« Uma visão "estrangeira" | Entrada | Jornada 32 : E venha de lá essa calculadora… »
terça-feira, 25 abril 2006
Superior Norte - 1
Categoria: Col: Nuno Pereira , FC Porto
O último Sábado ficou marcado pela conquista do vigésimo primeiro título de Campeão Nacional do Futebol Clube do Porto, após um ano de quase total jejum e dois anos passados sobre o título de Campeão Europeu. Este campeonato nacional é o mais importante dos anos recentes do Porto. Ouso até afirmar que é o mais importante e o mais difícil, depois do conquistado em 77/78 (época que marca o final do longo jejum de 19 anos) ou do mítico campeonato de 86, onde, encostados às cordas até à penúltima jornada, o Sporting vence na Luz e o Porto em Setúbal, virando definitivamente um campeonato que parecia estar perdido.
Essencialmente, o título conquistado nesta época tem especial importância por três razões:
1. Apito Dourado. Apesar de considerar toda esta investigação uma fantochada, como aliás os últimos desenvolvimentos do caso se encarregam de demonstrar, o presente título serve como demonstração de que conseguimos ser competitivos e vencedores sem favores de arbitragem e sem a tenebrosa carga simbólica do sistema que supostamente nos auxilia nos momentos decisivos e assombra os nossos adversários. Ganhámos sem grandes casos polémicos nem erros de arbitragem anormais. Vencemos porque fomos melhores do que os nossos adversários mais uma vez, "contra tudo e contra todos" como deve ser e como fazemos questão que seja, mesmo que os inimigos sejam muitas vezes mais imaginários do que reais. Mostrámos que somos imunes a todos os castigos estratégicos que nos querem impor e que mesmo com a desvalorização consecutiva d’ A Bola ou do Record (há alguma lei implícita que impeça os jornalistas desportivos de serem imparciais, justos e objectivos como os seus companheiros de profissão da imprensa generalista?) estamos vivos, continuamos vencedores e temos uma base social de apoio cada vez maior.
2. O fantasma de Mourinho. Convenhamos que as últimas escolhas de treinadores foram desastrosas (Fernando Santos, Del Neri, Couceiro, Fernandez, o inenarrável Octávio Machado, foram todos eles apostas pessoais de Pinto da Costa e foram todos eles apostas falhadas) e começava a estar enraizada nos adeptos portistas a ideia de que nunca mais ganharíamos nada e que as últimas vitórias foram obtidas de forma excepcional graças a um treinador extraordinário. Este título permite sonhar com novas conquistas, apesar da saída do semi-deus infalível.
3. A própria massa associativa. O divórcio entre os adeptos e Co Adriaanse sempre foi um facto óbvio e tornou-se ainda mais notório após o empate em Vila do Conde (onde Adriaanse jogou em 4x4x2 e com Diego a titular, como tanto queríamos) tornando evidente a antipatia generalizada da bancada do Dragão para com o treinador holandês. Algumas apostas falhadas, a insistência em jogadores em baixo de forma como Jorginho ou Alan, uma táctica pouco vista por cá e bastante discutida, conduziram a um estado de tensão permanente e pessimismo crónico, objectivado em assobios aos 15 minutos de um jogo que por qualquer razão nos estava a correr mal e lenços brancos no final de alguns jogos perdidos ou empatados de forma justa (Benfica) ou injusta (Braga e Setúbal). Essa falta de apoio desmotivou os jogadores em alguns momentos importantes da época e deu-lhes – particularmente àqueles que estavam connosco há pouco tempo e desconheciam a cultura vencedora do clube – um medo de falhar com consequências previsíveis. Com a distância que só o tempo permite, não é difícil agora assumir que a nossa eliminação na Liga dos Campeões foi injusta e por isso mais dolorosa. Fomos superiores ao Rangers e ao Artmedia mas perdemos por uma latente falta de killer instinct que tolhia a equipa a partir dos 80 minutos de jogo. Dessa forma adiámos tudo para o último jogo, em que nos saiu um batatal a fazer lembrar o Vidal Pinheiro da primeira metade dos anos 90 e em que Adriaanse mais uma vez se enganou, atirando 11 jogadores para dentro de campo numa táctica discutível, aparentemente aleatória, qual professor Bambo a atirar os búzios para cima da mesa numa sessão mediúnica. A verdade é que poucas vezes durante toda a época Co Adriaanse demonstrou ser um treinador campeão mas os resultados provam exactamente o contrário. Ganhámos por causa de Adriaanse ou apesar de Adriaanse? A resposta a essa questão ficará para um próximo post.
Publicado por Nuno Pereira às 22:30
Comentários
Oi Nuno Pereira, eu também tenho esse sobrenome. Será que nós somos parentes e não sabemos? brincadeirinha.
Grannnnnnde FC do Porto! campeão merecidíssimo! décimo título em quinze anos é um grande feito! Mais quinze anos que sucesso!
Cadê o Johnny Rook??? tô sentindo a falta dele. LOL.
