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quarta-feira, 17 maio 2006
Scolari de novo
Categoria: Col: Luís Gomes , Mundial 2006 , Selecções Nacionais
Será tudo o que ouvimos dizer é verdade?
- Scolari não tem currículo.
2006 Qualificação para Mundial da Alemanha 2006 - Portugal
2004 Vice-Campeão Euro2004 - Portugal
2002 Campeão do Mundo Coreia / Japão 2002 – Brasil
2001 Taça Sul-Minas – Cruzeiro
2000 Torneio Rio-São Paulo - Palmeiras
1999 Taças dos Libertadores da América – Palmeiras
1998 Taça Mercosul - Palmeiras
1998 Taça do Brasil - Palmeiras
1996 Campeão Nacional do Brasil - Grémio
1996 Campeão Estadual Gaúcho – Grémio
1996 Recopa Sul-Americana - Grémio
1995 Taça dos Libertadores da América – Grémio
1995 Campeão Estadual Gaúcho - Grémio
1994 Taça do Brasil – Grémio
1991 Taça do Brasil – Criciúma
1990 Taça do Golfo – Kuwait
1990 Taça do Emir – Al Qadsia
1989 Taça Salmiya – Al Qadsia
1987 Campeão Estadual Gaúcho - Grémio
1982 Campeão Estadual de Alagoas – CSA
Quantos Seleccionadores Nacionais chegaram à Selecção com tantos ou mais títulos?
- Qualquer um pode ser campeão com o Brasil.
Não teve o mérito de ter uma carreira que lhe deu acesso ao cargo? Essa carreira não terá tido algum mérito para lhe valer a escolha, para um dos cargos de treinador mais discutidos e escrutinados do mundo?
Além da óbvia constatação que muitos seleccionadores brasileiros treinaram o escrete sem serem campeões do Mundo, será que a mesma lógica tão facilmente aplicada a Scolari se aplica cá no burgo? Alguma vez foi tirado o mérito a um treinador em Portugal por ter sido campeão nacional num dos grandes? Alguém disse ao Robson, ao Fernando Santos ou ao Mourinho que qualquer um no F.C. Porto corria o risco de ser campeão? Alguém disse que o Jaime Pacheco era o único verdadeiro grande campeão, porque alcançou o título no Boavista e não nos óbvios candidatos?
- Scolari foi Vice-Campeão Europeu porque jogávamos o Euro em casa, tinha todo o público a apoiá-lo.
Que quota-parte de responsabilidade teve o (também criticado) populismo de Scolari nesse apoio que a Selecção teve? Nenhum?!?!?!?! Será que alguém antes dele conseguiu aglutinar o país no apoio à Selecção como Scolari conseguiu?
- Scolari é teimoso e só mudou a equipa após o primeiro jogo com a Grécia por pressão da opinião pública.
Mas afinal é teimoso ou não? Depois de perder o primeiro jogo em casa a equipa não seria mudada na mesma, havendo ou não pressão externa?
O que aconteceria se os ‘históricos’ fossem suplentes à entrada do Europeu? Se fossem suplentes e perdêssemos com a Grécia – a opinião pública clamaria ou não para que jogassem?
Na Segunda-Feira na TSF ouvi um comentador a recolher alguns dos louros do sucesso no Europeu para os jornalistas pelas críticas efectuadas. Alguma vez alguém ouviu/leu algum jornalista/analista a indicar que uma sugestão dada que por acaso foi seguida e teve insucesso? Cansaram-me as vezes nesta época que ouvi jornalistas aos 80 minutos de jogo, deslumbrados com o recém entrado Karagounis, mostrando absoluta incredulidade por ele não jogar de início. Os mesmo que no jogo seguinte criticavam a sua entrada no 11 após os 20 minutos de jogo iniciais com pouca intervenção no jogo.
Clamar louros por decisões acertadas é fácil, principalmente porque ninguém escrutina todas as opiniões que resultam ou resultariam em resultados piores. É este mesmo paradoxo que permite a um consultor nunca se enganar sobre nada e um gestor ter que decidir e como tal ter muitas decisões acertadas e muitas erradas também.
- O apuramento para o Mundial era óbvio: o grupo era muito fácil.
