quarta-feira, 21 julho 2004




Domingo Subjectivo: A Norte

A paixão pelo futebol, mais concretamente pelo clube de eleição, é um aspecto que condiciona a nossa vida. Hoje em dia posso afirmar que por causa de um jogo que vi nas Antas há mais de dez anos criei uma antipatia total ao norte do país, em especial a tudo que estava relacionado com a cidade Invicta.

Foram anos sem querer saber nada do norte, a confundir agressores com um clube e por sua vez , o clube com uma cidade e uma região.
Felizmente, nos últimos anos tive a sorte de conhecer daquelas pessoas que entram na nossa vida para nunca mais sairem. Gente boa, gente do... norte. Aos poucos aquele triste dogma que me fazia ignorar e desprezar o Porto e arredores foi desaparecendo. E desapareceu ao ponto de já não dispensar uma regular visita a belos locais como a Maia, Vila do Conde, Póvoa do Varzim e ... Porto. As pessoas, a gastronomia ou a paisagem, tudo argumentos de peso para me apaixonar pelo norte do país. Demorou tempo mas , felizmente, passou a neura. E até já há vontade em ir ver um joguinho no Dragão ao longo da época. Desejando a derrota caseira, é evidente, porque há coisas que nunca mudam.

No último fim de semana andei por Caminha à conta do festival Vilar de Mouros, e durante a viagem pude confirmar que a onda das bandeirinhas foi mesmo de norte a sul, no sítio mais escondido no meio do campo lá havia o pano verde e vermelho a dançar ao sabor do vento. Isto duas semanas depois do Euro, é bonito.



Publicado por João Gonçalves às 17:23
Comentários (4) | TrackBack (0)




segunda-feira, 12 julho 2004




Domingo Subjectivo - Uma Semana de Trappatoni

Ideias apanhadas entre amigos e estranhos durante a primeira semana de Trappatoni no Benfica:

- Curriculum não lhe falta
- É defensivo? Era o que o Benfica precisava, solidez defensiva.
- Muito defensivo, vão jogar para os pontos. Vai ser degradante.
- Não me agrada jogar à defesa. Por outro lado, o exemplo da Grécia é um bom pronúncio.
- Não chega ao Natal.
- É um senhor.
- Se não formos campeões com este...
- Coitado.
- Precisa de jogadores

Continue a ler "Domingo Subjectivo - Uma Semana de Trappatoni"


Publicado por João Gonçalves às 03:43
Comentários (6) | TrackBack (0)




terça-feira, 6 julho 2004




O Dia Seguinte


Foi com surpresa e muito agrado que fiquei a saber da existência do blogue referente ao programa da SIC Notícias "O Dia Seguinte". É um espaço que o apresentador da SIC, o jornalista Pedro Mourinho, quer manter como um sitío de discussão aberto a todos os leitores e espectadores.

Quero agradecer as palavras que o Pedro Mourinho endereçou ao nosso blogue, e mostrar satisfação por ter destacado e transcrito no seu espaço o texto que publiquei ontem dedicado à selecção.

Podem visitar o blogue aqui: O Dia Seguinte



Publicado por João Gonçalves às 02:52
Comentários (0) | TrackBack (0)




segunda-feira, 5 julho 2004




Domingo Subjectivo - Eu Não Merecia

Não, não se trata de um lamento egocêntrico sobre a derrota. Nada disso. Nesta altura há que parar um pouco e ser sincero.
Eu não merecia mais desta selecção. A taça esteve mesmo ali ao pé mas fugiu no fim. Aconteceu aquilo que eu não queria de maneira nenhuma, morrer na praia. Mas eu não posso vir para aqui criticar os jogadores, os técnicos ou árbitro. E porque é que não posso? Porque não tenho moral para o fazer, porque tenho de ser coerente.

Eu não acreditava nesta selecção, neste treinador, em alguns jogadores. Havia guerra a mais, resultados a menos e eu estava completamente furioso com o que se tinha passado na Coreia e Japão há dois anos.

Escrevi aqui tantas vezes em tom irónico, gozão até, sobre a forma como Portugal encarava o Euro. Quando perdemos o jogo de estreia ainda olhei sadicamente para amigos que estavam muito confiantes com os nossos moços.

Fui ver o Portugal - Rússia no estádio. E isso fez mudar muito da minha forma de estar com a selecção. Fiquei entusiasmado, comecei a acreditar, gostei da maneira como Scolari agarrou o barco.
A vitória contra Espanha foi o suficiente para eu entrar nesse mesmo barco. Ou melhor, caravela. Como na altura dos descobrimentos. Eu quis ir com o país todo nessa caravela. Comecei a sentir o dia a dia da selecçao como se do meu clube se tratasse. Senti um orgulho em ser português como nunca senti. Conversar com ingleses, croatas, franceses, suecos e ir-me despedindo deles ao longo das semanas, fez com que eu me sentisse bem.

Os jogos passaram a ser encarados como os jogos decisivos do meu clube. O coração bateu forte, os nervos, a tristeza de um golo sofrido, a alegria de um golo marcado, todo o ambiente era comparável com o que sinto com a minha equipa de eleição.
Ou seja, estava feito o milagre que Scolari tanto queria, durante um mês todos tivemos o mesmo clube, a mesma equipa! Um hino, uma bandeira, uma selecção.

A selecção de Portugal fez os jogos todos possíveis, abriu e fechou o Euro, proporcionou ao país noites mágicas, impensáveis há poucos meses. Conquistou-nos, fez as pazes com a nação, mandou para casa a Inglaterra, a Holanda , a Rússia e a Espanha!

Hoje após a derrota voltei ao Bairro Alto. Deve ter sido a única vez que fui beber um copo depois de uma derrota tão chocante. Mas fui, porque a capital merecia, porque a selecção merecia, porque eu não acreditava nada nestes gajos, até os gozei, e no fundo foram eles que me deram dias e noite memoráveis de grande futebol, grande alegria e orgulho.

E fiquei muito contente por ver tanta gente na rua a pensar como eu. De copo na mão, sorriso fácil mas com excelente atitude. Não fomos campeões europeus, mas estivemos na final. E melhor que tudo, organizámos, assim mesmo na primeira pessoa do plural, um Europeu fantástico!

Pela minha parte agradeço tudo, prometo torcer pela selecção rumo ao Mundial, e pode ser que da próxima vez sejamos os melhores, mas para isso temos que manter este espírito que o país demonstrou ter aprendido a gostar.

Um brinde a Portugal.



Publicado por João Gonçalves às 01:22
Comentários (18) | TrackBack (0)




quarta-feira, 30 junho 2004




Domingo Subjectivo - Importa-se De Repetir?

