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quarta-feira, 17 maio 2006

Os outros 23

Categoria: Col: Luís Gomes , Mundial 2006 , Selecções Nacionais

Quando a 18 de Abril antecipei este turbilhão que se adivinhava aqui , muitos comentadores do blog acharam precipitado e fora de tempo.
Ora parece que não me enganei muito… Durante a última semana cansei-me de ouvir analistas, jornalistas, adeptos e afins a exercerem a livre e democrática actividade de criticar.
Pegou-se por tudo e por nada, iniciando-se na crítica fácil (e óbvia) à exclusão de Quaresma para se por tudo em causa. Recalcou-se os argumentos de que com o Brasil qualquer um é campeão do mundo, de tratar-se de um teimoso, preguiçoso, arrogante, que temos uma equipa de génios que garantem sempre boas classificações, que o grupo do qualificação para o Mundial era o mais fácil de todo o sempre, que no Euro fomos o primeiro dos últimos e só chegamos à final por mérito da imprensa e das suas pressões e de Mourinho pelo seu F.C. Porto, etc, etc.

Aqui vai um exercício (assumidamente cínico) que contempla a exclusão de todos os jogadores que ouvi ou li serem postos em causa e a inclusão de todos aqueles que ouvi clamar pela sua convocatória. As fontes são espaços opinativos na net, programas de TV, de rádio e leitura de jornais. Alguns ainda ontem foram recolhidos no programa da RTPN, “Trio de Ataque”.
RICARDO, VITOR BAÍA, PAULO SANTOS
PAULO FERREIRA, MIGUEL, RICARDO CARVALHO, FERNANDO MEIRA, MARCO CANEIRA, RICARDO ROCHA, TONEL, NUNES, MIGUELITO
PETIT, TIAGO, DECO, RAUL MEIRELES, MANUEL FERNANDES, JOÃO MOUTINHO
CRISTIANO RONALDO, PAULETA, JOÃO PINTO, QUARESMA, HUGO ALMEIDA e JOÃO TOMÁS
Cá estão uns alternativos 23 (que por acaso são 24, mas não releva para o caso) que aparentemente gerariam mais consenso… ou será que não? Percebo bem que quem clama a exclusão do Maniche escolhesse o Manuel Fernandes ou o Moutinho e não os dois, mas para agradar a toda a gente Scolari teria que levar os dois e deixar em casa Maniche e Costinha.
Ou seja, fazendo as contas existem 11 (ou 12 se incluir aqui o Figo, não incluído porque ainda na Segunda-Feira à noite ouvi Rui Santos na SIC noticias a colocar em causa o seu regresso) indiscutíveis. Para Scolari, para os jornalistas, para os analistas, para os comentadores e para os portugueses. É quase certo que se pensarmos bem pelo menos 9 ou mesmo 10 desses (no caso de não haver lesões) começarão o Mundial com a titularidade. A equipa base que se adivinha deveria então gerar um consenso alargado, no entanto…
Toda esta discussão ronda então essencialmente em torno de alternativas ao núcleo base da equipa.
Será que uma selecção eleita democraticamente pelos votos de todos os portugueses acabaria com uma lista destas, que reflecte todas as saídas clamadas e convoca todos aqueles apontados como devendo estar presentes nos últimos dias?
Será que os votos de todos os portugueses resultariam nesta lista?
Será que os votos apenas dos ‘especialistas’ resultariam nesta lista?
Será que estes 23 são de facto melhores que os 23 que nos vão de facto representar? Eu tenho dúvidas… imensas. Mais do que isso, será que os resultados seriam melhores com estes 23? Esta é a vantagem suprema que estar de fora. Nunca se poderá demonstrar que não teríamos razão caso o Seleccionador fizesse tudo aquilo que gostaríamos e assumimos como melhores opções - se conseguisse emular todos os nossos pensamentos de treinadores de bancada.

Publicado por Luis Gomes às 15:27

Comentários

Acho que a parte dos resultados será a que mais enfâse deverá levar. Porque a filosofia de convocar os melhores e mais em forma numa determinada altura parece a melhor e mais lógica, mas a Espanha utiliza-a há muito tempo e vemos os resultados que tem dado. E vemos também que com toda a teimosia - eu chamo coerência - o Scolari tem apresentado resultados, e acho inadmissível que se minimize um segundo lugar num campeonato da Europa.

Penso que este Mundial é um ponto de viragem para Portugal em relação aos outros - excepção feito ao de 66. Normalmente tem sido uma cowboiada com os jornais, comentadores, presidentes de clubes a fazerem a selecção, o que resultou no bonito serviço de tentar jogar só com um trinco no primeiro jogo do campeonato do Mundo sem nunca o ter feito antes (2002). Ou de meter à pressa o Vitor Baia vindo de uma lesão muito prelongada.

