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terça-feira, 30 maio 2006
Agostinho Oliveira e a formação
Categoria: Col: Luís Gomes , Euro Sub'21 2006 , Selecções Nacionais

Ouvi as entrevistas e reacções no final do Portugal- Alemanha e a opinião foi unânime: deram tudo, há que levantar a cabeça e olhar para a frente e a culpa foi da bola que não entrou ou, mais genericamente, do azar.
Portugal teve azar nalguns momentos deste Europeu e existiram decisões de arbitragem erradas que prejudicaram a nossa equipa em mais do que uma ocasião. Dai até apontarmos essas como as razões essenciais para o insucesso da equipa portuguesa é, na minha opinião, errado e até leviano.
Além da pressão exagerada inicial, com a qual a equipa se deu obviamente mal, outras coisas ficaram óbvias. Vou passar por cima da evidência que faltou um modelo de jogo trabalhado e interiorizado, porque parece-me que isso foi mais um sintoma que uma razão para o insucesso.
Mais do que o vedetismo, ou os cortes de cabelo que incomodaram tanta gente, creio que o que aconteceu foi um bloqueio mental colectivo, cujo líder não só não conseguiu ultrapassar como, na minha opinião, ajudou a reforçar.
A derrota com a França foi ultrapassada com considerações genéricas de que o adversário era muito forte… e tivemos falhas na concretização. As bolas não entravam. Pelo menos publicamente, nada se apontou como tendo corrido menos bem no nosso jogo, senão as falhas na concretização, provocadas por azar.
Em termos de discurso a coisa descambou após o segundo jogo. A quantidade de oportunidades permitiu ignorar a falta de jogo colectivo da equipa e as falhas defensivas óbvias. Tudo se centrou na falta de golos. Como já tínhamos visto antes em cada plano de Agostinho Oliveira durante os jogos, as suas feições não enganavam: não sabia como alterar o rumo dos acontecimentos. Se suspeitas se levantavam cada vez que o via esfregar a cara e mudar novamente o Nani de posição, confirmei-as no final do jogo. “Os jogadores são os mesmos, o treinador é o mesmo. Que querem que faça? As bolas não entram. Tivemos um apuramento sem derrotas e agora as bolas não entram. Que querem que faça?”.
Se os jogadores se podiam sentir ‘desculpados’ antes, deixariam de se ter que preocupar mais. Nada havia a alterar ou a mudar no seu jogo ou postura. Havia que esperar que a sorte mudasse. Tão só e somente.
O discurso repetido pelo líder, do qual os jogadores iam fazendo eco, colocaram-nos num bloqueio mental, que os impediu de percorrer o caminho necessário para melhorarem o seu jogo. Como melhorar (e o que melhorar…) se apenas estavam a lutar contra o azar, o infortúnio… o raio da bola que não entrava?
O corolário foi o jogo da Alemanha, que desculpou um desaire total com uma vitória (apesar de escassa). Um jogo em que os jogadores falhavam os passes fáceis e os difíceis, insistiam em fintas e fintas com linhas de passe fáceis e abertas… um jogo em que Portugal conseguiu entregar a bola directamente aos alemães em 80% dos lançamentos laterais…
Não me esqueço que há uma semana atrás ouvi o Prof. Jesualdo Ferreira numa entrevista, explicar a importância da flash-interview como forma de preparar a equipa e os adeptos para o trabalho para o próximo jogo. De como na época passada não reclamou erros da arbitragem nas mesmas, porque isso tirar-lhe-ia a capacidade de apontar os erros dos jogadores no treino seguinte. Justificaria as derrotas com factores externos, tirando a hipótese de os jogadores apreenderem o que fizeram mal e colocarem-se disponíveis mentalmente para melhorar.
Acho que Agostinho Oliveira, já complicado mentalmente com a polémica com Scolari, foi precipitado nas desculpas encontradas e inadvertidamente incapacitou-se para dar a volta ao espírito e ao futebol da equipa que orientava. A sua confusão continuou na véspera do último jogo publicitando o seu currículo de finais conquistadas… seguida por outra no final do jogo em que diz que não joga para resultados mas para a formação. Afinal temos que valorizar os títulos que conquistou ou não?
No final, acho que se a prestação avaliada em vitórias foi obviamente má, avaliada em termos de formação de jogadores não deixou de ser um fracasso também. Não penso que o futebol português necessite de uma geração a iniciar-se numa carreira internacional com o bom velho hábito português de procurar razões para insucessos em todo o lado menos em nós próprios. Uma geração que não conseguiu dar a volta aos acontecimentos porque lhes foi incutido que estavam a lutar contra algo intangível e muito mais forte do que eles: o azar.
Publicado por Luis Gomes às 19:17
Comentários
De facto o Agostinho Oliveira teve algum azar nos comentarios. ;-)
#1 | Comentado por: Bill | 9 de agosto de 2006 às 14:08
De facto o Agostinho Oliveira teve algum azar nos comentarios. ;-)
#2 | Comentado por: Bill | 9 de agosto de 2006 às 14:08
De facto o Agostinho Oliveira teve algum azar nos comentarios. ;-)
#3 | Comentado por: Bill | 9 de agosto de 2006 às 14:08
De facto o Agostinho Oliveira teve algum azar nos comentarios. ;-)
#4 | Comentado por: Bill | 9 de agosto de 2006 às 14:08
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