Alguém acredita que já não tivemos grupos tão ou mais fáceis como este? Alguém de boa fé consegue esquecer as contas de cabeça que ciclicamente fazemos para nos apurarmos para as grandes competições, independentemente dos adversários? Alguém tem coragem de menosprezar as dificuldades imensas, que quase já fazem parte da nossa cultura futebolística, quando enfrentamos adversários teoricamente muito mais fracos e quantos apuramentos isso já nos custou?
- A carreira no Europeu e o apuramento para o Mundial eram óbvios: temos jogadores de nível mundial.
Estamos todos absolutamente esquecidos da denominada geração de ouro? Um lote de jogadores estável com experiência internacional desde muito jovens, com carreiras individuais sustentadas por imensos títulos em Espanha ou Itália, com anos e anos de futebol em conjunto? Alguém consegue afirmar de boa fé que individualmente esse não era um grupo muito mais forte que o actual ou o do Europeu?
O que conseguiu essa geração de ouro? Que dificuldades teve nos apuramentos e quantos falhou?
Será mesmo o lote actual de jogadores dos melhores de sempre de Portugal?
- O grupo do Mundial é fácil.
Verdade indiscutível. O do último Mundial não era? Seria mais fácil ou mais difícil?
- Scolari não presta contas a ninguém.
Ainda ontem ouvia: “Se correr mal vai embora e o que acontece? Nada. Não presta contas a ninguém.” António Pedro Vasconcelos in “Trio de Ataque”. Aguardo sugestões para o que se poderia exigir ao Scolari no caso de insucesso: Tortura pública? Devolução dos vencimentos? Não o deixámos ir para Inglaterra?
Aguardo também que me expliquem que outras ‘punições’ tiveram todos os restantes Seleccionadores que não atingiram os objectivos propostos.
Notas:
- O início da conferência de imprensa era absolutamente dispensável. Já se joga a sucessão e Agostinho Oliveira jogou uma carta forte. Madaíl esteve ao seu nível…e permitiu uma tréplica de Scolarii. Os mesmos jornalistas que se indignaram por esta explicação adicional do Scolari foram os que se acotevalram que perguntar a todos os jogadores à chegada da concentração dos sub-21 quem era o chefe. Afinal queriam o assunto encerrado ou queriam mais sangue? (Conseguiram tê-lo com as cómicas declarações do Hugo Almeida, que dividiu os pelouros entre patrões, chefes e maiorais…)
- Eu convocaria o Quaresma e acho que o Moutinho com 18/19 anos fez uma época possivelmente sem parelelo histórico que me lembre – em termos de regularidade, utilidade e inteligência táctica é um sobredotado, aparentando a cultura futebolística de um trintão, com a personalidade de um senhor do futebol;
- Continuo a ter muita pena da ausência do Jorge Andrade – verdadeiramente insubstituível;
- Eu não convocaria o Ricardo Costa, mas fiquei convencido com a explicação de Scolari e mais ainda depois de consultar o seu currículo - em casos de dúvida penso que a experiência internacional acumulada e os hábitos de vitória devem desempatar;
- Nunca foram tão claros os critérios de selecção de jogadores e se calhar por isso tão facilmente atacáveis. Alguns critérios, como o desempenho nos jogos particulares (45 minutos no caso do Quaresma e pouco mais para o Ricardo Costa penso eu) podem resultar em claras injustiças, tão pequena é a amostra para avaliação. Mas se os jogos particulares não servem para avaliar os jogadores no seu desempenho na Selecção, e o desempenho neles deve ser menosprezado, para que serviriam então?
Com isto só podemos concluir que deveriamos acordar mais cedo para o problema, e reclamar mais minutos para o Quaresma na Selecção antes da convocatória final.
- Que alívio não ouvir falar do Ricardo todos os dias… pode ser que ele chegue ao Mundial mais tranquilo e mais confiante, sem medo da própria sombra que o quer tramar;
- Espero que o Tiago seja titular e se consiga adaptar ao ponto de se tornar alternativa ao Deco em caso de necessidade;
- Scolari (mal aconselhado ou não) comprou boa parte das guerras em que se vê envolvido;
- Tenho pena que partamos para o Mundial com muita gente com as garras afiadas esperando o insucesso. Valha-nos que todas as razões para o insucesso já estão escritas e esplanadas. Não faltarão os escritos do tipo 'eu bem avisei...'. Veremos como se menosprezará o sucesso, caso ele aconteça. Não faltará imaginação seguramente.
- Eu estou, como sempre estive e estarei (obviamente independentemente das escolhas), com a MINHA SELECÇÃO. FORÇA PORTUGAL!