Miguel Sousa Tavares escreveu sobre a vitória de Portugal, e dedicou um parágrafo inteiro ao guarda redes Ricardo que eu passo a citar:

"E, como as últimas impressões é que ficam, tudo o resto ficou apagado. O quê, ao certo? De positivo, duas boas defesas, uma saindo a pontapé fora da área, outra mergulhando em voo para um remate frontal. De negativo, a falta de reflexos para conseguir emendar a fífia do Costinha aos três minutos de jogo (o remate de Owen é espontâneo e bem executado mas saiu fraco e à figura) e duas bolas cabeceadas livremente na sua zona de interdição aérea, uma das quais esbarrou na trave e viu a recarga vitoriosa felizmente anulada pelo árbitro.

Até que se chegou aos penalties e, depois de Beckham ter escorregado no primeiro, os três seguintes entraram pelo meio da baliza, enquanto Ricardo se atirava sistematicamente para a sua esquerda. E estávamos nisto quando Eusébio, desesperado, correu ao longo da lateral para, como ele contaria depois, ir suplicar a Ricardo que não se mexesse antes de ver para onde ia a bola — pois que, como lhe ensinara Lev Yashine há muitos anos, essa é a única hipótese que um guarda-redes tem de defender um penalty sem ser por sorte.

Mas a verdade é que, felizmente para Portugal, Ricardo não escutou o conselho de Eusébio nem quis saber da lição de Yashine. E, pela quarta vez consecutiva, atirou-se para o mesmo lado e teve a sorte de ver o seu adversário inglês fazer-lhe finalmente a vontade e atirar para lá a bola. Depois, veio aquele gesto iluminado de mandar afastar o Nuno Valente e encarregar-se ele próprio de cobrar o nosso penalty.

Ora a sua cobrança (tirando a do Rui Costa, que saiu por alto) foi a pior entre as seis cobranças de Portugal. Porque há quatro regras, por ordem de importância decrescente, para cobrar bem um penalty: 1.ª, enganar o guarda-redes; 2.ª, rematar rasteiro e nunca por alto; 3.ª, colocar a bola o mais desviada possível do centro; 4.ª, rematar com força. Rarissimamente se conseguem reunir as quatro no mesmo remate mas isso não é importante desde que a primeira delas seja assegurada: um guarda-redes desequilibrado para o lado contrário àquele em que se envia a bola jamais conseguirá ir buscá-la.

O Ricardo conseguiu as últimas três condições de êxito mas não a primeira, o que, com um guarda-redes tão comprido como o James, seria normalmente fatal, se a bola não tem saído, de facto, tão colocada. Um palmo mais para dentro e a esta hora já não haveria herói Ricardo e, se porventura a Inglaterra tem ganho a seguir o desempate, toda a gente estaria agora a condenar a sobranceria do Ricardo, que nos teria custado a eliminação. Eis quão frágil é a fronteira entre os heróis e os vilões. "

Ora, não sendo eu um fã do Ricardo, acho que ele fez uma época desastrosa, custa-me ler estas palavras. E custa-me porque sei que se o nome do homem da baliza começasse por um "V" e o apelido por um "B", que o Miguel Sousa Tavares não escreveria estas injustas palavras.

E antes que apareçam as "recargas" a perguntarem o que o texto tem de injusto, eu destaco este naco de prosa: "o remate de Owen é espontâneo e bem executado mas saiu fraco e à figura", isto sobre o 1-0.
Por favor!! Só quem nunca jogou futebol, e mais especificamente à baliza é que pode escrever um disparate destes!

E que tal o Miguel trocar o seu teclado por umas luvas e ir logo ensinar o pessoal a defender a nossa baliza?



Publicado por João Gonçalves às 04:19
Comentários (35) | TrackBack (0)




terça-feira, 22 junho 2004




Domingo Subjectivo: O St. António Agradece

Há uma semana escrevi neste espaço que o Santo António não merecia aquela desfeita contra a Grécia em plena noite de festejos lisboetas. Pois bem, uma semana volvida e a selecão devolve a alegria ao país. Portanto, graças ao futebol a tradicionalmente festiva noite de 12 para 13 de junho ficou adiada para a noite de 20 para 21 de junho. Uma semaninha de atraso, nada de grave quando no nosso horizonte estão três jogos que nos podem levar ao céu.Agora que Portugal está a cumprir o seu papel dentro de campo é tempo para falar do ambiente que se vive neste país. Não sei se os meus colegas de bancada e os leitores deste blog podem afirmar o mesmo, mas eu posso dizê-lo; tenho o Euro à porta de casa! Literalmente. Como vivo bem perto do estádio da Luz tenho respirado a atmosfera dos grandes jogos. Está a fazer-se história à porta da minha casa, e isso é fantástico. Ao contrário do que andaram a agoirar vizinhos e comerciantes da zona, em dia de jogo na Luz é uma festança como nunca se viu. Ingleses, croatas, frances, ingleses, japoneses, ingleses, russos e ingleses, muitos ingleses, andam por aqui na última semana.

Nem um incidente digno de registo para amostra, nada! O que vamos guardando na nossa memória são as entusiásticas conversas futebolísticas com os supporters ingleses. E muito temos aprendido...

Entre outras coisas já percebi as principais razões pelo amor fascinante que o inglês tem pela sua selecção (deixemos os idiotas de Albufeira fora disto). O inglês ama o futebol, tem o seu clube do coração mas acima de tudo é louco pela sua Nation Squad. Tentei explicar a um simpático adepto do Norwich as "guerras" internas na nossa equipa, e que os ódios clubísticos estão sempre a interferir. Resposta: "That's stupid!"
Pois é, mas é o que temos...

Outras coisas que o amigo inglês não entende; porque é que cá só há adeptos de três clubes, pelo menos até agora ele disse que só conheceu adeptos de três clubes, ao passo que só no grupo que viajava com ele havia preferências por seis (6) equipas diferentes!

Para o inglês é impensável criticar um jogador por ser do clube x ou y, ninguém pensa nisso durante estes torneios. Há grandes diferenças de mentalidade, e eu assumo o meu total fascínio pela maneira como os ingleses vivem o futebol.
No fim da conversa ainda houve tempo para os ajudar a encontrarem o caminho mais rápido para o hotel que, segundo eles, não era muito longe. Iam dormir a ... Faro!



