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sexta-feira, 9 junho 2006
Sabiam que..#1
Categoria: Col: Luis Gonçalves
A partir de hoje, vou lançar uma nova “colecção” de posts, no qual vou contar algumas histórias (algumas não passam de lendas e mitos..) do futebol, tanto actual como de tempos antigos.
Serão pequenos textos, uns alegres, outros tristes, sobre o mundo do desporto-rei, e que espero que sejam do vosso agrado. Para começar , vou contar uma história que não diginificou em nada o futebol mundial:
Luis “Luisito” Monti era um dos grandes nomes do futebol argentino, o craque da alvi-celeste nas décadas de 20 e 30. Sem surpresa foi o escolhido pelos adeptos argentinos como uma das grandes esperanças para levar a equipa à vitória no primeiro Mundial, a disputar no Uruguai em 1930.
Tudo correu bem à selecção argentina e graças a Monti, que durante a competição esteve em grande forma, conseguiram obter um lugar na final, na qual iriam defrontar o Uruguai, que além de país organizador, era um acérrimo inimigo dos alvi-celestes. Era por isso que todos esperavam que nesse encontro vital Monti mostrasse todas as suas armas, que se baseavam no jogo violento.
Na grande final, ao intervalo, a Argentina vencia por 2-1, mas Monti não fazia entradas, nem jogava da mesma forma como que jogado toda a sua vida. Em resumo, estava a jogar mal. Não quis entrar na segunda parte, mas foi convencido (ou obrigado!) pelos companheiros de equipa. Mas continuou a jogar mal, e no fim o Uruguai venceu por 4-2.
Monti foi o bode expiatório daquela derrota, e os argentinos pediam practicamente a sua cabeça. Foi então que decidiu naturalizar-se italiano, e jogar pela “squadra azzurra”.
O que se soube depois foi que Monti tinha sido alvo de ameaças de morte se a Argentina vencesse. Reza a história, que parece estar provada, que as cartas intimidatórias tinham sido enviadas por dois espiões ao serviço de Mussolini, que tinham chegado à América do Sul com o propósito de fazer de Monti o culpado da derrota argentina, e assim tornar mais fácil a naturalização italiana, de cara ao Mundial que os transalpinos organizariam quatro anos depois. E o objectivo foi conquistado, e Luis Monti fez parte do grupo de argentinos que quatro anos depois jogou pela Itália.
No Mundial de 34, em Itália, o “Duce” Mussolini queria vencer de qualquer forma, e além das ajudas arbitrais, ameaçou os seus próprios jogadores de morte no caso de não vencerem “o seu mundial”.
A perderem a final com a Checoslováquia, Monti “ espalhou cacetada” como nunca na sua vida, e lutou até ao fim, até levar a Itália à vitória.
Como Monti afirmaria mais tarde: “ No Uruguai os italianos queriam-me matar se ganhasse, quatro anos depois os próprios italianos querem-me matar...se perder!
Felizmente sobreviveu, mas foi uma história que em nada honrou esse desporto rei que se chama Futebol.
Dentro de poucos dias, poderão ler aqui a próxima história...
Publicado por luis gonçalves às 10:46
Comentários
Nunca tinha ouvido essa historia, embora soubesse que o Itália 34 tinha sido uma mentira nunca pensei que Mussolini fosse tão longe.
No entanto, essa historia nunca terá ficado provada e tanto assim é que dos 3 mundiais ostentados pela squadra azzurra lá esta o “ganho” em 34. Sendo, de facto, uma historia vergonhosa para o futebol (não só pelas ameaças feitas a Monti, mas tb pela violência não sancionada como o mundial foi jogado) a verdade é que os italianos podem-se continuar a gabar (pelos menos os ignorantes ou os desonestos) que ganharam 3 mundiais! Se alguém lhes diz o contrario é um invejoso, pois claro.
O que isto me faz lembrar da liga portuguesa... e Duce tb seria um titulo que um certo personagem decerto gostaria de envergar.
#1 | Comentado por: Bill | 13 de agosto de 2006 às 17:31
E depois têm uns cabeça-de-bagre que vem aqui contestar as conquistas do Brasil. Esperem para ler as fabulosas histórias argentinas... Se o Luís não contar eu mesma conto!
#2 | Comentado por: Elizane | 13 de agosto de 2006 às 17:31
Olá Elizane!
