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terça-feira, 20 junho 2006
Expectativas III
Categoria: Col: Luís Gomes , Mundial 2006 , Selecções Nacionais
Ganhamos e ganhamos bem. Com querer, confiança e uma excelente atitude competitiva. A equipa soube viver com a tensão de não marcar cedo e insistiu… insistiu…. Sempre com o nosso padrão de jogo, sem balões para o ar, sem nervosismos.
Cristiano Ronaldo transformou-se depois da marcação do penalti. Menos inventivo e terrível no um para um. Criou pelo menos 4 ou 5 situações de falta inevitável. Com este Cristiano, é possível amarelar uma defesa inteira em meia hora de jogo. Que o respirar fundo que sucedeu o golo seja o ponto de viragem definitivo. Cristiano Ronaldo pode ser o jogador mais difícil de travar em duelos individuais deste Mundial. O potencial, a força, a técnica e a velocidade estão lá. Faltava só a eficácia e a dosagem dos adornos, que são no entanto, indispensáveis! Não para os anúncios da Nike ou para as compilações de jogadas do Torneio, mas para se divertir, para se soltar e para ganhar confiança – só nesse estado de espírito poderá ser de facto desiquilibrador. A seguir ao golo vimos isso tudo, com fintas mais simples, mas claramente imparáveis sem recurso a falta.
Deco apareceu ainda preso de movimentos, mas tal como Riquelme, até a passo joga bem e vê o jogo 3 segundos antes dos outros todos. Não ganharia o jogo sozinho, como Pinto da Costa tenta que nós pensemos que ele acredita, mas faz a diferença. Com Deco, Figo e Ronaldo em campo, somos fortíssimos na frente.
Miguel merece destaque pelos kms percorridos, devendo agradecer a Costinha a cobertura dos espaço nas suas costas. O Ministro esteve como se espera: excepcional na simplicidade e eficácia. O cartão amarelo que recebeu valeu (quase) tanto como um golo, pela certeza e decisão como abordou o que poderia ter sido o único contra ataque perigoso do Irão. Maniche já cresceu fisicamente e anda a cheirar o golo. Figo pareceu-me mais pesado de movimentos, mas não menos influente. Só Pauleta esteve um pouco ausente, desperdiçando a sua única oportunidade que surgiu já em momento de descompressão e jogo ganho. Há que evitar criar muita celeuma à volta do assunto, mas Meira ainda não se estabilizou. Apresenta alguma ânsia em demasia de resolver tudo demasiado depressa e bem. Precisa de alguma tranquilidade.
Agora temos uma enorme vantagem. Podemos jogar para ganhar o grupo e rodar a equipa. Inevitavelmente há que dar minutos aos jogadores que têm jogado menos ou nada: entrarão mais motivados e mais frescos. Não me espantaria que Cristiano Ronaldo jogasse – se não o fizer será mais pelo desgaste físico do que pelo cartão amarelo. Seria uma boa oportunidade para demonstrar que apesar do alarido que atravessou o país, chegando aos ouvidos do Presidente da Comissão Europeia, o nosso #17 pode perfeitamente fazer um jogo sem incidentes disciplinares.
O espírito de abordagem ao jogo e ao resto do Mundial parece o mais ajustado possível. Já se deveria ter percebido que um jogo não define uma equipa. Os 6-0 da Argentina parecem ter apagado totalmente o jogo medíocre que fizeram na 1.ª jornada (verdade que não precisaram de fazer mais). Há que jogar para ser 1.º. Para descansar mais um dia e porque ser 1.º é melhor do que ser 2.º. Essencialmente porque deveremos sempre jogar para ganhar. Que as equipas do outro grupo se preocupem em evitar-nos.
No plano das críticas… a coisa tem tido contornos interessantes. Como escrevi antes do Mundial… se as razões para falharmos eram públicas, bem estudadas e descritas… o sucesso seria mais difícil de explicar. Já se nota evoluções de pensamento interessantes.
Costinha, que logo após o primeiro particular aparentemente foi ‘descoberto’ por muita gente, é agora fonte de preocupação por não ter substituto directo para a sua posição. Estranho.
As vitórias têm sido consideradas os ‘serviços mínimos’ ou a ‘nossa obrigação’: o verdadeiro Mundial começa agora. Considero este é o melhor elogio à equipa liderada por Scolari, considerando que cronicamente são nestes compromissos de resultado obrigatório onde as coisas nos correm menos bem: por falta de concentração, excesso de confiança, etc. O foi precisamente isso que não se viu contra o Irão.
