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terça-feira, 2 maio 2006
O fim da novela
Categoria: Col: Luís Gomes , Mundial 2006 , Selecções Nacionais
Num revivalismo estranho, a novela Scolari/Mundial/Inglaterra terminou igual à antecessora Scolari/Europeu/Benfica.
O terceiro e, esperemos, último episódio foi estranhamente repetido face ao que vivemos há dois anos atrás, com a diferença que esta conferência de imprensa foi algo mais calma e pensada.
Scolari encurralou-se a ele próprio, com as declarações precipitadas e contraditórias comentadas aqui. Mais uma vez ferveu em água morna e ficou sem espaço de manobra, até para permitir que o Presidente da FPF não saísse fatalmente chamuscado do incidente (será que alguma vez chamusca?).
Restava um único caminho que teria que por cobro à polémica da ida para Inglaterra e da renovação com Portugal de uma vez só. Não era fácil, dado que a renovação com Portugal também não seria solução possível nem pretendida (julgo eu) pelas partes.
Vai daí o que fazer?
Recusou Inglaterra invocando o jantar da véspera com pessoas que o “fizeram ver como ainda era importante para Portugal” (citação livre) e a falta de feitio para lidar com uma realidade em termos de média e opinião pública da qual se fartou em apenas três dias, com 20 repórteres à porta de casa e considerações sobre a sua família e forma de vestir.
Madaíl (e não só…) delirou com o carácter demonstrado por Scolari e garantiu que… tudo ficará na mesma, mas o esforço será ainda maior no final do Munidal para Scolari continuar.
Sinceramente custa-me vislumbrar as razões para se exultar tanto com este desfecho. Custa-me, principalmente por ter sido justificado da forma como foi e parecendo-me certo que fez a única coisa que estaria ao seu alcance para manter a sua popularidade o mais possível intacta, o que será imprescindível para as batalhas que se avizinham… já em breve com a convocatória final. Não se tratou tanto de um caminho escolhido, mas da única saída possível duma encruzilhada na qual foi colocado essencialmente por ele próprio.
Claro que custa-me tanto elogiar o desfecho como me custou ler algumas opiniões que defendiam que se justificaria até um despedimento imediato…
Agora fazemos todos de conta que existirão condições para Scolari continuar depois do Mundial, ou que haverá mesmo vontade para isso. Fazemos também de conta que todos os contactos de outros clubes e selecções serão interrompidos.
No finalzinho Scolari ainda tentou iniciar a campanha de promoção e apoio à Selecção. Será que pega? Ou será que existiram mesmo condições excepcionais em 2004 por o Euro ser jogado na pátria?
Veremos, esperando pelo melhor, com a certeza que o clube dos que desejam o falhanço retumbante de Scolari ganhou apoiantes e saiu reforçado com todo este episódio.
Publicado por Luis Gomes às 12:45
Comentários
Caros amigos,
A minha sincera opinião é que o Scolari não pode nem deve continuar na selecção, nao me venham com tretas do amor a Portugal, EU PAGO o ordenado desse senhor por isso EXIGO respeito, e que mostre resultados.
Nem que ganhe o campeonato mundial, para mim no dia seguinte ia ter com os ingleses...
Não me parece que os ingleses dessem muito mais a Scolari para fazer o trabalhinho da tanga, nem lhe davam motorista e mordomias que aqui tem, o tempo em inglaterra é uma valente bosta para quem passa o ano todo a mamar dinheiro dos contribuintes e nada para fazer, ou seja nao e tao agradavel para a boa vida. Os jornalistas lá sao melgas e aqui ninguem o chateia.... nem lhe pedem contas, nem perguntam o que faz para ganhar tanto, nem exigem trabalho feito.
É obvio que para estes parasitas Portugal é um excelente pais...
Aproveita e leva as malas feitas e volta para de onde nunca devias ter saido.
Saudações desPORTISTAS.
