« Eleições no Sporting #2 | Entrada | O preferido dos professores »

quarta-feira, 18 janeiro 2006

Com a devida vénia...

Categoria: Col: Rui Melo

Campo de Subbuteo

Andava eu no "Há vida em Markl", quando li o episódio da rubrica com o mesmo nome sobre o Subbuteo, provavelmente o que mais me causa suspiros nostálgicos, a seguir ao He-man.
Com a devida vénia a Nuno Markl, transcrevo parte do texto, que podem encontrar aqui.

"Mas sofri ainda mais quando percebi que todos os meus colegas tinham algo de espectacular chamado… SUBBUTEO. O Subbuteo era um jogo de futebol de mesa. Os meus colegas mais pobres tinham apenas o campo, um pano verde já muito surrado, os jogadores, que vinham assentes numa espécie de disco voador, e as bola, que era praticamente do tamanho dos jogadores. Lembro-me de pensar como o futebol real poderia ser tão mais interessante se fosse jogado com bolas do tamanho de seres humanos. Aquelas proporções do Subbuteo fascinavam-me, de tão parvas que eram.

Mas acima de tudo fascinavam-me as versões mais elaboradas do Subbuteo, que os meus colegas mais endinheirados tinham. Eles tinham o campo, tinham bancadas – e um deles até tinha os holofotes… e funcionavam. Era um estádio em miniatura. E eu pensava: “Bolas… Porque é que eu não gosto de futebol? Este brinquedo é espectacular…”

Mas enfim – podia não gostar de bola e não ter nenhum Subbuteo, mas não deixei de experimentar o famoso jogo. Confesso que nunca apanhei o jeito para aquilo, porque, ao contrario do que acontecia com outras simulações de futebol, como os matraquilhos, aquilo era mais vago na maneira de funcionar. Os matraquilhos, a gente sabe com o que conta: os jogadores estão atravessados pelos ferros, a gente roda os ferros, eles dão com os pés na bola e está feito. Com o Subbuteo tínhamos aquelas criaturinhas vestidas à Benfica e à Sporting, com um disco voador enorme nos pés… Exactamente que jeito é que era suposto dar-se ao boneco para ele atirar a bola? E não estariam os bonecos ali a atrapalhar? Não seria, na prática, mais fácil, usarmos só os dedos e andarmos ao piparote à bola, pelo campo, até marcar golo?

Pior resultado que fiz num jogo de Subbuteo? 38 a zero. Melhor resultado? 36 a zero. Em qualquer um dos casos, e no caso de alguém ter dúvidas, eu era o zero.

Havia um colega meu que conseguia marcar cantos directos com os bonecos de Subutteo, com efeito e tudo. Era uma experiência esmagadora. Eu nem sabia como chutar a bola. Ainda por cima, este meu colega de escola vibrava com a sua própria vitória. Coitado, era um caixa de óculos como eu. Não percebia o quão triste era o conceito de ganhar a alguém como eu… Aquilo não tinha qualquer validade, mas em altura de desespero, tudo serve. A cada golo que ele me marcava, fazia sempre uma dançazinha e uma cantiguinha, e punha-se com um joelho no chão a dar murros no ar e a fazer: “TOOOOMA! TOOOOOMA!”

Eu acho que só se deve usar coisas como “TOOOOOMA!”, quando se vence a um gajo que jogue bem e que esteja sempre armado em bom… Agora… Eu não sou o tipo que merece um “TOOOOMA”, sobretudo porque eu nem sequer sabia chutar a bola com os sacanas dos bonecos do Subbuteo. “TOOOOMA”? E havia alturas em que ele dizia “TOOOOMA” e fazia um gesto feio na minha direcção. Com os dedos. O tipo passava-se dos carretos. Eu só pensava: se por um longínquo acaso eu faço um golo a este gajo, ele mata-me à pancada, corta-me aos pedaços e dá-me de comer aos cães.

Felizmente, isso nunca aconteceu. Eu sou, oficialmente, o pior jogador de Subbuteo da História da Humanidade."

Já não ouvia falar de Subbuteo há algum tempo, mas uma excelente reportagem sobre o jogo na Sport TV, fez-me lembrar o pano verde no chão (eu não tinha mesa para aquilo), os jogadores com "discos voadores nos pés" que, volta e meia, se partiam ou se perdiam (fui buscar muitos ao aspirador), e todos os acessórios desde o placard "electrónico", as bancadas, as diversas equipas à venda e as réplicas das bola, especialmente a Adidas Tango.

