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quinta-feira, 29 dezembro 2005

Resoluções de Ano Novo

Categoria: Benfica , Col: Alexandre Calado

O primeiro dia de Janeiro já se avista e com esse horizonte as movimentações que têm decorrido sobre o maior secretismo, nos recantos mais escondidos do mercado, começam a emergir à luz do dia, com boas novas para uns (que mudam para melhor) e indigestões de época para outros (que se vêem dispensados ou “emprestados”). Ao longo deste mês não ouviremos outra palavra senão “oportunidade”, uns vão ter oportunidade de jogar mais, outros vão ter a oportunidade em grandes clubes, outros vão aproveitar a oportunidade de se mostrarem ao mais alto nível, os treinadores têm a oportunidade de colmatar as deficiêcias do plantel, os clubes vão explorar as melhores oportunidades de negócio.

Para os adeptos benfiquistas este período tem assumido contornos típicos que os têm levado ao desespero. Começa com as grandes promessas, sonhos vendidos, colocados nas montras meses antes da época, que rapidamente se transformam em doces ilusões, posteriormente em desesperadas negociações, e finalmente em oportunidades perdidas. Procurando salvar o que resta para salvar do maldito mês, surge uma “prenda” de última hora que satisfaz não tanto por ser a mais desejada, mas por simplesmente existir. Mas, caros entusiastas do mercado, não pretendo falar de quem vem, mas sim daqueles que brevemente nos vão deixar. Ou pelo menos assim aponta a generalidade da imprensa desportiva.

Devo dizer que na generalidade concordo com a política de cedências promovida por Koeman e Veiga. Acho que identificaram com clareza os elementos “a mais” no plantel e aqueles que precisam de rodar. Bruno Aguiar, Carlitos e João Pereira são jogadores a menos no plantel. Bruno Aguiar vem de uma longa lesão e precisa de recuperar confiança e mostrar mais valor (a época passada foi apenas razoável) noutro clube. Mais valor têm de mostrar também Carlitos (que até agora não mostrou nenhum) e João Pereira (cujo valor que justificou o entusiasmo dos adeptos e a renovação remonta há três épocas atrás). Mantendo alguma expectativa em relação ao desempenho destes jogadores noutros clubes, penso que o plantel não sentirá a sua falta (desportivamente), já que encontrou soluções internas – Alcides tem jogado a lateral direito, Manduca acabou de assinar. O caso de Bruno Aguiar é mais complicado, por deixar um vazio na equipa. Ficamos com três médios recuperadores – Petit, Manuel Fernandes e Beto – aos quais podemos juntar Karagounis, ainda que funcione no máximo como um médio de apoio. Sabendo da susceptibilidade dos jogadores desta posição a lesões e a castigos, dado o constante contacto físico, penso que seria displicente abordar a segunda volta sem contemplar qualquer alternativa. O caso de Hélio Roque é exemplar. Vai rodar no Setúbal, uma equipa que tem a manutenção praticamente garantida e que vai jogar com menos pressão, disponível (espero) para experimentar o Hélio Roque e beneficiar do talento que no Benfica apenas indiciou. Para além disso é uma equipa que defende muito bem, permitindo a Roque mais liberdade nas suas movimentações.

Manuel dos Santos foi também um nome sobre o qual se especulou muito nos últimos meses. Injustamente terceira ou quarta opção para a ala esquerda da defesa, o destino de Dos Santos parecia mais que escrito em Janeiro. Uma segunda parte com o Vitória de Setúbal mesmo antes das férias festivas pode ter mudado tudo. Se assim for, que alívio. Dos Santos é bom jogador, não é um jogador maravilhoso, mas é uma alternativa mais do que decente a Léo. Contra o Setúbal mostrou o futebol que muitos benfiquistas já se tinham esquecido e que Koeman parecia ignorar, rigor táctico, inteligência na ocupação dos espaços, prático nas acções e qualidade no cruzamento. Não se encontra a salvo de qualquer cedência, mas parece com mais espaço para respirar. Ainda bem, poupa-se dinheiro e ganha-se um jogador de qualidade.