Publicado por João Gonçalves às 03:40
Comentários (3) | TrackBack (0)




segunda-feira, 14 junho 2004




A minha estreia

Pode não parecer grande coisa, mas hoje é um grande dia, é o dia em que vou estar dentro de um estádio para assistir a um jogo da fase final do campeonato da europa.
Porquê tanto entusiasmo? Porque sou daqueles que tira férias de dois em dois anos para poder ver TODOS os jogos das fases finais de Mundiais e Euros. A memória mais distante que tenho em relação a ver jogos na televisão, remonta a 1982, no Mundial dos nossos vizinhos espanhóis. Jogos como o Alemanha-Argélia, Brasil-Itália, Alemanha-Itália, Polónia-Itália e muitos outros são nítidos na minha memória. Lembro-me de onde os vi e dos golos marcados. A partir de 1982 foi sempre em crescendo e nunca falhei um dia de transmissões televisivas destas competições. Naturalmente, a esperança e o sonho de presenciar ao vivo um desses jogos foi crescendo, e tendo o Euro 2004 à porta de casa, não pudia falhar.

Hoje lá irei para Alvalade ver o Suécia-Bulgária com um brilhozinho nos olhos, como diz o Sérgio Godinho.



Publicado por João Gonçalves às 15:05
Comentários (0) | TrackBack (0)






Domingo Subjectivo - O Santo António Não Merecia

Após ausênica de duas semanas, o Domingo Subjectivo regressa em pleno Euro e no auge na decepção nacional.

Para um rapaz da capital , ou para alguém que tenha resolvido passar o mês de junho em Lisboa, este sexto mês do ano tem tudo para ser o mais emocionante, alegre, festivo e intenso de sempre.

Tudo começou no primeiro fim de semana. O festival Rock in Rio arrancou em força e proporcionou grandes momentos, como o concerto de Paul McCartney, pela primeira vez em Portugal. Oito dias depois, mais de cem mil pessoas entusiamadas passaram pelo recinto exibindo bandeira e cachecóis que mostravam a ansiedade pelo Euro.

Enquanto bandeiras nacionais cresciam nas janelas de toda a cidade, a 10ª edição do festival Super Bock Super Rock chegava ao cruzamento do rio trancão com o tejo. Mais horas de música, cerveja e animação. No fim do concerto dos Massive Attack, duas bolas "roteiro" gigantes foram lançadas sobre o público que desde logo mostrou estar mais do que preparado para o Euro, não dando descanso às réplicas da redondinha oficial.

Estava feita a ponte musical entre o fim de época nacional futebolística e o começo do campeonato da Europa. Uma ponte perfeita, que os lisboetas e visitantes viveram com grande animação. Estava tudo pronto, só faltavam os golos de Portugal.

Que dia mais indicado para ver a selecção iniciar a sua carreira no Euro, do que o dia 12 de Junho? Nenhum! Portugal jogava a meio da tarde, por isso a noite de Santo António prometia ser memorável.

Aconteceu o que todos sabemos, e afinal depois de tanta euforia vivida nos primeiros dias de Junho em Lisboa, a noite de S.António foi deprimente. Alfama e Castelo eram povoados de uma gente desiludida, triste e abatida. O consumo de bebidas e comidas foi muito abaixo do normal, e conseguia-se circular com facilidade, ao contrário do que acontece todos anos nesta noite.

Salvou-se a Bica, onde os lisboetas acabaram por se animar com a presença de gente sueca, espanhola, inglesa, dinamarquesa que acabou por empolgar os adeptos mais uma vez traídos pela sua selecção.

O mínimo que os meninos de Scolari podiam fazer para compensar esta banhada, era ganhar o torneio. Alguem acredita nisso?
Por mim, ficava satisfeito se a equipa técnica de Portugal tivesse dado ordem aos seleccionados para irem para as ruas de Lisboa sentirem e ouvirem a tristeza de um povo que depositou neles toda a sua alegria. Se o fizeram em Óbidos, também podiam ter feito na noite de Santo António que não merecia esta desfeita.



Publicado por João Gonçalves às 14:54
Comentários (0) | TrackBack (0)




terça-feira, 25 maio 2004




Domingo Subjectivo - Castigo Galego

Muitas vezes em noites de conversas à mesa de um café , ou de pé com uma garrafa na mão vamos contabilizando, contando e recordando as nossas experiências vividas como adeptos de futebol. Uma viagem, um golo, um jogo da televisão, são infinitos os motivos que dão para uma noite inteira de palheta. Há momentos bons e momentos horríveis que ameaçam ser eternamente negros no nosso pensamento. Assim de repente lembro logo de dois números que me deixam apreensivo só de ouvir falar neles: 7 e 5. Da parte da história do Benfica que tenho acompanhado e vivido, há três datas negras que envolvem esses malditos números.

Dezembro de 86, a minha estreia em Alvalade a ver o Benfica foi brindada com o famoso 7-1. Início da época 96/97, na noite em que estreio o meu lugar cativo na Luz, em jogo a contar para a 2ª mão da Supertaça o FC Porto vence por 0-5. Mais recentemente para a Taça UEFA o Benfica leva 7 do Celta.

Claro que na ressaca destas noites de pesadelo roguei sempre valentes pragas aos adversários. E se para os rivais nacionais foi natural pequenas vinganças (muito mais com o Sporting do que com o Porto), ficava a questão por resolver com o Celta. Só que neste momento os galegos vivem um pesadelo ainda maior que os meus, desceram à 2ª divisão! Agora bem lembro de ter desabafado da altua "haviam de ir parar à 2ª".
Está feito.



Publicado por João Gonçalves às 22:08
Comentários (7) | TrackBack (0)




quarta-feira, 19 maio 2004




Oh Miguel Sousa Tavares!

Assim mesmo, em exclamação. Sou leitor assíduo do Jornal A Bola e leio sempre as "nortadas" do Miguel Sousa Tavares. Só me referi aqui a uma crónica dele uma vez. Foi por alturas da inauguração da nova Luz, e destaquei uma confissão que o Miguel tinha escrito na sua coluna, onde afirmava que só desejava a derrota do Benfica nos jogos contra o FC Porto. De resto até gostava de ver o Benfica ganhar, porque um dos seus filhos é ferrenho benfiquista. Como não estava (nem estou) a imaginar tal cenário escrevi sobre isso.