Já agora, hoje é 25 de abril. Hoje é o meu 25º aniversário. Que dia importante hein? é até feriado aí na terrinha...
beijos.
#1 | Comentado por: Elizane | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Elizane,
Então o teu Palmeiras? "Só" tem 0 pontos? Levou 6 do Figueirense? Vai descer não? Pois é. É verde!
#2 | Comentado por: Johnny Rook | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Antes de mais nada, um abraço de boas vindas ao Nuno e os parabéns pelo excelente post. E pelo título, já agora.
Sempre defendi o Co aqui no 3A. Cada vez estou mais convencido que ele percebe muitíssimo de futebol, apesar de haver alguns factores que limitaram a sua acção neste ano.
O primeiro é o feitio do homem, que é teimoso como um buro e se recusa a mudar as coisas por pressão externa. Para além disso, não sabe gerir mais diplomaticamente algumas situações internas, resultando para o exterior aparentes (ou reais) ofensas a símbolos da casa ou a ídolos do povo. Foi o caso com o Bicho, mas creio que não foi com o Baía. Quem o viu abraçado ao Helton depois do jogo de Alvalade, quem o viu a comemorar no sábado, não acredita que ele estejaa ressentido ou ressabiado. Como pessoa inteligente que é, compreendeu que o Co fez o melhor para a equipa. E o facto é que até agora o helton só sofreu um golo de penalty para a Liga. E também não é o caso do Diego, que sempre achei ser uma carta fora do barlho neste modelo de jogo, e que para além disso tomou atitudes que não podia tomar.
O segundo foi pegar numa equipa cheia de jogadores novos e achar que a podia por a jogar como queria do dia para a noite. Foi sobretudo aqui que resultou o nosso insucesso na LC: falta de equilíbrios defensivos nos momentos em que era preciso defender.
Em terceiro lugar, a construção ao longo da época de um modelo de jogo totalmente novo na casa, e que acredito que para o ano nos vai tornar uma equipa muito mais forte. Jogar com 3 defesas (e são mesmo 3 defesas, não são 5 como com as equipas que jogam com 3 centrais), havendo a devida cobertura dos médios mais defensivos, liberta um jogador e cria superioridade no meio campo adversário. mas por uma equipa jogar assim da dá muito trabalho e leva a muitos erros. Espero que essa fase tenha passado.
Finalmente, a impaciência, por vezes estupidez, de muitos adeptos, que parece que se esqueceram dos 3 treinadores da época passada, e que estavam com vontade de ter mais do mesmo. Mérito ao Co, que soube lidar com isso sem ceder nos seus princípios, mérito ao PC que nunca deu abertura aos pseudo-contestatários. Ver lenços brancos aos 107 minutos do FCP-Sporting, e ver os mesmos idiotas a rodar o cachecol depois de o Lisnadro marcar o último penalty deu-me vontade de ir dizer a essas pessoas que não tinham o direito de comemorar a vitória. Só não fui porque eles eram mais brutos do que eu.
Um abraço
#3 | Comentado por: joethelion | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Nuno Pereira, bem vindo e um grande abraço pelo teu post. Faço minhas as tuas palavras acrescidas das palavras do Joethelion.
saudações portistas de um dragão mouro no mínimo tão feliz como vós dois. No mínimo. Pooooooooooorto!
#4 | Comentado por: Nuno Leal | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Calma Johnny, são coisas do futebol. Isso é passageiro. Ainda estamos na 2ª rodada; temos ainda 36 pela frente. E o teu Benfica nunca levou de 6? Pode ficar tranquilo que nós não vamos cair de divisão.
beijos, homem.
#5 | Comentado por: Elizane | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Elizane,
Fico mais descansado. Por ti. Não te quero triste. Uma brasileira triste não é nada bonito.
#6 | Comentado por: Johnny Rook | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Oh! como ele é fofo. LOL.
beijinhos.
#7 | Comentado por: Elizane | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Ei Johnny,
Você nem me desejou "feliz aniversário". Assim eu choro... snif, snif...
#8 | Comentado por: Elizane | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Minha quirida,
Faz anos?
Parabéns a você, nesta data quirida. Muitos anos de vida, prá menina Elizane, uma salva de palmas.
Que contes muitos... e eu que os veja.
Bjs
#9 | Comentado por: Johnny Rook | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Elizane,
Tou a ver o Palmeiras - S. Paulo para os 1/4 de final da Copa Libertadores. Como vai ser? O Palmeiras aguenta-se?
#10 | Comentado por: Johnny Rook | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Oi Johnny:
O Palmeiras está em crise. O clube demitiu o Leão depois do 6x1 contra o Figueira. Para a nossa infelicidade, calhou o São Paulo. Todo mundo aqui estava apostando numa goleada dos bambis pra cima de nós. Ontem no Palestra Itália isto não aconteceu; ficamos no 1x1. Agora temos que ganhar no Morumbi ou empatar com o placar de no mínimo 2x2. E vamos conseguir, vamos eliminar os bambis da Libertadores.
beijos.
