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sábado, 28 janeiro 2006

Campeonato das Nações

Categoria: Selecções Nacionais

Ontem saiu o resultado do sorteio para o apuramento para o Euro-2008. Já aqui no Terceiro Anel referimos essa ocorrência, centrando-nos essencialmente nos adversários de Portugal. Também queria dar a minha contribuição para esse debate, mas previamente penso que merece ser enfatizado o dado mais relevante. Porquê grupos de 8 equipas? Um apuramento com 14 jornadas? É uma situação incompreensível que não beneficia ninguém para além dos interesses económicos da UEFA e dos desportivos das Federações mais poderosas. Quando muito se tem falado do prejuízo que a Taça das Nações Africanas tem causado aos clubes pagadores dos contratos e aos campeonatos europeus, não vejo como se aceita com normalidade o facto de cada grupo ter esta dimensão desmedida. Não se poderia fazer grupos de menor dimensão?

Como referi, os grupos de 8 equipas têm dois simples propósitos, um que é económico e outro que é desportivo. O económico garante que quantos mais jogos mais dinheiro, porque há mais televisão, há mais bilheteiras, há mais publicidade, há mais patrocínios. O desportivo garante que apenas as selecções mais poderosas têm hipóteses reais de chegar à fase final da competição. Eu acredito que se a Finlândia estive num grupo de 5 equipas e fizesse 6 jogos de grande qualidade, fosse capaz de chegar ao Europeu. Em 14 jogos alguém acredita nisso? Claro que para Portugal é óptimo em termos desportivos esta dimensão de grupo, uma vez que mesmo com um ou outro precalço deveremos ter lugar assegurado, mas é isto que significa a pluralidade do futebol?

Quem sai prejudicado deste sistema? Os clubes, os jogadores e os adeptos. Os clubes, porque vêem os jogadores cada vez mais tempo nas selecções, sujeitos a lesões e a fadiga, sem terem qualquer recompensa, a não ser a eventual (porque não certa) valorização do jogador para um futuro negócio de tranferência. Os jogadores porque jogam demasiado. Não faz sentido os jogadores de topo fazerem 50 jogos por ano, com resultados óbvios nas fases finais das competições. Claro que os jogadores, com este ritmo, cada vez têm mais dificuldades de se manter ao mais alto nível durante muito tempo. A solução que neste momento resta aos clubes é ter plantéis de pelo menos 24 jogadores de grande qualidade, que custam muito dinheiro, para poderem rodar plantel. Claro que quando os clubes apresentam défice financeiro, o problema é só dos clubes e do amadorismo na gestão. Por último, os adeptos. Sim, porque o que tem mais piada? Um grupo como Polónio, Sérvia Montenegro, Filândia e Azerbeijão? Ou um grupo com essas equipas e mais três que não acrescentam em nada de qualidade? Grupos mais pequenos tornam as classificações finais mais incertas, já que o espaço para a recuperação de pontos perdidos é menor, transformando os jogos em autênticas finais.

Resta-nos portanto um caminho longo e cheio de desinteresse. O nível de dificuldade do grupo? Não me parece nem melhor nem pior que os outros. Penso que Portugal é o grande favorito, enfrentando jogos difíceis na Polónia, Sérvia-Montenegro e na Finlândia. Contudo, Portugal é melhor que essas selecções e tem mais soluções, pelo que penso que se o período pós-Scolari (é mesmo pós-Scolari, certo?) não vier com as conhecidas instabilidades ao nível do balneário e mantiver um grupo de jogadores sólidos nas convocatórias sem favores a presidentes, que seremos apurados, com maior ou menor dificuldade.

Publicado por alexandre calado às 13:50

Comentários

Acho que o melhor que deviam ter feito era 9 grupos de 6 ou 5 equipas como foi a fase de qualificação para o Euro 2000, os 9 vencedores de grupo passavam à fase final mais o melhor dos segundos, e haveria um play-off entre os restantes segundos para determinar as últimas 4 vagas para o Europeu. Este sistema para mim está mal feito, e vai prejudicar muito a nossa selecção apesar de alguns bons confrontos que possam aí vir.

#1 | Comentado por: Pedro Carmo | 9 de agosto de 2006 às 14:14

Um dos comentários mais lúcidos e racionais publicados neste sítio. Concordo integralmente com o que escreve Alexandre Calado.

E pegando no comentário de Pedro Carmo, queria voltar a referir algo que já aqui deixei expresso aquando do sorteio para o Mundial, e que me parece simples e lógico.
A UEFA engloba 52 países. 2 são organizadores do evento. Ficam 50. 10 grupos com 5 equipas. 8 jogos. Aos 2 organizadores juntam-se assim 10 equipas. Os oito melhores segundos classificados disputam duas partidas de desempate para apurar os 4 restantes países. Simples e lógico.

#2 | Comentado por: John Reagan | 9 de agosto de 2006 às 14:14

sao muitos paises europeus, e a grande maioria
tem selecoes bem fracas.

acho que o certo seria criar uma "segunda divisao"
da eurocopa. as 16 ou 32 melhores selecoes
europeias disputariam a eurocopa, as piores
selecoes eliminadas na primeira fase, cairiam
para uma segunda divisao, que seria um torneio
eliminatorio, disputado pelas selecoes mais fracas,
de 2 jogos de playoff, um em casa outro fora.

esse torneio aconteceria simultaneamente a eurocopa,
os piores da eurocopa disputariam a 2a divisao
4 anos depois e os melhors da 2s divisao, 4 anos
depois disputariam a eurocopa.

#3 | Comentado por: critico_de_futebol | 9 de agosto de 2006 às 14:14

Excelente análise, Alexandre Calado.
Nós falamos, e com razão, da nossa pouca sorte no sorteio- mas que dizer do facto da Itália, da Espanha ou da Alemanha não serem cabeças de série? Alguém imagina um europeu sem estas selecções?!
Concordo a 100% com a análise, e com a nova solução que preconiza.

Um abraço
http://bancadadirecta.blogspot.com/

#4 | Comentado por: pedro pita | 9 de agosto de 2006 às 14:14

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