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sexta-feira, 23 dezembro 2005
Os piores dias de 2005…
Categoria: Col: Rui Melo

Com o ano civil a terminar, é tempo de balanços. 2005 foi um ano complicado e inesquecível para todos os sportinguistas. Os adeptos do clube desceram do céu à terra em apenas alguns dias, ficando o período entre 14 e 22 de para sempre guardado na memória. Seis meses depois, e com novo ano à porta, acho que me sinto finalmente capaz de escrever sobre o período mais complicado que vivi como sportinguista, e que nunca ultrapassarei!
14 de Maio de 2005: o dérbi da Luz
A data para o jogo não podia ser mais apropriada. A 14 de Maio de 1994, o Benfica venceu em Alvalade por 6-3, enquanto que no mesmo dia, mas em 2000, o Sporting sagrava-se campeão nacional 18 anos depois da última conquista. Assim, estava mais que visto que o jogo da Luz ia ter um desfecho histórico.
Durante a semana, não se falou em mais nada. Pudera! Em igualdade pontual, ambas as equipas podiam sagrar-se campeãs, algo inédito e explosivo.
Passei o dia todo enervado. Não conseguia pensar em mais nada! Assisti ao V.Guimarães / Boavista já com as mãos a tremer. Aposto que não devo ter sido o único…
Mal começou o jogo, sentei-me no meu quarto. Como previsto, as duas equipas estudavam-se e dava para perceber que ia ser um jogo de nervos.
Com Liedson castigado, quando vi Pinilla no banco, e Douala e Sá Pinto na frente, percebi logo que Peseiro ia jogar para o empate. Nesse momento, tive um mau pressentimento…
Quando o jogo chegou ao intervalo empatado a zero, eu tremia por todo o lado. Mal conseguia respirar, os nervos eram imensos. De súbito, tomei uma decisão: não ia ver a segunda parte. Naquele curto espaço de tempo entre as duas partes da partida, pensei em todos os sítios possíveis e imaginários para “fugir” e não ouvir barulho nenhum.
Naquele instante… só me lembrei da praia! E lá fui eu, pelo IC 20, com o rádio desligado para não ter o mínimo contacto com o jogo. A zona de cafés e bares da Costa da Caparica estava a abarrotar, nem ali tinha paz. Não tive outra solução do que andar pelo pontão das praias à procura de um sítio sem barulho. E foi numa praia deserta que não assisti à segunda parte do jogo. Sempre a olhar para o relógio, esperei até 15 minutos pelo final da partida. Mas antes disso, um momento deu-me um calafrio. Ouvi golo e imensos gritos. Naquele instante, pedi a todos os santos (nem sou religioso, mas quando um gajo precisa nem quer saber disso) que o golo tivesse sido do Sporting. Quando sai da praia e vi um miúdo com a bandeira do Benfica, percebi que o campeonato nos tinha escapado…
Chegado ao carro, peguei no telemóvel e vi uma mensagem recebida. “Sei que és um gajo isento, diz-me, achas que há falta sobre o Ricardo?”. A mensagem era de um grande amigo meu, benfiquista, que tinha estado no estádio e não tinha visto a repetição do lance (por acaso até se chama Nuno Travassos e é meu colega no Terceiro Anel). Percebi logo que o Ricardo estava envolvido no golo. Quando cheguei a casa e vi o lance, fiquei revoltado. Um frango custou-nos um campeonato!!! Hoje, mais friamente, até considero que foi falta, mas mantendo que antes de ser falta, foi um enorme frango… O resto da noite foi passado em silêncio, sem qualquer contacto com a “realidade”e com a televisão desligada. Queria esquecer aquele dia e bem rápido. No meio de tanta tristeza, só pensava numa coisa… “ A Taça UEFA vai ser nossa!”
18 de Maio de 2005: Uma desilusão intemporal
O campeonato estava perdido, mas a época podia ser inesquecível. Quase quarenta anos depois, o Sporting podia vencer um troféu europeu, na sua própria casa!
Adquiri os bilhetes pelo site da UEFA no dia seguinte à vitória contra o Newcastle para os quartos-de-final. Gastei 120 euros em dois bilhetes, mas não havia dinheiro que me deixasse fora do estádio!
Na noite louca de Alkmaar, quando Jaelens fez o 3-1, dei comigo a pensar se iria assistir a um AZ Alkmaar / CSKA de Moscovo. Quase desolado, e já pensar em fazer um leilão na Internet, Miguel Garcia fez o golo que nos qualificou para a final! Foi um dos momentos mais mágicos da minha vida sportinguista. Já não ia haver leilão para ninguém, eu ia ver a final!
E lá chegou o dia 18 de Maio. Fui para as aulas de manhã com a camisola leonina vestida, e ninguém me podia obrigar a tirá-la. Uns meses antes, antes da segunda mão contra o Newcastle, prometi que, caso o Sporting vencesse a competição, ia vestir o equipamento completo no dia seguinte e apresentar um trabalho com ele vestido. Às tantas, os meus professores torciam todos pelo Sporting, só para me verem em tal figura.
