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quarta-feira, 21 junho 2006

E vão 9

Categoria: Col: Luís Gomes , Mundial 2006 , Selecções Nacionais

O essencial está feito. Nove pontos em nove. Não foi mau ‘evitar’ a goleada e passar ao lado da euforia que se seguiria.
Descansamos mais um dia e saímos reforçados por uma qualificação só com vitórias. A equipa acabou por ter alguma sorte em demasia para conseguir manter a concentração competitiva, após sentir que tudo estava decidido.

Entrado nervoso Portugal sofreu nos primeiros 5 minutos, com boa pressão dos mexicanos, cujos adeptos gritaram ‘olés’. Gritaram, mas apenas durante os primeiros 2 minutos. 10 minutos iniciais com duas oportunidades para os mexicanos, entremeadas pelo golo de Portugal na primeira jogada ofensiva que criou. Máximo eficácia e a 1.ª pista que hoje tudo nos ia correr bem. Seguiu-se excelente meia hora de controlo de jogo, com uma equipa compacta e solidária, com boas saídas para o ataque. Boa circulação e equipa bem a defender na 1.ª e 2.ª linha, menos bem mais perto da baliza. Continuam as dificuldades de antecipação de Meira e problemas de posicionamento gerais, principalmente com bolas aéreas. Com o México a crescer um pouco, novo brinde com penalti desnecessário oferecido. O saltitão guarda-redes mexicano foi impotente face à potência de remate de Simão, que não o conseguiu enganar com a sua habitual ‘paradinha’. Quando se começava a adivinhar a reedição do 3-0 à Alemanha no Europeu de 2000, 3 jogadas de bola parada sucessivas, com bolas a sobrevoar a defesa algo confusa, acabaram em golo. Fomos vítimas da escolha, quanto a mim imensamente questionável, de não colocar nos cantos defensivos nenhum jogador posicionado no segundo poste.
Na segunda parte continuou e piorou a descompressão, também por culpa das alterações na equipa adversária, que surgiu bem mais pressionante. A equipa desuniu-se a defender e perdeu fluidez a atacar. Muita corrida com bola e pouca circulação da mesma. O México crescia, crescia e conquista um penalti. O árbitro demonstra generosidade e não mostra amarelo a Miguel. Ricardo adivinha o lado oposto ao escolhido pelo mexicano, mas a bola sai rematada para as nuvens. Mais um pouco de sorte e pior Portugal começou a jogar. A expulsão por simulação de um outro mexicano de novo piorou as coisas em termos exibicionais. Sclorai demonstrava a sua insatisfação nos impropérios em bom português com que incentivava Nuno Gomes antes da sua entrada em campo. O jogo arrastou-se até ao fim com as duas equipas acomodadas ao resultado. A incapacidade de jogar com outra superioridade contra menos um jogador é preocupante e deve ser corrigida. Tinha sido bem fácil, circular e contra-atacar, mesmo sem desgastar fisicamente a equipa. Foi pena.

