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quinta-feira, 8 dezembro 2005

O jornal do Sporting

Categoria: Col: Rui Melo , Sporting

Jornal do Sporting

As informações são contraditórias. Ontem de manhã, a TSF noticiou que a direcção do Sporting ia terminar com a publicação do jornal do clube já em Janeiro. De acordo com a notícia, os cortes nas despesas são o motivo da decisão.
Na noite de ontem, Filipe Soares Franco desmentiu a notícia, afirmando que «não há nenhum indicador que aponte no sentido do desmantelamento do jornal Sporting». Apesar dos 83 anos da publicação, o presidente do Sporting lembrou que, devido a três jornais diários desportivos e programas de televisão sobre futebol, o clube tem de se actualizar.
No final da sua intervenção ontem à noite, na apresentação do livro “100 Figuras” do jornalista Fernando Correia, Soares Franco assegurou que «enquanto for presidente, o Sporting não vai perder um órgão oficial de informação».

Antes de mais, e como quase licenciado em Comunicação Social, não concordo com a designação jornal para o órgão de informação de um clube como o Sporting, ou outro qualquer. Prefiro designá-los por boletins, tais como os boletins autárquicos ou de paróquia, que apesar da designação, não deixam de ser órgãos oficiais de informação. Espera-se que um jornal tenha informação isenta, credível e imparcial, algo que, na minha opinião, não acontece em qualquer “jornal” de um clube. No caso do Sporting (mas pode aplicar-se a outros clubes), o jornal é «demasiado faccioso e deselegante para os adversários», como afirmou o leitor Luciano Rodrigues.

De qualquer das formas, e designações à parte, estas publicações são muito importantes para um clube, ainda para mais quando se trata de um clube grande e eclético como o Sporting. Infelizmente, o ecletismo dos clubes não tem espaço nos jornais desportivos, logo é complicado divulgar tudo aquilo que se faz. Nessa óptica, a publicação do clube promove as outras modalidades e é um instrumento útil – talvez o único – na aproximação dos sócios e adeptos ao clube. Além dos resultados das outras modalidades, o jornal do Sporting publica entrevistas com as mais diversas personalidades e atletas do clube, artigos de todos os sportinguistas, cede espaço aos núcleos na divulgação das mais diversas actividades, e dá oportunidades aos sócios para escreverem sobre o clube. Tomando o Sporting como um exemplo, é isto que tem de ser uma publicação de um clube. E é aqui que Filipe Soares Franco falhou na sua intervenção de ontem. O presidente leonino referiu que já existem «programas sobre futebol e três jornais desportivos diários» (cujos conteúdos têm 70% de futebol). Sinceramente, a afirmação de Soares Franco não é inocente porque todos sabem as suas opiniões acerca do clube. Se dependesse dele, as modalidades amadoras do Sporting terminavam, ficando o clube dependente do futebol. Filipe Soares Franco desconhece que o Sporting é o segundo clube da Europa com mais troféus, e não foram ganhos pelo futebol!

Como o meu colega Pedro Varela, não consigo perceber como pode o jornal do Sporting dar prejuízo, ao ponto de poder ser encerrado. Toda e qualquer publicação é suportada pela publicidade, ou seja, sem anúncios e receitas publicitárias, não há jornal que se aguente. A publicação do Sporting não é um grande investimento, pois é semanal, não tem um corpo de páginas significativo e a sua estrutura humana não é assim tão grande. Num clube da dimensão do Sporting, com diversos patrocínios e acordos comerciais, como não pode haver dinheiro publicitário para o jornal? Será que nos contratos com a Reebok, a Puma, a PT, o BES, a EDP, a TV Cabo, entre outros, não se arranja uma pequena percentagem para o jornal? Sinceramente, custa-me muito a acreditar!

Num clube tão distante dos sócios como o Sporting, terminar com o jornal é aumentar ainda mais essa distância! E pior que isso, é esquecer todas as outras modalidades do clube, que tantas alegrias deram à instituição. Acusem-me de pessimista, mas se a decisão de encerrar o jornal for confirmada, a onda de reformas para cortar despesas pode não ficar por aqui. E sim, temo muito pelo futuro das outras modalidades do Sporting.

Como assinalou (e muito bem) o jornalista João Marcelino, na revista “Dez” do sábado passado, o projecto Roquette mais não fez do que passar o Sporting para as mãos de terceiros (leia-se bancos). Não é à toa que o clube de Alvalade é considerado dos mais endividados do país. Aos poucos, e para pagar os custos megalómanos do projecto Roquette, o clube está a ficar sem o seu património, seja ele imobiliário ou sentimental (como um jornal com 83 anos de existência). O Alvaláxia e o edifício Visconde de Alvalade vão ser postos à venda, como noticiou o jornal “o Independente”. Mas mais do que isso, custa-me ver a desmoralização dos sócios do Sporting, a verdadeira força do clube. E eu incluo-me neles.