Publicado por Luis Gomes às 16:35
Comentários
Grande texto, e concordo com o teor.Como ja deixei asinalado noutros posts, discordo com uma ou outra convocatoria, mas pronto.
Agora vamos la a ganhar uns joguitos caramba
#1 | Comentado por: Quinhentinhosole! | 9 de agosto de 2006 às 14:09
Brilhante post, parabéns ao Luis Gomes pela recente e grande entrada no Terceiro Anel.
Força Portugal!
#2 | Comentado por: Pedro Neto | 9 de agosto de 2006 às 14:09
Nem mais.
VIVA PORTUGAL!!!!!
#3 | Comentado por: Mangalho | 9 de agosto de 2006 às 14:09
"- Scolari é teimoso e só mudou a equipa após o primeiro jogo com a Grécia por pressão da opinião pública."
Eu substituiria por : "- Scolari é teimoso e só mudou a equipa após o primeiro jogo com a Grécia."
Ou seja, contra todas as evidências, contra toda a opinião pública, ele manteve a estrutura que ele achava melhor e repudiou a estrutura que estava no FCPorto de Mourinho. Chegou a fazer gala disso numa entrevista, em que disse que toda a gente o aconselhava a usar uma estrutura que já estava montada num clube de sucesso, mas o patrão era ele!!
Depois de perder com a Grécia lá meteu o rabinho entre as pernas, e parece-me impossível que isso possa não ser considerado uma derrota pessoal do Scolari. Para além do mais, andou 2 anos a rotinar um esquema e uma estrutura, para atirar para o lixo depois do primeiro desaire a sério.
Foram 2 anos completamente desperdiçados em termos de "olear a máquina", porque era importante fazer o entrosamento dessa estrutura com outros jogadores fulcrais, como Figo, Cristiano Ronaldo e Pauleta. Quem é capaz de dizer que com esses 2 anos de treino e rotina não teríamos sido campeões europeus?
Assim, esse entrosamento teve que ser feito sobre brasas, à pressa e sob pressão competitiva...
É verdade que é fácil ser campeão com o Brasil, que o grupo de apuramento para o Mundial foi fácil e que o grupo no Mundial é fácil. Tudo factos.
Concordo que não servem para denegrir o trabalho do Scolari, mas também não servem para o enaltecer.
Ou seja, para mim "ele é bom porque foi campeão com o Brasil, nos apurou facilmente para o Mundial e nos qualificou (espero eu!) para os 8ºs de final" não colhe.
Reconheço-lhe méritos em termos de motivação dos jogadores. Mais nada.
Mas reconheço que com um bom grupo de jogadores isso pode ser suficiente. Com certeza que o é para jogadores como o Brasil tem.
Em minha opinião, se o Scolari fosse neste momento seleccionador do Brasil, muito dificilmente deixaria de ser campeão.
Agora, o tom de crispação que ele trouxe para o exercício da função era completamente dispensável.
Quando ele se for embora, não irei ficar com saudades. Nenhumas.
Entretanto, torço pela minha selecção, pois claro, apesar do seleccionador que lá temos.
#4 | Comentado por: Jorge Coelho (jcoelho) | 9 de agosto de 2006 às 14:09
Nem mais.
VIVA PORTUGAL!!!!!
#5 | Comentado por: Mangalho | 9 de agosto de 2006 às 14:09
Luis,
Começa a ser um hábito mas....CLAP;CLAP;CLAP;CLAP.
Sem mais comentários.
Para as inteligências do "mudou por pressão depois da derrota com a Grécia" , gostava de perguntar porque não "mudou depois da derrota com a Grécia na final" onde jogou com o 11 base imposto pelas tais aventesmas dotadas de 1 neurónio?
#6 | Comentado por: Johnny Rook | 9 de agosto de 2006 às 14:09
"Estamos todos absolutamente esquecidos da denominada geração de ouro?
O que conseguiu essa geração de ouro? Que dificuldades teve nos apuramentos e quantos falhou?"
Não falhou assim tantos. Expoentes da Geração de Ouro foram Figo, Rui Costa, Paulo sousa, João V. Pinto, Jorge Costa, Fernando Couto, e de certa forma, Baía. em 1992 e 1994 ainda eram um pouco verdes, mas desde então, mesmo falando das sucessivas renovações, só falharam o mundial de 1998, com o poeta-treinador Artur Jorge à frente.