Individualmente algumas notas:
- Ricardo foi testado pela primeira vez. Duas boas defesas e uma boa saída dos postes podem ter-lhe reforçado um pouco a confiança, apesar de ter sofrido o primeiro golo.
- Miguel de novo muito bem a atacar e a defender. A sua capacidade de decidir no um-contra-um em momentos ofensivos, garante-lhe a titularidade. Provavelmente o jogador português melhor em termos físicos.
- A dupla de centrais continuou menos bem. Meira é excepcionalmente forte quando consegue ganhar posição já encostado ao defesa, mas tem falhado algumas antecipações e cortes de cabeça. Parece mais nervosismo que falta de qualidade. Ricardo Carvalho continua pouco exuberante e tem que se dividir com eles alguns problemas posicionais da defesa portuguesa.
- Para meu desgosto, que sou apreciador confesso das suas qualidades, Caneira esteve pouco seguro a defender e inexistente no ataque. Não conseguiu compor um trio na defesa que dominasse o jogo aéreo e as falhas de entendimento com os centrais foram óbvias. Repetindo o nível do particular em Évora, temo que esteja de facto num período menos bom. Fez jogos na qualificação muito, muito superiores, que lhe garantiram a famosa frase de Scolari que ‘com Caneira na esquerda durmo descansado’.
- Petit esteve bem, mas preso na cabeça da área. Consegue ser mais exuberante quando consegue mais profundidade do seu jogo, na basculação (como se conseguiu falar e escrever sobre futebol tantos anos sem esta magnifica palavra?) lateral, Costinha é mais abrangente, mais rápido e mais decisivo.
- Maniche continua a subir de forma e o golo que escrevi que andava a cheirar já está lá dentro. Golo à Maniche. Cada vez mais solto e mais interventivo, ataca e defende bem. Titular indiscutível. Notam-se melhorias no segundo-queixo que apresentava nos cromos da Pannini. Óptimas notícias para Portugal.
- Tiago foi uma pequena desilusão. Queria muito que se assumisse como o número 10 substituto de Deco. Pensei que no primeiro jogo não tinha estado mais exuberante por estar a jogar na posição #8. Não me leiam mal: Tiago jogou bem, correu os 93 minutos a defender e a atacar. Organizou e distribuiu. Conseguiu rematar e tentar chegar a finalizar jogadas alheias. Mas falta-lhe alguma coragem. Deco e Figo (como Rui Costa fazia) assumem aquela posição de forma mais lançada para a frente. Com coragem de arriscar um duelo individual, ou tentar avançar com bola controlada. Criam mais espaço e abrem brechas. Tiago acabou por lateralizar em demasia e arriscar muito pouco, avançando pouco com bola. Tem que perder o receio e assumir-se mais decisivo – tem todo o potencial para isso.
- Figo fez o seu jogo mais apagado até ao momento, em clara poupança física. Esteve bem e solidário enquanto a equipa este bem, sendo dos primeiros a dar no exemplo nos momentos defensivos. Não esteve, no entanto, tão influente e decisivo como nos outros dois jogos.
- Simão foi o melhor português. Raramente perdeu a bola, deu um golo e marcou o penalti com decisão e certeza. Na primeira jogada, apesar do estilo de rabo espetado e camisola justa não ser o mais elegante, foi terrivelmente rápido e eficaz, com óptimo tempo e precisão de passe. Fez os outros 2 cruzamentos perigosos de Portugal durante todo o jogo. Tendo sido titular no primeiro jogo, assumiu-se com clara primeira opção para substituto de Figo ou Cristiano Ronaldo. Poderá desequilibrar a qualquer momento.
- Hélder Postiga terá desperdiçado uma óptima oportunidade dada por Scolari. Verdade que não foi servido e não desperdiçou nenhuma oportunidade de golo, mas esteve lento, dado as marcações e com um jogo pouco alegre.
- Nuno Gomes foi um substituto bem mais mexido e interveniente. Soube sair da área, tabelar e desmarcar-se para a zona de golo. Muito mais móvel a procurar espaços. Penso que será agora a 1.ª opção para render Pauleta.
- Paulo Ferreira não comprometeu, é uma garantia de substituo sem quebra de rendimento, melhor no jogo aéreo mas com menos futebol ofensivo. É um jogador bem diferente de Miguel, que poderá dar outro apoio ao centro da defesa.
- Boa Morte entrou claramente mal, muito mal. Acabou quase sempre atrapalhado com a bola e aos tropeções. Daqui para a frente não deve ter outra oportunidade como esta.

Seguimos para os oitavos-final com realidade totalmente distinta. Retomaremos a nossa equipa titular que, na ausência de lesões, será a equipa que alinhou com o Irão. Há que descansar, que trabalhar defensivamente os lances de bola parada, motivar a equipa e receber o adversário que nos calhar, exactamente da mesma forma, seja laranja ou azul celeste. Precisamos agora de sorte e concentração competitiva.
A equipa portuguesa vai revelar-se verdadeiramente daqui para a frente. Espero que a eficácia ganha dos jogos de vitória obrigatória, não nos retirem a tendência natural de crescer muito chegando aos grandes confrontos. Temos tantas possibilidades como qualquer outra equipa para ir longe.
Já só faltam 4.

Publicado por Luis Gomes às 18:30

Comentários

Perfeitamente de acordo com o Luís.
Criticamos a selecção quando perde, criticamos quando esta ganha, que raio de povo somos nós. Exigimos mais do nosso futebol do que por exemplo exigimos, aos nossos (des)governantes.
Mas depois duma exibição destas temos que reconhecer que tivemos muita sorte em vencer este jogo, mas conseguimos o fundamental ficar em 1º lugar.
O que mais me chateou neste jogo foi ver jogadores que são( e bem) suplentes, na 1ª oportunidade que tiveram, simplesmente não jogaram a ponta de um corno;
-HPostiga só o vi na altura da sua (tardia) substítuição;
-MCaneira defendeu mal e falhou passes de forma infantil;
-Boa Morte entrou para andar as cabeçadas e aos trambolhões;
-Tiago uma enorme desilusão, esperava que muito dele mas assim dá razão ao Scolari;
-NGomes fez mais em 18 minutos que HPostiga em 72(tb não era difícil);
-Petit tentou mas não consegui controlar o jogo;
-PFerreira entrou a tempo de cometer uma grande penalidade idiota não assinalada, somente SSabrosa jogou melhor do que tinha feito contra Angola.
Domingo ás 21 horas locais começa o verdadeiro Mundial para Portugal, aí sim vamos ver o que vale esta selecção. Quero acreditar nesta equipa e espero 2ª Feira continuar a acreditar. Força Portugal.

