e se analisarmos o jogo da temporada passada, observamos que, apesar do espaço ter mudado, a mentalidade do Sporting manteve-se. José Peseiro foi ao Dragão tentar pontuar, abdicando de atacar, num dos piores jogos do Sporting na temporada passada.

Amanhã temos novo clássico. Não é decisivo, mas é muito importante. O Sporting está a quatro pontos do FC Porto e, em caso de vitória, fica a apenas um ponto dos “dragões”. Já o reverso pode trazer grandes problemas à equipa de Paulo Bento. Reitero que não é decisivo, e apesar de recuperável, uma distância de sete pontos para o FC Porto é perigosa. O Sporting não pode perder amanhã. Paulo Bento terá o seu maior teste, e estou muito curioso para ver como irá acabar. Veremos como será a atitude da sua equipa quando entrar em campo. Esperemos que seja diferente em relação aos números do clássico, caso contrário, o FC Porto / Sporting de amanhã será apenas mais um jogo na extensa história de confrontos entre estas duas equipas.

Publicado por Rui Melo às 17:10

Comentários

Vamos lá Sporting, quebrar a tradição de jogar nas Antas ou no Dragão.

Uma coisa que o Sporting actualmente é melhor do que o Porto: a defesa. Parece engraçado, a defesa do Sporting ao longo do campeonato sofreu duras críticas. Mas neste momento, penso que está melhor do que a do Porto. Comparemos: Rogério, Polga, Tonel, Tello com Bosingwa, Pedro Emanuel, Pepe, César Peixoto.

Espero que a defesa do SCP não volte aos velhos tempos e que esteja segura no jogo de amanhã para que possamos fazer um bom resultado.

#1 | Comentado por: André Rodrigues | 24 de maio de 2009 às 20:08

Caro Rui, antes de mais uma correcção que não é irrelevante para que a história seja bem contada: em 2002 o Sporting não permitiu o empate "reduzido a 8", como resulta do post, porque quando o Deco empatou o jogo o Sporting jogava com 10. Só depois do empate é que foi expulso o Pedro Barbosa, por uma entrada que até lesionou o Ricardo Carvalho para o resto do ano e que nesse jogo, na prática, deixou o Porto a jogar com 10 (o Ricardo não podia ser substituído, mas creio que até acabou por sair perto do fim). Quanto ao Jardel, só foi expulso nos descontos por insistir em perder tempo - e mesmo depois de ver o cartão vermelho ainda conseguiu queimar mais uns minutos, chegando ao ponto de tirar a bola das mãos do Ibarra ao sair do campo... Portanto o sporting jogou com 8 (e contra 10) durante 5 ou 6 minutos.
Depois desse jogo não posso deixar de rir de cada vez que me dizem que o Martins dos Santos fazia fretes ao FCP. O penalty que dá o 1-2 é digno de figurar nos anais da comédia burlesca, e fica um outro claríssimo por marcar, do Hugo Viana sobre o Alenitchev. Enfim...

Também não sei no que se baseia o comentário de que todos insistem em chamar Antas ao Dragão. Todos os portistas que conheço, e que como calculará são mais que muitos, adoptaram o novo nome. Já ninguém diz que vai "às Antas". Confesso que inicialmente detestava o nome, mas agora afeiçoei-me a ele e reconheço que foi uma excelente opção. Já agora: quando vai ver o Sporting diz que vai ao "Alvalade XXI"?...

Quanto ao jogo de amanhã, não adianto mais prognósticos do que o grande João Pinto faria. Espero que seja um bom jogo, bem arbitrado, e sobretudo que ganhemos nós, mesmo que não seja com a limpeza dos últimos 2 anos. Com 1-0 já saio de lá satisfeito.

#2 | Comentado por: joethelion1970 | 24 de maio de 2009 às 20:08

Ando com pouco tempo para tertúlias, mas não posso deixar de elucidar o meu muito estimado joethelion1970. A expulsão do Paulo Bento foi devido a dois amarelos no mesmo lance. Falta banal a meio campo, amarelo. Abre a boca, vermelho! Isto perto dos cinquenta minutos de jogo, com o Sporting a vencer por 2-1 e a jogar bastante bem. Entretanto, o Porto empata, o Barbosa é (bem) expulso pouco depois e perto dos 90 minutos (mas com mais de seis para jogar), o Jardel vê o 2º amarelo por pontapear uma bola fora do relvado (o tipo de lance que só é sancionado com jogadores do Sporting).

