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quarta-feira, 3 maio 2006

Mundialices #1

Categoria: Col: Pedro Varela , Mundial 2006

A televisão estava nos primórdios das suas transmissões, a guerra fria fazia parte do quotidiano mundial, a cortina de ferro uma realidade. A história do mundial de 1954, com a Hungria no papel principal é uma das mais belas de sempre. Não que tenha vivido esse tempo, e apenas me posso basear em documentários televisivos e escritos, mas que em poucas palavras gostava de partilhar.

Uma selecção húngara, que não perdia desde 1950. Estava com 24 vitórias e 4 empates. Uma impressionante marca de 116 golos marcados, que dava uma média de 4,25 por jogo, soberbo para a altura. Pelo meio e a caminho da Suiça, campeões olímpicos em Helsínquia, e a destruição da superioridade britânica. Primeiro com um claro 6-3 em Wembley e depois uma estrondosa vitória em Budapeste por 7-1. Ninguém parava a Hungria. Pormenor invulgar no aquecimento dos jogadores. Entravam em campo sempre suados, aproveitavam todos os minutos para exercícios, e não era de estranhar, que os inícios dos jogos fossem sempre dramáticos para a equipa adversária.

O mundial de 54, na Suíça, começou da melhor forma para os húngaros. Com um 9-0 sobre a Coreia do Sul, havia quem já atribuísse o titulo à equipa liderada por Puskas. Ninguém acreditava que Brasil, Uruguai (actual detentor do troféu) ou Alemanha, fossem capazes de parar os magiares. No segundo jogo, contra uma Alemanha, que decidiu apresentar uma equipa secundária, a história quase que se repetiu. A vitória por 8-3, mas que no entanto trouxe uma contrariedade, a lesão de Puskas, que quase o afastou em definitivo do torneio. A selecção húngara, entrava quase sempre decidida em resolver as partidas cedo, colocando os adversários em “ko”, para depois suavemente conquistar a vitória no jogo.

Nos quartos de final, primeiro grande teste à capacidade da selecção magiar. O Brasil era o próximo adversário. A selecção canarinha ainda mal refeita do desaire no seu país, 4 anos antes, tinha a necessidade de conquistar algo no Mundial da Suiça, ainda aguentou, mas não o suficiente para bater a selecção húngara. O resultado final foi de 4-2, e uma enorme contestação com o árbitro inglês no centro das atenções. Conta-se que no final ainda houve um pequeno arraial de pancadaria nos vestuários. Mas não o suficiente de evitar a caminhada dos húngaros rumo à final.

Nas meias finais, deu-se um inevitável choque de estilos. Uruguai, campeão do mundo, defrontava a Hungria, na disputa por um lugar na final. Apesar de não contar com Puskas na equipa, valeu a cabeça de ouro de Kocsis. No final do jogo, e com a vitória da Hungria, uma enorme ovação para o que tinha acontecido no pequeno rectângulo. A Hungria avançava para a final. O fair-play contagiou os jogadores num pós jogo para mais tarde ser recordado. O público agradeceu.

Chegou então a grande final. O adversário era conhecido. A Alemanha. De regresso estava Puskas. Aliás, era difícil imaginar uma final do mundial sem este grande jogador. Como quase sempre, a Hungria entra a vencer por 2-0. Mas desta vez, o resultado não se “dilatou”. Talvez apanhados pelas facilidades do primeiro jogo, a equipa Alemã, soube reagir, e conseguir empatar a partida. Tudo parecia complicar-se. E já na segunda parte, a 6 minutos do fim, a Alemanha marcava o terceiro e decisivo golo. Puskas ainda teve tempo para marcar um golo que seria anulado. O sonho morria no minuto 84! A Hungria não venceu mas apaixonou o mundo do futebol!

Publicado por Pedro Varela às 10:01

Comentários

A Holanda também não ganhou nenhuma copa e também encantou o mundo.

#1 | Comentado por: Elizane | 9 de agosto de 2006 às 14:10

Sim Elizane, mas não podemos falar de todas as selecções, logo no 1º post. ;)

#2 | Comentado por: Pedro Varela | 9 de agosto de 2006 às 14:10

Éxcelente post, é muito bem lembrado Pedro Varela.

Esta equipa Húngara não era apenas Puskas. Tinha Kubala, Czibor e Kocksis- jogadores que viriam a brilhar intensamente com a camisola do Barça ao peito. Usavam um sistema táctico revolucionário para a época, o 4-2-4, que iria ser o sistema que dominou a década. Faziam da velocidade, das triagulações e do conceito de médio centro( o n.º 8 nasce um pouco com este sistema) a força do seu jogo. Figura esta Húngria como uma das grandes equipas da história do futebol, talvez a equipa que inventou o futebol moderno- por ter posto definitivo fim à era do WM.
Bom quanto ás grandes equipas que não ganharam nada, acrescentaria o Brasil de 82( a melhor selecção brasileira de sempre) e, para puxar um cadinho a brasa à nossa sardinha..., a selecção portuguesa de 66- por muitos considerada a melhor equipa do torneio.

Um abraço

#3 | Comentado por: pedro pita | 9 de agosto de 2006 às 14:10

Pedro Varela:

Tudo bem, eu apenas me lembrei da Holanda. Não foi uma crítica, certo?

beijos.

#4 | Comentado por: Elizane | 9 de agosto de 2006 às 14:10

Certo Elizane! ;)

#5 | Comentado por: Pedro Varela | 9 de agosto de 2006 às 14:10

"Os invencíveis magiares", chamavam-lhes. Talvez a mais demolidora equipa de futebol de todos os tempos. Que caíram dramaticamente no jogo mais importante. Lembro-me de um título apropriado paque uma publicação deu a esse jogo: "a fúria dos deuses abateu-se sobre os anjos húngaros".

De realçar que toda essa magia desapareceu depois da invasão soviética de 1956. Os jogadores fugiram, sobretudo para Espanha, e Puskas jogou mesmo com a camisola castelhana, numa altura em que isso era possível.

#6 | Comentado por: João Pedro | 9 de agosto de 2006 às 14:10

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