#1 | Comentado por: olavoafonso | 13 de agosto de 2006 às 17:31

Luís, concordo que o árbitro foi amigo ao não dar cartão a Miguel no lance do penalty, mas foi coerente com o que havia feito no lance do penalty de Rafa Marquez. E a mão de Rafa Marquez pareceu bem mais intencional.
Finalmente um jogo de nível elevado de Simão, face a um adversário forte, na selecção nacional.
Postiga foi uma nulidade.

Olavo, sei a que lance te referes do P. Ferreira. Entrada idiota sem dúvida, mas não era penalty pois a bola já estava fora do terreno de jogo.

Como nota final, deixem-me sonhar e esperar ainda encontrar a Argentina neste mundial!

#2 | Comentado por: VelhoEstilo82 | 13 de agosto de 2006 às 17:31

Não consegui ver o jogo, mas temi muito que perdêssemos em virtude dos jogadores que não tínhamos em campo. Mais uma vez Simão, o nosso "piquinino" a provar que os homens não se medem aos palmos. E o Maniche tb esteve muito bem. Já agora o México tb ajudou bastante. Se os nossos jogaram mal o que se dirá de algumas jogadas deles.

#3 | Comentado por: Cris | 13 de agosto de 2006 às 17:31

Há aí muitos a espumarem-se de raiva - os "argentinos" - que já nem aparecem no Terceiro Anel.

3 limpinhas, olé! 2º melhor resultado de sempre... até agora!

Força Scolari, força Portugal!

#4 | Comentado por: Pedro Neto | 13 de agosto de 2006 às 17:31

Pedro,

"Argentinos?" . Hienas, abutres e outros necrófagos! Estão escondidos,à espera que a presa morra.

Grande Scolari. Scolari forever.

Quanto ao jogo. Gostei. Vi com total despreocupação. Entretive-me a ver pormenores. O q retirei de positivo foi q PTG, se for preciso, consegue.

A única preocupação mantém-se. O Meira falha em demasia. 3 jogos, 5 ou 6 falhas muito graves e sempre iguais. Não se sabe posicionar e não sabe jogar em antecipação. Obriga a RCarvalho a estar sempre com um olho no burro e outro no cigano.

Com o Jorge Andrade atrevia a dizer que, no mínimo, iamos até às 1/2 finais. Vamos ver. Também não há alternativa. Caneira uma nódoa imensa (mas também não joga mais); Tiago encolhido e envergonhado; Petit não é Costinha (muito menos inteligente); Boa Morte se não o acompanhasse no campeonato inglês diria que nem no Cebolais de Baixo tinha lugar. Em grande: Figo, Simão, Maniche, Ricardo, Miguel, Ricardo Carvalho. Regulares: P. Ferreira, Petit, NGomes, Postiga (sempre gostei da atitude).

Quem vier , morre!

#5 | Comentado por: Johnny Rook | 13 de agosto de 2006 às 17:31

Excelente análise Luís Gomes. Portugal vulgarizou o México numa primeira meia hora de grande fulgor e brilhantismo. Depois disso encolheu-se e o mundo ia-nos caindo em cima, mas felizmente os deuses estiveram conosco. Individualmente achei que Simão é cada vez mais uma opção para o onze( Critiano Ronaldo que se ponha a pau!) e que Caneira me parece uma boa alternativa em relação a Nuno Valente. Gostaria de ter visto Portugal actuar com Paulo Ferreira à esquerda e de que se tivesse exprimentado( quando já havia superioridade numérica) jogar com dois avançados. Scolari optou pelo seguro e nada a dizer. Aliás até agora não há mesmo nada que se possa apontar à brilhante participação portuguesa neste mundial, e as vitórias têm o condão de parecerem normais, quase rotineiras. Foi uma excelente vitória que calou até os que dizem que não vêm os jogos...

Um abraço

Ps: Já me esquecia: Antes do mundial achei que se devia levar Quaresma na vez de Boa Morte. Ontem ficou à vista de todos que Luís Boa Morte é um jogador esforçado, com muita vontade, mas que não tem a mínima categoria para jogar na selecção nacional.

#6 | Comentado por: pedro pita | 13 de agosto de 2006 às 17:31

Uma dúvida: Tiago é originalmente um médio de transição, que transporta bola entre a linha de recuperação e a linha de criação?
Sempre o vi nesse esquema, mas ontem notei que ele se posicionava flectido na meia direita, enquanto Figo jogava na posição de #10. Ora bem, isso não influenciará minimamente o desempenho do Tiago?
Acredito que o Tiago ande nervoso, até porque raramente joga a titular nesta selecção, mas isso não justifica completamente os desempenhos em campo. Temos de ter em conta outros factores.

