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sexta-feira, 23 dezembro 2005
A Santíssima Trindade
Categoria: Col: André Viana

Lucho González, Lisandro López e Ricardo Quaresma. Ou a tríade que sustenta a liderança do FC Porto na Liga. No final do ano, um balanço aos primeiros meses de Co Adriaanse no Dragão. A Santíssima Trindade está a ressuscitar uma equipa defunta. É milagre...
Pinto da Costa fez, há dias, um balanço perfeito do FC Porto de Co Adriaanse em 2005: “Podia ser melhor”. Sem dúvida, sendo que deve também assumir grande parte da culpa na divisão do mal pela aldeia azul. Com efeito, há lacunas a apontar ao trabalho desenvolvido desde Agosto. No plano desportivo, pelo qual o treinador será o primeiro a dar a cara, é inegável que a eliminação das eurotaças constitui duro rombo para um clube com forte tradição em provas continentais. A juntar a isto, certamente que os adeptos portistas lamentarão uma gestão de grupo muito duvidosa e que se repercutiu não somente na política de contratações como também na definição de quem, dentro do plantel, entra ou não nas contas do técnico. E se não conta, o porquê de tais opções. De facto, esta primeira metade de temporada tem transmitido razões de alarme e descontentamento a quem vive o clube na condição de adepto, mas também não é menos verdade que a vantagem pontual com que os dragões dobram o ano é importante e impõe que, na lógica de “o seu a seu dono”, se elogie a prestação de equipa técnica e jogadores.
E, sendo um facto que o percurso do FC Porto tem sofrido oscilações, a verdade é que não se deve exigir muito mais a uma equipa ainda a refazer-se do trauma em que consistiu a última temporada e que continua a ter de superar uma política de gestão irresponsável e que é totalitariamente assumida pela SAD. Interessando-nos aqui sobretudo a vertente desportiva, há que ser frio na avaliação dos resultados em função dos objectivos. E a verdade é que Co Adriaanse chegou ao Dragão com uma missão: ser campeão nacional. Consegui-lo define uma época de sucesso, falhá-lo é a morte do holandês enquanto treinador do FC Porto. Um título apenas determina a avaliação final a técnicos e jogadores e, neste contexto, Taça de Portugal e Liga dos Campeões são pouco mais do que fait-divers.
Ao contrário do que sucede na Argentina, ser campeão no final do ano não dá troféu. Mas é precisamente com inspiração sul-americana que os portistas têm pautado a diferença no campeonato. Lucho González e Lisandro López foram do que melhor Portugal importou no defeso. Têm raça, mas também muito talento. Jogam descomplexadamente, assumem riscos, não sofrem grandes oscilações de forma, pautam os ritmos, defendem com a mesma intensidade com que atacam. Em suma, são craques e não serão alheios à proliferação de notícias dando conta de eventuais operações no mercado argentino em Janeiro.
Ricardo Quaresma fecha a Santíssima Trindade portista. A memória é normalmente curta mas, se bem me recordo, não era o jovem internacional português um dos jogadores encostados por Co Adriaanse quando a época arrancou? Pois bem, o mesmo Quaresma assume agora o estatuto de melhor jogador da Liga e reclama, mais do que um lugar na convocatória de Scolari, um posto no “onze” da Selecção nacional. No estado em que o miúdo está, qualquer adversário se arrisca a ser humilhado. Na hora do balanço final a Adriaanse, serão os resultados a fazer pender um dos pratos da balança, mas é bom que não se esqueça que é dele todo o mérito na definição de um capítulo que parecia perdido. Quaresma está melhor do que nunca e acelera num processo de maturação que havia comprometido em Barcelona e na primeira época de FC Porto. Nem os mais optimistas seriam capazes de prever o sucesso que se tem revelado o trabalho de Adriaanse com o seu n.º 7.