Mas desta vez vou ter que contestar o que escreveu Miguel Sousa Tavares na nortada desta semana:
"Com toda a franqueza, acho que o Benfica não mereceu esta Taça. Para começar, não mereceu chegar à final, depois de um percurso onde, ou ficou isento, ou jogou sempre em casa, em constrate com o FC Porto, que eliminou o Boavista e o Braga e Rio Ave, fora de casa. "

Além da gralha em "constrate" (acontece aos melhores), o Miguel anda com uma péssima memória, e com uns critérios muito estranhos.
Vejamos; o Porto eliminou o Braga e o Rio Ave fora de casa, e este último com uma arbitragem de Martins dos Santos muito polémica. Mas o Boavista foi afastado nas Antas!
Agora olhemos para o percurso do Benfica. Miguel diz que ou ficou isento, ou jogou sempre em casa.
Mas a verdade é que o Benfica teve que ir a Coimbra ganhar à Briosa. E se Sousa Tavares fosse mais cuidadoso nesta análise, descobria que o Benfica ganhou a Taça de Portugal eliminando só equipas da Superliga! É verdade que numa ronda ficou isento. Mas dessa vez o Miguel lembra-se quem é que foi às Antas medir forças com o dragão? Foi o temível Vilafranquense. E pelo meio ainda receberam o Maia, que por acaso chegou a assustar a plateia azul e branca.

O que se passa Miguel? É o convívio com a Manuela às terças feiras que o deixa assim? E como o título onde estas mentiras vinham escritas era Direito por linhas tortas, permita-me que conclúa que as linhas tortas foram as escritas por si.



Publicado por João Gonçalves às 01:55
Comentários (18) | TrackBack (0)




terça-feira, 18 maio 2004




Sinais dos tempos

"o golo do fyssas foi quadrado/xis"

Os dias da PS2...



Publicado por João Gonçalves às 11:04
Comentários (0) | TrackBack (0)




domingo, 16 maio 2004




Domingo Subjectivo

Hoje ao fim da tarde cheguei ao hospital Curry de Cabral. Estava ansioso, preocupado e nervoso, pois queria saber como tinha corrido a operação da minha mãe, e acima de tudo queria vê-la. Depois de me indicarem para que bloco eu devia ir, fui em passo de corrida. A imagem com que deparei não vou esquecer tão cedo. Dezenas e dezenas de miúdos e miúdas abraçados em choro colectivo. Os repórteres de microfones e máquinas fotográficas nao mão não deixavam margem para dúvidas. Partiu mais um dos nossos.
Quatro meses depois volto a viver o pesadelo por dentro, treinadores e jogadores todos juntos no interior do bloco por onde eu tinha que passar. Não resisti e dei um tímido abraço ao Bastos Lopes, que só conheço de convívio no Califa. Senti-me melhor.

Hoje quero que o Benfica entre em campo com estes dois jovens no pensamento. Não peço a Taça, porque isso não muda nada, peço apenas que em vez de pensarem em mediáticos prémios individuais monetários, se lembrem que dois putos que representaram o mesmo emblema que eles, já não estão cá para vibrarem com mais uma final.



Publicado por João Gonçalves às 11:58
Comentários (1) | TrackBack (0)




quarta-feira, 12 maio 2004




Domingo Subjectivo - Adepto Sofre!

Andava a preparar um texto para ilustrar a minha coluna semanal sobre o campeonato agora findo. Mas depois da experiência vivida hoje, deixo essa análise para mais tarde.
Prefiro partilhar a aventura de um adepto que quer muito ir ao estádio ver a final da Taça de Portugal, e que nem se importa de acordar mais cedo para ir comprar o bilhete, e faz um esforço para largar 20€ (4 contos) por um lugar de péssima visibilidade e de conforto nenhum. Tudo isso não interessa quando a vontade de estar presente no local onde se joga o último jogo da temporada nacional é tão forte.
Mas esperar mais de NOVE horas para obter o tal bilhetinho (e já a 30€, porque os de 20€ esgotaram) é dose. É quase masoquismo.
Cheguei à fila antes das 8 da manhã para render um amigo que tinho ido marcar posição às 5 da matina! Como as bilheteiras abriam às 10 ainda pensei que por volta do meio dia estava despachado. Pois... Eram 14h30m quando aconteceu o grande momento da compra!
Será que não há maneira de se organizar melhor estes eventos? Isto não é sofrer pelo clube, já é sacrifíco.



Publicado por João Gonçalves às 15:57
Comentários (2) | TrackBack (0)




terça-feira, 4 maio 2004




Domingo Subjectivo

Há uma semana li aqui no Terceiro Anel uma prosa inflamada e entusiasta do Pedro Varela descrevendo o intenso ambiente vivido no derby do Minho, Vitória-Braga. Achei piada, gosto de ler estas prosas que falam da emoção levada ao extremo que certos jogos despertam.

Isto vem a propósito de ontem eu ter ido ver mais um Sporting-Benfica, desta vez no novo estádio de Alvalade. Se me perguntarem qual é o jogo fora da Luz que eu não posso deixar de marcar presença, respondo logo: o de Alvalade.

Um derby com o Sporting é muito mais do que um jogo, é o momento em que se tiram as teimas todas, nem que seja por umas horas. Gritar um golo na casa do rival é um prazer supremo que nos torna por instantes os adeptos mais felizes do mundo. A maneira como menos de duas mil pessoas puxam pela equipa visitante, contra mais de quarenta mil a apoiar os da casa, é emocionante, e faz sentir aos jogadores encarnados a importância que tem uma vitória naquele jogo, a mim não me convencem do contrário.

Felizmente tenho muitos amigos portistas e sportinguistas, tanto na cidade onde vivo, Lisboa, como no resto do país e é muito interessante ver como os dragões não conseguem perceber a euforia que reina à volta de um derby lisboeta. Assim como os benfiquistas do norte não sentem tanto os jogos entre leões e águias, dizem sempre preferir ganhar ao FC Porto.
Mas o pessoal que vive, ou viveu, na capital sabe o quanto é importante este confronto. Não interessa se a nossa equipa joga mal, ou se os nossos jogadores favoritos não entraram, a única coisa que interessa é ganhar. Ganhar é tudo! Não existe outro derby assim.



Publicado por João Gonçalves às 00:12
Comentários (1) | TrackBack (0)




segunda-feira, 26 abril 2004




Domingo Subjectivo

1 - Como assíduo frequentador de estádios de futebol até achava estranho nunca ter acontecido calhar um jogo da minha equipa no meu dia de aniversário. Esperei 31 anos por um dia assim. Já tinha calhado ver um concerto de Nick Cave no Coliseu na minha noite de aniversário, mas isso é conversa para outros espaços, mas quanto a futebol só me tinha acontecido ver alguns bons jogos no dia 24 de Abril, mas nunca a minha equipa. Pronto, no passado sábado lá tive a feliz oportunidade de me sentar num lugar da nova Luz, rodeado de amigos e ver uma vitória do Benfica. Do jogo vou recordar os golos, e o facto da feliz coicidência ter acontecido no dia que Xanana Gusmão também cumpriu o sonho de ir à Catedral.
O mágico dia 24 estava a correr tão bem (desportivamente falando, claro) que até estranhei... O Liverpool a ganhar em Old Traford, o golaço do Miguel, a derrota do Sporting, e só o futsal não ajudou. Tudo terminou com a festa azul do título, bem que desconfiava que estava alguma para acontecer.