#11 | Comentado por: Elizane | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Elizane,
Vi o jogo todo e não desgostei do Palmeiras. Acho q vai subir. O S.Paulo é uma equipa mais consistente, mas dada a rivalidade, na 2ª mão tudo é possível.
Tambem vi o River-Corinthians.Grande jogo. Duas excelentes equipas. Contudo, há uma coisa q continuo a não compreender. As arbitragens na América do Sul, principalmente de árbitros Hispânicos. É sempre a mesma coisa. Um proteccionismo às equipas hispânicas e da casa que até fere a vista. O Corinthians foi roubado até dizer chega! Os argentinos só não mandaram o Tevez e o Macherrano para o hospital porque não calhou!
Se não me engano os argentinos, uruguaios, colômbianos têm mais copas que os clubes brasileiros. Ora, sendo o futebol brasileiro superior, a questão das arbitragens pode ter aqui uma importância muito grande. Por outro lado as equipas brasileiras são mais macias. Não sei! É estranho!
#12 | Comentado por: Johnny Rook | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Olá Rook tem toda a razão. Os gambás foram escandalosamente roubados em Buenos Aires. O Corinthians não tem força nessa competição, aliás nunca disputou uma final de Libertadores; isso é um agravante para ser roubado: falta de tradição. Antigamente era pior, roubava-se mais e os hermanos batiam mais. Hoje até que eles estão mais "macios". O Palmeiras foi prejudicado , tivemos um gol legítimo anulado em Rosário, Argentina. Nesse jogo ficamos no 2x2; se não fosse anulado, não teríamos que enfrentar o São Paulo já nas oitavas. Mas é assim mesmo, os clubes argentinos sempre foram ajudados pelas arbitragens, o meu Palmeiras em 2000 e 2001 foi lesado frente ao Boca. Nós os brasileiros já estamos até conformados com essa situação. A verdade eu acho que eles têm inveja do Brasil.
A Conf. Sul-americana é u lixo. Pra começo de conversa a sede dessa bela instituição fica sabe onde???? no Paraguai. É pra chorar né?
Na Colômbia os jogadores do Palmeiras foram agredidos com objetos jogados no campo e ninguém faz nada; o goleiro do Cerro Porteño foi atingido por um rojão atirado pelos hermanos lá em Rosário e ninguém faz nada para puní-los. Essa CSA não tem comando. É incrível, mas o Brasil tem mais moral com a FIFA do que com a CSA.
Quanto aos títulos, o Brasil só perde para os argentinos; nós temos 12 e eles 20. O Uruguai, se não me engano tem 8 títulos.
Já agora Johnny: se o Palmeiras não tivesse perdido a final da Libertadores para o Peñarol em 1961, eram conosco que o seu Benfica disputaria o Intercontinental. Na década de 60 o Palmeiras era a melhor equipe do país, ao lado do Santos. Quem teria ganho hein?
beijos.
#13 | Comentado por: Elizane | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Elizane,
Gosto dessa dos gambás e dos bambis. É tudo bicharada (de bicho e não de bicha!).
´
Tudo o q dizes vai ao encontro do q eu suspeitava.
Já não me lembrava da Intercontinental de 61 com o Penarol (só me lembrava da do Santos). Mas é verdade que foi por pouco que não nos "encontrámos " na final. Era bem melhor perder para um clube brasileiro (embora verde)do que uruguaio. A Taça sempre ficava mais ou menos em casa e a falar português!
Já agora! Seria engraçado colocarmos aqui no TA uma lista de todas as vitórias internacionais de clubes e selecções de expressão portuguesa.
Se concordares diz quais foram as conquistas internacionais de clubes e selecções brasileiras. Eu (será mais fácil, mas...) trago as conquistas portuguesas. Coloca aí também as hispânicas que eu trago as do resto da Europa, para fazermos um ranking. OK?
#14 | Comentado por: Johnny Rook | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Oi Johnny:
Essa história de bicharada é pra implicar com os clubes adversários daqui do estado. O São Paulo é bambi (figura afeminada; clube de moças); o Corinthians é o gambá (preto e branco e fede demasiadamente); o Santos é a sardinha e o Palmeiras é o porco. Sabe pq somos chamados de porcos? Porque assim eram chamados os italianos fascistas, e já que somos um clube fundados por italianos...
Quanto aos títulos aos poucos vou colocando por aqui. Mas não sei se os outros vão gostar, pois aqui é um blogue portuga.
beijos.
#15 | Comentado por: Elizane | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Comente
Obrigado por se registar, . Já pode comentar. (Sair)
(Se nunca comentou aqui o seu comentário pode ter de ser aprovado para publicação pelo editor do blogue. Terá de esperar por essa aprovação para que o seu comentário surja. Obrigado pela espera.)Trackback Pings
TrackBack URL para esta entrada:
http://terceiroanel.weblog.com.pt/privado/tra.cgi/129416