Outro jogador de qualidade que se encontra na corda bamba é Nuno Assis. Neste caso a história parece mal contada pelos jornais, não se percebendo se existe ou não real intenção de dispensar o Assis. Percebeu-se que Koeman não lhe viu grande qualidade inicialmente, mas com as várias lesões no plantel decidiu-se a apostar nele e retirou proveitos. Sem revolucionar o futebol da equipa, Assis mostrou que é uma opção válida para suprir eventuais lesões ou momentos de forma menos bons. Falta alguma personalidade ao seu futebol para liderar a equipa a partir do centro do terreno, mas a sua velocidade, criatividade no passe e repentismo no remate em diagonáis constituem armas importantes para desequilibrar jogos a partir dos flancos ou como ala interior. Olhando para o actual plantel há que considerar alguns aspectos importantes: 1) Karyaka ainda não se mostra adaptado ao futebol português (e aparentemente a Portugal), o que é patente na sua incostância exibicional; 2) Manduca tendo qualidade é uma incerteza, olhe-se para o caso de Wender no Sporting; 3) o “negócio Simão” ainda não é claro quanto ao seu desfecho; e 4) Geovanni é um jogador muito inconstante no seu rendimento. Por estas razões, pela grande qualidade do atleta evidenciadas em cima, penso que seria um tremendo erro a sua dispensa. Ainda por cima quando se sabe que Braga está à espreita para o “pescar”.

Claro que todas estas movimentações ainda se desenrolam no plano da especulação e das possibilidades, pelo que esta análise corre o risco da desactualização inevitável. Assim o espero e desejo. Que sejam preservados aqueles tão importantes para o título da época passada e se coloquem em teste aqueles que adiam (comodamente?) a confirmação do seu valor.

Publicado por alexandre calado às 19:41

Comentários

Boa análise, Alexandre. Faltou falar do ataque e da mais que provável ausência de Mantorras, no mês de Janeiro. Já li algures que o Karadas poderá regressar. Não me desagrada a ideia porque Manduca poderá também ser opção para o ataque. Mourinho escreve amanhã, na Dez, sobre o potencial maior do Manduca no ataque. Assim sendo, e se Simão ficar até final da época, parece-me que o Benfica precisará apenas do tal guarda-redes suplente e de um ala direito. Moretto será uma boa solução para a baliza no caso de Quim se ressentir da lesão ou alguma eventual expulsão. Para a ala direita, gosto muito do Targino. É jovém e português. É rápido e tem bom passe e cruzamento. Penso que pode crescer ainda muito como jogador. O plantel ficaria muito equilbrado, pronto para atacar as três frentes em que ainda estamos envolvidos. De repente, da única solução sólida no ataque que tínhamos há um mês atrás(Nuno Gomes), podemos passar a ter em Janeiro, o N.Gomes, Miccoli, Geovanni, Manduca e Karadas. Este, se o norueguês regressar mesmo. E no final de Janeiro, o mais tardar, o regresso do Mantorras da CAN. Passamos a ser tão fortes na frente como na defesa! Sem dúvida que se está a trabalhar bem no departamento do futebol do Benfica.

Desejo um bom ano novo para a tribo do terceiro anel!

#1 | Comentado por: Miguel J. Lopes | 9 de agosto de 2006 às 14:17

O jornal O JOGO insiste que Simão está mesmo de saída. Se fôr verdade, o Benfica continua. No entanto, é um tiro no porta-aviões. Em termos psicológicos, será um rombo enorme para os adeptos. Falo por mim. A melhor aquisição que o Benfica poderá fazer, é segurar Simão. Aumentar-lhe o ordenado uns 10 a 15% e ficar até ao final da época. Simão só deverá sair do Benfica aos 28 anos. Nunca antes. Muito menos ir reforçar o nosso rival nos oitavos de final!

#2 | Comentado por: Miguel J. Lopes | 9 de agosto de 2006 às 14:17

Votos de um óptimo 2006 a todos os leitores e colunistas do Terceiro Anel.

#3 | Comentado por: Ricardo Cunha | 9 de agosto de 2006 às 14:17

Oláa todos. Concordo com a crónica em questão mas apenas quero comentar o assunto "Simão". Muitos são os camaradas benfiquistas que lamentam a possível saída do capitão mas nunca é demais relembrar o, mais que certo, grande encaixe financeiro que tal saída seria sinónimo. Sou fã do futebol do "pequeno" extremo mas recordo que o Benfica nunca deixou de o ser mesmo depois das saídas de Eusébio, Victor Baptista,Chalana ou, mais recentemente, João Vieira Pinto (pergunto pq se assobio este homem qd visita a Luz? Ele foi despedido!). Em relação a possíveis saídas em Janeiro, por favor, não deixem sair NunoAssis. De resto, tudo ok. Já agora, boas entradas a todos.um abraço

#4 | Comentado por: Carlos Eugenio | 9 de agosto de 2006 às 14:17

Acho que o Simão sai, não vinga em Inglaterra e, mais ano, menos ano, está no Porto.