Pois já sabe, este blog queremos que seja o mais "interactivo" possível, qualquer historia que queira contar, será benvinda. A minha ideia é ir contando historias curiosas, algumas delas que nem estão provadas, mas que fazem parte do "mundo do futebol"... o que quiser contar, esteja à vontade:)
#3 | Comentado por: Luis Filipe Goncalves | 13 de agosto de 2006 às 17:31
Óptima ideia essa de lançar essas estórias que dão cor a esta época em que as reportagens sobre roupa interior dos jogadores, ou das suas namoradas, prognósticos de seja quem for e outras xaropadas começam a fartar toda a gente.
Aproveito então para fazer um pedido especial:
Se alguém souber que conte aqui a estória de "folha de papel" o mágico da equipa austriaca da década de 30-40 que terá sido morto pelos oficiais nazis depois de sabotar o jogo entre a selecção austriaca (tida como uma das melhores da época), contra a selecção alemã, em que a propaganda alemã apostava tudo para convencer o mundo da invencibilidade ariana. O Folha de papel, assim chamado, pois as suas fintas e corrida com bola, tinham uns repentes impossíveis de antecipar, acabou por furar o jogo, que estaria combinado sob ameaças de morte. Acabou fuzilado.
Já aqui ficou o principal da estória, mas queria os detalhes que faltam, acho que houve um primeiro jogo, etc.
A peça "Itália 3 Brasil 2" que os Artistas Unidos levaram ao palco faz agora 3 anos, acho eu, também mencionava esta e outras estórias, para além do jogo do outro mundo do Rossi.
Parabéns pela iniciativa destas estórias, mais uma vez.
#4 | Comentado por: papoila saltitante | 13 de agosto de 2006 às 17:31
Matthias Sindeler, o "Homem de Papel", seguramente o melhor jogador austríaco de todos os tempos. Era a estrela maior da grande selecção austríaca dos anos 30, a WunderTeam. Quando a Áustria foi anexada pela Alemanha Nazi, em 1938, foi proibida de participar no Mundial de França, sendo que os seus jogadores foram anexados à Selecção Alemã (6 austríacos integraram o seu onze titular). Mas o maior de todos eles, Matthias Sindeler recusou-se, não se vendeu. Por respeito ao seu país, e por ser absolutamente contra à ideologia nazi.
Então a Alemanha decide organizar um jogo contra a debilitada selecção austríaca, para demonstrar o poderio nazi. Conta-se que Sindeler deu um recital de futebol. Esmagador, reduziu a pó os alemães (várias vezes, podendo marcar, decide jogar para trás, para mostrar quem eram os maiores ali). A Áustria vence por 2-0, com um golão de Sindeler, e, no fim do jogo, o homem de papel não só se recusa a fazer a saudação nazi, como ergue o punho de vitória em direcção às autoridades nazis.
Nessa madrugada morreu juntamente com a amante meia-judia, em casa desta, por intoxicação por óxido de carbono.
Uma história daquelas que parecem só haver nos filmes. Homens que morrem pelos seus ideais.
#5 | Comentado por: Paulo Pereira | 13 de agosto de 2006 às 17:31
Matthias Sindeler, o "Homem de Papel", seguramente o melhor jogador austríaco de todos os tempos. Era a estrela maior da grande selecção austríaca dos anos 30, a WunderTeam. Quando a Áustria foi anexada pela Alemanha Nazi, em 1938, foi proibida de participar no Mundial de França, sendo que os seus jogadores foram anexados à Selecção Alemã (6 austríacos integraram o seu onze titular). Mas o maior de todos eles, Matthias Sindeler recusou-se, não se vendeu. Por respeito ao seu país, e por ser absolutamente contra à ideologia nazi.
Então a Alemanha decide organizar um jogo contra a debilitada selecção austríaca, para demonstrar o poderio nazi. Conta-se que Sindeler deu um recital de futebol. Esmagador, reduziu a pó os alemães (várias vezes, podendo marcar, decide jogar para trás, para mostrar quem eram os maiores ali). A Áustria vence por 2-0, com um golão de Sindeler, e, no fim do jogo, o homem de papel não só se recusa a fazer a saudação nazi, como ergue o punho de vitória em direcção às autoridades nazis.
Nessa madrugada morreu juntamente com a amante meia-judia, em casa desta, por intoxicação por óxido de carbono.
Uma história daquelas que parecem só haver nos filmes. Homens que morrem pelos seus ideais.
#6 | Comentado por: Paulo Pereira | 13 de agosto de 2006 às 17:31
Matthias Sindeler, o "Homem de Papel", seguramente o melhor jogador austríaco de todos os tempos. Era a estrela maior da grande selecção austríaca dos anos 30, a WunderTeam. Quando a Áustria foi anexada pela Alemanha Nazi, em 1938, foi proibida de participar no Mundial de França, sendo que os seus jogadores foram anexados à Selecção Alemã (6 austríacos integraram o seu onze titular). Mas o maior de todos eles, Matthias Sindeler recusou-se, não se vendeu. Por respeito ao seu país, e por ser absolutamente contra à ideologia nazi.