Bernardino Barros na TSF questionou-se se foi falta de atenção ou puro fair-play de Scolari não ter dado indicação para os amarelados no primeiro jogo levarem o segundo para ‘limparem’. Mostrou estranhesa porque houve tempo para isso, já com o jogo decidido. Uma boa tentativa de crítica, mas ainda estou para perceber o que ganharíamos em ter os jogadores oficialmente castigados, ao invés de podermos escolher entre utilizá-los ou não, com o mesmo efeito final – estarem disponíveis para os Oitavos (ou oitavas como diria Lili) de Final.
Jorge Grabriel explicou que foi um enorme erro colocar o Ronaldo a marcar o penalti, dado poder perder o jogador animicamente em caso de ter falhado. Um risco é verdade, mas com óptimos resultados. Na minha opinião foi um excelente golpe de asa de Scolari, que com essa decisão (predeterminada antes do jogo ou não) poderá ter lançado um jogador que poderá (ainda) ser uma das figuras do Mundial. Terá sido ‘sorte’.
O cineasta Vasconcelos já está algo de bem com Scolari. Afinal só discordava das escolhas iniciais. Agora lamenta termos uma Selecção velha. Média de idades: 28 anos. Terá que se fazer uma renovação no final deste Mundial. Isso é mau porque já deveria ter sid. Rui Moreira confirma que isto é desvantagem, essencialmente porque todos os jogadores estão 2 anos mais velhos.
Não vejo como não seja uma (grande) vantagem estarmos com a mesma equipa que nos trouxe sucesso no Euro 2004. Não conheço nenhuma grande Selecção vencedora que não cumpra um ciclo mínimo de 4 a 6 anos (2 ou 3 competições internacionais). A França ganhou o Mundial e Europeu seguidos com quantos jogadores repetentes? Tinham média de idades de? 22 anos? Uma média de 28 anos e uma equipa em tudo igual ao do Euro, ao contrário destas opiniões, é seguramente um dos nossos grandes trunfos neste Mundial.
Já voltei a ouvir que o trio de meio campo, continua a carburar por ter jogado na equipa de Mourinho. Tem graça. É um excelente argumento. Menos brilhante saindo da boca de quem se pelou com a convocatória de Maniche e Costinha.
Esperemos que continue assim: que fique cada vez mais difícil encontrar razões de critica, rumo ao sonho ou, pelo menos, a uma enorme e vibrante luta por ele.
FORÇA PORTUGAL!!!
Publicado por Luis Gomes às 12:20
Comentários
épà pessoal... jà agora tirem-me uma duvida...
eu nao tenho nada contra o homem, nada mesmo... mas os lances todos de perigo para portugal contra o irao, vieram ou nao todinhos do lado do Meira? Todos os cabeceamentos, etc, foram ou nao faltas de marcacao do homem?
Eu fiquei com medo, là isso fiquei... o gajo tem de se por a olho, que os adversàrios nao sao todos como a angola ou o irão...
#1 | Comentado por: chicoria | 13 de agosto de 2006 às 17:31
Se o R. Carvalho apanhar um amarelo neste jogo com o México, qual vai ser o eixa da defesa contra Holanda ou Argentina?
Este é o único problema que me tira o sono, neste momento...
#2 | Comentado por: Jorge Coelho (jcoelho) | 13 de agosto de 2006 às 17:31
realmente, quantas vezes não ouvimos e continuaremos a ouvir que "portugal é um viveiro de centrais" ou "mais um central portugues de qualidade mundial", e a celeuma que criou a convocatória de ricardo costa, não tanto pelo facto em si mas pela "dificuldade da escolha" entre os quatro ou cinco ou seis possíveis selecionados; se substituir jorge andrade não é para qualquer um, meira tem dado azo às críticas. Quer-me parecer que meira era sim o substituto natural do carvalho, como dizem os ingleses, fazendo dupla com jorge andrade; contra o irão, ricardo carvalho substituiu jorge andrade e meira jogou no lugar do ricardo carvalho e as melhorias, quiçá pela pouca dinãmica ofensiva dos iranianos, foram evidentes; ainda assim meira desiquilibra um pouco a defesa, o que não deixa de ser estranho porque meira é um bom jogador, é um bom central; parece é também ele sofrer de um mal comum a tantos outros( tiago, simão, paulo ferreira, nuno valente, apenas para referir alguns dos que costumam ser mais vezes utilizados):pesa-lhes aquela camisola, sentem por demais a pressão de errar e isso torna-os mais lentos, precipitados,rouba-lhes a serenidade para aplicarem todo o seu futebol. Acredito que scolari, que mais do que das tácticas perceberá de homens, já deu conta disso, e se esforça por nos tornar mentalmente mais fortes; porque nos aspectos técnicos, só mesmo o braziu será mais forte que nós...
#3 | Comentado por: SantaClara | 13 de agosto de 2006 às 17:31
Frente ao Mexico, no lugar de R. Carvalho, podia jogar R. Costa ou até o Caneira. Para não arriscar.
#4 | Comentado por: Bill | 13 de agosto de 2006 às 17:31
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