Enfim, vamos ver como se fazem as coisas em campeonatos do Mundo quando não são feitas por Portugueses mas com jogadores portugueses :))).

No fim penso que poderemos tirar mais umas quantas lições, como o fizemos do Europeu de 2004.

#1 | Comentado por: G Soares | 9 de agosto de 2006 às 14:09

Luis,

Tens toda a razão e assino por baixo o teu post.

Somos um povo de cretinos, governado por cretinos. Achamos que o exercício da Democracia confere o direito a 10Milhões de decidirem tudo e sobre tudo. Democracia não é participar. Democracia é mandar.

Tudo tem sido dito sobre o Scolari (felizmente a esmagadora maioria dos Portugueses apoia e por isso é q ele ainda cá está) é infame e de uma ingratidão imensa. Não merecemos grande coisa.

Gostamos de chafurdar em M... só assim sabemos viver.

Que a malta vá dizendo umas larachas e mostre algum descontentamento é aceitável e até engraçado. Agora que se ofenda a dignidade profissional das pessoas em directo pela televisão (Trio de Ataque, com excepção do Rui Moreira que se vê q bebeu chá em pequenino) é infame. Aquelas duas bestas q ontem falaram na RTPN e o que disseram ofendendo a dignidade profissional do Scolari (gajos q nunca fizeram a ponta de um corno na vida e vivem dos subsídios)mereciam era levar um murro naquele focinho e em directo.

#2 | Comentado por: Johnny Rook | 9 de agosto de 2006 às 14:09

Luís Gomes, gostas assim tão pouco do João Moutinho para o chamares duas vezes de "Montinho"?

Quanto ao que disseste, obviamente que com outras pessoas terias outras escolhas, isso é lapalissiano, tal como algumas críticas são pavlovianas.

Agora eu continuo a criticar o Scolari e só darei a mão à palmatória se ele ganhar o Mundial ou, no mínimo dos mínimos, for às meias finais. É mesmo o mínimo exigível. E porquê? Porque pura e simplesmente decidiu levar os jogadores dele, não necessariamente os melhores do momento. Isto não é subjectivo, é tão objectivo quanto possa ser. Claro que foi ele quem se colocou nesta situação. Depois de convocar sempre os mesmos não poderia fazer uma convocatória muito diferente, sabendo que novos jogadores teriam de ser completamente integrados. Mas foi ele quem o provocou. Costinha, que eu unca deixaria de incluir em condições normais, não joga há seis meses. Seis meses. Não é uma questão de ser suplente no seu clube. É uma questão de não ter um minuto de competição nas pernas nos últimos 180 dias! Isto é muito. Maniche, cuja inclusão eu daria de caras em situações normais, das poucas vezes que jogou pelo Chelsea acabou a ser substituído ou então a não trazer nada à equipa quando entrou a substituir alguém. João Moutinho foi o motor do meio campo do segundo classificado na liga, Quaresma o melhor jogador do campeonato e Manuel Fernandes teve um final de campeonato em que era, juntamente com Léo, o único jogador no Benfica a fazer alguma coisa de jeito.

As críticas não nascem do nada. E se olharmos para o Euro, dizer que foi bom quando tivemos duas derrotas, um empate e três vitórias é estar a embandeirar em arco. Especialmente quando apenas uma vitória foi por mais que um golo e logo contra uma equipa que passou metade do jogo com menos um jogador. E quando o empate foi contra uma Inglaterra que deixou jogar desde o primeiro minuto e que, cada vez que se viu a sofre um golo, foi à frente e marcou logo a seguir. O Euro só convenceu os fanáticos ou aqueles que têm palas nos olhos. Tivesse sido noutro país, sem uma população a carregar a equipa ao colo, e nem da fase de grupos teríamos passado.

Scolari é inteligente a gerir o grupo, coloca os jogadores a matarem-se por ele. É normal. Se lhes guarda o lugar independentemente do que aconteça, eles vão fazer tudo por ele. Mas dizer que é mérito essencialmente dele o que ganhou é ser cego ou burro ou fanático. Sinceramente espero comer todas as minhas palavras em relação ao Mundial, mas tenho a sensação que não passamos dos oitavos. E mesmo que passemos, o mínimo exigível, depois de uma convocatória destas, é ter as meias finais. Menos que isso e sou eu a pagar do meu bolso o bilhete em primeira classe de volta ao Brasil.

#3 | Comentado por: João André | 9 de agosto de 2006 às 14:09

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