Então a Alemanha decide organizar um jogo contra a debilitada selecção austríaca, para demonstrar o poderio nazi. Conta-se que Sindeler deu um recital de futebol. Esmagador, reduziu a pó os alemães (várias vezes, podendo marcar, decide jogar para trás, para mostrar quem eram os maiores ali). A Áustria vence por 2-0, com um golão de Sindeler, e, no fim do jogo, o homem de papel não só se recusa a fazer a saudação nazi, como ergue o punho de vitória em direcção às autoridades nazis.
Nessa madrugada morreu juntamente com a amante meia-judia, em casa desta, por intoxicação por óxido de carbono.
Uma história daquelas que parecem só haver nos filmes. Homens que morrem pelos seus ideais.
#7 | Comentado por: Paulo Pereira | 13 de agosto de 2006 às 17:31
Papoila Saltitante, tu andas-me a espiar??? lol. Tou a brincar! É que nem de propósito! Sabes que a história do "folha de papel" é a segunda história que vou publicar, ainda este fim de semana?? Chamava-se Sindermann, e mais do que folha de papel era conhecido por "Mozart" do futebol, pelo menos pelos austríacos. Espera uns dias, e terás a história completa, que a mim me fascina, e que coincidência que pelos vistos a ti também te interessa. Um grande abraço!
#8 | Comentado por: Luis Filipe Goncalves | 13 de agosto de 2006 às 17:31
Sindelar, não Sindermann, desculpam. Mas a dúvida é se é Sindelar ou Sindeler, aparece nas duas maneiras, mas parece-me que será mais correcto Sindelar, isso tenho de ver bem.
Paulo, explicaste perfeitamente a história. Vou lançar o post dentro de dias à mesma, mas vou fazer referência ao teu post, que estña muito bem:) Um abraço!
#9 | Comentado por: Luis Filipe Goncalves | 13 de agosto de 2006 às 17:31
Sindelar, não Sindermann, desculpam. Mas a dúvida é se é Sindelar ou Sindeler, aparece nas duas maneiras, mas parece-me que será mais correcto Sindelar, isso tenho de ver bem.
Paulo, explicaste perfeitamente a história. Vou lançar o post dentro de dias à mesma, mas vou fazer referência ao teu post, que estña muito bem:) Um abraço!
#10 | Comentado por: Luis Filipe Goncalves | 13 de agosto de 2006 às 17:31
Sindelar, não Sindermann, desculpam. Mas a dúvida é se é Sindelar ou Sindeler, aparece nas duas maneiras, mas parece-me que será mais correcto Sindelar, isso tenho de ver bem.
Paulo, explicaste perfeitamente a história. Vou lançar o post dentro de dias à mesma, mas vou fazer referência ao teu post, que estña muito bem:) Um abraço!
#11 | Comentado por: Luis Filipe Goncalves | 13 de agosto de 2006 às 17:31
Proponho uma desmitificação de uma lenda que só serviu para comprovar o que um antigo jogador do Benfica, Luís Amaro, me tinha adiantado pessoalmente.
"Caso Inocêncio Calabote
· Onde se recorda a célebre arbitragem do Benfica-Cuf (7-1) da última jornada do campeonato de 1958/59 (ganho pelo FC Porto), jogo que, diz-se agora, o árbitro terá prolongado por dez minutos, à espera de um golo que daria o título ao Benfica. Nem o Benfica ganhou esse campeonato, nem o jogo demorou tanto: o árbitro deu não mais de três a quatro minutos de descontos, plenamente justificados pelas constantes perdas de tempo dos jogadores adversários. Basta reler os jornais da época…
Desde os anos oitenta, quando se acentuou o domínio do FC Porto sobre a arbitragem
nacional, culminado, duas décadas depois, com a tardia “Operação Apito Dourado”, passou a ouvir falar-se muito no antigo árbitro Inocêncio Calabote e nos favores que teria feito ao Benfica
num célebre jogo com a Cuf na última jornada do Campeonato Nacional de 1958/59 (22 de Março), terminado com o resultado de 7-1 e que teria tido, no dizer de quantos o recordam agora, dez minutos a mais, dados pelo árbitro à espera que o Benfica marcasse mais um golo que lhe daria o título. Nada mais falso. Quando se chegou à 26ª e última jornada deste campeonato, marcado por inúmeros
casos (ver texto à parte), FC Porto e Benfica estavam igualados em pontos e na primeira fórmula de desempate, já que haviam empatado os dois jogos entre ambos. O FC Porto tinha então uma vantagem de quatro golos na diferença total entre tentos marcados e sofridos, pelo que tudo se iria decidir na última jornada, nos jogos Torreense-FC Porto e Benfica-Cuf. Apesar de uma e outra destas equipas estarem em perigo de descer de divisão (o Torreense desceu mesmo e a Cuf acabou por ter que disputar o então chamado Torneio de Competência com os melhores classificados da II Divisão), é muito natural que tanto os jogadores da Cuf como os do Torreense tenham tido prémios especiais (e secretos) para dificultarem a vida aos dois
candidatos ao título.
