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sexta-feira, 16 junho 2006
Primeira Ronda
Categoria: Col: João Nuno Coelho , Mundial 2006
Já tivemos oportunidade de ver todas as selecções em acção neste Mundial
2006. Confirmaram-se algumas tendências, surgiram revelações e desilusões.
Vou aqui destacar meia dúzia de equipas que coloco entre os principais
favoritos ao título mundial, pelo que delas conhecemos mas também pelo que
vimos nestes primeiros dias do Mundial.
Começando pelas equipas que pessoalmente mais me impressionaram, temos:
- a República Checa: foi a selecção que vi jogar um futebol de maior
qualidade. Muito equilíbrio enquanto equipa, defesa compacta, meio campo
forte mas criativo e ataque espectacular (pena a lesão de Koller, mas talvez
não seja assim tão grave).
- a Espanha: quase ao nível dos checos, apresentando muito coesão e
inspiração. De qualquer forma, não podemos esquecer que os dois primeiros
golos frente à Ucrânia foram de boal parada e bastante felizes. E o terceiro
surgiu de um penalty inexistente. Mas a equipa espanhola promete muito.
- a Itália: a completar o trio das melhores exibições da primeira ronda
surge a equipa italiana, que parece conjugar a habitual solidez defensiva
com um meio campo inspirador, com Pirlo e Totti a criarem juntos, protegidos
por di Rossi, para uma dupla de avançados demolidora: Gilardino e Toni.
Depois dos "mais", temos os "mais ou menos":
- Brasil: pareceu uma equipa preguiçosa, a viver do que dela se diz e do
favoritismo avalassador que reúne nesta prova. Isso às vezes faz mal.
Portanto, será uma equipa que vai jogar o estritamente necessário...até
apanhar um susto. Depois logo se vê se não morre do susto. E uma coisa
parece certa: dois paquidermes (Adriano e Ronaldo) ao mesmo tempo na frente
de ataque é demais. Um deles juntamente com o irrequieto Robinho acabará por
ser a solução.
- Argentina: de preguiça não se pode acusar os argentinos. No caso deles é
mesmo mais uma questão de calculismo. Fazem lembrar um pouco a Itália do
costume: não lhe faltam grandes jogadores, criativos e imprevisíveis, mas
prefere sempre jogar pelo seguro e acaba por se limitar a si própria.
- Alemanha: bastante mais do que menos esta equipa alemã, pelo menos tendo
em conta as espectativas. Afinal de contas a força de vontade a mística da
Alemanha não estão mortas. E isso pode ter muito peso, principalmente quando
se joga em casa. Agora temos que concordar que não existem grandes
desiquilibradores e que a defesa alemã defesa parece bastante permeável, mas
como diz Mourinho a este nível o factor psicológico é o fundamental - até
porque em termos físicos as equipas chegam aqui bastante debilitadas e
naturalmente não têm a rodagem e os mecanismos afinados das equipas de
clube.
De uma forma geral, não tenho dúvidas de que estas selecções cujo
comportamento até aqui (e ainda é tão cedo!!!!!!) rotulei de "mais ou menos"
continuam a ser os principais favoritos ao título mundial, numa prova em que
o peso da história e da experiência na mesma é tão importante.
O mesmo não me parece que possa ser dito por exemplo da França (uma das
maiores desilusões até ao momento). E quanto a Portugal, o melhor é mesmo
não dar muito nas vistas para já. Às vezes, é melhor assim...
João Nuno Coelho
Publicado por terceiro anel às 16:52
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