Quanto aos penalties, o segundo não é, mas com a televisão também eu, porque não houve uma alma que, na altura, conseguisse ver simulação naquilo. Mas e o penalty do Porto? O do um a zero antes dos dez minutos? Lembraste desse lance? Este jogo já se começa a tornar num Benfica – Sporting (o do penalty do Jardel, esquecendo-se o penalty assinalado contra o Sporting 80(!) minutos antes e com o resultado em 0-0 e não em 2-0). Confesso que não me lembro do lance que falas entre o Viana e o Alenitchev.

Por último, vi o Sporting acabar duas vezes com oito jogadores nas Antas (94 e 2001). E também já lá vi o Oceano à baliza a defender um 2-2 para a Supertaça.

Já agora, em relação ao jogo de amanhã. O meu maior medo, ou certeza, é o Benquerença. Apita-nos sempre na Madeira (e perdemos), e ameaça tornar-se no árbitro padrão dos Porto – Sporting (quando o Tó Costa não pode). Já tinha apitado o 4-1 da factura do Mourinho (com uma bela arbitragem, ao seu nível). O ano passado apitou três jogos do Sporting: perdemos em Setúbal, perdemos na madeira e perdemos o Liedson para o jogo do título.

Apesar de tudo, estou confiante.

#3 | Comentado por: Pedro Santo | 24 de maio de 2009 às 20:08

O Olegário lesionou-se (e não, não fui eu, apesar de saber onde ele mora) e é o Lucílio o árbitro...

Também é mau. Não tem tomates e tem a mania. Sei que os portistas têm más recordações (sobretudo dum 1-0 em Alvalade em que mereciam ter ganho por 10 a zero), mas o gajo é tudo menos um árbitro "bem visto em Alvalade"...

#4 | Comentado por: Pedro Santo | 24 de maio de 2009 às 20:08

Onde viste isso, Pedro??? Diz-me que estás apenas a gozar com a cara de um pobre portista que nesta vida apenas teme às finanças e a Lucífer Baptista??? Espero bem que não seja a sério, porque senão as minhas expectativas para o jogo (espectáculo e resultado) descem consideravelmente... Já falámos dese cavalheiro a propósito da sua nomeação para o jogo com os lamps, é escusado repetir o que ambos pensamos dele.

Ainda quanto a 2002: é verdade que esse 1º penalty é muito discutível, mas discutível é também o 1º a favor do sporting (o que o jardel falhou). Em ambos me pareceu que são os avançados (pena e JVP) que procuram o contacto. O 2º não é discutível, e olha que no estádio viu-se bem que não era penalty. Mas não vale a pena estarmos a recordar isso tanto tempo depois!

Só um aparte quanto a serem só os jogadores do sporting a ser expulsos por perder tempo: lembras-te que nesse ano o Alverca foi jogar para a taça em alvalade, e esteve a ganhar bastante tempo. E lembras-te como começou a reviravolta? Pois, com uma expulsão "Batta Vs. Rui Costa, Alemanha 1997", de um jogador que demorou tempo demais a sair para ser substituído...
Aliás, dessa vez nas Antas o jardel conseguiu perder uns 2 ou 3 min. mesmo depois de já ter sido expulso. Lembro-me perfeitamente que quando saiu de campo tirou a bola das mãos do Ibarra, que estava à espera há séculos que ele se decidisse a ir embora para fazer um lançamento, e depois ainda voltou a entrar no campo para atalhar caminho.

Ah, e é verdade que a expulsão do PB foi uma daquelas inexplicáveis palermices em que o Martins era fértil. Se não me engano, o 2º amarelo é por dizer qualquer coisa como 'isto é uma vergonha'... Mas nisso o homem era equitativo, expulsava qualquer jogador que falasse - nem que fosse por espirrar.

Um abraço, e que logo ganhemos nós...

#5 | Comentado por: joethelion1970 | 24 de maio de 2009 às 20:08

Só mais uma coisa sobre o Olegário... nesse jogo dos 4-1, ele perdoa um penalty e cartão vermelho ao Rochemback, por uma falta sobre o maniche, ainda na 1ª parte e com o jogo ainda bem aberto. Depois inventa o penalty que dá o 4-1, já em cima dos 90'.

Quanto ao Liedson, um dia essa história ainda há de ser contada. Ninguém me conseguirá convencer que ele não vê aquele amarelo (que não podia deixar de ser mostrado, desculpa lá!!) de propósito! Porque é que o forçou, ele lá saberá; eu limito-me a ter suspeitas. Mas vocês, sportinguistas, não acharam aquele cartão demasiado bizarro para não ser fruto de um 'cozinhado'?...