Meus amigos, será que ninguém notou que Meira é o mais perfeito bode expiatório para um provável falhanço no Mundial? Tenho a certeza que se perdermos um futuro jogo, a culpa será entre Fernando Meira, Ricardo, Cristiano Ronaldo e Felipão. E os treinadores de banca perguntar-se-ão pelas ausências de Fernando Couto, Pedro Emanuel, Nunes, Litos, Ricardo Rocha, Vítor Baia, Ricardo Quaresma, etc.
Notei no desenrolar do jogo, alguns bons lances de Meira, mas por minha surpresa os comentadores da Sic nunca o davam mérito, preferindo chamar de "bom trabalho da Defesa Nacional", mas quando o dito jogador falhava, a coerência já não estava no prato do dia, pois Meira é de facto o pior central português desde do ano 355 Antes de Cristo. Tenham dó caramba, é verdade que ele não é nenhum Ricardo Carvalho nem um Jorge Andrade, mas ele não tem jogado tão mal como o analisam. Aliás, em todo o jogo ele só errou gravemente por uma única vez, enquanto o Carvalho perdeu uma bola de cabeça e perdeu individualmente com um adversário dentro da sua área. Maria Coerência, aonde andas tu?

Quanto ao Caneira, uma boa primeira parte que não se viu na segunda. Como antigo lateral esquerdo e dextro de origem, sei das dificuldades que existem em jogar naquela posição, porém a falta de posicionamento do Caneira foi evidente. Não se pode dar espaço nas costas, e foi nesse espaço que o México aproveitou para balançar o seu ataque. Porém, pelos jogos que tenho visto do Caneira, é um erro pouco habitual e acredito que temos justificação entre o nervosismo e o cansaço físico (quantas vezes ele subiu o flanco na primeira parte?)

Actualmente no mundo do futebol, consigo contar dois géneros de trincos: o género de Costinha e Custódio; o género de Petit. O primeiro género baseia a sua importância na compensação de espaços, e Costinha é exímio nisso. O segundo género encontra-se numa atitude destrutiva, muito mais pressionante e recuperador de bolas. Acho injusto pedir a Petit para substituir Costinha, como acho injusto o vice-versa. São dois jogadores completamente diferentes que jogam na mesma zona de acção. A utilização deles dependerá, do meu ponto de vista, do tipo de adversário que se tem pela frente.

Quanto ao Postiga, há pouco a dizer, pois só efectuou um remate e não ganhou uma única bola dividida. Alternativa a Pauleta será certamente a Maria Amélia, aliás o Nuno Gomes! É um jogador que se movimenta imenso, criando espaços para a entrada de jogadores dentro de área. Penso que é disso que a selecção precisa, mas quem escolhe é o Felipão.

Maniche fez uma primeira parte brilhante, mas notei que na segunda parte, os quilos a mais pesaram. O desaparecimento de Maniche e Figo, proporcionaram a perda de meio-campo no segundo tempo, dando o total controlo de bola aos Mexicanos. E isso preocupa-me: será que Maniche estará em condições para aguentar 90 minutos de alta competição? Tenho dúvidas!!

Queria realçar o jogo de Ricardo. Que grande jogo, que grandes defesas! Irónico que a "gentinha", hoje não fala de Ricardo. Esteve calmo e extremamente concentrado. No golo sofrido não teve culpa, pois nesse aspecto o único culpado será o treinador. Adorei esta boa exibição de Ricardo, acho que era merecido.

Para terminar, gostaria de dar uma opinião sobre o futuro jogo contra a Holanda: Paulo Ferreira do lado direito e Miguel do lado esquerdo. Ferreira aguentaria o Robben, e Miguel exploraria o flanco esquerdo, aproveitando o pé direito para flectir em zonas interiores, à procura de remates de meia distância (todos nós já vimos o efeito que a bola ganha!!). Que tal esta alternativa?

#7 | Comentado por: Irmão Público | 13 de agosto de 2006 às 17:31

Concordo em tese, com a inclusão de PFerreira na direita, tendo pela frente o perigo #1 holandês: ARobben. Sendo colegas de equipa ambos tem um conhecimento recíproco, que quase sempre joga a favor de quem defende. Para além de que a vocação ofensiva de Miguel pode ser um pau de dois bicos quando se tem pela frente um jogador como ARobben.
Ao invés julgo que na esquerda se deve manter NValente que é muito mais contido e mesmo sem grande ritmo competitivo, oferece mais garantias do que com a inclusão de MCaneira ou Miguel.
A partir de agora não há margem de erro e de uma coisa tenho a certeza a História não joga á bola, portanto as 5 vitórias já obtidas frente á Holanda não contam para nada.
Por mim até preferia a Argentina, pelo menos nunca me lembro de Portugal a ter enfrentado, portanto não haveria esta tentação de evocar a história recente e a Argentina é a Argentina.
Fico nervoso quando começo a sentir nos portugueses uma certa euforia antecipada, geralmente damo-nos mal nestas situações.
Acredito que Scolari irá alertar aos jogadores dos perigos provinientes do excesso de confiança.
Mas com a atitude certa acredito que esta selecção pode tirar o sumo daquela laranja.