Rádios acesos e… seis minutos de atraso
Sem televisão a transmitir, era através da rádio que, num e noutro campo, os adeptos iam seguindo a marcha dos marcadores. E a grande questão, que dá origem a todos os exageros que hoje se propalam, residiu no facto de o jogo do Benfica ter começado seis minutos mais tarde que as tradicionais 15 horas, então o horário de início de todos os jogos. A nossa equipa demorou a entrada em campo o mais que pode, de forma a poder vir a beneficiar
do conhecimento do resultado em Torres Vedras, facto que levou a que o clube fosse então justamente) multado. Esses seis minutos (mais uns “pozinhos” no segundo tempo) juntos com os três a quatro minutos que o árbitro prolongou o jogo para compensar percas de tempo, levou a que o jogo da Luz tivesse terminado apenas mais de dez minutos depois do de Torres Vedras, tempo durante o qual a equipa do FC Porto esperou em pleno campo, para depois festejar a conquista do título. E foi essa longa espera, superior a dez minutos, que deu origem à lenda-Calabote, que tão aproveitada (e distorcida) tem sido ao longo dos tempos. O Benfica não foi em nada beneficiado com essa arbitragem. E o árbitro até teria tido todas as
possibilidades de «dar» o título ao Benfica, já que o nosso clube marcou o seu último golo aos
38 minutos da segunda parte e, quando o jogo de Torres Vedras terminou, o Benfica ainda teve cerca de dez minutos (seis regulamentares e mais três a quatro de “descontos”) para marcar aquele que lhe daria o título."
#12 | Comentado por: Irmão Público | 13 de agosto de 2006 às 17:31
Grande ideia, Luís, o 3A estava mesmo a precisar de uma rubrica destas. Um abraço para ti!
Irmao publico, essa tentativa de desmistificar o indesmistificável, para mais com um texto oficial do SLB, já foi feita aqui várias vezes e só dá para rir. Já todos demos para esse peditório, e vem completamente a despropósito neste post. E o mesmo se diga dos comentários do Bill, na onda do ressabiamento habitual. Não tarda, está a falar dos offsides do Morientes ;-))
Adiante...
A história do Sindeler, entre muitas outras, vem contada pelo Luís Freitas Lobo no seu livro "Os magos do futebol" (Bertrand, 2002), que é uma verdadeira delícia para quem como todos nós dá o devido valor a tudo o que gira à volta do mais belo desporto. Por acaso fala-se lá do Monti, mas nada se diz sobre esta história das ameaças. na versão do LFL ele terá sido despedido do San Lorenzo de Almagro depois da derrota na final, esteve 2 anos sem jogar e só depois foi convidado a aturalizar-se italiano e a ir jogar para a Juve. Qual das versões está mais próxima da verdade, não faço ideia... Mas o futebol também é feito de lendas.
papoila, a peça que os Artistas Unidos encenaram conta uma outra história, que não faço ideia se tem algum fundo de verdade. É a história de um jogo entre os ocupantes soviéticos de Kiev, durante a 2ª GM, que "descobrem" os jogadores do Dínamo que tentam passar despercebidos como padeiros, talhantes ou merceeiros, e os obrigam a jogar uma partida de futebol contra a equipa do exército. Após a inevitável derrota, os soviéticos executam os adversários. É um texto soberbo, de um italiano chamado Davide Enia.
#13 | Comentado por: joethelion | 13 de agosto de 2006 às 17:31
O facto de ter sido um portista a comentar o texto é alguma ironia da vida?
#14 | Comentado por: Irmão Público | 13 de agosto de 2006 às 17:31
Também conheclo a história dos jogadores de Kiev vs exército vermelho. Julgo que é verdadeira. Sobre o sindelar, ouvi dizer que se tinha suicidado, mas não me custa a crer que tenha sido antes obra dos nazis.
Quanto ao Calabote, diz-se muita coisa, mas esquece-se o óbvio: que o Benfica nada ganhou com ele.
#15 | Comentado por: João Pedro | 13 de agosto de 2006 às 17:31
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