Sobre o jogo de 94, lembro-me que 2 dos expulsos foram o Vujacic (por acumulação) e o Peixe, por uma entrada que por pouco não matava o Secretário (acho que foi ele). Essa duas foram justíssimas, não me lembro da 3ª. Do Oceano á baliza, confesso que não me recordo mesmo!

Um abraço

#6 | Comentado por: joethelion1970 | 24 de maio de 2009 às 20:08

Vi esse Sporting – Alverca no estádio e não me lembro de o Alverca ter tido algum jogador expulso, sobretudo dessa maneira. Sei que rematámos algumas 150 vezes e o Yannick defendia tudo. Eu até me estava a referir a outro género de cartão amarelo. O de chutar a bola depois dela sair, em que, nos últimos tempos, só os jogadores do Sporting é que são advertidos. E o Liedson não podia deixar de ver amarelo? Por acaso até já se tornou um dos fait-divers em Alvalade: contar o número de vezes em que se vê isso acontecer com os adversários e contar o número de vezes em que são advertidos. Escusado será dizer que, na segunda categoria, não existe um para amostra.

E não me queres convencer que a expulsão do Jardel nas Antas ainda acabou por beneficiar o Sporting? O que eu me lembro de ver serem assinaladas faltas ofensivas ao Sporting. Pura e simplesmente, não dava para sair da grande área. Mas tudo bem: o que lá vai, lá vai.

Não me lembro de nenhum penalty perdoado ao Sporting (nos 4-1) por falta do Roca sobre o Maniche (ainda por cima para vermelho). Mas é natural que tu te lembres do que te chateou e eu do que me chateou.

Eu até falei nisso aqui na altura. Eu estava na Superior Sul. O Liedson chuta a bola para o ar depois de não ter conseguido alcançar um passe mais comprido. O apanha bolas passa logo outra bola para as mãos do Palatsi. Repara: o Palatsi já tem uma bola nas mãos e estava a colocá-la na zona de pontapé de baliza. O que é que o Benquerença faz? E isto eu vi, ninguém me contou. Procura, entre os jogadores perceber quem é que tinha chutado aquela bola para o ar, certifica-se que é o Liedson, apita para o Palatsi parar a reposição da bola e avança calmamente para o Liedson. E pumba: amarelo! Ele mostrou porque era ao Liedson. Mais nada. Quem disser o contrário, não vi o que todos nós vimos no estádio. Até podemos começar a ver quantos jogadores vêem amarelos por fazer o que o Liedson fez…

O terceiro expulso, que até foi o primeiro, foi o Juskowiak. Não discuto a justiça das expulsões, discuto a dualidade disciplinar desse jogo. Foi um jogo muito duro, mas, pelos cartões do Carlos Valente, mais parecia que só uma equipa é que andava na trolitada.

De resto, um abraço, e sim, que logo ganhemos nós….

P.S: Não me dês trela, pá… tenho que trabalhar…
:)

#7 | Comentado por: Pedro Santo | 24 de maio de 2009 às 20:08

Ó Rui: onde é que 37-22-12 é "esmagador"? As vitórias são tantas como as não-vitórias e as derrotas são um terço das vitórias. Esmagador? Pareces aqueles jornalistas (todos!) para quem qualquer remate é "fabuloso", qualquer finta "genial" (se for de determinados jogadores, claro). Alguns minutos ou jogos depois a mesma coisa deixa de ter qualificativo porque já se atingiu o topo... Porque no seu analfabetismo não há, naturalmente, lugar para graduações do genial. Como qualificarias, por exemplo, uma relação 62-7-2? De "muito esmagador" ou "extramemente esmagador"?

#8 | Comentado por: Congamako | 24 de maio de 2009 às 20:08

Ó Rui: onde é que 37-22-12 é "esmagador"? As vitórias são tantas como as não-vitórias e as derrotas são um terço das vitórias. Esmagador? Pareces aqueles jornalistas (todos!) para quem qualquer remate é "fabuloso", qualquer finta "genial" (se for de determinados jogadores, claro). Alguns minutos ou jogos depois a mesma coisa deixa de ter qualificativo porque já se atingiu o topo... Porque no seu analfabetismo não há, naturalmente, lugar para graduações do genial. Como qualificarias, por exemplo, uma relação 62-7-2? De "muito esmagador" ou "extramemente esmagador"?

#9 | Comentado por: Congamako | 24 de maio de 2009 às 20:08

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