Vinte milhões de euros não é muito mais do que o Benfica pagou por ele, mas o mercado dificilmente volta a estar tão inflacionado como naquela altura. Acho que é de vender.

#5 | Comentado por: Pedro Santo | 9 de agosto de 2006 às 14:17

"Sou fã do futebol do "pequeno" extremo mas recordo que o Benfica nunca deixou de o ser mesmo depois das saídas de Eusébio, Victor Baptista,Chalana ou, mais recentemente, João Vieira Pinto!"

Não deixou de ser o mesmo como?Não estou a perceber. É certo que esses jogadores "foram" e o clube ficou, mas ficou sem ganhar tanto, isso sim. Se não vejamos: saiu Eusébio e o Benfica deixou de ganhar 3 em cada 4 campeonatos, saiu Chalana e deixámos de ganhar 1 em cada 2 campeonatos, saiu João Pinto e nos dois anos seguintes nem à Europa o Benfica foi.

Por isso a saída de Simão irá ter quer se queira quer não reflexos na perfomance da equipa. Grandes jogadores são assim. Se saem deixam um vazio no clube e diz-se adeus a uma referencia. Acho que o Benfica iria passar por um mau bocado, a não ser que fosse buscar "outro" Simão por 21 anos, o que é bastante dificil.

#6 | Comentado por: Benfiquista do Norte | 9 de agosto de 2006 às 14:17

Subscrevo a opinião do senhor Benfiquista do Norte. Simão é neste momento fundamental na equipa do Benfica. É certo que têm ganho últimamente sem o extremo, mas ainda assim se, por exemplo, o Benfica tem ilusões( que deve tê-las!) de passar pelo Liverpool, não se afigura fácil fazê-lo sem Simão. Bem sei que o Benfica ganhou ao Man Unt sem o Simão, mas o Liverpool não é bem o mesmo tipo de equipa: É uma equipa extremamente sólida a defender, e se com Simão a tarefa afigura-se complicada, sem Simão torna-se quase inimaginável. Não é fácil substituír um jogador tão mitíco como Simão. Não é apenas e só comprar um novo extremo-esquerdo. É ter que recomeçar um longo trabalho com um jogador novo, ter paciência com as eventuais falhas dele, evitar comparações despropositadas, arranjar um novo capitão de equipa, etc. É evidente que o Benfica não acabou com Simão. Mas claro está que o seu futebol fica mais fraco, mais previsível e menos veloz. Isso de resto foi patente nos últimos jogos, por mais que tenham ganho.
Mas do ponto de vista da tesouraria seria um excelente negócio, e o Benfica não pode viver acima da realidade financeira do futebol português. Nenhum clube português se pode dar ao luxo de não vender um jogador seu com uma proposta de vinte milhões de euros em cima da mesa. A questão não é própriamente vender Simão, porque em relação a isso o Benfica não tem alternativa. O dilema complicado é o QUANDO da contratação, sobretudo sabendo que o próximo adversário da Champions League é, aparentemente, o próximo destino de Simão. Não daria nada para estar na pele dos dirigentes do Benfica...

Um abraço

#7 | Comentado por: pedro pita | 9 de agosto de 2006 às 14:17

20 milhões pagámos por ele? Bem...desinformação. Em contos, rondou os 2,5 milhões, que em euros será 12,5 milhões. Até aos 20....

#8 | Comentado por: Rui | 9 de agosto de 2006 às 14:17

Junta-lhe os 25 ou 30 mil contos que recebe por mês e esse valor, os 2,5 milhões de contos, sobe bastante… Assim, o Benfica, claro, numa visão exclusivamente economicista, não teve grande lucro com o Simão.

Por isso é que eu sempre pensei que o Simão nunca sairia do Benfica. Porque nenhum clube pagaria muito mais que os 12,5 milhões de euros que o Benfica pagou por ele. Apareceu o Liverpool, e, se algum dia o Simão for para vender, estes 20 milhões de euros são de aproveitar porque não surgirá outra proposta semelhante.

#9 | Comentado por: Pedro Santo | 9 de agosto de 2006 às 14:17

A saída do Simão será um erro colossal ao nível desportivo muito semelhante à destruição do balneário por Artur Jorge.

A destituição de uma referência abala quer o balneário quer os próprios adeptos!

Por muito dinheiro que o Benfica receba - menos de 20 milhões é um negócio apalhaçado tendo em conta o que se pagou por ele ao Barça - não tem a curto prazo soluções válidas para o lugar.

#10 | Comentado por: Pedro Neto | 9 de agosto de 2006 às 14:17

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