Pelo meio, descobri a existência da Associação Portuguesa de Subbuteo e constatei com tristeza que os jovens de hoje já não se interessam pelo jogo, preferindo mesmo jogá-lo através de jogos de consola. A título de curiosidade, os kits de Subbuteo só se encontram à venda pela internet. Os interessados podem encontrá-los aqui.

Serei o único com uma vontade tremenda de relembrar e jogar o Subbuteo?

Publicado por Rui Melo às 21:06

Comentários

http://www.sky.com/skynews/article/0,,91059-13104764,00.html

LOL

Ganda Subbuteo =D

#1 | Comentado por: Rionx | 24 de maio de 2009 às 20:07

O texto do Markl é, simplesmente, hilariante.

#2 | Comentado por: Pedro Neto | 24 de maio de 2009 às 20:07

Adorei o texto. O Subbuteo é a coisa que eu mais amo depois da Briosa. Sou coleccionador, e devo estar entre os maiores coleccionadores deste país.

Joguei Subbuteo em competições oficiais na Associação Portuguesa de Subbuteo, em representação da Académica, claro está, e também noto que as competições só são possíveis graças aos jogadores trintões e quarentões, porque os miúdos querem é Playstations. Pena...

Cumprimentos,

Luís Miguel Silva
Subbuteiro para os amigos!

#3 | Comentado por: Luis Miguel Silva | 24 de maio de 2009 às 20:07

Todas as semanas tenho evitado comprar o Subnuteo. Com este post, as recordações tornam-se cada vez mais fortes, acho que vai ser este fim de semana que o compro. Ao menos lá, pode ser que o Sporting seja campeão! ;)

#4 | Comentado por: Pedro Varela | 24 de maio de 2009 às 20:07

Não te esqueças so streaker!

#5 | Comentado por: Rui Melo | 24 de maio de 2009 às 20:07

Eu ainda tenho guardados o campo, as balizas, bolas, umas cinco equipas, e até uma réplica da Taça dos Campeões :)

#6 | Comentado por: Gonçalo Andrade | 24 de maio de 2009 às 20:07

Em miúdo e adolescente joguei Subbuteo mas como não o tinha em casa, era viciado em futebol de mesa numa versão inglesa mais pobrezinha, onde os jogadores não tinham o disco voador, só uma base redondada com a qual se pisava um bola em forma de moedinha branca. Os jogadores não tinham números sequer, eram os vermelhos contra os brancos, os nomes deles provinham de comentários à rádio improvisados em voz alta pro mim ou por quem jogava comigo. Grandes batalhas! Mas agora, talvez tenha chegado a hora do Subbuteo (para jogar nos intervalos do PES e do futebol a sério com a devida vénia) :)) Se um gajo não tivesse de trabalhar...

#7 | Comentado por: Nuno Leal | 24 de maio de 2009 às 20:07

Bom, eu também fui enquanto miudo fan de subutteo.
E com este artigo e um reportv (sportv) sobre este "vício"..voltei a ganhar-lhe o gosto.

Acho que este post..é um bom momento, para os maiores conhecedores deste "mundo"... divulgarem sites, comunidades...e sitios quer físicos quer online para comprarmos as peças do subutteo..para que toda esta gente possa sentir a emocao..que senti enquanto miudo..com o jogo.

fica aqui o repto!


www.futebolices.blogspot.com

#8 | Comentado por: Nelson Oliveira | 24 de maio de 2009 às 20:07

Nuno Leal, também tinha esse jogo de futebol de mesa, cheguei a fazer grandes jogos com isso.

Tinha (e ainda tenho) o Subbuteo em casa, com as equipas ainda guardadas. Lembro-me de uma vez ter comprado a equipa do Benfica e toda a gente ter estranhado, por eu ser portista. Quando lhes expliquei que queria recriar o grande derby (uma vez que já tinha o Porto), eles lá perceberam. ;)

Grande post e genial texto do Markl

#9 | Comentado por: João Campos | 24 de maio de 2009 às 20:07

Comente

Obrigado por se registar, . Já pode comentar. (Sair)

(Se nunca comentou aqui o seu comentário pode ter de ser aprovado para publicação pelo editor do blogue. Terá de esperar por essa aprovação para que o seu comentário surja. Obrigado pela espera.)


Recordar-me?