De resto, concordo com a generalidade do post, mesmo discordando da convocatória de certos jogadores, como Maniche e Costinha (Pedro Mendes, não seria também uma aposta segura?).
Em relação ao currículo de Scolari, chamo a atenção para uma equipa construída por ele e absolutamente fabulosa: o Grémio de Porto alegre, de 1995; tinha jogadores como Jardel, Paulo Nunes, Adilson, Danrlei, e só perdeu frente ao invencível Ajax de Van Gaal nos penaltis.
#7 | Comentado por: João Pedro | 9 de agosto de 2006 às 14:09
O Felipão é mesmo vitorioso. Ele ainda foi vice-campeão pelo Palmeiras por duas vezes na copa Mercosul frente ao Vasco e Flamengo; vice campeão brasileiro em 97 frente ao Vasco; vice paulista contra os gambás em 99 e vice da Libertadores em 2000 frente ao Boca Jrs. Ele deixou muita saudade quando saiu do meu verdão.
Tem razão João Pedro, o Grêmio de 95 e 96 era mesmo um bicho-papão. Eu me lembro bem que na Libertadores de 95 o Grêmio enfiou um 5x0 no Palmeiras lá em Porto Alegre. Depois em São Paulo enfiamos um 5x1 neles, mas de nada adiantou. Fomos eliminados e o tricolor gaúcho acabou vencendo a competição. No ano seguinte ganhou o campeonato brasileiro vencendo a Portuguesa.
beijos.
#8 | Comentado por: Elizane | 9 de agosto de 2006 às 14:09
Scolari criou um espirito de equipa que é o segredo da nossa selecção. E optou por levar jogadores que aceitem bem a sua condição de suplentes. R.Costa, H.Viana, Quim e B.Vale provávelmente não vão jogar um só minuto no Mundial. Por isso porquê tanto barulho?
#9 | Comentado por: leãodafontedamoura | 9 de agosto de 2006 às 14:09
Luís Gomes, quando se quer defender um treinador é fácil preverter argumentos.
Scolari tem currículo? Pois tem, critico-o mas não por isso.
A geração de ouro não se foi apurando? Bom, se considerarmos que no seu início andava enfiada nos terceiros potes em vez de ser cabeça de série talvez ajude. Com o Artur Jorge eram (como já foi dito) verdes e ainda por cima levaram com a Itália. Noutros nem me lembro. Ainda assim é difícil deixar de considerar este grupo fácil, com "potências" como o Lichtenstein (com quem conseguimos, felizmente, empatar fora e mesmo à rasca - brilhante, sem dúvida - ganhar em casa). Ou a Eslováquia. Ou uma Rússia que não parece saber oq ue fazer a uma bola desde que o Lobanovski (que até era ucraniano) morreu. Quais eram mesmo as outras equipas?
Dizer que a "geração de ouro" era tão experiente como esta é ridículo. A tal "geração de ouro" tinha jogadores realmente "de ouro", mas também tinha Dimas à esquerda, Secretário à direita, Paulo Madeira frequentemente ao centro, Sá Pinto (bom jogador, não contesto) a ponta de lança, etc... Esta equipa é, para todos os efeitos, mais equilibrada. O mérito de Scolari é única e simplesmente (ainda que não seja pouco) o de lhes dar ambição. Mas isso já o Humberto Coelho tinha feito com uma equipa uns bons furos abaixo e numa altura em que os adversários eram bem mais fortes que agora.
A história da mudança da equipa. É óbvio que é teimoso. Teimosíssimo. Casmurro, mesmo. Mudou a equipa porque tinha mesmo de mudar. Se não o fizesse arriscava-se a terminar o Euro sem se apurar para lá da fase de grupos. E aí teríamos mesmo as tais cenas de tortura. Imagino-o facilmente a ser espancado por adeptos mais violentos. Seria lamentável, mas previsível.
Dar contas. Quando se fala em dar contas fala-se na nacionalidade. Quando terminar o contrato, indo-se embora, não dá mesmo contas. Um outro treinador, português ou que ficasse posteriormente em Portugal, teria de as ouvir boas no caso de falhanço. Scolari não. Se falhar o Mundial vira a página e segue em frente. Todo o empenho por "Portugal" (só falta ouvir uma tradução do "über alles" alemão) é fachada. Funciona. é verdade, mas também por isso lhe serão pedidas mais contas no final do Mundial.