2 - Foi uma semana com acontecimentos históricos, como que a recordar o espírito e a esperança da Revolução (assim mesmo, com R ) de Abril. Tudo desmontado à volta do caso dos resultados duvidosos dos jogos em que entraram Gondomar e Dragões Sandinenses. Era evidente que havia ali marosca, bastava acompanhar com atenção as crónicas da imprensa às 2ªs feiras, para se perceber que algo de estranho se passava. Mas como é hábito no nosso futebol todas essas conclusões não passarem das mesas de café, foi com enorme satisfação que acompanhei o caso "apito de ouro".
A verdade é que neste momento, os suspeitos estão todos em casa, mesno um que está preso preventivamente, e as vozes exaltadas e enérgicas parecem voltar a desaparecer. Pouco ou nada se vê na sequência de tanta agitação. Ninguém se demite, não há explicações convincentes, enfim... temo que tudo volte ao (a)normal, mas mantenho a ténue esperança que tudo seja esclarecido.



Publicado por João Gonçalves às 03:19
Comentários (2) | TrackBack (0)




segunda-feira, 19 abril 2004




Domingo Subjectivo - Paixão pelo Sistema

No fim de semana em que um árbitro revelou toda a sua Paixão pelo Sistema tão "querido" de Dias da Cunha, o Sporting confronta-se com um problema irónico.

O vai fazer o clube de Alvalade agora que foi realmente prejudicado por uma arbitragem? Luto nacional, blackout, queixas ao Governo, entrevistas na RTP em horário nobre, ameaçar os responsáveis pelo Sistema?
Pois é, isto já soa tudo a algo familiar...
É como aquele conto infantil do menino que passava a vida a inventar, e no dia que falou verdade ninguém o levou a sério e deu-se mal.

O problema do Sporting é que tem uma figura que usou e abusou da história do Sistema, e depois das declarações enigmáticas no fim do Sporting-Paços de Ferreira, jogo que os leões veceram com um golo marcado por Liedson em fora de jogo muito perto do final da partida, já ninguém o leva a sério.

Não está em causa a legitimidade da razão de queixa dos sportinguistas sobre esse incompetente que dá pelo nome de Bruno Paixão. O Sporting foi roubadíssimo no Bessa, ainda por cima numa noite em que os maiores defeitos de jogadores como Ricardo ou Beto vieram todos ao de cima. Tudo junto deu numa derrota num jogo que parecia mais do que ganho a 15 minutos do fim.

E agora? A culpa é de quem? Segundo as palavras de Fernandos Santos, o Benfica é que encomendou isto tudo. Os adeptos verde e brancos acusam Paixão de ser benfiquista, e pelos vistos foi o clube da Luz o grande beneficiado do trabalho do incompetente árbitro. Argumentos válidos já que o Benfica volta a estar a 3 pontos do 2º lugar.
Então e o FC Porto? Esta roubalheira não permitiu aos dragões irem passear a Aveiro com a equipa de reserva, ficando marcada a festa da revalidação do título para de hoje a oito dias?! E não era este título que se falava em Alvalade ainda ser pretendido?!
Afinal quem anda a prejudicar o leão?! O da frente, ou o que vem atrás?
Ou será que está tudo contra os leões. Dirigentes desportivos de todos os clubes uniram-se para prejudicar o Sporting, só pode ser isso.

Este é o problema de quem passa a vida a chorar um Sistema que existe, sim existe, mas não serve só para prejudicar a equipa de Alvalade. Calha a todos, tantos aos que passam a vida a publicitá-lo, como aos que tentam combatê-lo mais discretamente.

Desta vez há motivos para grandes reacções e acusações, só falta o protagonista do costume. Onde estará? Será que sente que entrou em cena antes de tempo, como aqueles maus actores que choram antes da tragédia acontecer?



Publicado por João Gonçalves às 02:59
Comentários (5) | TrackBack (0)




segunda-feira, 12 abril 2004




Domingo Subjectivo - Jogar aberto é pecado?

"Na hora da despedida o Estrela cometeu o erro de jogar aberto e deixar que os leões tivessem espaço para fazer brilhar a sua mais-valia técnica nos movimentos de ataque planeado"

A frase pertence a Carlos Rias e apareceu escrita no título da crónica, do jornal A Bola, sobre o jogo Sporting-Estrela da Amadora.

Tomei a liberdade de transcrever para aqui a frase porque este tipo de pensamentos irritam-me muito. Para o Carlos Rias, o facto do Estrela ter jogado o jogo pelo jogo, tentando ocupar o campo todo e até ter procurado o golo, foi um erro.
Façamos um exercício de imaginação: o Estrela sai de Alvalade com um empate a zero golos, depois de 90' (mais descontos) a fazer anti-jogo, com 11 jogadores em frente à sua baliza e jogando bem fechadinho.

O que escreveria Carlos Rias?!
Estou farto dessa mentaliade do futebol fechadinho à procura do pontinho. O Estrela procurou o golo, e por acaso até andou lá bem perto mais do que uma vez. Não marcou e sofreu 4. E então? Não é esse o resultado natural da diferença das duas equipas? Se as equipas sobem de divisão e chegam à Superliga para visitarem os 3 grandes sem saírem da sua área de defesa, então não vale a pena. Julgo eu, que para os jogadores do Estrela seja mais divertido e mais lógico puderem jogar com liberdade para tentarem surpreender o 2º classificado, do que estarem 90' a mandarem bolas para a churrasqueira do Campo Grande (não, não é uma piada ao mau momento do Ricardo).

Se todos pensarem com o jornalista d' A Bola, então estamos condenados a continuar a ver este futebolzinho tão frequente na Superliga.
Eu prefiro ver as equipas a jogarem aberto, mesmo que sejam goleadas, porque isso aumentava a probabilidade de mais espectáculo, mais golos e até mais resultados supreendentes. Critique-se o anti-jogo, e as tácticas ultra defensivas, o contrário não.



Publicado por João Gonçalves às 01:09
Comentários (2) | TrackBack (0)




segunda-feira, 5 abril 2004




Domingo Subjectivo - Tiros No Pé

Fernando Fonseca Santos é Vice-Presidente do Benfica e resolveu interrogar o seu Presidente em praça pública. Há muito que se sabe das divergências entre os dirigentes benfiquistas, mas agora todos nós podemos ler as críticas , em forma de interrogações, de Fonseca Santos.