Às 16 horas já estava no estádio. O ambiente era fantástico. Verde e branco por todo o lado, mesmo em adeptos com camisolas do FC Porto, Belenenses, Académica ou outros clubes portugueses. Mas mais do que isso, as bandeiras de Portugal estavam por toda a parte, parecia que o espírito do Euro 2004 tinha regressado.
Assisti ao jogo no sector B04, exactamente o mesmo onde tinha assistido ao primeiro jogo do campeonato, um Sporting / Gil Vicente, longe de saber que no final da época me ia sentar ali na final da Taça UEFA. Na altura, achei piada ao lugar porque Rogério alinhou a meio campo contra o Gil Vicente e ia fazê-lo de novo contra o CSKA de Moscovo.
Quando o brasileiro marcou, o estádio explodiu. O golo foi mais do que justo, perante um domínio avassalador do Sporting. Os “leões” jogavam bem, com aquele futebol perfumado demonstrado ao longo da época. No intervalo, não me passava pela cabeça o que ia acontecer…
Quando me apercebi da quebra física dos jogadores do Sporting, temi o pior. O que mais recordo hoje é o que teria acontecido se o remate de Rochemback, após um livre indirecto, não tivesse passado a centímetros da baliza, ou se a bola de Rogério não tivesse batido no poste, imediatamente antes do 1-3.
Quando Vagner Love fez o terceiro, percebi que tudo tinha terminado. Um sonho de criança acabou em meros minutos. Os últimos momentos da partida foram desesperantes, as lágrimas viam-se por todo o lado.
Ainda assim, foi com orgulho que vi o estádio inteiro aplaudir a equipa do Sporting pela brilhante carreira que fez e por, sobretudo, nos ter feito sonhar.
Sete meses depois, nem consigo ver resumos do jogo e acho que ainda nem os vi. A mágoa é enorme e obriga-me a mudar de canal quando tal aparece. Hoje, recordo o dia 18 de Maio como o Dia Nacional dos Museus ou a data de aniversário de uma amiga minha. Nem me quero lembrar do resto…
22 de Maio de 2005: Adeus à Champions
Com a Liga e a Taça UEFA perdidas, restava segurar o segundo lugar e regressar à Liga dos Campeões. Nem isso. A derrota contra o Nacional pôs todas as feridas à mostra, e afundou ainda mais os sportinguistas. Além de fora do acesso directo para a Liga dos Campeões, o Benfica era campeão. Não podia ser pior!
A época terminava logo a seguir, e o Sporting era o campeão moral, do melhor futebol, da melhor equipa, mas sem qualquer troféu. Uma equipa que conseguiu grandes resultados, mas que baqueou nos dias mais importantes da temporada. Sinceramente, nem me quero lembrar de Maio de 2005…
Publicado por Rui Melo às 22:13
Comentários
eu até iiiiiiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaa diiiizer qualqure ohohohohohohohoh que sono, adormeciiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
#1 | Comentado por: david ferreira | 24 de maio de 2009 às 20:08
Parabéns Rui pelo espectacular post.
E olha que um texto relativo ao Sporting ser elogiado por um benfiquista ferrenho não é coisa pouca.
#2 | Comentado por: Pedro Neto | 24 de maio de 2009 às 20:08
Melhores dias virão.
FORÇA SPORTING!!!!!!!!!!!!
#3 | Comentado por: André Rodrigues | 24 de maio de 2009 às 20:08
Revejo-me completamente nas tuas palavras, Rui, sobretudo no tocante à UEFA. Foi a desilusão de uma vida. Não jantei, nem almocei no dia seguinte. Mas não me esqueço do que foi festejar os golos do Beto, contra o Newcastle, e do Miguel Garcia, contra o AZ.
#4 | Comentado por: Pedro Santo | 24 de maio de 2009 às 20:08
2005 foi definitivamente o nosso ano da tragédia. Bom post, Rui Melo, apesar de me trazer à memória momentos que preferia esquecer...
Mas ficaram outros momentos de indiscutível alegria: A vitória sobre o Newcastle em casa, as vitórias no bessa e em Braga na época transacta, a vitória em Roterdão, o jogo épico de Alkmar, etc. Nem tudo foi mau, mas acabou tudo muito mal. E como, ao contrário de outros, não sou adepto de guardar boas memórias de derrotas, este é mesmo um ano para esquecer. Ou para lembrar, para que não se voltem a cometer os mesmos erros.
Um abraço
http://bancadadirecta.blogspot.com/
#5 | Comentado por: pedro pita | 24 de maio de 2009 às 20:08
Epá, não me lixem. Mesmo se o resultado final foi injusto como tudo, a época passada foi, a par da do título de 2000, a melhor da minha vida. Uma montanha-russa de emoções, com uma das melhores equipas da história do clube a espalhar classe por essa Europa fora, com vitórias extraordinárias e derrotas incompreensíveis, golos às dúzias e frangos às dezenas, Moutinhos, Tellos e Pinillas a sairem da cartola na altura certa para salvarem jogos difíceis... O Brasil de 1982 e 1986, versão clube e à escala europeia.
Agora comparem-me isto com o cinzento da época em curso e venham dizer-me que 2004-5 foi uma época falhada...
#6 | Comentado por: Pedro Batista | 24 de maio de 2009 às 20:08
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