Muitos lembrarão também Paulo Assunção. É justo que o façam. Uma das lacunas da pré-época dos dragões foi mesmo o não preenchimento da posição 6, que fora de Costinha nas três temporadas transactas. Raul Meireles e Ibson não souberam nem podiam ser os substitutos do “ministro”, mas Paulo Assunção (na 3.ª experiência no clube) correspondeu com brilhantismo na primeira real oportunidade que lhe deram. Um grande jogador, que se afasta dos flashes para que estes possam disparar sobre Lucho, Diego, Quaresma ou Lisandro. Foi óbvio o crescimento das unidades de ataque quando Paulo Assunção agarrou a titularidade, pelo que é ele o grande pilar da máquina de bom futebol que Co Adriaanse tem actualmente.
Parece-me óbvio que o FC Porto não tem uma grande equipa, não tem sequer uma equipa homogénea. Há diferenças gritantes de valor, há um fosso muito acentuado entre os habituais titulares e os suplentes, há atletas fracos para uma equipa com ambições. Contudo, o actual contexto remete os portistas unicamente para o campeonato. E aí, o brilhantismo do tridente acima referido é mais do que suficiente, sobretudo se mediado por Paulo Assunção. E mais: atenção que Diego está a crescer. A qualidade é contagiosa e o brasileiro está muitíssimo bem rodeado nos terrenos que pisa…
E, para consumo interno, pouco importa que não haja um único jogador de classe na defesa, pouco importa que Benni tenha muito valor mas pouco esforço, ou que Hugo Almeida muito esforço mas pouco valor. Não é preocupante olhar para o banco e ver escassas soluções. Preocupante, isso sim, é saber que, não obstante a crise, os grandes da Europa não estão de olhos fechados quando alguém se distingue tão claramente… Que passe Janeiro e que Junho não chegue assim tão depressa.
Para os que têm paciência para ler os meus textos até final, um pedido de desculpas pelo longo afastamento do Terceiro Anel. Bom Natal para todos…
Publicado por andré viana às 22:29
Comentários
E não é que ele voltou? Obrigado, André Viana. Saudações portistas!
#1 | Comentado por: guardabel | 9 de agosto de 2006 às 14:17
É só para desejar um Feliz Natal aí para vocês todos!
#2 | Comentado por: canzoada | 9 de agosto de 2006 às 14:17
100% de acordo. Espero que se aproveite janeiro para ir buscar pelo menos um lateral direito de classe. E se viesse um ponta de lança, na condição de vendermos o Benni, também não era mau. De resto, parece-me que a equipa começa finalmente a formar-se, em grande parte graças à classe individual dos jogadores referidos acima. Só acrescentaria o Ibson, que considero um excelente jogador e que ainda nos vai ser muito útil esta época. Espero que consiga fazer-se uma gestão razoável do plantel, porque temos demasiados jogadores de grande classe do meio campo para a frente que não podem jogar todos ao mesmo tempo... mas que também não podem estar demasiado tempo parado. E em Janeiro chega o Anderson.
André, um abraço portista e votos de um 2006 em cheio! As tuas crónicas já faziam falta - não desfazendo no excelente trabalho do Bruno, claro... ;)
#3 | Comentado por: joethelion1970 | 9 de agosto de 2006 às 14:17
Um Santo e Feliz Natal para esta casa.
Zecatelhado
#4 | Comentado por: zecatelhado | 9 de agosto de 2006 às 14:17
Só um aparte: independentemente de estar de acordo com o que escreve, o Pinto da Costa disse que podia ser melhor se estivesse com 8 de avanço do SLB, como devia estar não fora o que aconteceu no jogo com o Nacional.
Não se referiu a qualquer expectativa não cumprida. No ano passado sim, este ano não, foi a imprens a tentar linchar o treinador do FCP que criou essa ideia. O FCP podia ter feito melhor na Liga dos Campeões, onde bastaria apenas não ter sofrido o golo que sofreu no Dragão nos últimos minutos frente ao Rangers, no único remtae que eles fizeram à baliza para neste momento estarmos nos oitavos.
Nem sempre ganham os melhores, o FCP provou ser melhor em quase todos os jogos na Liga dos campeões, mas não traduziu isso, nem teve a mínima ponta de sorte, a qual tem aparecido no campeonato.
#5 | Comentado por: cafi | 9 de agosto de 2006 às 14:17
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