Este tipo de situação já é tão comum na vida do Benfica que até já passa um pouco despercebido, sem grande polémica.
Tenho para mim que estas discussões tornadas públicas, são uma das grandes causas dos problemas do clube encarnado.
Não lembra a ninguém publicar mais de uma página de interrogações ao Presidente de um clube, na altura em que se está a lutar por um objectivo concreto, e no dia em que há um jogo bem difícil para se disputar!

Mas Fonseca Santos não hesitou, e avançou com uma carta aberta a Luís Filipe Vieira, que entretanto já respondeu. O que ganhou o vice? O que ganharam os adeptos e sócios? O que ganhou o clube? Nada! Como sempre , ganhou mais instabilidade e exposição pública de problemas internos.

Pergunto eu, estes problemas não podiam/deviam ser resolvidos internamente?! Não há reuniões, econtros ou comunicação entre os dirigentes?!

Até parece que fazem questão de prejudicar o clube, não foi para isto que foram eleitos, pois não?!



Publicado por João Gonçalves às 01:35
Comentários (4) | TrackBack (0)




terça-feira, 30 março 2004




Domingo Subjectivo - Por Sistema

Este tem sido o campeonato do Sistema. Não há muito tempo, primeiras páginas de jornais, capas de revistas, aberturas de telejornais, horas de rádio, tudo e todos davam cobertura a palavras acusadoras, revoltadas, graves e polémicas, contra os protegidos do Sistema. Provas, como sempre, nenhumas. Mas, deu para perceber, que o campeonato registava uma classificação aldrabada pelo sistema.

Como o tempo não pára, e como , fácilmente, o conformismo dos factos acaba por vencer, as vozes calaram-se, ou pelo menos, baixaram de tom.
Visto que o 1º lugar não vai ser colorido por outras côres, que não o azul e branco, o melhor é consolar-se com o que há.
Mas, se de repente o 2º lugar também levantar emoções, aí é melhor ir buscar o Sistema, não vá o diabo tecê-las! Ou seja, o mais certo é que as vozes do (contra)Sistema, estejam a ganhar fôlego para as batalhas finais, perdidas que foram as iniciais.

Terminada, mais uma jornada, do campeonato, temos as seguinte conclusões:
o Porto venceu o Moreirense, com uma dificulade tão grande, quanto inesperada. Ganhou justamente, mas com Martins dos Santos (Já será Dragão D'Ouro?!) a inventar o golo portista;

o Sporting derrotou o Paços de Ferreira, de forma quase milagrosa. O Paços falhou tantas oportunidades, que podia ter ganho sem problemas em Lisboa, mas o Sporting chega à vitória, no fim, com um golo irregular, que os seus adeptos , por certo, condenarão, já que mostraram conhecer , melhor do que ninguém, as regras do fora de jogo, por altura de um golo anulado por causa de F.Aguiar...

Curiosamente, o Benfica ganhou nas calmas ao Alverca, e até teve queixa de um penalti por marcar na grande área ribatejana, por mão na bola.
É o Sistema? Ou será , por sistema?



Publicado por João Gonçalves às 16:20
Comentários (8) | TrackBack (0)




segunda-feira, 22 março 2004




Domingo Subjectivo - Só não vê quem não quer


Falemos de segurança. Aliás, numa altura em que não fala de outra coisa, dedico aqui uma pequena reflexão ao que pode estar para vir.

É quase anedótico, o tratamento que as autoridades deste país estão a efrentar o problema de segurança nos estádios. Já perdi a conta aos "jogos-teste" para o Euro. Sem variar, o resultado desses testes são sempre excelentes, positivos, e depois acrescenta-se que está tudo em ordem.

Quem frequenta os nossos estádios, assiduamente, só pode esboçar uns sorrisos irónicos. É que não estamos preparados para nada! Quanto muito, conseguimos ir tendo umas enchentes, sem haver nenhum desastre, mas isso é entre espectadores portugueses, que como sabemos, são o povo mais desenrascado da Europa.

Ainda ontem, uma televisão, mostrou toda a segurança à volta do Braga - Porto, jogado no estádio mais caro do euro. Foi assustador ver a falta de condições, de organização, a maneira como revistaram os espectadores... Enfim, uma demonstração da maneira como (não) estão preparados para este tipo de eventos.

Descontemos as barbaridades a la Avelino Torres e olhemos lá para fora. E basta escolher dois países. No dia de ontem em Inglaterra e Itália, mais uma jornada negra para o futebol. Por acaso, dois países que estão apurados para o Euro. Em Inglaterra, antes e depois do jogo Portsmouth-Southampton, automóveis danificados, lojas pilhadas e as montras partidas. Oito pessoas foram detidas e vários adeptos ficaram feridos, um dos quais necessitou de assistência hospitalar. Foi necessária a intervenção de cerca de 400 agentes da polícia, apoiados por cães e cavalos, para repor a ordem.
Tudo isto, num simples jogo da Premier.

Em Itália, no sempre escaldante derbi de Roma, o jogo acabou interrompido aos três minutos da segunda parte, na sequência da notícia da morte de uma criança no exterior do Estádio Olímpico, alegadamente atropelada por um carro da polícia. Apesar dos desmentidos das autoridades romanas, repetidos através dos altifalantes do estádio, os adeptos das duas equipas exigiram a suspensão da partida, o que acabou mesmo por acontecer. Os receios de que a ordem pública pudesse estar em causa e a vontade dos jogadores, sobretudo os do Roma, certamente assustados com o ambiente que se vivia nas bancadas, onde foram acesas diversas fogueiras, levaram o árbitro Roberto Rosetti a interromper definitivamente a partida!
As imagens são elucidativas.

Perante isto, estamos mesmo com a segurança preparada?



Publicado por João Gonçalves às 17:43
Comentários (0) | TrackBack (0)




segunda-feira, 15 março 2004




Domingo Subjectivo - a Europa do Futebol

As provas europeias entre clubes, da UEFA, têm ganho ao nível de organização, segurança e divulgação. Então financeiramente, nem se fala, as receitas dispararam com o novo formato da Champions League.

Talvez seja uma ideia um pouco antiquada, mas a minha questão é mais virada para a emoção. Sim, porque futebol também é emoção, sentimentos fortes, feitos de sonhos e esperanças. Isto para dizer que , por mim, os formatos das provas europeias de clubes, continuavam baseados em eliminatórias de "casa e fora", sem poules, nem sorteios ultra condicionados, com cabeças de série, que tentam viciar a evolução das provas, tentando a todo o custo que os, já poderosíssimos, clubes de elite vão o mais longe possivel, evitando que os "pobres" consigam as suas proezas.