Qualquer um pode ser campeão no... - bom, disse-se muitas vezes isso de Robson e outros treinadores, que qualquer um poderia ser campeão no Porto, ou Benfica ou Sporting, pelo menos com as equipas que esses clubes tinham em dados momentos (este ano, por exemplo, até o roupeiro do Porto poderia ter sido campeão). Com o Brasil qualquer um pode ser campeão. É verdade absoluta. Também é provável que a maior parte das vezes não se seja. Por isso mesmo o Brasil tem menos de metade dos títulos mundiais. Mas se há um único título mundial do Brasil que foi mérito do treinador é o de 94, em que jogaram com téctica. Sempre que o Brasil foi campeão foi essencialmente mérito dos jogadores, que iam resolvendo os jogos. A única coisa que precisam é deum treinador que lhes puxe as orelhas de tempos a tempos. E isso sim, Scolari soube provavelmente fazer.
De resto, como dizes acertadamente, comprou guerras estupidamente. Até mesmo com o seu treinador dos sub-21. Se ele já tinha a equipa definida porque é que não a deu a conhecer ao treinador de sub-21 que nem sequer podia convocar os seus jogadores? Não era preciso torná-la pública. Se há coisa que atesta o carácter do Agostinho Oliveira é a forma como trabalhou nestes anos. Poderia (e deveria, na minha opinião) ter sido o seleccionador depois da Coreia e calou-se no seu trabalho (brilhante) de seleccionador de sub-21. Agora, depois de desautorizado, não fez demasiado barulho. Outros treinadores apresentariam a sua demissão.
Repito: com todas estas tretas em volta de Scolari, o mínimo exigível são as meias finais. O mínimo dos mínimos. E para os seus defensores é mesmo o título. Menos que isso e o homem tem que se pôr ao fresco.
#10 | Comentado por: João André | 9 de agosto de 2006 às 14:09
Concordando com algumas coisas que diz o Luís, as correcções que faz o João André são mais do que certeiras. E deixo aqui mais umas achegas.
Em 2002 o Brasil ganhou não só por mérito próprio (sobretudo dos jogadores), mas também por falta de comparência dos principais candidatos. França e Argentina ficaram na 1ª fase. A Itália foi afastada por um árbitro. A Holanda nem foi. Dos candidatos, o único que ficou foi uma Alemanha medíocre, que se tinha visto à rasca para eliminar o Paraguai e os EUA, que jogou a final sem o único jogador de classe, e que ainda assim mandou uma bola ao poste com 0-0 e perdeu o jogo com um frango impensável do melhor jogador do torneio. Isto retira mérito ao título? Claro que não, mas ajuda a relativizar a importância de cada elemento para o resultado final. Não falando em algumas ajudas providenciais, como o golo mal anulado à bélgica nos oitavos e com o resultado em 0-0, ou o não-castigo ao Rivaldo depois de uma simulação vergonhosa de agressão contra a Turquia.
Quanto a grupos de apuramento, em 92 tínhamos a Itália no grupo (discutimos o apuramento até ao último jogo, e perdemos com um golo em off-side, salvo erro do Dino Baggio); em 96 tínhamos a Alemanha, e só ficamos de fora quando uma célebre expulsão do Rui Costa permitiu à Alemanha empatar o jogo decisivo. os grupos eram incomparavelmente mais complicados do que este, em que não havia qualquer selecção de classe. É impossível dizer o contrário de boa fé!
Parece que toda a gente se esquece que alguns dos jogadores que formavam a espinha dorsal da selecção de há 2 anos tinham acabado de ganhar duas taças europeias, por muito que contunue a custar a muita gente (hello, Bill!!). Isto não é uma geração de ouro? Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Paulo Ferreira (apesar do péssimo Euro que fez), Costinha, Maniche ou Deco (Campeões Europeus em título), a que se juntavam Jorge Andrade, Miguel, Simão, Pauleta, Cristiano Ronaldo, Boa-Morte ou Tiago não eram e são uma geração de ouro? Comparem os títulos que estes já ganharam com os da "outra" geração, e digam de boa fé que individualmente os outros eram claramente melhores.
O grupo do mundial passado era fácil? Não sei se era, mas sei que das duas equipas que passaram, uma ficou em 4º lugar e a outra foi aos quartos e perdeu 1-0 com o finalista, depois de eliminar o México. Não creio que o Irão, Angola ou o México consigam fazer igual, mas fico à espera para ver.