#8 | Comentado por: olavoafonso | 13 de agosto de 2006 às 17:31

Muito boa análise Luís Gomes. Apenas acrecento um ou outro ponto.

Tiago - não acho boa ideia esperar que ele se assuma como o número 10 em substituição de Deco. Ele substitui Maniche, nunca Deco. É um médio box-to-box, excessivamente raçudo e pouco dado a pensar o jogo. Tem boa capacidade técnica e visão, mas são complementos. Gosto muito dele, mas vê-lo-ia a substituir melhor o Costinha que o Deco. O Maniche deveria ter sido o organizador de jogo.

Meira - uma nódoa neste jogo. Estou com medo do jogo com a Holanda, especialmente se a marcação do van Nistelrooy for dada ao Ricardo Carvalho e o Meira ficar para as sobras. Fica a pergunta a Scolari: porqu~e deixar Meira a marcar Bravo (rápido) e RC a marcar Fonseca (forte)? Só porque Meira está habituado a jogar sobre a direita? Essa não me convence muito.

Miguel - tem estado muito bem, mas ontem mostrou desnorte. Neste aspecto esteve Scolari bem ao substituí-lo.

Caneira - desastre completo. Acho que o Paulo Ferreira ganhou lugar como primeiro suplente do Nuno Valente. Pelo menos é assim que eu o veria.

Petit - ele é bom e o futebol dlee ganha com movimentações. Colocá-lo a fazer de Costinha é ridículo. Onde o Costinha coloca veludo o Petit coloca aço. Onde o Costinha joga na antecipação, o Petit joga no tackle. O Costinha prefere manter-se cá atrás, o Petit avança em apoio ao ataque. Scolari deveria mudar o estilo para ter os estilos em consideração, a equipa agradeceria.

Figo - não existiu. Não se esforçou. Não apareceu. Fugiu de ter a bola (era vê-lo a mandar os outros jogadores dar a bola a alguém que estava mais longe, mesmo que o Figo habitual a pudesse receber sem problemas). Tem feito um excelente mundial, mas escusava de fazer greve de zelo neste jogo.

Postiga - na única altura em que apareceu em campo foi substtuído. Claro que foi pouco, foi apenas para cabecear uma bola no meio campo. Postiga não é jogador para esta selecção (mal por mal preferia o Hugo Almeida), mas a jogar, ele vale é em sistemas de dois pontas de lança.

Scolari - neste jogo não falhou em particularmente nada. Talvez pudesse ter jogado num 4-4-2, mas isso seria experimentar sem necessidade. As substituições foram correctas (mesmo a de Boa Morte, pelo menos no papel). Ainda assim fico preocupado, tal como o Luís Gomes disse, em ver que a equipa não coloca ninguém ao segundo poste nos cantos (o Caneira não estar compreende-se, é alto e defesa central de origem, mas nem o Simão para lá poderia ter ido?) e em ver o Tiago como marcador do Fonseca nos cantos. Porque é que são os médios (mesmo que bonzinhos de cabeça) a marcar os pontas de lança avançados?

Pedro Neto, esse comentário é ridículo e nojento. Vejo-me atingido porque sempre fui dos críticos de Scolari e continuarei a sê-lo mesmo que ganhe o campeonato. Já expliquei o porquê aqui. Agora só espero que os tais "argentinos" de que fala não tenham de vir aqui ao TA vangloriar-se depois de sábado. Sinceramente espero que não. Seria mau. Mesmo para mim e de duas formas (vivo na Holanda...). Mas a verdade é que, como se diz, começa agora o Mundial. E Scolari tem obrigação (real) de ganhar. Não vale uma derrota por penalties ou com dignidade. Não, tem de ganhar. Se perder, ao menos que não me faça adormecer como no jogo inicial e no de ontem. Agora esperemos que Portugal ganhee jogue minimamente bonito. Para apoiar a selecção de Itália eu poderia ter escolhido a original.

#9 | Comentado por: João André | 13 de agosto de 2006 às 17:31

Se a carapuça serviu a alguém...
Resultado absolutamente brilhante foi em 90, 98 e 2002. O deste ano é normal, aliás é a obrigação de Portugal, não é? Já há um lá de cima que diz o mesmo!

Scolari é o melhor seleccionador de sempre, quer alguns queiram quer não. São os números e os resultados que o dizem. ALiás, achos ridiculos os ataques que lhe são feitos sem sustentação alguma.

