« A cidade saiu à rua! | Entrada | Portugal a chorar »
segunda-feira, 20 fevereiro 2006
Desconto de Tempo #10
Categoria: Col: Bruno Ribeiro

Esta jornada, ainda que incompleta, é marcada por 3 factos importantes, a saber: impressionante carreira do Boavista na 2ª volta; vitória do Vit. Guimarães e novo impulso para subir na tabela; e o alargar da vantagem do FC Porto sobre o Benfica a uma semana do Clássico. Analisando cada um dos pontos em separado:
Adaptado ao modelo de Carlos Brito e depois de limadas algumas arestas, o Boavista leva 6 vitórias em outros tantos jogos nesta segunda volta. Em retrospectiva faz lembrar o ‘milagre segundo Brito’ que salvou o Rio Ave da descida ‘certa’ através de uma segunda metade de campeonato imparável. Este Boavista nada tem a ver com o de início de época onde ainda se fazia notar a ‘brutalização’ do futebol axadrezado.
Brito tira partido dos bons executantes que possui - sobretudo do meio-campo para a frente - e faz valer os pontos fortes de cada um; afinal para isso é que serve um treinador. Desta situação decorre o renascimento de João Pinto, que volta a estar em grande nível, mostrando que ainda não está acabado; solto na frente, JVP beneficia da mobilidade de Paulo Jorge e de Zé Manuel nas alas, para poder recuar no terreno, pegar na bola e ir mais à frente aparecer em situação de golo. Convém não esquecer a subida de rendimento do ex-Paços que esteve escondido grande parte da temporada, em clara falta de sintonia com as ideias do treinador. Com liberdade para vaguear na frente de ataque, Zé Manuel é certamente um dos jogadores mais perigosos do campeonato nos remates à entrada da área, seja pela espontaneidade dos mesmos, seja pela sua colocação ou pela potência de remate. Falando em potência, Carlos Brito parece ter-se decidido de vez a apostar em Manuel José para o posto de lateral-direito; o jogador, formado no FC Porto, demonstra uma capacidada física impressionante que lhe permite fazer todo o lado direito, durante todo o jogo, com poucas percas de rendimento. Se a isso aliarmos uma agressividade q.b., habilidade a cruzar e excelência na execução de bolas paradas, podemos estar perante (mais) uma adaptação bem sucedida de um extremo ao posto de lateral, bastando trabalhar questões técnicas defensivas e de posicionamento.
Agora o Vitória. Dois triunfos consecutivos são, no momento, um prenúncio de recuperação de uma equipa que se foi ‘enterrando’ nos inícios do campeonato e que agora terá que ‘correr atrás do prejuízo’. Apesar dos 6 pontos, não me parece que Vítor Pontes tenha ainda merecido um estatudo de ’salvador’, já que se denota ainda alguns problemas na equipa; desde logo a incapacidade de se manter em equilíbrio durante o jogo, alternando períodos de bom futebol com outros bastante sofríveis. Olhando para o plantel vimaranense, dá para constatar que, no plano ofensivo, a equipa está bem servida - apesar do mau registo goleador; a questão vem de trás, numa defesa que só agora começa a acertar - até pela maior estabilidade - e num meio-campo defensivo onde finalmente se encontram dois jogadores para compensar a pouca apetência defensiva de Benachour e Neca. Falando destes dois, é muito bonito ter dois criativos em campo, mas quando se lhes quer juntar mais 2 ou 3 avançados, convém certificar-se que ou Bena e Neca defendem, ou que a defese se ‘aguenta à bronca’, o que não é manifestamente o caso. A equipa reforçou-se bem, mas não me parece que Pontes saiba o que fazer com tantas opções ofensivas; é que com Saganowski a titular absoluto, sobra uma, quanto muito duas vagas para preencher com Dário, Wesley, Antchouet, Targino, Paulo Sérgio e Clayton. Falando do avançado polaco, para dizer que é claramente um dos destaques da Liga; forte fisicamente, com boa qualidade técnica (não confundir com habilidade), facilidade de remate, acaba por ser o sentido posicional de Saga que o destaca no panoram nacional. É um daqueles jogadores que parece ter a ’sorte’ de a bola ir sempre ter com ele; claro que a ‘Sorte’ nada tem a ver com o assunto.