Por contriar estes novos formatos, é que me deu gozo ver o Manchester United e a Juventus cairem.
Na passada 5ª feira, voltei a reforçar esta ideia. Ir a um estádio da Luz cheio, que nessa noite registou a maior enchente desta jornada de Taça UEFA, sentir aquele ambiente fantástico, e sonhar que os nossos jogadores vão conseguir ser maiores que os Zanettis, Toldos, Recobas e Cannavaros, constítui um momento único, lindo e inesquecível.
E depois, é a maneira como vivemos as incidências do próprio jogo. O pavor a sofrer um golo ali, no nosso estádio, o contabilizar dos cartões mostrados e por mostrar, o saber que só estamos ali a ver metade de uma decisão... Enfim, tudo isto junto, faz com que as noites europeias sejam mágicas. Só que essa magia tem sido substituída pelo poder dos cifrões, e as provas da UEFA estão cada vez mais "falsas". Veja-se quem é o actual campeão europeu; o Milan é campeão europeu, e no entanto já não ganha o campeonato italiano desde 1999! Se pela componente organizativa e financeira, percebe-se as alterações da UEFA, na parte emocional e desportiva parece ser um atentado.

O regulamento de poules na Champions, com cabeças de série, alargou o número de jogos por equipa, é certo. Mas, digam-me, conseguem lembrar-se de algum jogo verdadeiramente emocionante e empolagante, dessa fase nos últimos anos? Eu não.
Mas já sei, que neste aspecto estou a ser um romântico.



Publicado por João Gonçalves às 03:59
Comentários (0) | TrackBack (0)




segunda-feira, 8 março 2004




Domingo Subjectivo - Tempo dos Mais Novos


Há motivos para alguns sorrisos na Luz. Depois, de não ganhar contra Porto, Nacional e Moreirense, o Benfica lá arrancou um vitória em Barcelos, moralizadora para o encontro europeu, de quinta feira.

Mas, os motivos que podem trazer alguma alegria aos encarnados, estão centrados na juventude. Depois do miúdo Moreira ter brilhado a grande altura, a meio da semana, na Noruega, depois de João Pereira ter renovado contrato, e ter ganho lugar no plantel principal, aparece Manuel Fernandes. É um jovem de 18 anos e 1 mês, que tem jogado na equipa "b", e que até já foi chamado por Camacho à equipa principal. Esta noite, viveu o grande momento no Benfica, ao marcar o golo da vitória, em bela jogada pela esquerda. Entrou aos 69', para o lugar de Petit, e resolveu o jogo.

Há sangue novo na Luz.



Publicado por João Gonçalves às 04:47
Comentários (1) | TrackBack (0)




domingo, 22 fevereiro 2004




Domingo Subjectivo - Benfica a um canto

Ser benfiquista é ter na alma um horror a cantos... E livres directos...
Podia começar assim um hino do Benfica, mais actualizado. Hoje, na Madeira, os encarnados voltam a dar a volta ao resultado mas em 3 (três!!!!) lances de bola parada, a defesa foi batida, e acabou por perder o jogo.

Depois, ao ver as alterações de Camacho para este jogo, fica a dúvida; o que valem Hélder e Luisão no "onze" da Luz?!

Quantos golos já sofreu o Benfica esta época, de bola parada?! Só nos últimos dois jogos, sofreu 4 golos assim... Camacho, disse no final que não compreendia, porque tem uma defesa alta, e a solução seria mais... concentração.
Estas situações de bolas paradas, treinam-se? É que desconfio que não...

Desta maneira, as aspirações do Benfica na Superliga, ficam a um canto.



Publicado por João Gonçalves às 22:29
Comentários (0) | TrackBack (0)




quarta-feira, 18 fevereiro 2004




Futebol de Terceira

Já por várias vezes se falou na questão das cotoveladas no futebol. Ora nas jogadas aéreas, ora nas disputas de bolo no solo, são diversos os casos em que se utilizam os cotovelos e se acabam por atingir adversários. Parece unanime que é uma atitude reprovável a todos os níveis e algo que deveria ser passivel de forte sanção. Isto porque pode provocar danos preocupantes e graves em colegas de profissão. Eu decidi falar desta temática aqui no "Futebol de Terceira" porque, se estas atitudes já são gravissimas a um nivel profissional, julgo que quando se trata de campeonatos e jogadores amadores a reflexão deve ser ainda mais exaustiva. E falo nisto porque assisti a um desses casos neste último fim-de-semana e choca-me um pouco que estas situações se continuem a verificar nos relvados. Um colega meu foi atingido intencionalmente por um colega de profissão. Numa disputa de bola, o adversário agrediu-o com o cotovelo, partindo-lhe o maxilar. Digo que estes casos, quando verificados em competições amadoras, devem ser ainda mais reprováveis pelo seguinte: se isto acontecer a um jogador da Superliga, ele é prontamente assistido pelos competentes médicos dos clubes, prontamente levado para um hospital, operado de urgência e inicia depois um periodo de recuperação intensiva, para que regresse ao activo em breve. Num campeonato amador a história é outra: um jogador passa a semana a trabalhar e ao fim do dia ainda vai treinar, conduzido pelo gosto do desporto. Ao domingo, a unica coisa que tem em mente é jogar bem e lutar pelos objectivos individuais e colectivos. Depois, quando isto acontece, é assistido por massagistas que, apesar da experiencia e da boa vontade, não têm as habilitações dos medicos dos grandes clubes. Depois, é conduzido de hospital em hospital até ser internado. Seguem-se mais algumas horas ou mesmo dias de conflito entre o clube e a seguradora da federação portuguesa de futebol, até que finalmente o jogador é operado. E depois....não há recuperações record, não há sessões bi-diárias de tratamento. Há sim um largo tempo passado em cama, sem poder fazer o que mais gosta e, mais importante que isso, sem poder trabalhar para ganhar o seu sustento.



Publicado por nuno travassos às 23:43
Comentários (0) | TrackBack (0)




terça-feira, 17 fevereiro 2004




O primeiro sinal da aliança


Finalmente, a direcção do FC Porto decidiu trocar de relvado. Vem aí um tapete novo. Se nos lembrarmos das "bocas" que os sportinguistas ouviram à conta de semelhante problema, não podemos deixar de elogiar a maneira como o Porto deu a volta ao seu erro de casting, já era evidente a falta de qualidade da relva original do Dragão.