Gostei da 1ª parte, de grande nível mesmo, com um golo de finalização fantástica depois de uma jogada brilhante. Ricardo, Maniche e Simão foram, para mim, os melhores em campo. Gostei também de Petit, Ricardo Carvalho - embora com alguns erros que não lhe são normais - e Figo.

Meira e Hélder Postiga muito mal, Caneira um completo cataclismo. Todas as jogadas mexicanas foram pelo lado esquerdo e chegou até a oferecer a bola ao adversário com pases curtos e mal medidos. Horrível!

Tiago poderia ter feito o 3-0 naquela boa jogada do Postiga - a única em todo o jogo - mas não teve essa sorte. Esteve um pouco apagado! Na 2ª parte tivemos sorte... e Ricardo - grande jogo!

Força Scolari, força Portugal.. espremer as laranjitas!

PS: Quem vai perder o recorde primeiro, Brasil ou Scolari?

#10 | Comentado por: Pedro Neto | 13 de agosto de 2006 às 17:31

Joao Andrade, sabes bem para quem foram os comentários do Johnny Rook e do Pedro Neto. Uma coisa é discordar de algumas opções do Scolari (eu por exemplo, nunca percebi pq é que ele embirra insistentemente com o Nuno Gomes, que ontem em 20 minutos, jogou mais que o Postiga em 70 e que no Euro apareceu sempre melhor do que Pedro "Marco 20 golos ao Turquemenistão" Pauleta).

Mas muitos aqui houveram que fizeram mais que isso. Expressões como "Força Argentina", "Boi careca" "Vai ser uma vergonha" foram aqui muitas vezes repetidas, só porque o seleccionador não quis levar 1 jogador do Porto (Quaresma).

Esses, as Hienas, estão escondidos agora, mas vão aparecer. Já agora, Scolari tem a obrigação de ganhar à Holanda????????
Está tudo louco??? Então a Holanda não tem uma grande equipa? Van Niistelroy, Van Persie, Van Der Saar, Robben eram titulares indiscutiveis na selecção portuguesa. Cocu e Van Bommel discutiam o lugar.
Vai ser dificil, meus amigos, bastante dificil, e se conseguirmos espremer a laranja, será um grande feito.

Só as Hienas vão aparecer a dizer que Portugal tinha obrigação de chegar à Final. Porque para as Hienas, bom seleccionador era o Oliveirinha. Esse sim, apresentou excelentes resultados e valorizou muito jogador- farsola lá de cima...

#11 | Comentado por: Red_Devil | 13 de agosto de 2006 às 17:31

Red_Devil, eu não fui dos que disse "Força Argentina!", pelo menos não o diria contra Portuga, embora me visse a fazê-lo para defender um bom jogo de futebol (a título de exemplo, ontem queria que a Holanda ganhasse, apenas porque é o meu país de acolhimento e, com um jogo tão chato, estava desejoso que a Argentina decidisse mostrar alguma coisa). Se o jogo com a Holanda se tornar chato e for a Holanda a melhorar as coisas com bom jogo e até golos, ainda que me aborreça de ver Portugal perder, como adepto de futebol ficarei algo contente.

Eu critico o Scolari pelas suas opções técnicas e pelo facto de ter tomado decisões por teimosia. E critico-o por ser um falso patriota (mas não tanto como quem o segue feito cãozinho amestrado). E posso-o fazer porque não sou grande coisa como patriota (penso que o que escrevi acima o exeplifica). Por isso, por causa de todas as suas atitudes (não falar de jogadores não convocados?, ele julga que é um ditador que não tem de dar satisfações a ninguém?, e quanto a ser intolerante perante críticas, a ponto de colocar o Madaíl a fazer ameaças à imprensa?) entendo que Scolari tem obrigação de chgar às meias finais. A uma selecção de um treinador com verniz eu não pediria tanto. Mas a um seleccionador que se gaba de ser dos maiores do mundo e de ser o melhor seleccionador da história eu posso exigir tudo isso, até porque Portugal é, como ele não se cansa de repetir, o vice-campeão europeu.

Pedro Neto, se continuar até julgo que a FPF lhe paga para isto. Até me arriscarei a chamar-lhe Luís Delgado do futebol, mas parece-me que não vale a pena descer tão baixo, especialmente porque o futebol não merece assim tanta atenção. Em 90 o Figo ainda andava a meter laca no cabelo, o Rui Costa a jogar pelo Fafe e o Paulo Torres ainda era um bom jogador para o escalão. E o João Pinto ainda não se tinha metido em pancadarias com o Paulinho Santos. Em 98 - saltou 94, mas não faz mal - não chegámos lá nem merecíamos. 2002 tínhamos o Oliveirinha que era um idiota de primeira. Alguém que se deixa guiar por sperstições, no futebol moderno, nem sequer deveria sentar-se no banco, quanto mais orientar uma selecção. Veja-se o Domenech.