A recuperação do Vitória coincidiu com o momento complicado que atravessa o Benfica; numa semana onde tem 3 jogos decisivos, a equipa de Koeman criou obstáculos a si mesma. Sobram Liverpool e FC Porto que, dependendo da ‘psicologia’ do holandês, podem ser os adversários ideais ou os carrascos perfeitos. Contra os campeões europeus Koeman vai ter que dar a perceber aos jogadores/adeptos e a si mesmo que não é este o jogo para ‘dar a volta’; numa eliminatória a duas mãos, jogando a primeira em casa, o racional deve impor-se à vontade de ‘mostrar-se’ forte. A equipa de Benítez é extremamente coesa e não vai pedir licença na hora de contra-atacar; ganhar é importante mas não vital. O mesmo já não se pode dizer no jogo frente ao FC Porto: ou ganha ou esquece o título (e mesmo ganhando…)! Prevendo o jogo a esta distância, Koeman tem duas hipóteses: ou tenta aproveitar o balanceamento ofensivo do FC Porto com uma estratégia também ela ofensiva, ou procura impedi-lo num sistema mais defensivo em busca do contra-ataque. O ideal seria um misto dos dois mas nem sempre se pode contar que o jogo corra de feição!
Publicado por bruno ribeiro às 14:44
Comentários
Não me parece plausível que o Benfica venha a ser campeão pelo seguinte:
- mesmo que vença, são 5 pontos que ficam a faltar;
- não me parece possível que o FCP não consiga nenhum ponto nos dois derbies;
- a inconstância do Benfica é bem superior ao falhanço de golos por parte do Porto e ao plantel jovem do Sporting.
Outra questão, é a gestão da quantidade por parte do Koeman. Parece alguns treinadores que tive, quer em Futebol de 11, quer em Futsal, que tinham 3 bons avançados ou 3 bons fixos, e colocavam todos a jogar, não querendo saber do equilibrio para nada.
O Porto joga o mesmo, mesmo quando ganha, joga o suficiente para ganhar, mesmo falhando 2 ou 3 golos "feitos". Também não acredito que o Sporting consiga fazer muitas mais vitórias seguidas, mas conseguiu ou soube estar na mó de cima na altura correcta.
#1 | Comentado por: Rui | 9 de agosto de 2006 às 14:13
Excelente post Bruno Ribeiro.
Gostava de ver o Carlos Brito um dia no Porto.
#2 | Comentado por: Nuno Leal | 9 de agosto de 2006 às 14:13
Bom post, Bruno Ribeiro. Carlos Brito merece tudo o que se está a passar, e está a demonstrar que pode muito bem treinar um grande. No Sporting, Paulo Bento está de pedra e cal, independentemente dos resultados, enquanto no Porto e no Benfica, por razões diferentes mas semelhantes, os holandeses estão em maus lencóis. Veremos se algum destes clubes vê os jogos do Boavista, ou via o que era o Rio Ave. Veremos...
Quanto ao Benfica, e às suas possibilidades de ser campeão, parece-me que o SLB terá um jogo de mata-mata( usando a saborosa expressão brasileira) com o Porto, e só aí se poderá definir se as coisas estão irremediávelmente perdidas ou não. Mas não convém matarem o Benfica cedo demais, pois na primeira volta também comecaram mal, e depois desataram a ganhar os jogos todos. Tenho para mim que quanto menos se pressiona e mais se desprezam as possibilidades de uma equipa, mais ela desata a jogar bem e a ganhar. Oxalá o Benfica amanhã ganhe aos Reds, e comprove esta minha teoria empirica de adepto.
Um abraço
#3 | Comentado por: pedro pita | 9 de agosto de 2006 às 14:13
Bom texto, só um pormenor na parte do "meu" Vitória. O Clayton já não faz parte do plantel.
Quanto ao facto de o Vitória jogar com dois criativos é correcto, embora o Neca esteja num processo de aprendizagem de processos defensivos, já que a posição que ocupa é a de um "8" e digamos que está a surpreender-me pela positiva, um excelente jogador em posicionamento táctico e recuperações de bola.
#4 | Comentado por: NunoGuima | 9 de agosto de 2006 às 14:13
Comente
Obrigado por se registar, . Já pode comentar. (Sair)
(Se nunca comentou aqui o seu comentário pode ter de ser aprovado para publicação pelo editor do blogue. Terá de esperar por essa aprovação para que o seu comentário surja. Obrigado pela espera.)Trackback Pings
TrackBack URL para esta entrada:
http://terceiroanel.weblog.com.pt/privado/tra.cgi/123105