Mais uma vez, o clube sai-se bem de uma situação embaraçosa, e até aproveitou para mandar mais umas chamas de dragão ao ex-amigo leão, dizendo que a troca vai ser por um tapete completamente novo, sem recurso a nada artificial...

Eu só me admiro é como é que, o sempre atento elenco directivo portista, não desconfiou logo da relva escolhida, nem mesmo depois de saberem que os fungos andavam a dar cabo do campo do Alvalade XXI. E se uns fungos em Lisboa estragavam bastante, imagine-se o que fizeram os fungos no Porto, onde seriam muito mais trabalhadores, fazendo fé nas convicções laborais nortenhas. A verdade é que era muito previsivel que o Estádio do Dragão viesse a ter problemas, reparem que para se plantar uma VERDE relva, contrataram uma empresa RED !
Só podia dar mau resultado, deve ser a nova aliança a funcionar.



Publicado por João Gonçalves às 01:00
Comentários (7) | TrackBack (0)




segunda-feira, 16 fevereiro 2004




Domingo Subjectivo - (In)Segurança

Mais um clássico que passou, mais um orgasmo colectivo à volta da organização e segurança do jogo. Hoje podemos ler que a segurança do Benfica-Porto , foi bem organizada, não se registando incidentes graves.

Estamos prontos para o Euro!
Ou então não... Eu fui ao estádio e posso garantir que PSP, Stewards (não sei se estará bem escrito), Securitas e outros elementos ligados à organização do jogo, nem imaginam o que aí vem.

É verdade que não houve problemas á volta do jogo. O cenário à volta do campo relvado era digno de um filme bélico, o aparato policial , impressionante, as claques todas controladinhas e isso tudo.
Mas, pergunto eu que há anos que frequento estes clássicos, alguma vez houve graves incidentes a registar nestes encontros?! Tirando a raiva, a rivalidade, o orgulho de cada um, bem explícitos nos cânticos de parte a parte e na "guerra" de tarjas carregadas de humor provocativo, alguém deu por alguma catástrofe à volta de um clássico? A resposta, felizmente, é não. E não pensem que tem sido só pela segurança, é porque nós por cá somos todos muito maus, muito violentos e agressivos , mas é a mandar bocas para os jornais e televisões.
A verdade, meus amigos, é que nem hooligans a sério temos por cá! Até nisso os países estrangeiros estão mais à frente. E ainda bem, pelo menos pelas últimas décadas. Mas, temo que no próximo verão, as autoridades tenham uma surpresa desagradável, e percebam que a ameaça violenta que representam os Super Dragões, Jueventude Leonina ou No Name Boys, seja uma pequena brincadeira quando comparados com os hooligans ingleses, os extremistas alemães, os ultras holandeses, e por aí fora.

A minha esperança é que esse pessoal quando chegar cá, se deixe contagiar por este clima de tensãozinha falsa, e que aprendam connosco a ver bola, como aconteceu ontem nas bancadas da Luz, onde na mesma bancada havia portistas e benfiquistas misturados, e nem por isso houve uma guerra norte-sul.

Abram os olhos, e deixem-se de se enganar a si próprios, responsáveis pela segurança no Euro.



Publicado por João Gonçalves às 18:20
Comentários (3) | TrackBack (0)




segunda-feira, 9 fevereiro 2004




Domingo Subjectivo - Benfica Vive

Faz duas semanas, que o Benfica viveu um dos dias mais tristes e trágicos da sua centenária história. Muito se lamentou, muito se escreveu, muito se chorou, nos dias seguintes, chegou-se a pensar que algo mudaria no panorama nacional, mas o nosso futebol voltou rápidamente ao normal, com acontecimentos vergonhosos antes e depois do clássico verde e azul, com demonstrações de selvajaria por parte de adeptos, jogadores e dirigentes em Guimarães, com notícias pouco divulgadas, de cenas tristes de agressões a jogadores (em Lamas), agressões a dirigentes (em Santa Maria da Feira), enfim, o revelar do triste cenário em que o futebol tem vivido por cá.

No meio de tudo isto, imporatava saber qual seria a resposta desportiva do Benfica, já que a nível institucional foi muito digna. E esta semana a vida teve que continuar para os jogadores, que até vinham de um início de ano infeliz, cedendo pontos que comprometeram o campeonato. Contra a Académica, o resultado foi melhor que a exibição, mas viu-se vontade em ganhar, em seguir em frente. Hoje, no Restelo veio a confirmação, a equipa está mais unida, e voltou a vencer por 2 golos sem resposta. Não é que o Benfica tenha começado a jogar um futebol brilhante ou deslumbrante, não é o caso, mas pelo menos tem mostrado uma boa atitude, vontade de vencer, alguns momentos de bom futebol. E isto é uma excelente notícia para os benfiquistas, que voltam a acreditar na equipa, e podem pensar que se podem estar a fazer das fraquezas as suas forças.

A verdade é que o Benfica entra nesta semana, numa posição priveligiada, no sentido em que está moralizado, confiante e unido para atacar uma série de jogos verdadeiramente decisivos. Vai ter o Nacional pela frente, na Luz pode carimbar uma ida às 1/2 finais da Taça de Portugal, o que dava mais ânimo aos encarnados, afastados dessas andanças há anos. Depois recebe o Porto, uma oportunidade única para tentarem contrariar o melhor futebol do campeão nacional, antes de se concentrarem em exclusivo ao ataque ao 2º lugar no campeonato, que dará acesso directo à Liga dos Campeões. E mais tarde , o regresso à Europa, onde certamente quererá voltar a fazer soar o seu nome.

Apesar de todas as dificuldades, conhecidas e debatidas, o Benfica vive.



Publicado por João Gonçalves às 03:32
Comentários (6) | TrackBack (0)




domingo, 1 fevereiro 2004




Domingo Subjectivo - Assim não!

Dia 26 de Janeiro, capa do jornal O Jogo:
Morreu Miklos Fehér

Seguiram-se dias de sofrimento e tristeza, para muitas pessoas, e de aproveitamento e cinismo para outras.

Dia 1 de Fevereiro (nem uma semana após a tragédia!), página 13 do jornal A Bola:
"Disse que gostava que Rui Jorge MORRESSE em campo - Bettencourt acusa Mourinho de declaração muito grave"

Isto é um nojo!
Quero lá saber quem é que mente ou quem diz a verdade, o que me deixa incrédulo é que uma frase destas, um desejo deste , venha a público com esta facilidade.
E passaram a semana a "lamentar" uma morte...
Assim não!



Publicado por João Gonçalves às 20:06
Comentários (12) | TrackBack (0)