Falam-me de comparações. Façamos então um exercício. Pensem no período anterior a 98. Quantos jogadores da selecção daqueles tempos entrariam no onze se estivessem hoje em forma? Secretário? Paulinho Santos? Sá Pinto a ponta de lança? Calado? Paulo Madeira? Folha? Estão a brincar comigo? Entraria o Figo, o Rui Costa (e apenas talvez, o Deco dá outro tipo de garantias) e o Fernando Couto por causa da voz de comando. O Jorge Costa seria suplente. O Dimas provavelmente também. O Baía poderia jogar se o Scolari deixasse. O João Pinto provavelmente iria para o banco. Os outros jogadores seriam suplentes se fossem sequer chamados. Não me venham portanto comparar a selecção de 96 (há 10 anos atrás) com esta. Nem em termos de qualidade nem de experiência. Essa selecção Scolari não aceitaria orientar depois de ser campeão do mundo. Não me gozem.

E se querem uma boa (excelente) campanha, temos a de 2000 no Euro. Bom futebol, bons opositores derrotados convincentemente e derrota apenas contra a selecção mais forte do mundo à época e apenas no prolongamento. E o treinador não era arrogante nem parvo. Era um senhor que até se coibiu de fazer comentários depois de sair do cargo.

Espero que a selecção ganhe. Sem dúvida. Só não me venham dar lições de patriotismo porque não as quero (patriotismos de pacotilha futebolística cheiram mal) nem de ver futebol porque não preciso (já sei reconhecer um bom jogo de futebol e Portugal ainda não me deu nenhum). Scolari pode saber ganhar um campeonato do mundo, não o contesto. Contesto é como o ganha. E exijo-lhe que o tente realmente ganhar. É para isso que se lhe paga. Não é para dizer que é o campeão do mundo, afrontar meio país e depois ficar contente com exibições sofríveis contra Angola, Irão ou México. espero bem que o país não caia na realidade nodomingo. A sério.

#12 | Comentado por: João André | 13 de agosto de 2006 às 17:31

Quero apenas relembrar uma coisa: não acho que Miguel comprometa frente a Robben. Há dois anos, secou-o completamente,tanto que o extremo holandês teve de ser substituído. Compreendo que Ferreira o conheça melhor, e que Robben seja mais jogador agora do que então, mas Miguel também o é.
Não vamos é começar a comemorar antes do jogo. Fizemos o pleno, mas em 96 também, e depois viu-se com os checos. E a Holanda é sempre a Holanda.

#13 | Comentado por: João Pedro | 13 de agosto de 2006 às 17:31

Não tenho comissão na FPF nem sou advogado de Scolari, caro João Pedro, apenas me incomodo com o achincalhamento público de quem já deu muito a Portugal. E chamar-me Luis Delgado do futebol é uma grave ofensa até porque os meus ideais politicos são completamente opostos dessa figurinha ridícula.

Já cansa esta discussão de Scolari vs FC Porto, prefiro apoiar Scolari e Portugal e vibrar com os golos e com as vitórias - que já foram 3.

#14 | Comentado por: Pedro Neto | 13 de agosto de 2006 às 17:31

Pedro Neto, não cheguei a chamá-lo de Luís Delgado. Mencionei esse nome para ilustrar uma sensaçãoq ue me dava. E quanto à FPF lhe pagar ou não, ainda que o pudesse fazer, obviamente que o disse por ironia.

Seja como for, duas coisas a esclarecer. Primeira: o nome não é João Pedro. Um pouco mais de atenção não fica mal. Segunda: nunca disse que sou adepto do FC Porto. Se ficou com essa ideia porque critico Scolari desengane-se. Nem todos os críticos de Scolari são adeptos portistas. As opiniões não têm de nascer de fidelidades caninas, seja ao que for. Há ainda quem pense pela sua cabeça. Se o comentário era acerca de outra coisa qualquer, então esqueçamos isto.

Vibra com as vitórias portuguesas? Olhe, eu não. Kimito-me a ficar contente por elas. Vibrei com o golo do Pauleta (aos 5 mins do primeiro jogo é difícil não o fazer) e com os do Deco e do Maniche (fantásticos). De resto tenho feito esforços para não adormecer.

Fora disso, continuo com a mesma opinião: um bom treinador poderia ter resultados semelhantes com esta equipa (senão melhores). E tanto me faz a menor diferença se seria português, brasileiro ou de outro país. Não vamos é embandeirar em arco só por causa destas vitórias.

#15 | Comentado por: João André | 13 de agosto de 2006 às 17:31

"Embandeirar em arco" pelo "simples" 2º melhor resultado de sempre em toda a história da Selecção Portuguesa e 40 anos depois da única classificação para a fase seguinte de um Mundial?