Publicado por Rui Melo às 16:31

Comentários

Alguns comentários:

1 - Nunca vi um jornal isento até hoje, pelo menos nesse sentido. Pode-se exigir que um jornal seja honesto - que faça o "double check" da informação das suas fontes, que não difame, etc. - o que é muito diferente de ser neutral na sua linha editorial. Preferia mil vezes que "A Bola" se assumisse como apoiante do Benfica do que escudar-se na falsa isenção, por exemplo.

2 - Plenamente de acordo sobre a importância do jornal. Há muitas situações em que o que se poupa no curto prazo acaba por se pagar - e com juros altíssimos - no longo prazo. Por exemplo, extinguir a equipa B para poupar uns trocos não faz o menor sentido num clube que depende da formação de jogadores para ser competitivo e economicamente viável. Extinguir o jornal - que tem custos baixíssimos e tem as funções que descreveste - seria uma argolada incompreensível.

3 - Mas também incompreensível é reduzir o projecto Roquette a uma "passagem do Sporting para as mãos dos bancos".

4 - Sobre a desmoralização dos sócios. Perder um campeonato com um frango, uma taça europeia em casa, uma eliminatória com uma equipa amadora e assistir horrível tragédia de ontem à noite - tudo isto em menos de 6 meses! - é um provação de proporções quase bíblicas. Por isso, dá-nos um desconto, por favor...

#1 | Comentado por: Pedro Batista | 24 de maio de 2009 às 20:08

pois, por isso é que és quase licenciado... para acabares o curso terás de saber o que quer dizer Jornal, qual o significado da palavra.
Quado compreenderes que em lado algum jornal significa que o que lá vem tem de ser isento, e que até o PCP pode chamar jornal ao Avante desde que este "Boletim" tenha um caracter periodico e se concerne sobre assuntos decorridos nesse periodo, nessa altura, pode ser que te passem.

...e Sportinguistas desmoralizados, só se for ai na tua rua.

#2 | Comentado por: praladebagdad | 24 de maio de 2009 às 20:08

Subscrevo as palavras de Pedro Batista. E sim, também eu estou desmoralizado- como acho que o estão todos os que lucidamente olham para o que se passa no clube, e para a gestão miserabilista que está a governar o Sporting. Chama-se, em bom português, ao que tentaram fazer com a supressão do jornal poupar no farelo! Ah, e não moro na rua do Pedro Batista...

Um abraço
http://bancadadirecta.blogspot.com/

#3 | Comentado por: pedro pita | 24 de maio de 2009 às 20:08

..mas és do meesmo bairro!

#4 | Comentado por: praladebagdad | 24 de maio de 2009 às 20:08

Cada um é do bairro que é, meu filho!

Um abraço

#5 | Comentado por: pedro pita | 24 de maio de 2009 às 20:08

sim paizinho...

#6 | Comentado por: praladebagdad | 24 de maio de 2009 às 20:08

Ó Rui, por amor á santa! Responder-me directamente para o meu mail!!

Se de alguma maneira ofendi, peço perdão, não foi essa a minha intenção.
Esclareçamos alguns pontos:
-só referi o seu curso porque você o mencionou, como que a coonestar algo, não tenho qualquer desrespeito pela sua formação, penso é que ela o responsabiliza, não o legitima.
-ainda a respeito de Comunicação Social, não sou tão pândito como o Rui, ainda assim coloquei a palavra boletim entre aspas e o que referi foi o que na minha opinião jornal por definição não tem de ser 100% isento, já agora gostaria de saber se o senhor Cascais tem uma opinião diferente.
-Pelo contrário ao que pressupôs, estou de acordo com o fulcral da sua explanação, não fiz maior referência porque o Pedro Baptista disse quase tudo o que eu penso, só adicionei dois pontos: o erro que no meu entender você escreveu, e a desmoralização da massa associativa.

Relativo á desmoralização, e estando de acordo com o Pedro Baptista de que em seis meses foi demais, há algo verde em mim que nunca desmoraliza e que me faz estar em Alvalade de 15 em 15 dias, não gosto portanto de ouvir vozes derrotistas.
É claro que há acontecimentos que me entristecem, que pergunto “Como é possível?”, não gosto é de ouvir falar em desmoralização – manias…

Em suma:
Abomino qualquer abolição; seja de actividades que dão troféus ou de meios que as reportem, o Jornal do Sporting é necessário, posso concordar com uma alteração no formato, nunca com o seu simples termino.
Sportinguista como tradição familiar há três gerações, nunca acredito nas notícias do meu Sporting publicitadas nos “isentos média” até que elas de facto aconteçam, nem que realmente sejam verdade, só as considero depois de realizadas, é que há muito ruído…

Saudações, um abraço, e por favor, não me leve a mal.

#7 | Comentado por: praladebagdad | 24 de maio de 2009 às 20:08

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