Mas pronto, isto são reflexões de "avantesmas com um neurónio", que não se contentam com a doutrina de Estado e se atrevem a por em causa a verdade oficial. Os verdadeiramente inteligentes, os sábios da bola, sabem bem que nos "tempos do antigamente", em que não tínhamos o inteligente-mor á frente, nada disto alguma vez aconteceria. Nem com o Deco, nem com Ricardo Carvalho, nem com o Cristiano Ronaldo, nem com ninguém. Esses são simples instrumentos de que a Sumidade se serve, se e quando quiser e lhe der na veneta, e ai de quem questionar as Suas sábias escolhas. Com Ele á frente até eu era campeão. Mais, até o Beto jogava bem.
#11 | Comentado por: joethelion | 9 de agosto de 2006 às 14:09
Acho piada aos portistas a diminuirem os méritos das vitórias do Scolari, dizendo q era tudo fácil, adversários fracos, grandes jogadores, etc.
É uma opinião!
Mas ficam muito abespinhados quando eu e outros dizemos que a Taça UEFA e a CL e a Toyota foram ganhas também por falta de comparência dos grandes e alguma falta de classe de outros, nomeadamente aqueles desgraçados da Colômbia.
#12 | Comentado por: Johnny Rook | 9 de agosto de 2006 às 14:09
Portanto, para ti equipas como a Lazio, o Man. Utd, o Depor ou o Lyon eram adversários pequenos.
"É uma opinião!"
#13 | Comentado por: joethelion | 9 de agosto de 2006 às 14:09
O que lá vai lá vai e não tem necessariamente peso para o presente, ou então o Sporting com o Paulo Bento teria descido de divisão e o Baía teria de ser titular do Porto até andar de muletas, pois tão rápido não aparecerá ninguém com mais títulos que ele. CV'S valem o que valem.
Pode discutir-se o que se quiser, opções, tácticas, mas as máximas "elas contam é lá dentro" e "no fim é que se fazem as contas", servem para mostrar que as críticas devem vir é no final.
Considero por exemplo, que o facto de Portugal ter perdido a final do euro2004 com a Grécia é no mínimo injustificável, com culpas para o treinador/seleccionador que, mesmo sendo o segundo jogo com aquela selecção, não conseguiu desenhar uma táctica vencedora. Não para vencer por um, para vencer. Ainda se fosse outra selecção...
Mas se há contas a fazer no futebol da selecção AA portuguesa, nem proponho Saltillo (não se trata aqui de treinadores e seleccionadores), a vergonha do mundial de 2002 é sem qualquer dúvida a maior nódoa da equipa nacional.
Neste caso não me lembro de grandes alaridos e acender de fogueiras para castigar o treinador/seleccionador, o culpado dos culpados, apenas por parte dos adeptos. De resto, passou-se uma esponja sobre o assunto, mesmo sobre o relatório do Boronha, que punha a nú uma série de situações escabrosas, entre as quais conflitos bem mais tensos e perigosos que a questão do chefe. Já nem falo dos lamentos do Figo, jogador de topo, acabadinho de se sagrar melhor jogador do mundo, que se mostrou estupefacto com a estória dos alhos e cebolas no balneário. E ainda há a confraternização da equipa técnica na praia até às tantas da manhã "estivemos à conversa" foi a explicação. Sobre quê era a pergunta que se impunha...
Acerca deste campeonato que aí vem acho que, apesar de tudo, a equipa tem condições para se reunir e encontrar um espaço de concentração, alheando-se destas polémicas que servem mais para vender jornais e entreter a malta nos blogs.
No papel a selecção portuguesa tem que ter uma palavra a dizer neste campeonato, mas daí a estabelecer metas antes de começar vai uma longa distância. Acho que com estatuto de vencedor provável só mesmo o Brasil e a seguir temos um conjunto de equipas, entre as quais estará Portugal, a fazer pela vida para chegar o mais longe possível. Logo se vê.
Tranquilidade é o que desejo à selecção e mentalidade ganhadora é que peço. A sorte sorrirá aos audazes.
P.S. Ou isso são contas antigas, ou nunca vi ninguém enfiar a carapuça tão rápido como o joão leão. Calma rapaz
#14 | Comentado por: papoila saltitante | 9 de agosto de 2006 às 14:09
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