Claro que não, afinal... é apenas futebol, esse desporto sem importância no panorâma nacional e mundial.

#16 | Comentado por: Pedro Neto | 13 de agosto de 2006 às 17:31

Pedro Neto, pelo que vejo tem tanto jeito para ler nomes como o resto que é escrito. Falei «destas vitórias», não do Euro. Por outro lado, falando do Euro, expliquei que não lhes dou o mesmo valor que âs do de 2000 porque esta equipa era melhor, jogámos em casa e no de 2000 fizemos melhores exibições.

Se quer enfiar as palas, gritar com os outros às ordens do "sargentão"... tudo bem, é consigo. Não venha é encher os ouvidos aos outros como este Scolari é o maior do mundo e arredores. Outros treinadores, repito, fariam tanto ou melhor que ele com esta equipa. E fá-lo-iam de forma educada, sem guerras e sem receber o balúrdio que este recebe.E se fossem estrangeiros sem pegar em bandeiras com falsos patriotismos balofos.

PS - ainda estou para lhe ler a opinião sobre a qualidade individual destes jogadores comparada com a dos de 95-2002.

#17 | Comentado por: João André | 13 de agosto de 2006 às 17:31

A geração de 98 era fantástica com Rui Costa, Figo, Paulo Sousa, João Vieira Pinto, Fernando Couto, Sérgio Conceição, Jorge Costa, Pedro Barbosa, Rui Jorge, etc... foi talvez a melhor geração - na globalidade - de sempre do futebol português.

Em 96 fizemos um bom Euro, em 98 foi uma catastrofe tal como em 2002. Em 2000, Humberto Coelho, Figo e Portugal fizeram um Euro magistral!

Não enfio palas, nem grito a ninguém. Os números dizem que tenho razão. Essa de outro poder fazer melhor é algo que nunca vimos anteriormente e que se provará depois do Scolari sair.

PS: Nunca houve tanto patriotismo - à excepção de alguns - à volta da Selecção. E esse é um mérito indiscutivel de Scolari.

#18 | Comentado por: Pedro Neto | 13 de agosto de 2006 às 17:31

Um dos males nacionais é so termos duas atitudes possíveis: ou embandeiramos em arco ou achamos que é tudo uma vergonha. Há quatro anos a nossa prestação foi má, mas tínhamos um grupo muito mais difícil do que ste, com uma equipa que ficou em 4º e outra que foi eliminada pela alemanha nos 4os de final. Perdemos 2 jogos com essas equipas, o 2º dos quais jogando com 10 a partir da meia hora e com 9 a partir da hora de jogo. Culpar o Oliveira disso tudo é patético, tão patético como dar ao scolari todo o mérito pelos resultados obtidos por um grupo de jogadores que já ganhou várias competições europeias.
Em 2000, como lembrou o Joao Andre, fomos às meias finais. E acrescento eu que em 96 fomos aos quartos, eliminados por um finalista. Calculo que para os seguidores de S. Felipão tudo isso sejam vergonhas. Mas não são, são o resultado de vitórias (e um empate) contra equipas incomparavelmente mais fortes do que as que defrontámos até agora neste mundial: em 96 Dinamarca, Turquia e Croácia, em 2000 Inglaterra, Roménia, Alemanha e Turquia.
Já disse várias vezzes aqui porque não gosto do homem. E também já disse que, salvo algum cataclismo, nunca seria dos que vêm gritar "vergonha", ainda que fôssemos eliminados na 1ª fase. Não será vergonha nenhuma se perdermos com a Holanda, não seria para nenhuma selecção do mundo. E também não será nada de extraordinário se passarmos, porque temos-lhes ganho quase sempre. Sinceramente acho que eles têm melhor equipa do que nós, e que a estatística os favorece: sendo duas selecções de valor mais ou menos equivalente, não é normal que nós lhes tenhamos ganho 6 vezes e eles apenas uma. Esperemos que a estatística valha pouco.
Quanto aos comentários sobre hienas e abutres feitos pelo rebanho de carneiros com a bandeirinha na antena, nem vale a pena perder muito tempo. Disse o que pensava deste idiota na devida altura, e disse logo que a minha opinião não dependia do bom resultado que eventualmente viéssemos a obter. Quero que ele faça as malas rapidamente, nem que sejamos campeões do mundo. Uma besta quadrada que ganha dezenas de milhares de contos por mês e me diz que eu tenho raiva e inveja dos brasileiros é alguém com quem eu não quero partilhar espaço territorial. Mas ao que parece, parece que afinal ser patriota é beijar o rabo a esse senhor. Patriotismos desses dispenso bem.

#19 | Comentado por: joethelion | 13 de agosto de 2006 às 17:31

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