#1 | Comentado por: RicardoLX | 9 de agosto de 2006 às 14:10
no comment
#2 | Comentado por: cassano | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Bom post, Luís Gomes. Neste caso Scolari subscrevo o que disse ontem Miguel Sousa Tavares:
"Imagine, leitor, o seguinte cenário: uma empresa constitui-se tendo como grande objectivo concorrer a um concurso internacional de prestígio mundial — chamemos-lhe a Empresa. O capital necessário é reunido por subscrição pública, entre pessoas commuito, com algum ou com pouco dinheiro, que acreditam no projecto—chamemos- lhes os Accionistas. Para o liderar, a Empresa contrata um dos profissionais com mais nome no mercado internacional, a quem se dispõe a pagar um ordenado milionário — chamemos-lhe o Profissional. O Profissional reune então uma equipa de quadros altamente qualificados — chamemos- lhe a Equipa—e, durante dois anos, eles preparam-se, com todas as condições, todas as mordomias e todo o crédito, para a tarefa que a Empresa e os Accionistas lhes confiaram— chamemos-lhe o Evento. E, então, doismeses antes do evento, o Profissional aceita reunir-se em segredo com uma empresa concorrente daquela que lhe paga, com o propósito de contratar os seus serviços após o Evento. Ou seja, quando toda a gente, a começar pela Empresa que passou dois anos a pagar-lhe umordenado de luxo, o imagina apenas concentrado no objectivo definido e a mobilizar a sua Equipa para tal, ele está a negociar um novo contrato, acautelando o futuro. Agora, leitor, ponha os nomes às coisas: onde está Empresa, leia Federação Portuguesa de Futebol; onde está Accionistas, leia pagadores de impostos; onde está Evento, leia Mundial de Futebol; onde está Equipa, leia Selecção Nacional; e onde está Profissional, leia Luiz Filipe Scolari. Foi isso que aconteceu: o nosso Seleccionador Nacional, o mesmo que em devida altura vai fazer um apelo ao patriotismo dos portugueses e às bandeiras desfraldadas nas varandas e nos carros, aceitou reunir-se, dois meses antes do Mundial, com representantes da Federação de Futebol Inglesa para discutir as possibilidades de trocar de bandeira, logo após o Mundial. Sim, eu sei: vão-me dizer que ele é um profissional e que o futebol é assim, nos tempos que correm. Mas, então, por favor, não me venham com patriotismos, e «a Selecção de todos nós», e o «treinador de todos nós» e outras bugigangas que tal. Eu pago, eles que joguem, e ponto final. Parece, também, que o «nosso» seleccionador não ficou muito entusiasmado com o convite da Federação Inglesa: o ordenado não era assim tão superior ao que lhe pagamos, o clima é pior, a segurança não é comparável, a família gosta mais de Lisboa e a imprensa aqui é bem mais simpática e compreensiva. Acho uma escolha muito legítima e sábia. Mas, por favor, não a venham depois apresentar como amor a Portugal ou «compromisso de cavalheiros». As coisas são o que são."
Um abraço
#3 | Comentado por: pedro pita | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Creio que Scolari irá ser o próximo treinador do Benfica. Não passa de suposição, mas é minha intuição...
www.catennac1o.blogspot.com
#4 | Comentado por: Ricardo Cunha | 9 de agosto de 2006 às 14:10
Adorava que ele tivesse sido contratado pela federação inglesa. Primeiro porque nos livrávamos dele e depois porque ia ser giro vê-lo a tentar encostar alguns jogadores ingleses ("Não convocas o Gerrard e queres convocar o terceiro médio do Liverpool no lugar dele? Mas tu estás passado de todo?").
Espero que Scolari vá ao Mundial, faça uma boa figura (vai-se ficar pelos oitavos, mas enfim, sempre é contra a Argentina ou Holanda) e depois nos deixe descansados. E depois que coloquem a seleccionador o Agostinho Oliveira que não sendo um treinador excepcional tem experiência de selecções, é bom condutor de jogadores e em quem todos os jogadores (ou quase) da selecção confiam.
#5 | Comentado por: João André | 9 de agosto de 2006 às 14:10
No Brasil ele ganhava mais...
#6 | Comentado por: Elizane | 9 de agosto de 2006 às 14:10
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